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	<title>Página 22 &#187; New Ventures</title>
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		<title>Pequenos poderes</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Nov 2011 14:25:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No topo da pirâmide empresarial, não parece tão difícil ganhar adesão para a chamada economia verde. O problema, agora, é convencer os outros 99%. A boa notícia é que começa a pipocar uma série de movimentos nesse sentido 

É inevitável [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>No topo da pirâmide empresarial, não parece tão difícil ganhar adesão para a chamada economia verde. O problema, agora, é convencer os outros 99%. A boa notícia é que começa a pipocar uma série de movimentos nesse sentido </em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-14966" title="pipocas500" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/11/pipocas500.jpg" alt="pipocas500" width="500" height="188" /></p>
<p>É inevitável que, ao ouvir falar dos esforços que empresas de porte global como uma Nike ou uma Wal-Mart estão levando a cabo para tornar suas operações mais sustentáveis, o pessoal que há anos tem batalhado por um mundo melhor e mais equilibrado sinta um alívio danado no peito. (<em>Leia mais sobre a conversão da Nike na entrevista &#8220;</em><a href="http://pagina22.com.br/index.php/2010/11/a-grande-virada/" target="_blank"><em>A grande virada</em>&#8220;</a>)</p>
<p>Chegar a esse ponto em que os vilões do passado começam a fazer publicamente o <em>mea-culpa</em> e a rever suas maneiras de atuar foi meio como escalar o Everest – um esforço extenuante e que parecia não ter mais fim. O problema de chegar ao topo da montanha é que ainda falta encarar a descida e – como qualquer bom montanhista sabe – é justamente essa a parte mais perigosa. No caso em questão, convencer e engajar o 1% que está no zênite do empresariado global provavelmente vai parecer uma barbada quando comparada ao desafio de envolver as incontáveis hordas de micros, pequenos e médios empresários nos outros andares da pirâmide produtiva.</p>
<p>Para se ter uma ideia mais exata do tamanho da encrenca, convém refrescar a memória. Publicada na edição de número 24 de Página22 – há menos de três anos, portanto –, a reportagem “<a href="http://pagina22.com.br/index.php/2008/10/para-fora-da-bolha/" target="_blank">Para fora da bolha</a>” abriu justamente contando o causo do cacique Paulo Cipassé Xavante, que, depois de passar três dias inteiros escutando um bando de especialistas esmiuçar os riscos do aquecimento global e as entranhas do mercado de carbono em um seminário voltado para pequenos agricultores de Mato Grosso, levantou e perguntou o que exatamente era o tal do carbono com o qual aqueles brancos estavam tão preocupados.</p>
<p>Para os padrões urbanos, a dúvida do cacique é inconcebível, mas desnuda o tamanho do abismo sobre o qual será preciso saltar. Não que tenhamos de dar aulas de ciências básicas para todos. Mas, quanto antes perdermos a ilusão de que estamos todos na mesma página, tanto melhor!</p>
<p>GIGANTES EM NÚMEROS</p>
<p>Há nada menos que 5,8 milhões de micros, pequenas e médias empresas (MPME) espalhadas pelo Brasil, segundo o levantamento do <em>Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2009,</em> publicado no ano passado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) – enquanto as grandes não somam 18 mil <em>(O documento completo pode ser baixado no site <a href="http://www.dieese.org.br">dieese.org.br</a>)</em>. E esses dados só contam as empresas formais. Há um número bem maior de micros, pequenas e médias escondidas sob a linha d’água da informalidade.</p>
<p>Juntas, empregam mais 17 milhões de brasileiros – 60% da força de trabalho do País – e respondem por um terço do PIB. Em outras palavras, se for mesmo para a tal economia verde que vai ser debatida na Rio+20 sair do papel, então, será preciso dar um jeito para que essa turma toda passe a levar a sustentabilidade em conta na hora de fechar negócio.</p>
<p>Logo de saída, é preciso ter em mente que esse grupo corta um dobrado só para ficar de portas abertas. Dados do Sebrae apontam que 31% das empresas naufragam no primeiro ano e 60% delas não chegam a completar o quinto aniversário. Não é de estranhar, portanto, que os empreendedores desconfiem de qualquer coisa que não ajude no caixa.</p>
<p>Superar essa reticência é um primeiro passo. “O empresariado pequeno e médio vive uma situação bastante difícil e ainda não despertou para a importância da sustentabilidade. A sobrevivência vem antes”, relata Milton Luiz de Melo Santos, que ocupa a direção da Nossa Caixa Desenvolvimento.</p>
<blockquote><p>[1] A Agência de Fomento Paulista/Nossa Caixa Desenvolvimento foi criada em março de 2009 pelo governo do estado de São Paulo para estimular as pequenas e médias empresas paulistas com oferta de crédito em condições mais favoráveis. Apesar do nome, a agência não tem nenhuma relação com o banco comprado pelo Banco do Brasil em 2008</p></blockquote>
<p>Não é que sejam ambientalmente insensíveis. “O empresariado não é diferente da sociedade. Se a sociedade reflete a temática ambiental, ele também”, pondera a empresária Eliana Pinheiro Belfort Mattos, atual diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Atuando na área desde 1984, ela sabe que os empresários vivem em um mundo que parece um exercício ininterrupto e hipertrofiado do dilema do prisioneiro [2], que os obriga a serem pragmáticos e zelosos de sua competitividade. “Se ele tiver um resultado melhor ou se seus competidores estiverem adotando práticas sustentáveis, então ele também vai adotá-las”, diz.</p>
<blockquote><p>[2] O dilema do prisioneiro é um cenário clássico da Teoria dos Jogos, na qual um jogador pode ganhar se escolher trair os demais jogadores, mas todos os jogadores podem ganhar ainda mais caso colaborarem entre si. O problema é que as decisões de cada jogador devem ser tomadas sem saber das escolhas dos demais</p></blockquote>
<p>QUEBRANDO A INÉRCIA</p>
<p><img class="alignright size-large wp-image-14968" title="pipocas_300" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/11/pipocas_300-241x270.jpg" alt="pipocas_300" width="241" height="270" />É uma postura que cria uma armadilha do tipo “ovo e galinha” difícil de quebrar. “Há uma relutância grande de ser o primeiro, porque a sustentabilidade exige investimentos que não dão retorno imediato”, avalia o engenheiro britânico e consultor da Gestão Origami, Richard Wightwick. Mesmo reconhecendo que o empresariado é formado por gente disposta a correr riscos e em que “sempre aparece alguém esticando o pescoço para chegar na frente”, Wightwick acha que falta aos pequenos musculatura o suficiente para lançar tendências de mercado, e isso os inibe de tentar.</p>
<p>Após 30 anos de experiência na diretoria de bancos internacionais, Wightwick fartou-se do mundo das finanças. Apaixonado pelo tema da sustentabilidade, ele resolveu reorientar sua carreira e, durante o processo, acabou aceito em um programa de pós-graduação da renomada Universidade de Cambridge, <a href="http://www.goo.gl/97mao" target="_blank">onde pesquisou como as MPME </a>têm se relacionado com as questões da responsabilidade social empresarial (RSE) e ambiental.</p>
<p>Wightwick tem dúvidas de que elas estejam aptas a liderar a transição em direção a práticas mais verdes. “Os pequenos não conseguem influir sobre as tendências do mercado. Nesse sentido, acho que sempre serão seguidores”, opina.</p>
<p>A gerente de sustentabilidade do Citibank no Brasil, Daniela Stucchi, aponta em direção parecida. Para ela, o cerne dessa questão está nas grandes empresas, porque são estas que detêm o poder de compra. “São os grandes compradores – como as corporações e os governos – que determinam <em>o que </em>será produzido e <em>como</em>”, afirma.</p>
<p>Pode ser que o empurrão que faltava para tirar as MPME do repouso esteja a caminho. Como a direção da Zara descobriu recentemente, ganha corpo a noção de que as grandes empresas têm responsabilidade sobre suas cadeias produtivas. “Os grandes compradores estão usando sua força financeira para movimentar sua cadeia da mesma forma como o Poder Público vem fazendo ao determinar que só fecha contratos com quem atenda a critérios de sustentabilidade”, explica a coordenadora do Programa de Consumo Sustentável do GVces, Luciana Stocco Betiol. Como prova disso, ela destaca que as empresas que fazem parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) [4] são incentivadas a desenvolver inovação e soluções juntamente com seus fornecedores. Mario Monzoni, coordenador do GVces, defende esse trabalho em conjunto como uma forma mais justa e equilibrada de operar, uma vez que o poder de barganha das grandes empresas em relação às pequenas é muito assimétrico.</p>
<blockquote><p>[3] Em agosto passado, a grife de origem espanhola meteu-se em um escândalo quando várias das confecções que fabricam roupas da marca em São Paulo foram flagradas usando trabalho escravo de imigrantes bolivianos</p></blockquote>
<blockquote><p>[4] Índice criado pela BM&amp;FBovespa composto exclusivamente de ações de empresas que atendam a determinados critérios de responsabilidade social e ambiental</p></blockquote>
<p>A adesão de pequenos e médios negócios às novas práticas deve ser facilitada pela norma ISO 14005 brasileira, que permitirá a implementação de sistemas de gestão ambiental por etapas. Haroldo Mattos de Lemos, superintendente do Comitê de Gestão Ambiental da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Lemos é um dos principais nomes no processo para a definição dessa nova norma da <em>International Organization for Standartization</em> (ISO).</p>
<p>As grandes não estão fazendo isso de forma gratuita. No fundo, estão apenas repassando as cobranças que vêm recebendo dos consumidores por meio de sua cadeia produtiva. “Acho que essa é uma tendência irreversível. Só que é difícil dizer se ela está avançando a galope, trote ou se arrastando”, adverte Wightwick.</p>
<p>BASTÃO E CENOURA</p>
<p>É evidente que a mudança não se dará apenas na base da ameaça. A compreensão de que a sustentabilidade é importante está se disseminando rumo à base. “Vejo isso cada vez mais em conferências e congressos. Qualquer que seja o assunto, sempre tem uma palestra sobre sustentabilidade. Existe um enorme interesse sobre como isso afeta as empresas e vai chegar o momento em que isso vai estourar”, diagnostica Wightwick.</p>
<p>A mera expectativa de que a situação esteja chegando ao ponto de inflexão tem feito coisas interessantes acontecerem. Desde março de 2009, a Nossa Caixa Desenvolvimento possui a linha Economia Verde, que oferece crédito mais barato – 0,49% ao mês mais IPC – e prazos espichados para pequenas e médias empresas paulistas com projetos de redução das emissões carbono. A linha ainda não decolou: até o momento, os empréstimos somam só R$ 1,8 milhão. “Essa demanda nos leva a concluir que essas empresas ainda não colocaram a adoção de práticas ambientais como prioridade”, reconhece, contrafeito, Melo Santos, diretor-presidente da agência de fomento.</p>
<p>O problema, segundo Mattos de Lemos, é que os pequenos negócios ainda estão muito apegados ao paradigma dos anos 70, que via apenas custos nos critérios ambientais. “Só bem mais tarde é que se começou a perceber que os processos de produção podem ser modificados para reduzir desperdícios. Hoje você encontra empresas que têm boa gestão ambiental, porque isso as torna mais competitivas”, diz.</p>
<p>“Ainda falta uma sinalização dos benefícios que eles vão ter”, avalia Luciana, do GVces, que vem contribuindo com um projeto de mapeamento sobre o tema para orientar o trabalho do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), fundado em abril passado. “As micros e pequenas terão de se regularizar. Para isso, elas precisarão saber o que é sustentabilidade e como podem atuar. O Sebrae entendeu que teria um papel para cumprir aí”, conta.</p>
<p>O diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, explica que a ideia de fundar o CSS surgiu da percepção de que  sustentabilidade está se tornando um fator de competitividade. Há dois componentes distintos: os esforços na racionalização do consumo de energia e de insumos, que se traduzem em menores custos de produção, e os clientes cada vez mais exigentes – há quem tope pagar 10% a 20% a mais por produtos ecologicamente corretos. “Os pequenos empresários precisam perceber o potencial desse mercado e que é um bom negócio ser sustentável”, anima-se Santos.</p>
<p>Mas, uma vez vencida essa barreira, Santos confia que as MPME não terão tanta dificuldade para fazer suas transições quanto as grandes tiveram. “Os pequenos negócios são flexíveis e transitam para novos modelos com bastante velocidade”, aponta. Luciana Betiol concorda com o prognóstico. “Elas não precisam mover grandes estruturas. Então, desde que tenham acesso adequado à informação, as micros e pequenas têm uma velocidade de resposta bem melhor”, arremata.</p>
<p>DE OLHO NO GRANDE CLIENTE</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-14971" title="pipocasverticais" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/11/pipocasverticais.jpg" alt="pipocasverticais" width="200" height="339" />Tem mais gente trabalhando para levar adiante essa noção. Há alguns anos a Fundação Citi – braço social do Citibank – vem colocando recursos em ações no que a superintendente de assuntos corporativos do Citibank no Brasil, Priscilla Cortezze, chama de “empreende- dorismo sustentável”. “Temos programas voltados para <em>startups</em>, para negócios mais estruturados e para geração de renda”, explica.</p>
<p>Até o fim deste ano, uma parceria entre o banco e o GVces lançará um novo programa, chamado Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor. A ideia é descobrir pequenas e médias empresas com produtos e serviços inovadores nas áreas ambiental e social e ajudá-las a fechar contratos com grandes corporações. Segundo a gerente de sustentabilidade do Citibank, Daniela Stucchi, o resultado será potencializar novos “ecossistemas econômicos com inclusão social e preservação ambiental”. “Nosso entendimento é o de que os investimentos devem ir para organizações com o potencial de formar tais ecossistemas”, conta.</p>
<p>Não é a primeira investida do Citibank. Desde 1999, o banco é um dos apoiadores globais do New Ventures, um programa que incentiva novos empreendimentos com DNA verde ajudando-os a refinar planos de negócios e encontrar investidores. Em 2002, o programa ganhou uma versão brasileira que, em nove anos, potencializou seis empresas verdes nacionais.</p>
<p>A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) também tem olhado atentamente para o potencial da sustentabilidade nas MPME. Há anos, a entidade inclui o impacto ambiental e social entre as variáveis que seus técnicos analisam para aprovar financiamentos e, em seu edital de Subvenção Econômica à Inovação de 2009, nada menos de R$ 50 milhões foram para uma legenda chamada “desenvolvimento social”. Para o economista Eduardo Lopes, isso vai bem ao encontro do que a entidade foi criada para fazer – fomentar a inovação. “A economia verde exigirá nada menos que uma revolução tecnológica. E evolução tecnológica é a nossa missão”, diz ele, que hoje ocupa o posto de superintendente substituto da Área de Investimentos da Finep.</p>
<p>O economista garante que não para por aí, e que a Finep tem feito o possível para incentivar a cultura do venture capital no Brasil. “A gente acredita que essa é uma ferramenta muito importante para alavancar empresas inovadoras no Brasil”, completa, lembrando que uma parcela considerável das empresas que os procuram almeja alavancar negócios que, de uma forma ou de outra, produzem impactos socioambientais positivos. “Uma delas está desenvolvendo um processo que aumenta o prazo de conservação de alimentos e outra implantou uma tecnologia que reduz o desperdício de madeira na construção civil”, exemplifica.</p>
<blockquote><p>[5] modalidade de investimento de alto risco fornecida a empresas de bom potencial, mas que se encontram em estágios bastante preliminares de organização</p></blockquote>
<p>Apesar de o mercado ainda emitir sinais um tanto contraditórios, parece claro que existe uma janela de oportunidade que pode ser bem aproveitada pelas MPME. Carlos Alberto dos Santos, do Sebrae, não tem dúvidas de que logo a boa vontade dos consumidores para com as empresas responsáveis será substituída pela intolerância para com as irresponsáveis. “Em mais alguns anos, haverá um movimento de ‘punição’ às que não forem ecoeficientes. Quem inovar agora vai embolsar um bom prêmio e também se adiantar a essa mudança”, finaliza. O desafio é conseguir colocar toda a pirâmide na mesma página.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>O empreendedorismo social</strong></p>
<p>De uns tempos para cá, uma nova estirpe de empresários tem capturado manchetes e a atenção: os chamados empreendedores sociais. Essa turma, bem servida de pequenos negócios, acredita que as empresas podem fazer muito mais do que gerar lucro.</p>
<p>O conceito foi criado pelo ativista americano Bill Drayton, que, em 1980, fundou a organização Ashoka. Mônica de Roure, diretora da Ashoka no Brasil, explica que criar negócios pode ser uma maneira efetiva de transformar a realidade social, reduzindo a pobreza e empoderando grupos socialmente fragilizados – como mulheres e populações tradicionais. Só que não basta adotar boas práticas sociais para caber na definição. “Em uma empresa tradicional o objetivo é o lucro, enquanto em uma empresa social o resultado é o impacto social positivo”, explica.</p>
<p>É uma diferença sutil, mas que tem consequências de longo alcance sobre o que a empresa produz, como ela trabalha e investe seus resultados. “Não estou dizendo com isso que ter uma empresa tradicional seja maléfico, apenas que as metas são diferentes”, diz Mônica.</p>
<p>Fundada em abril de 2008, a Sementes de Paz entrega gêneros alimentícios orgânicos em casa. Segundo um de seus fundadores, Omar Haddad, o projeto nasceu na forma de uma cooperativa de consumidores para comprar orgânicos a preços mais baixos, direto dos produtores. Mas logo alguns deles perceberam que havia aí uma boa oportunidade de negócio.</p>
<p>“A diferença está no nosso objetivo, que é gerar investimentos para a cadeia de comércio justo e da agricultura responsável. também temos um modelo de governança corporativa diferenciado, porque nossa formação de preços é totalmente transparente”, explica Omar, acrescentando que a maior dificuldade não é trabalhar de forma responsável, mas arcar com todos os custos de se manter formalizado. “Para os pequenos, ser formalizado é muito difícil”, reclama.</p>
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		<title>Bravos visionários</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 18:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A emergência da questão climática e o crescente debate sobre negócios socialmente inclusivos dão força aos pequenos empresários que apostam na sustentabilidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Investidores querem empresas faturando e produtos na porta do consumidor.  Indivíduos com perfil empreendedor e ideias sustentáveis precisam do investidor para dar corpo a seus negócios.  Consumidores esperam um planeta melhor, mas querem e/ou necessitam de produtos baratos.  Governos, quando muito, prometem um novo desenvolvimento, mas assistem à iniciativa privada encarar os desafios.  No universo dos pequenos empreendimentos, preço, escala e compreensão plena do tema da sustentabilidade ainda são barreiras na viabilização dos negócios.  Mas isto não impede que bravos visionários deem corpo a iniciativas, muitas vezes surgidas nas universidades, que começam a ganhar o mundo, um outro mundo.  Os colegas da Faculdade de Medicina Veterinária da USP acharam que Luis Fernando Laranja estava ficando louco.  Uma vida acadêmica clássica e estabelecida largada de uma vez para apostar em um novo negócio, situado exatamente no arco do desmatamento da Amazônia. Mas Luis Laranja é dos indivíduos que têm a sustentabilidade no DNA, definição dada pelo coordenador do programa New Ventures Brasil (NVB) e pesquisador do Gvces, André Carvalho.  Ele matutou e conseguiu unir uma estratégia de renda complementar para os povos extrativistas da Amazônia &#8211; que resulta em preservação da floresta &#8211; a um produto que traz benefícios para a saúde.</p>
<p>Junto com a esposa, rumou para Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, pesquisando produtos com originalidade e potencial de riqueza, mas subexplorados.  Encontrou a castanhado- pará, uma das cadeias do setor primário mais antigas do Brasil, extraída em processo manual na mata fechada pelas comunidades locais.  Seguiram-se três anos de pesquisas para obtenção de derivados, com o apoio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP.  Diante da desconfiança de todos, chegaram a quatro produtos principais: castanha sem casca e embalada, azeite extravirgem do produto, granulado de castanha e um creme de castanha.  Começava a ser desenhada a Ouro Verde Amazônia &#8211; Saúde Que Vem da Floresta.  &#8220;As barreiras foram enormes, institucionais, dos órgãos públicos.  Devido à inexistência de linhas de financiamento para esse tipo de negócio, abrimos com pequenas linhas de crédito pré-aprovadas&#8221;, lembra Luis Laranja.</p>
<p>A mudança importante chegou no ano passado, quando o Grupo Orsa Florestal, atuante no ramo de madeira certificada para indústria de celulose, propôs a compra de 51% do capital social da Ouro Verde, em uma parceria com vistas a explorar outros produtos da região.  Alívio financeiro para Laranja e possibilidades mil, desde a diversificação do negócio &#8211; ele já está de olho no açaí e no cacau &#8211; até a abertura ao mercado internacional.</p>
<p><strong>Davi e Golias</strong></p>
<p>Mas nem sempre foi assim.  Dos bastidores na estruturação de uma pequena empresa verde, a experiência com as grandes redes de varejo e bens de consumo é quase traumática para esses pioneiros.  &#8220;Elas se comportam com toda a força que têm, ou seja, uma relação muito desigual na negociação&#8221;, define Laranja.  Outro que se queixa desse gargalo é Cláudio Rocha Bastos, da CBPak, fabricante de embalagens biodegradáveis.  &#8220;Os supermercados percebem a importância da nossa solução, mas não valorizam, porque temos um preço maior que as embalagens tradicionais poluentes&#8221;, revela Bastos.</p>
<p>E o preço menor viria com a escala industrial, criando um círculo virtuoso.  Não fosse o mercado de agricultura orgânica, as bandejinhas biodegradáveis da CBPak poderiam ser só um sonho.  A embalagem feita de restos da mandioca ou cana-de-açúcar &#8211; que ao ser descartada na terra vira húmus &#8211; encontra seu lugar nas prateleiras de empórios, feiras e pequenos estabelecimentos.  Mas Cláudio Bastos não se deu por satisfeito e criou uma associação para educar sobre o biodegradável e a compostagem, além de um selo que diferencia esses produtos ao consumidor.  A Associação Brasileira de Polímeros Biodegradáveise Compostáveis (Abicom) pretende também buscar incentivos fiscais para os biodegradáveis.</p>
<p>Em que pesem as dificuldades do mercado, a CBPak atraiu ninguém menos que o BNDES Participações.  Depois de granjear incentivos de instituições acadêmicas mais recursos próprios, Bastos tem o banco como sócio da unidade industrial em São Carlos (SP).  &#8220;A parceria se deve em grande parte à estruturação da nossa tecnologia.  É muito comum ver pesquisadores com uma ideia achando que o capital vai resolver tudo, querendo dinheiro imediato&#8221;, avalia.</p>
<p>A crise financeira global trouxe algum ensinamento e o apetite dos investidores para empreendimentos sociais hoje é maior?  Sim e não.  Quem responde primeiro é Paulo Bellotti, da Axial Gestão, fundo que realizou oito investimentos no segmento de pequenas e médias empresas sustentáveis desde 2003.  &#8220;A sociedade busca isso, a preocupação ambiental e social existe e estas empresas trazem tecnologias inovadoras&#8221;, diz.  Para Bellotti, os pequenos negócios verdes devem ser tratados de forma diferenciada sob o risco de serem esmagados pelo mercado.  &#8220;Acho que as redes de varejo devem remunerar melhor essas empresas, para que elas sobrevivam e se mantenham sustentáveis&#8221;, avalia.</p>
<p>Claro que só uma boa ideia na cabeça não seduz os fundos de investimento.  &#8220;O principal é que acreditamos que essas empresas vão gerar retorno financeiro superior às convencionais, e isso define o aporte de capital&#8221;, afirma, sem rodeios, Oren Pinsky, do Grupo Stratus.  O Stratus aposta em empresas que já faturam, estão no mercado e têm clientes ligados ao manejo sustentável de florestas e a atendimentos a emergências ambientais.  A intenção é partir para três novos investimentos até o próximo ano.</p>
<p>Em um balanço dos cinco anos do programa New Ventures Brasil, André Carvalho percebeu que havia uma leitura inicial, por parte da maioria dos investidores de capital empreendedor, de que o tema &#8220;negócios sustentáveis&#8221; encerrava apenas projetos de reflorestamento, créditos de carbono, reciclagem e, no máximo, biocombustíveis.  &#8220;De lá para cá, a compreensão sobre o empreendedorismo para a sustentabilidade avançou em ambos os lados, o que era esperado, em especial por conta da emergência da questão climática e dos seus potenciais reflexos no debate sobre desenvolvimento humano&#8221;, afirma Carvalho.</p>
<p>O NVB tem 49 empreendimentos em seu portfólio nas mais variadas tecnologias e invencionices.  Nesses cinco anos, mais de R$ 20 milhões foram investidos em sete empresas vinculadas ao programa.  O caminho mais desafiador, propõe Carvalho, seria uma combinação de produtos e serviços verdes, com modelos de negócios mais inclusivos, ainda que inclusão social possa representar mais riscos para os investidores.</p>
<p><strong>Alternativas</strong></p>
<p>Quem vive o dilemma da inserção no mercado, mas não desiste, é Nilson Borlina, sócio-fundador da Linax.  Pesquisador de plantas aromáticas há 20 anos, o agrônomo conseguiu um financiamento de R$ 300 mil para pesquisa de matéria-prima o linalol, óleo essencial usado em perfumaria, indústria farmacêutica e cosmética.  A principal fonte do linalol ainda é o pau-rosa, espécie nativa em extinção.  Sabendo disso, Borlina iniciou os estudos sobre o manjericão, planta de fácil manejo e boa qualidade que pudesse substituir o pau-rosa.  Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), montou uma unidade de cultivo e destilaria em Votuporanga, no oeste do estado paulista, onde o clima favorece o plantio do manjericão.</p>
<p>Entre 2005 e 2006, o linalol obtido da planta foi testado e aprovado por empresas e clientes.  Como insiste em acontecer, o preço neste caso foi definitivo.  O quilo do linalol de pau-rosa sai a US$ 80, enquanto Borlina não conseguia baixar os US$ 160 pelo linalol de manjericão.  &#8220;Mesmo em se tratando de uma extração ilegal, que é o caso do pau-rosa, os compradores insistiam em pagar abaixo do meu preço; dessa maneira decidi não vender mais&#8221;, relata.  A saída para a sobrevivência da Linax foi aproveitar o know-how desenvolvido no maquinário para obtenção do linalol do manjericão.  &#8220;Criei e adaptei destiladores especiais para o meu processo e passei a vendê-los para fabricantes de essências.  Com essa alternativa, estamos mantendo o nariz fora d&#8217;água&#8221;, diz o empresário.</p>
<p>Borlina mantém um cultivo mínimo de manjericão, porque acredita que é apenas uma questão de tempo para ser procurado novamente pelos seus clientes.  &#8220;Quando uma Channel impuser que só compra a matéria-prima sustentável, todo mundo vai querer e precisar&#8221;, afirma.  Ou seja, a despeito do forte caráter de inovação, vínculo com a pesquisa universitária e aprovação do mercado, a Linax hoje sobrevive mais por insistência do empreendedor.</p>
<p><strong>Você (ainda) não vale nada, mas eu gosto de você</strong></p>
<p>Sérgio Goldemberg não é acadêmico, sua empresa ainda não tem a matéria-prima, a fase de pesquisa e desenvolvimento demandará mais de um ano e o faturamento vai demorar a chegar.  &#8220;Os investidores me diziam: &#8216;Você é tudo o que a gente não quer, mas apostamos mesmo assim&#8217;, porque em microalgas ninguém fatura de imediato&#8221;, conta Goldemberg, fundador e sócio da Algae Biotecnologia.  A ideia de produzir biocombustíveis à base de microalgas surgiu em 2007.  Depois de circular por fundos de investimento durante todo o ano passado, o grupo EcoGeo, 30 anos de engenharia e remediação ambiental, propôs formalizar uma parceria com Sérgio, mesmo levando em conta os fatores acima, e o ceticismo geral do mercado em crise.</p>
<p>Com o apoio de peso, Goldemberg ficou tranquilo para tocar as engenhosas pesquisas de seleção das espécies de microalgas adequadas para a produção de biocombustível e para sequestro de carbono.  A formalização da compra de 65% do capital da Algae pelo Grupo EcoGeo deu-se este ano.  Mas Goldemberg está de olho no segmento há anos, desde que os Estados Unidos iniciaram um programa de pesquisa das microalgas.  Isso foi na década de 1980 e um relatório final mostrou que o negócio era inviável economicamente.  Ainda assim, iniciativas privadas voltaram a insistir no tema naquele país.  Por aqui, Sérgio (filho do físico José Goldemberg) vai insistir também e, com o aporte do investidor, terá mais fôlego (mais sobre a energia das algas em Análise à pág.31).</p>
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		<title>Investimento limpo</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 18:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Flavia Pardini 
A crise do segmento subprime de hipotecas nos Estados Unidos chacoalhou boa parte dos mercados financeiros, mas um setor manteve performance estelar: o de cleantech.  Os investimentos realizados em empresas do setor na América do Norte e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A crise do segmento subprime de hipotecas nos Estados Unidos chacoalhou boa parte dos mercados financeiros, mas um setor manteve performance estelar: o de cleantech.  Os investimentos realizados em empresas do setor na América do Norte e na Europa totalizaram US$ 1,74 bilhão no terceiro trimestre de 2007, segundo a Cleantech Network, que congrega cerca de 8 mil investidores e 9,5 mil companhias no mundo todo.  Desde o início do ano, as aplicações chegam a US$ 3,64 bilhões, ou 13% a mais do que nos dez primeiros meses de 2006.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O grupo define cleantech como novas tecnologias e modelos de negócios que garantem retornos competitivos aos investidores ao mesmo tempo que oferecem soluções para desafios globais.  Dos 11 segmentos identificados como cleantech, o de &#8220;geração de energia&#8221; liderou os investimentos no terceiro trimestre, com destaque para biocombustíveis e energia solar.  Outro segmento promissor, segundo o grupo, é o de &#8220;água e esgotos&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Apesar da queda do dólar, da volatilidade da bolsa americana e dos temores de recessão nos Estados Unidos, o Cleantech Index &#8211; que acompanha a performance de 47 empresas líderes no setor, 85% das quais são americanas &#8211; subiu 5,5% no terceiro trimestre, ante 2% do S&amp;P 500.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No Brasil, a indústria ainda é incipiente, mas há sinais de aquecimento das conversas entre fundos de venture capital, investidores-anjos e empreendedores.  Eles estarão juntos no IV Fórum de Investidores em Negócios Sustentáveis do programa New Ventures &#8211; iniciativa do World Resources Institute gerida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP -, previsto para 13 de dezembro em São Paulo.  Este ano, o programa selecionou e ofereceu orientação para oito projetos.</div>
<p>Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></p>
<p>A crise do segmento subprime de hipotecas nos Estados Unidos chacoalhou boa parte dos mercados financeiros, mas um setor manteve performance estelar: o de cleantech.  Os investimentos realizados em empresas do setor na América do Norte e na Europa totalizaram US$ 1,74 bilhão no terceiro trimestre de 2007, segundo a Cleantech Network, que congrega cerca de 8 mil investidores e 9,5 mil companhias no mundo todo.  Desde o início do ano, as aplicações chegam a US$ 3,64 bilhões, ou 13% a mais do que nos dez primeiros meses de 2006.</p>
<p>O grupo define cleantech como novas tecnologias e modelos de negócios que garantem retornos competitivos aos investidores ao mesmo tempo que oferecem soluções para desafios globais.  Dos 11 segmentos identificados como cleantech, o de &#8220;geração de energia&#8221; liderou os investimentos no terceiro trimestre, com destaque para biocombustíveis e energia solar.  Outro segmento promissor, segundo o grupo, é o de &#8220;água e esgotos&#8221;.</p>
<p>Apesar da queda do dólar, da volatilidade da bolsa americana e dos temores de recessão nos Estados Unidos, o Cleantech Index &#8211; que acompanha a performance de 47 empresas líderes no setor, 85% das quais são americanas &#8211; subiu 5,5% no terceiro trimestre, ante 2% do S&amp;P 500.</p>
<p>No Brasil, a indústria ainda é incipiente, mas há sinais de aquecimento das conversas entre fundos de venture capital, investidores-anjos e empreendedores.  Eles estarão juntos no IV Fórum de Investidores em Negócios Sustentáveis do programa New Ventures &#8211; iniciativa do World Resources Institute gerida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP -, previsto para 13 de dezembro em São Paulo.  Este ano, o programa selecionou e ofereceu orientação para oito projetos.</p>
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		<title>Em busca de uma ponte</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Feb 2007 12:47:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Virginia Barreiro
Em 2001, quando Pablo Muñozledo abriu uma loja de orgânicos, não havia um mercado para tais produtos no México.  Foi nesse ambiente que ele, um pequeno empreendedor, criou a Aires de Campo para apoiar os fazendeiros orgânicos locais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Virginia Barreiro</p>
<p>Em 2001, quando Pablo Muñozledo abriu uma loja de orgânicos, não havia um mercado para tais produtos no México.  Foi nesse ambiente que ele, um pequeno empreendedor, criou a Aires de Campo para apoiar os fazendeiros orgânicos locais por meio da oferta de seus produtos aos habitantes da Cidade do México.  A empresa de Pablo cresceu e logo se tornou uma rede com 120 propriedades parceiras que fornecem mais de 400 produtos para várias lojas especializadas.  Os lucros cresceram a taxas de dois dígitos com o fornecimento aos “consumidores conscientes” de uma experiência única que alia a qualidade e o frescor da fazenda à conveniência de um supermercado da cidade.  (por Derek Newberry, extraído da série Rising Ventures, do WRI)</p>
<p>O mundo enfrenta o crescimento cada vez mais rápido da população, a disparidade econômica e uma grave exaustão de recursos.  Ao mesmo tempo, a riqueza jamais foi tão grande e os avanços tecnológicos continuam trazendo inovações efi cientes do ponto de vista dos recursos.  Pequenas e médias empresas (PMEs) como a Aires de Campo — que representam 90% de todos os negócios e até 65% do PIB global — são veículos para a concepção, produção e distribuição de produtos inovadores e serviços que lidam com os problemas globais.</p>
<p>Pablo Muñozledo é um de 140 empreendedores que formam o portfólio do New Ventures Global, um programa do World Resources Institute (WRI) que reconhece o poder do empreendedorismo como fonte de inovação e soluções lucrativas para desafi os ambientais e sociais.  O programa apóia PMEs que buscam o triple bottom line em países em desenvolvimento e hoje atua no Brasil, na China, Índia, Indonésia e no México.</p>
<p>As PMEs, que podem ser amplamente defi nidas como empresas com até 300 empregados e US$ 15 milhões em ativos totais, são motores de inovação e representam um sinal vital de uma economia saudável.  Evidências empíricas mostram que elas têm o comportamento favorável ao risco que garante uma dinâmica de crescimento a longo prazo.</p>
<p>Em geral, possuem fortes laços com as comunidades locais e podem facilitar uma distribuição mais eqüitativa da riqueza, diminuindo as disparidades econômicas entre as áreas rurais e urbanas.  Elas tendem a empregar trabalhadores com salários baixos e geralmente oferecem benefícios adicionais, como ajuda para educação e moradia.  Além disso, seu tamanho as torna mais fl exíveis e, portanto, aptas à inovação de produtos e à competitividade.<br />
Ainda assim, as PMEs operam em uma perpétua linha de fogo, com barreiras consideráveis a transpor,<br />
o que as leva a uma taxa global de mortalidade de 50%.  Tais obstáculos são comuns ao redor do globo e podem ser classifi cados como fi nanceiros, de capacidade empresarial e regulatórios.</p>
<p>A mais citada dessas barreiras é o acesso ao capital.  Perdidas no chamado “missing middle”, as PMEs são muito grandes para receber microcrédito e muito pequenas para empréstimos comerciais tradicionais.  Além disso, vistas como investimento de alto risco, tornam-se incapazes de obter crédito no sistema bancário por falta de garantias, altas taxas de juro e pouco comprometimento dos bancos com empréstimos de médio e longo prazo.</p>
<p>A falta generalizada de capacitação para a gestão representa mais um grande impedimento para o crescimento dessas empresas.  Normalmente, os empreendedores são especialistas em seus campos, mas não têm habilidade com os negócios ou recursos para empregar talentos nessa área.  Isso leva ao pouco uso de padrões de contabilidade aceitáveis, a relatórios fi nanceiros fracos e a pouca transparência.</p>
<p>O ambiente regulatório cria barreiras ainda maiores, fazendo com que os empreendedores percam tempo ao lidar com a burocracia e forçando muitos a permanecer na informalidade.  Usando o ranking do relatório Doing Business in 2006, do Banco Mundial, a colocação média dos cinco países em que o New Ventures atua é a 103a posição, de um total de 155 países.  O documento mostra que na Indonésia levam-se 151 dias e 11 etapas para abrir uma empresa; no Brasil, 152 dias e 17 etapas.</p>
<p>As barreiras não são intransponíveis e, com a abordagem correta, podem ser superadas.  Com atenção crescente para as PMEs como agentes para a redução da pobreza e a sustentabilidade, governos e agências de desenvolvimento oferecem serviços para ajudá-las a enfrentar os desafi os do negócio.</p>
<p>Além disso, mais investidores compreendem o potencial de crescimento desses setores e inovam para criar novos mecanismos fi nanceiros e canalizar capital para tais empreendimentos.  Esses fatores, aliados à crescente demanda por produtos ecologicamente corretos, geram um ambiente mais favorável para as PMEs sustentáveis.</p>
<p>Na Ásia e na América Latina, o New Ventures ajuda a desenvolver esse ambiente ao criar redes locais de apoio para nutrir os empreendimentos, ajudando- os a acessar serviços, capital e mercados.  Com parceiros locais como a Confederação da Indústria da Índia, em média dez empresas por ano são selecionadas, recebem orientação e têm a possibilidade de mostrar sua atuação.</p>
<p>Desde 2000, o programa catalisou US$ 20 milhões em investimentos para o portfólio de PMEs que buscam a sustentabilidade e muitas empresas entraram para o mainstream, com acesso a compradores internacionais como Wal-Mart e Carrefour, e aumento de market share.</p>
<p>Os empreendedores tendem a concentrar-se em setores estratégicos e tirar proveito das condições e necessidades locais.  Por exemplo, na China, várias das companhias participantes do New Ventures aproveitam<br />
o conceito de economia circular e buscam inovações em relação a recursos poluidores ou dejetos.  Um dos empreendedores estabeleceu a WorldWell, uma empresa tecnológica que usa uma frota de caminhões de clima controlado para capturar e reutilizar o calor descartado pelo setor industrial chinês, que cresce de maneira inefi ciente.</p>
<p>A Indonésia, que ainda se recupera da crise fi nanceira, dispõe de infra-estrutura inadequada e um setor fi nanceiro frágil.  Embora seja uma economia em crescimento, alimentada por empreendedores ativos, a maior parte das empresas no portófi o do New Ventures é pequena, não média, e baseada em setores tradicionais.</p>
<p>O portfólio brasileiro do New Ventures é único, pois representa uma dualidade.  Muitos empreendimentos aproveitam os recursos naturais abundantes do País, como produtos não madeireiros da Amazônia, ao mesmo tempo que outros baseiam sua vantagem competitiva e suas operações em torno dos setores sofi sticados, como os de biotecnologia e tecnologia limpa — caso da EletroCell, fabricante de células a combustível.</p>
<p>O ambiente local para investimento também defi ne a paisagem para o setor de PMEs sustentáveis em cada país.  O Brasil possui o setor fi nanceiro mais avançado, em termos de reconhecimento do potencial de crescimento de setores sustentáveis, entre os cinco países que adotam o programa New Ventures.</p>
<p>Como o primeiro mercado emergente a ter um fundo de investimento socialmente responsável e a adotar os Princípios do Equador, o setor fi nanceiro brasileiro reconhece a sustentabilidade como um indicador de potencial de lucro.  O País atualmente tem três fundos private equity “verdes”, além de novos fundos em fase de auditoria.  Os empreendedores locais enxergam esse potencial e competem para inovar quanto a produtos e serviços de forma a atrair tais recursos fi nanceiros.</p>
<p>O setor financeiro chinês também está em rápido desenvolvimento.  No último plano qüinqüenal, o governo deixou claro que temas ambientais e sociais são uma prioridade nacional.  Isso tem promovido grandes fl uxos de capital para setores-chave como tecnologias limpas e energias renováveis.  O Fundo Ambiental da China lançado em 2002 como o primeiro de venture capital ambiental da China tem tido sucesso está atualmente em uma terceira rodada de fundraising (levantamento de recursos).<br />
Os empreendimentos de alto risco que operam em setores pouco explorados de economias emergentes não têm uma tarefa fácil; mas problemas complexos requerem soluções complexas.  Embora Pablo Muñozledo possa não ter todas as respostas para os problemas ambientais e sociais do México, ele exemplifi ca um novo modelo de crescimento econômico no qual os empreendimentos florescem porque valorizam as comunidades locais e conservam o meio ambiente.</p>
<p>Ajudar centenas de Aires de Campo a dar certo como negócio pode levar os países em desenvolvimento a atingir um crescimento econômico mais eqüitativo e sensível à realidade de que os recursos naturais — as matérias-primas que permitem que os países se desenvolvam — são finitos.</p>
<p>Empreendimento e inovação são componentes essenciais desse novo modelo, que requer o comprometimento de stakeholders-chave com uma nova maneira de pensar — desafi ando a abordagem business as usual a inventar novas ferramentas e mecanismos financeiros para apoiar melhor os empreendedores.</p>
<p>Os US$ 20 milhões levantados pelos empreendedores do New Ventures nos últimos sete anos ficam pequenos diante dos investimentos líquidos de US$ 100 bilhões em participações societárias somente na região da Ásia Pacífico no ano passado.</p>
<p>Países como a Índia e o Brasil não têm défi cit de empreendedores criativos nem de riqueza.  A questão está em quão rápida e efi cientemente é possível identifi car as ferramentas corretas para encurtar a distância entre esses dois elementos.</p>
<p>Virginia Barreiro é diretora do Programa New Ventures Global do World Resources Institute.</p>
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		<title>Economia de futuro</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2006 17:48:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Venture, ensina o dicionário, é um investimento arriscado, mas com chances de bom retorno.  É apostar em negócios que, embora não estejam no mainstream, são sementes da economia do futuro.  Os interessados em conhecer alguns dos melhores empreendimentos com essa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Venture, ensina o dicionário, é um investimento arriscado, mas com chances de bom retorno.  É apostar em negócios que, embora não estejam no mainstream, são sementes da economia do futuro.  Os interessados em conhecer alguns dos melhores empreendimentos com essa promessa têm endereço certo no dia 14 de dezembro: o III Fórum de Investidores em Negócios Sustentáveis do programa New Ventures Brasil (www.new-ventures.org.br).</p>
<p>Esse ano foram selecionados 10 empreendimentos, em setores como construção civil, energia, uso de biodiversidade, biocombustíveis, entre outros.  Ao longo de seis semanas, os empreendedores foram orientados por mentores e, em dezembro, exporão seus planos a potenciais investidores em São Paulo.  Nos dois anos passados, o programa apresentou 23 empreendimentos.</p>
<p>Uma iniciativa do World Resource Institute, o New Ventures no Brasil tem como parceiros o Banco ABN Amro Real e a Natura, e é executado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Fundação Getulio Vargas.  Além do Brasil, o programa está presente em outros quatro países emergentes e conta com 140 empresas no portfólio.</p>
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