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	<title>Página 22 &#187; pegada ecológica</title>
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	<description>Informações para o novo século</description>
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		<title>Velocidade máxima</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 16:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[WWF]]></category>

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		<description><![CDATA[Que a biodiversidade vai  mal, ninguém tem dúvidas, mas dá só uma olhada na velocidade com que estão ocorrendo todas as perdas. Só nos últimos 40 anos, houve uma diminuição de 30% das populações animais e vegetais conhecidas. A situação é mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9710" class="wp-caption alignleft" style="width: 385px"><a href="http://www.flickr.com/photos/redglow/289379847/"><img class="size-full wp-image-9710" title="velocidade" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/10/velocidade.jpg" alt="Foto de &quot;RedGlow82&quot; via Flickr" width="375" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de &quot;RedGlow82&quot; via Flickr</p></div>
<p>Que a biodiversidade vai  mal, ninguém tem dúvidas, mas dá só uma olhada na velocidade com que estão ocorrendo todas as perdas. Só nos últimos 40 anos, houve uma diminuição de 30% das populações animais e vegetais conhecidas. A situação é mais grave nos países tropicais: nesse mesmo período, a marca é de 60%. As conclusões são do Relatório Planeta Vivo, da WWF, lançado na última quarta-feira (13).</p>
<p>Segundo o estudo, o impacto sobre essas populações se deveu principalmente à crescente necessidade de recursos naturais, principalmente depois da ascensão dos países emergentes. A demanda por recursos duplicou desde 1966 e hoje chega a exigir o equivalente a um planeta e meio. Além disso, se os níveis de consumo mantiverem a mesma tendência, em 2030, precisaremos de duas Terras para satisfazer toda a produção industrial e agrícola.</p>
<p>Os resultados mostram, no entanto, valores bastante diferentes quando o foco são as regiões temperadas. Desde 1970, essas áreas  foram as que verificaram os aumentos mais significativos de territórios recuperados e em preservação de espécies. No entanto, se o tempo de análise fosse estendido – em vez de décadas – a séculos atrás, o resultado provavelmente seria bastante diferente, uma vez que muitos desses países destruíram – se não toda – grande parte de suas coberturas florestais a partir do <em>boom</em> da revolução industrial.</p>
<p><strong>Pegadas</strong></p>
<p>O relatório relaciona o Índice Planeta Vivo, que indica a saúde das espécies, com a pegada ecológica e a pegada hidrológica dos países, elaborando a perspectiva sobre o impacto em relação aos recursos naturais e ao uso da terra. Segundo o estudo, nos últimos 50 anos, só a pegada do carbono cresceu onze vezes e hoje representa mais da metade de toda a pegada ecológica, cujo ranking é liderado – do 1º para o 5º lugar – por Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica e Estados Unidos. O Brasil ocupa a 56ª posição.</p>
<p>Causa, inclusive, um certo estramento que a liderança não seja ocupada pela China ou os Estados Unidos, ou ainda por verificar a Dinamarca com o terceiro maior valor. Pode parecer que há algo de errado na lista, mas a questão são os critérios usados no cálculo da pegada ecológica.</p>
<p>A conta mede o impacto humano em uma certa região a partir das quantidades de terra e água necessárias à obtenção de tudo o que é consumido e à absorção dos resíduos gerados. Apesar dos exemplos em políticas de controle de emissões e geração de energia limpa, é aí que aparece o calcanhar do país escandinavo: o alto consumo, muito além do que poderia equilibrar com seus próprios recursos naturais.</p>
<p>O cálculo ainda fecha com outro saldo bastante ingrato: como grande parte do que é consumido não é produzido internamente, a degradação ambiental acaba sendo &#8220;exportada&#8221; para outros países (mais sobre o cálculo da pegada ecológica <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pegada_ecol%C3%B3gica" target="_blank">aqui</a>).</p>
<p>No ranking da pegada hidrológica, que indica o uso de água na produção agrícola e industrial, a situação parece um pouco mais alarmante para o Brasil. Apenas Índia, China e Estados Unidos estão à nossa frente, países muito mais extensos e com populações bastante maiores.</p>
<p>“As maiores repercussões de nossa pegada hidrológica sobre os ecossistemas de água doce em nível global incluem o aumento da fragmentação dos rios, a captação excessiva e a poluição da água. Os impactos iminentes da mudança do clima podem agravar em muito a situação”, conclui o estudo.</p>
<p>Essa é a primeira vez que o relatório foi traduzido integralmente para o português. Para acessá-lo na íntegra, clique <a href="http://assets.wwfbr.panda.org/downloads/08out10_planetavivo_relatorio2010_completo_n9.pdf" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Mais sobre a interdependência de florestas com manaciais de água na matéria “<a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/04/agua-ainda-com-divisores/" target="_blank">Água ainda com divisores</a>”, da edição 29 de Página 22<strong>.</strong></p>
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		<title>Saldo devedor planetário</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 22:08:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
		<category><![CDATA[Earth overshoot]]></category>
		<category><![CDATA[pegada ecológica]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece aquele bordão apocalíptico, “o fim está próximo”, mas com um bocado mais de refinamento. A questão com a crise do clima é descobrir o quão próximo está o limite, ou o point of no return, aquela última gota d’água [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2540" class="wp-caption alignleft" style="width: 202px"><img class="size-large wp-image-2540" title="Terra" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Terrared-192x270.jpg" alt="Ilustração de Dieter Spannknebel" width="192" height="270" /><p class="wp-caption-text">Ilustração de Dieter Spannknebel</p></div>
<p>Parece aquele bordão apocalíptico, “o fim está próximo”, mas com um bocado mais de refinamento. A questão com a crise do clima é descobrir o quão próximo está o limite, ou o <em>point of no return</em>, aquela última gota d’água que vai desencadear mudanças ambientais sem volta. E boa parte da pesquisa científica climática é voltada para responder a essa pergunta.</p>
<p>O pessoal da Global Footprint Network diz que ultrapassamos os limites do que a Terra pode oferecer em um ano no <a href="http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/earth_overshoot_day/" target="_blank">último dia 25 de setembro</a>. Ou seja, entramos no saldo negativo de 2009, um quadro que se repete ano a ano, mas sempre alguns dias mais cedo.</p>
<p>A GFN usa como metodologia a famosa pegada ecológica, que calcula o tamanho da área produtiva que a humanidade precisa para gerar bens e descartar resíduos (incluindo gases de efeito estufa). Eles então comparam com a biocapacidade, ou seja, a habilidade dos ecossistemas de gerar recursos e absorver resíduos como o CO2. E dessa conta que vêm constatações gerais amplamente repetidas como “a humanidade já consome 30% a mais do que a Terra pode oferecer” ou “a humanidade precisaria de não sei quantas Terras para que todos tivessem o mesmo nível de consumo dos países desenvolvidos”.</p>
<p>Um novo estudo publicado na revista Nature, de um consórcio internacional de cientistas, diz que são nove os processos sistêmicos naturais que indicariam os limites da Terra. Entre esses, a humanidade já teria ultrapassado a fronteira em três: o clico de nitrogênio, as taxas de extinção de espécies vegetais e animais e as mudanças climáticas. (<a href="http://www.agencia.fapesp.br/materia/11112/divulgacao-cientifica/limites-da-terra.htm" target="_blank">Mais na notícia da agência Fapesp</a>). </p>
<p>É intrigante perceber que a humanidade está se endividando, em termos de capital natural, mais do que os “ninjas” da hipoteca nos EUA. Não custa lembrar que, ao contrário das instituições financeiras, a natureza não tem Estado ou contribuintes a que recorrer na hora do aperto.</p>
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		<title>Smörgåsbord</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 19:28:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[pegada ecológica]]></category>

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		<description><![CDATA[A sustentabilidade é como um smörgåsbord – aquele bufê que tem arenque preparado de 52 formas e tudo o mais que houver numa dispensa sueca.
Primeiro, é impossível pronunciar sem parecer metido a besta.
Segundo, cada um se serve do que mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2025" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2025" title="smorgasbord-main-dining-room-kungsholm-chicago-us-state-town-views-illinois-chicago-11626" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/09/smorgasbord-main-dining-room-kungsholm-chicago-us-state-town-views-illinois-chicago-11626-300x195.jpg" alt="Mesa de Smorgasbord" width="300" height="195" /><p class="wp-caption-text">Mesa de Smorgasbord</p></div>
<p>A sustentabilidade é como um smörgåsbord – aquele bufê que tem arenque preparado de 52 formas e tudo o mais que houver numa dispensa sueca.</p>
<p>Primeiro, é impossível pronunciar sem parecer metido a besta.</p>
<p>Segundo, cada um se serve do que mais lhe apetece.</p>
<p>Cada um de nós abraça aspectos da sustentabilidade que nos convêm.  Quando morava na França, entrevistei muitos ambientalistas sérios que caçavam todos os fins de semana. E que não viam nenhum conflito nisso. No Brasil, já foi muito comum encontrar militantes fumando (hoje até fumam, mas normalmente não são cigarros convencionais).</p>
<p>Uma colega do curso de Biologia da USP levou o namorado a uma excursão curricular às cavernas do Petar, no Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo.  Ele levou para casa uma estalactite de lembrança.  A garota até que era engajada, mas definitivamente não era sustentável no terreno amoroso.  (Mas quem sou eu para criticar? Não tive um namorado que queria “enforcar o último mico-leão com as tripas do último panda”?)</p>
<p>A minha sustentabilidade pessoal – estejam informados senhores leitores – é esquizofrênica como a de todo o mundo.</p>
<p>Na lista de pontos positivos:</p>
<p>Nunca dirigi – embora o meu marido esteja me obrigando a ter aulas de direção.  Meu plano é adquirir a competência necessária em dez anos (Ele não lê português.  Por favor, não traduzam esta passagem).</p>
<p>Estou cada vez mais vegetariana, 50% da minha dieta é orgânica, tenho uma pequena horta e um pessegueiro e estou tratando de dar preferência a alimentos locais.</p>
<p>Tenho só uma filha.  Pelo menos até onde sei.  Optamos pelo nome de Luisa em homenagem a Luiz Gonzaga (meu marido, Lenny, é sanfoneiro, dentre outras coisas), mas também porque é curto e consome pouco papel e tinta.</p>
<p>Reciclo até papel de bala.  Faço compostagem.  Costuro, remendo, pinto, colo o que estiver quebrado.  Recuso sacolas plásticas.  Ando pela casa desligando a luz.</p>
<p>Provavelmente 90% de meus móveis e eletrodomésticos e 70% das minhas roupas são de segunda mão.</p>
<p>Praticamente tudo o que fiz e faço na minha vida profissional – jornal, revista, rádio, assessoria de imprensa, tradução, consultoria, produção de conteúdo para livros, treinamentos e websites, análise de risco socioambiental, produção de relatórios de impacto ambiental – tem um viés sustentável.</p>
<p>Beleza, certo?  Que nada.  Da última vez que calculei, precisava de mais de três planetas para satisfazer as minhas necessidades. Para entender por que, vamos à lista de pontos negativos:</p>
<p>Viagens – duas anuais ao Brasil, umas poucas dentro dos Estados Unidos.  Façam as contas do estrago.</p>
<p>Reformei a minha casa inteira no começo do ano.  Muitos materiais são reciclados e caprichamos no isolamento térmico, mas mesmo assim.</p>
<p>Fraldas – pilhas e pilhas de fraldas descartáveis, opção de uma mãe insone que não tinha a menor energia para lavar fraldas de pano.</p>
<p>Sou uma cidadã normal – uso pilhas, pego elevador para cima (para baixo geralmente não), aqueço a casa a gás e lenha, tenho freezer.  E uso meu marido como motorista, óbvio.</p>
<p>O longo prólogo é uma introdução a esta que vos fala para os eventuais leitores que me acompanham e que hão de me acompanhar, se Santo Expedito, patrono das causas perdidas, me ajudar.</p>
<p>Será um prazer compartilhar este espaço com a Flavia e com vocês.  Por favor, sintam-se convidados a comentar o que encontrarem aqui, um espaço que deverá servir como um smörgåsbord &#8211; um pouco de tudo para quem, como eu, acredita na sustentabilidade.  Sobretudo, deixe aqui referências de idéias, documentos e projetos que se relacionem aos temas que serão discutidos pelo blog.  Como se diz aqui no Novo México, um dos lugares mais hispânicos dos Estados Unidos: “mi casa es su casa”.</p>
<p><em>Regina Scharf</em></p>
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		<title>Desenvolvimento, mentiras e videoteipe</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 21:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
				<category><![CDATA[21]]></category>
		<category><![CDATA[Revista]]></category>
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		<description><![CDATA[O debate estreito sobre entraves ignora que a biocapacidade é o trunfo do Brasil em um mundo em que são poucos os credores ambientais
Por Mario Monzoni* e André Carvalho** 
Na seara econômica, vive-se euforia.  O Brasil alcançou o sonhado investment [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O debate estreito sobre entraves ignora que a biocapacidade é o trunfo do Brasil em um mundo em que são poucos os credores ambientais</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Mario Monzoni* e André Carvalho**<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na seara econômica, vive-se euforia.  O Brasil alcançou o sonhado investment grade &#8211; indicador da capacidade de empresas e países de arcar com obrigações financeiras.  O comércio vai de vento em popa &#8211; de grãos para alimentar rebanhos a minério que movimenta indústrias, o País beneficia-se da extravaganza chinesa.  Planeja-se a volta das grandes obras, usinas hidrelétricas, portos e rodovias &#8211; grande parte na Região Norte.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Do lado ambiental, o País perdeu um emblema com a saída de Marina Silva do Ministério.  Flexibilizam-se regras para punir os que desmatam, pretende-se reduzir a exigência de conservação de áreas naturais em propriedades particulares e as licenças ambientais devem fluir.  Reduz-se o debate à visão simplista que tem no meio ambiente o principal entrave ao desenvolvimento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ignora-se que, em nome da competitividade do parque produtivo nacional, o Brasil exporta água, solo, energia e biodiversidade &#8211; sua biocapacidade ou capital natural &#8211; de graça ou às custas de subsídios pagos pela população.  Esquece-se de que não há investment grade que garanta a perenidade dos recursos e serviços ambientais que sustentam a população e a economia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nessa conversa entre surdos e mudos, o pensamento econômico tradicional prevalece.  Em uma tentativa de realmente comunicar, este Ensaio usa a linguagem econômica vigente para alertar para a urgência de centrar-se no que interessa no debate sobre o meio ambiente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Cheque especial</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Desde criança aprendemos que, se gastamos mais do que ganhamos, mas pretendemos manter o padrão de consumo, temos que recorrer à poupança, ou pedir emprestado, para fazer frente ao &#8220;déficit orçamentário&#8221; que resulta.  Tal conceito vale para um indivíduo, uma família, e para as nações.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sabemos também que, se muito usados, a poupança e o crédito acabam.  Mas, quando o assunto é natureza, a dificuldade de indivíduos, famílias e nações compreenderemo mesmo conceito é imensa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não por falta de formas de mensuração.Reconhecida como a mais robusta ferramenta para avaliação de impactos ambientais, a pegada ecológica mede a área, em termos de solo e água, necessária para produzir os recursos que indivíduos, famílias e nações consomem e absorver os resíduos que geram, considerando-se a tecnologia disponível.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A sustentabilidade ecológica do planeta é dada pela capacidade da natureza, ou biocapacidade, de atender a tal demanda.  Quando recursos são consumidos em ritmo mais rápido do que produzidos ou renovados, o estoque diminui até o esgotamento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Da mesma forma que o Produto Interno Bruto (PIB) mede, com base no consumo de bens e serviços, o valor econômico &#8220;adicionado&#8221; pelo homem e suas tecnologias às matérias-primas ao longo das cadeias produtivas &#8211; por exemplo, desde a extração do minério de ferro até sua transformação em partes de automóvel -, a pegada ecológica contabiliza o consumo de recursos e serviços naturais pelas atividades humanas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A demanda global por recursos naturais ultrapassou a capacidade de oferta da Terra no fim dos anos 80, de acordo com a Global Footprint Network, uma ONG que trabalha para tornar a métrica da pegada ecológica tão proeminente quanto o PIB.  O limite da oferta é determinado pela capacidade de regeneração de recursos e serviços naturais &#8211; nunca é demais lembrar que temos apenas um planeta à disposição para obter recursos e depositar resíduos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em 2003, consumíamos 23% além do que a biocapacidade do planeta oferece.  Ou seja, entramos no cheque especial.  Como não há outro planeta para pedir emprestado, para manter o padrão de consumo a saída é recorrer à poupança de recursos e serviços ambientais &#8211; graças às diferenças no ritmo e na qualidade do desenvolvimento, alguns países têm superávit, enquanto outros há tempos estão em débito com a natureza.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os países são sofisticadíssimos na arte de contabilizar valores econômicos adicionados nas contas nacionais, isentando ou taxando determinados segmentos em nome de políticas industriais e do princípio da competitividade comercial.  Esquecem-se de contabilizar, entretanto, a biocapacidade necessária para que se possa adicionar valor na produção de bens e serviços a serem consumidos e exportados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A pegada ecológica de uma nação é composta da demanda por recursos e serviços ambientais para dar conta da produção interna, mais as importações.  Ao subtraírem-se as exportações, chega-se à pegada ecológica do consumo aparente.  Valor que, dividido pela população, é igual à pegada de consumo per capita.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O país conta com uma reserva ecológica &#8211; ou seja, é um credor ambiental &#8211; quando sua pegada é menor do que sua biocapa- cidade.  De outra maneira, trata-se de um devedor ambiental.  Graças ao comércio internacional, países devedores &#8220;financiam&#8221; seus déficits ecológicos ao importar a biocapacidade estocada além de suas fronteiras &#8211; caso da China, da Índia e da maioria dos países desenvolvidos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na média, o consumo de um habitante da América do Norte &#8211; EUA e Canadá &#8211; de- manda o equivalente a 9,5 hectares globais, enquanto um cidadão que vive em um de 25 países da União Européia consome cerca de 5 hectares globais, segundo a National Footprint Accounts, um sistema que calcula a pegada e a biocapacidade de 150 nações.  Contudo, se considerarmos a população mundial de 6,3 bilhões de pessoas e aproximadamente 11,2 bilhões de hectares de superfícies biologicamente produtivas &#8211; em valores de 2003 -, a biocapacidade disponível é de 1,8 hectare global per capita.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sem credor não há devedor</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É falacioso, portanto, o argumento de que países desenvolvidos conservam de forma mais adequada os recursos naturais.  Tal noção pode ser verdadeira quanto ao meio ambiente interno às suas fronteiras, mas perde o sentido em um mundo economicamente conectado em que as nações recorrem à biocapacidade de outros locais para manter a afluência de seu consumo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Do ponto de vista econômico, a dívida ecológica é resultado de um problema distributivo com duas faces.  De um lado, os países em desenvolvimento não incluem no preço das exportações de produtos não-industriais ou de baixa tecnologia a compensação pelos impactos ambientais gerados na produção.  De outro, os países desenvolvidos utilizam-se do espaço físico e dos serviços ambientais do planeta de forma desproporcional, não pagam pela utilização desses ativos, e desconsideram o direito das demais populações a tais recursos e serviços.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No caso brasileiro, a biocapacidade per capita é muito maior do que a pegada ecológica, mas decrescente ao longo do tempo graças ao aumento contínuo da população; à degradação de ecossistemas devido a mudanças no uso do solo, poluição de rios e outros efeitos das atividades humanas; e à exportação de biocapacidade na forma de minerais, solo, água, energia e biodiversidade.  O decréscimo da pegada na agricultura, fruto do aumento da produtividade e de novas tecnologias, não compensa o aumento da pegada com a conversão de áreas de floresta em pastagens e a emissão de CO2.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A China apresenta o reverso da moeda: a biocapacidade per capita já não dá conta do consumo de recursos naturais, em especial da demanda por combustíveis fósseis.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Enxergar o meio ambiente como entrave ao desenvolvimento é desconsiderar os recursos naturais e os serviços ambientais como suporte à economia mundial e, antes disso, à experiência humana na Terra.  Se há incompatibilidade entre desenvolvimento &#8211; que nem de longe significa só crescimento econômico &#8211; e práticas de conservação do meio ambiente, a causa encontra-se no campo econômico, e não no ambiental.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O exame da pegada ecológica dos países reforça a idéia de que, mantidos o atual acervo de tecnologias e as matrizes de in- sumos, o padrão de afluência de alguns não poderá ser estendido a todos.  Uma solução global requer que os indivíduos revisitem seu consumo, questionando necessidades e preferindo qualidade à quantidade; que se invista em inovação na busca de soluções para produzir riqueza com pegada ecológica decrescente; e que se contabilizem os custos ambientais ao longo das cadeias de valor que atendem às necessidades humanas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No Brasil, além disso, é urgente que o debate saia das conjunturas do dia-a-dia e centre-se nas questões estratégicas de longo prazo.  Se os custos da perda do capital natural não forem incorporados nas contas nacionais e nas funções de custo, é de se perguntar até quando poderemos contar com a biocapacidade que herdamos e, principalmente, se conseguiremos deixá-la como legado para os que virão.  Em um mundo em que os recursos e serviços ambientais necessários à manutenção do bem-estar estão concentrados nos países em desenvolvimento, ela é o verdadeiro trunfo econômico do Brasil.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">*Coordenador do GVces</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">**Coordenador do Programa de Produção Sustentável, Empreendedorismo e Cadeia de Valor do GVces</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Poupar, poupar &#8211; No Alasca, a receita do petróleo beneficia economicamente gerações presentes e futuras</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Um pedaço da biocapacidade brasileira pode acabar em um fundo financeiro, resultado das receitas com a venda de petróleo que, por enquanto, descansa sob grossa crosta de sal no fundo do oceano.  De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, as descobertas da Petrobras podem gerar receitas de até US$ 300 bilhões.  Se o plano vingar, o dinheiro iria para um fundo soberano nos moldes do fundo chileno que abriga as receitas do cobre, principal commodity de exportação do país.  Ao comprar dólares e mantê-los no fundo &#8211; hospedado no exterior -, o governo chileno reduz a pressão de apreciação de sua moeda.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A idéia de fundos para as receitas do petróleo &#8211; recurso não renovável, cujo pico de produção global é objeto de intensa discussão entre acadêmicos e analistas &#8211; não é nova.  O primeiro foi criado em 1953 no Kwait.  Hoje, existem duas dezenas, com ativos beirando os US$ 2 trilhões.  O Fundo de Pensão do Governo da Noruega incorporou, em 2006, o que até então era um fundo dedicado às receitas do petróleo, criando uma das maiores potências financeiras do mundo, com US$ 340 bilhões em ativos.  &#8220;O fundo é um instrumento para garantir que uma parte razoável da riqueza gerada pelo petróleo beneficie as gerações futuras&#8221;, segundo as diretrizes do fundo.  &#8220;É uma obrigação ética das presentes gerações administrá-la para que gere retorno sólido&#8221;.  São proibidos investimentos que causem violações de direitos humanos ou danos ambientais severos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No Alasca, as presentes gerações levam para casa um naco da riqueza gerada com a extração e venda de petróleo.  O Alaska Permanent Fund, criado em 1976, paga dividendo anual aos residentes do estado.  A idéia de seus criadores era transformar um recurso não-renovável em ativo que cresce perpetuamente e gera renda a partir de sua gestão.  Os fundos da Noruega e do Alasca são reconhecidos pela transparência e pela ausência de ingerência política.  Mantega não mencionou as futuras gerações ou a biocapacidade, esteio dos recursos destinados ao fundo.  O retorno do investimento das receitas do petróleo, segundo o ministro, serviriam para incentivar os compradores de exportações brasileiras ou empresas nacionais no exterior.  Se a equação ambiental fosse levada em conta, parte poderia ser destinada a ações de conservação e desenvolvimento limpo.  - por Flavia Pardini</div>
<div>O debate estreito sobre entraves ignora que a biocapacidade é o trunfo do Brasil em um mundo em que são poucos os credores ambientais</div>
<div>Por Mario Monzoni* e André Carvalho**<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>Na seara econômica, vive-se euforia.  O Brasil alcançou o sonhado investment grade &#8211; indicador da capacidade de empresas e países de arcar com obrigações financeiras.  O comércio vai de vento em popa &#8211; de grãos para alimentar rebanhos a minério que movimenta indústrias, o País beneficia-se da extravaganza chinesa.  Planeja-se a volta das grandes obras, usinas hidrelétricas, portos e rodovias &#8211; grande parte na Região Norte.</div>
<div></div>
<div>Do lado ambiental, o País perdeu um emblema com a saída de Marina Silva do Ministério.  Flexibilizam-se regras para punir os que desmatam, pretende-se reduzir a exigência de conservação de áreas naturais em propriedades particulares e as licenças ambientais devem fluir.  Reduz-se o debate à visão simplista que tem no meio ambiente o principal entrave ao desenvolvimento.</div>
<div></div>
<div>Ignora-se que, em nome da competitividade do parque produtivo nacional, o Brasil exporta água, solo, energia e biodiversidade &#8211; sua biocapacidade ou capital natural &#8211; de graça ou às custas de subsídios pagos pela população.  Esquece-se de que não há investment grade que garanta a perenidade dos recursos e serviços ambientais que sustentam a população e a economia.</div>
<div></div>
<div>Nessa conversa entre surdos e mudos, o pensamento econômico tradicional prevalece.  Em uma tentativa de realmente comunicar, este Ensaio usa a linguagem econômica vigente para alertar para a urgência de centrar-se no que interessa no debate sobre o meio ambiente.</div>
<div></div>
<div>Cheque especial</div>
<div>Desde criança aprendemos que, se gastamos mais do que ganhamos, mas pretendemos manter o padrão de consumo, temos que recorrer à poupança, ou pedir emprestado, para fazer frente ao &#8220;déficit orçamentário&#8221; que resulta.  Tal conceito vale para um indivíduo, uma família, e para as nações.</div>
<div></div>
<div>Sabemos também que, se muito usados, a poupança e o crédito acabam.  Mas, quando o assunto é natureza, a dificuldade de indivíduos, famílias e nações compreenderemo mesmo conceito é imensa.</div>
<div></div>
<div>Não por falta de formas de mensuração.Reconhecida como a mais robusta ferramenta para avaliação de impactos ambientais, a pegada ecológica mede a área, em termos de solo e água, necessária para produzir os recursos que indivíduos, famílias e nações consomem e absorver os resíduos que geram, considerando-se a tecnologia disponível.</div>
<div></div>
<div>A sustentabilidade ecológica do planeta é dada pela capacidade da natureza, ou biocapacidade, de atender a tal demanda.  Quando recursos são consumidos em ritmo mais rápido do que produzidos ou renovados, o estoque diminui até o esgotamento.</div>
<div></div>
<div>Da mesma forma que o Produto Interno Bruto (PIB) mede, com base no consumo de bens e serviços, o valor econômico &#8220;adicionado&#8221; pelo homem e suas tecnologias às matérias-primas ao longo das cadeias produtivas &#8211; por exemplo, desde a extração do minério de ferro até sua transformação em partes de automóvel -, a pegada ecológica contabiliza o consumo de recursos e serviços naturais pelas atividades humanas.</div>
<div></div>
<div>A demanda global por recursos naturais ultrapassou a capacidade de oferta da Terra no fim dos anos 80, de acordo com a Global Footprint Network, uma ONG que trabalha para tornar a métrica da pegada ecológica tão proeminente quanto o PIB.  O limite da oferta é determinado pela capacidade de regeneração de recursos e serviços naturais &#8211; nunca é demais lembrar que temos apenas um planeta à disposição para obter recursos e depositar resíduos.</div>
<div></div>
<div>Em 2003, consumíamos 23% além do que a biocapacidade do planeta oferece.  Ou seja, entramos no cheque especial.  Como não há outro planeta para pedir emprestado, para manter o padrão de consumo a saída é recorrer à poupança de recursos e serviços ambientais &#8211; graças às diferenças no ritmo e na qualidade do desenvolvimento, alguns países têm superávit, enquanto outros há tempos estão em débito com a natureza.</div>
<div></div>
<div>Os países são sofisticadíssimos na arte de contabilizar valores econômicos adicionados nas contas nacionais, isentando ou taxando determinados segmentos em nome de políticas industriais e do princípio da competitividade comercial.  Esquecem-se de contabilizar, entretanto, a biocapacidade necessária para que se possa adicionar valor na produção de bens e serviços a serem consumidos e exportados.</div>
<div></div>
<div>A pegada ecológica de uma nação é composta da demanda por recursos e serviços ambientais para dar conta da produção interna, mais as importações.  Ao subtraírem-se as exportações, chega-se à pegada ecológica do consumo aparente.  Valor que, dividido pela população, é igual à pegada de consumo per capita.</div>
<div></div>
<div>O país conta com uma reserva ecológica &#8211; ou seja, é um credor ambiental &#8211; quando sua pegada é menor do que sua biocapa- cidade.  De outra maneira, trata-se de um devedor ambiental.  Graças ao comércio internacional, países devedores &#8220;financiam&#8221; seus déficits ecológicos ao importar a biocapacidade estocada além de suas fronteiras &#8211; caso da China, da Índia e da maioria dos países desenvolvidos.</div>
<div></div>
<div>Na média, o consumo de um habitante da América do Norte &#8211; EUA e Canadá &#8211; de- manda o equivalente a 9,5 hectares globais, enquanto um cidadão que vive em um de 25 países da União Européia consome cerca de 5 hectares globais, segundo a National Footprint Accounts, um sistema que calcula a pegada e a biocapacidade de 150 nações.  Contudo, se considerarmos a população mundial de 6,3 bilhões de pessoas e aproximadamente 11,2 bilhões de hectares de superfícies biologicamente produtivas &#8211; em valores de 2003 -, a biocapacidade disponível é de 1,8 hectare global per capita.</div>
<div></div>
<div>Sem credor não há devedor</div>
<div>É falacioso, portanto, o argumento de que países desenvolvidos conservam de forma mais adequada os recursos naturais.  Tal noção pode ser verdadeira quanto ao meio ambiente interno às suas fronteiras, mas perde o sentido em um mundo economicamente conectado em que as nações recorrem à biocapacidade de outros locais para manter a afluência de seu consumo.</div>
<div></div>
<div>Do ponto de vista econômico, a dívida ecológica é resultado de um problema distributivo com duas faces.  De um lado, os países em desenvolvimento não incluem no preço das exportações de produtos não-industriais ou de baixa tecnologia a compensação pelos impactos ambientais gerados na produção.  De outro, os países desenvolvidos utilizam-se do espaço físico e dos serviços ambientais do planeta de forma desproporcional, não pagam pela utilização desses ativos, e desconsideram o direito das demais populações a tais recursos e serviços.</div>
<div></div>
<div>No caso brasileiro, a biocapacidade per capita é muito maior do que a pegada ecológica, mas decrescente ao longo do tempo graças ao aumento contínuo da população; à degradação de ecossistemas devido a mudanças no uso do solo, poluição de rios e outros efeitos das atividades humanas; e à exportação de biocapacidade na forma de minerais, solo, água, energia e biodiversidade.  O decréscimo da pegada na agricultura, fruto do aumento da produtividade e de novas tecnologias, não compensa o aumento da pegada com a conversão de áreas de floresta em pastagens e a emissão de CO2.</div>
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<div>A China apresenta o reverso da moeda: a biocapacidade per capita já não dá conta do consumo de recursos naturais, em especial da demanda por combustíveis fósseis.</div>
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<div>Enxergar o meio ambiente como entrave ao desenvolvimento é desconsiderar os recursos naturais e os serviços ambientais como suporte à economia mundial e, antes disso, à experiência humana na Terra.  Se há incompatibilidade entre desenvolvimento &#8211; que nem de longe significa só crescimento econômico &#8211; e práticas de conservação do meio ambiente, a causa encontra-se no campo econômico, e não no ambiental.</div>
<div></div>
<div>O exame da pegada ecológica dos países reforça a idéia de que, mantidos o atual acervo de tecnologias e as matrizes de in- sumos, o padrão de afluência de alguns não poderá ser estendido a todos.  Uma solução global requer que os indivíduos revisitem seu consumo, questionando necessidades e preferindo qualidade à quantidade; que se invista em inovação na busca de soluções para produzir riqueza com pegada ecológica decrescente; e que se contabilizem os custos ambientais ao longo das cadeias de valor que atendem às necessidades humanas.</div>
<div></div>
<div>No Brasil, além disso, é urgente que o debate saia das conjunturas do dia-a-dia e centre-se nas questões estratégicas de longo prazo.  Se os custos da perda do capital natural não forem incorporados nas contas nacionais e nas funções de custo, é de se perguntar até quando poderemos contar com a biocapacidade que herdamos e, principalmente, se conseguiremos deixá-la como legado para os que virão.  Em um mundo em que os recursos e serviços ambientais necessários à manutenção do bem-estar estão concentrados nos países em desenvolvimento, ela é o verdadeiro trunfo econômico do Brasil.</div>
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<div>*Coordenador do GVces</div>
<div>**Coordenador do Programa de Produção Sustentável, Empreendedorismo e Cadeia de Valor do GVces</div>
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<div>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</div>
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<div>Poupar, poupar &#8211; No Alasca, a receita do petróleo beneficia economicamente gerações presentes e futuras</div>
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<div>Um pedaço da biocapacidade brasileira pode acabar em um fundo financeiro, resultado das receitas com a venda de petróleo que, por enquanto, descansa sob grossa crosta de sal no fundo do oceano.  De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, as descobertas da Petrobras podem gerar receitas de até US$ 300 bilhões.  Se o plano vingar, o dinheiro iria para um fundo soberano nos moldes do fundo chileno que abriga as receitas do cobre, principal commodity de exportação do país.  Ao comprar dólares e mantê-los no fundo &#8211; hospedado no exterior -, o governo chileno reduz a pressão de apreciação de sua moeda.</div>
<div></div>
<div>A idéia de fundos para as receitas do petróleo &#8211; recurso não renovável, cujo pico de produção global é objeto de intensa discussão entre acadêmicos e analistas &#8211; não é nova.  O primeiro foi criado em 1953 no Kwait.  Hoje, existem duas dezenas, com ativos beirando os US$ 2 trilhões.  O Fundo de Pensão do Governo da Noruega incorporou, em 2006, o que até então era um fundo dedicado às receitas do petróleo, criando uma das maiores potências financeiras do mundo, com US$ 340 bilhões em ativos.  &#8220;O fundo é um instrumento para garantir que uma parte razoável da riqueza gerada pelo petróleo beneficie as gerações futuras&#8221;, segundo as diretrizes do fundo.  &#8220;É uma obrigação ética das presentes gerações administrá-la para que gere retorno sólido&#8221;.  São proibidos investimentos que causem violações de direitos humanos ou danos ambientais severos.</div>
<div></div>
<div>No Alasca, as presentes gerações levam para casa um naco da riqueza gerada com a extração e venda de petróleo.  O Alaska Permanent Fund, criado em 1976, paga dividendo anual aos residentes do estado.  A idéia de seus criadores era transformar um recurso não-renovável em ativo que cresce perpetuamente e gera renda a partir de sua gestão.  Os fundos da Noruega e do Alasca são reconhecidos pela transparência e pela ausência de ingerência política.  Mantega não mencionou as futuras gerações ou a biocapacidade, esteio dos recursos destinados ao fundo.  O retorno do investimento das receitas do petróleo, segundo o ministro, serviriam para incentivar os compradores de exportações brasileiras ou empresas nacionais no exterior.  Se a equação ambiental fosse levada em conta, parte poderia ser destinada a ações de conservação e desenvolvimento limpo.  - por Flavia Pardini</div>
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		<title>Cheque especial</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Sep 2006 13:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A conta bancária do planeta está no vermelho.  O recado foi dado por Bernardo Reyes, pesquisador associado à Rede Internacional Pegada Ecológica, em um local estratégico: um banco.  Em palestra no Banco ABN Amro Real em agosto, Reyes informou que, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A conta bancária do planeta está no vermelho.  O recado foi dado por Bernardo Reyes, pesquisador associado à Rede Internacional Pegada Ecológica, em um local estratégico: um banco.  Em palestra no Banco ABN Amro Real em agosto, Reyes informou que, a partir de meados dos anos 80, a humanidade passou a consumir o capital natural e não somente os frutos gerados por ele.  &#8220;Isso só é possível com endividamento, estamos consumindo o capital das gerações futuras&#8221;, disse.</p>
<p>Segundo Reyes, o maior desafio para a humanidade equilibrar suas contas em relação aos recursos naturais que utiliza é a energia.  No século XX, a demanda por energia aumentou 11 vezes e deverá continuar subindo.  &#8220;Nosso netos consumirão pelo menos quatro vezes mais energia que nós&#8221;, informou.</p>
<p>Para tornar o desafio mais palpável, Reyes lembrou que atualmente, na Europa, um simples iogurte consome em média 17 vezes mais energia para chegar à mesa do consumidor do que o poder calórico que contém.  &#8220;O metabolismo industrial tem de mudar&#8221;, alertou.  E rápido.  A pegada ecológica &#8211; a medida do impacto das atividades humanas no meio ambiente &#8211; da China é de 1,6 hectare por pessoa, embora os recursos naturais do país permitam o consumo de apenas 0,8 hectare por pessoa.  &#8220;A China só pode se desenvolver se buscar, pelo comércio, a capacidade bioprodutiva de outros países&#8221;, concluiu Reyes.</p>
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