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	<title>Página 22 &#187; finanças</title>
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	<description>Informações para o novo século</description>
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		<title>Você sabe o que seu banco faz com seu dinheiro?</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/voce-sabe-o-que-seu-banco-faz-com-seu-dinheiro/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 12:35:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A nova agência do Ace Bank, no centro de Bruxelas, com ares modernosos e repleta de jovens em sua equipe, chama a atenção de quem passa não somente pelo visual, mas também pelo conteúdo de sua mensagem.
Quem se interessa pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4989" class="wp-caption alignleft" style="width: 158px"><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/12/acebank.jpg"><img class="size-medium wp-image-4989" title="Agência do Ace Bank" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/12/acebank-148x198.jpg" alt="Agência do Ace Bank" width="148" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Agência do Ace Bank</p></div>
<p>A nova agência do <a href="http://www.ace-bank.eu/home_en.php" target="_blank">Ace Bank</a>, no centro de Bruxelas, com ares modernosos e repleta de jovens em sua equipe, chama a atenção de quem passa não somente pelo visual, mas também pelo conteúdo de sua mensagem.</p>
<p>Quem se interessa pela novidade entra na agência e escuta dos funcionários qual é a do novo banco: a nossa filosofia é lucrar o máximo possível.  Até aí, tudo bem, nada muito diferente do que fazem &#8211; ou pretendem fazer &#8211; os bancos do mundo inteiro.  A forma como se chega lá é que espanta, e a sinceridade deles também.</p>
<p>O simpático funcionário esclarece que usa o dinheiro investido de seus clientes para financiar negócios feitos em países onde são pagos salários baixos e não existem sindicatos nem leis ambientais; investem em empresas de armamento que fomentam a guerra do Iraque (assim como em empreiteiras que promovem a sua reconstrução); e inclusive apostam em modelos de negócio que usam mão-de-obra infantil, afinal &#8220;também é humanitário dar direito a uma criança de trabalhar&#8221;.</p>
<p>O choque dos clientes (ou a animação de alguns outros) faz com que a ideia do Ace Bank tenha se tornado um sucesso naquilo a que se propôs.  Não, não era um banco de verdade, mas sim uma farsa montada pela <a href="http://www.netwerkvlaanderen.be/en/" target="_blank">ONG Netwerk Vlaanderen</a>, há dois anos, cuja intenção era justamente despertar a curiosidade das pessoas sobre como o dinheiro delas está sendo investido.</p>
<p>Após uma semana do suposto &#8220;lançamento&#8221; do banco, o órgão regulatório do setor na Bélgica começou a investigar o caso, e então a história foi esclarecida em uma coletiva de imprensa.  &#8220;Se formos fechados por nossos padrões éticos, muitos outros bancos também devem parar de funcionar&#8221;,diz um dos atores antes do fim da coletiva.</p>
<p>Nessa mesma ocasião, a equipe da Netwerk Vlaanderen divulgou investimentos de gigantes bancários europeus em empresas bem parecidas com aquelas que seriam supostas parceiras do Ace Bank &#8211; ou seja, eles fazem o mesmo, só não propagandeiam publicamente a ideia.  No site da organização é possível encontrar uma tabela com o nível de investimentos antiéticos de grandes bancos europeus (<a href="http://www.netwerkvlaanderen.be/en/index.php?option=com_content&amp;task=blogcategory&amp;id=73&amp;Itemid=254" target="_blank">o Deutsche Bank é o primeiro da lista negra)</a>.</p>
<p>A história não te deixa curioso em saber pra onde seu banco manda o seu dinheiro?</p>
<p><strong>Assista ao lado dois vídeos sobre o caso Ace Bank.</strong></p>
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		<title>Entre árvores e Ferraris</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2009/11/entre-arvores-e-ferraris/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 18:03:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
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		<description><![CDATA[Em meio ao risco de uma quebradeira generalizada, grandes bancos de todo o mundo não hesitaram em pedir ajuda aos seus respectivos governos para que os salvasse. Agora, em ritmo de fim de crise, talvez tenha chegado a hora desses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4800" class="wp-caption alignleft" style="width: 274px"><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Photoxpress_26277612222222.JPG"><img class="size-medium wp-image-4800" title="Foto retirada da galeria www.everystockphoto.com" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Photoxpress_26277612222222-264x198.jpg" alt="Foto retirada da galeria www.everystockphoto.com" width="264" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Foto retirada da galeria www.everystockphoto.com</p></div>
<p>Em meio ao risco de uma quebradeira generalizada, grandes bancos de todo o mundo não hesitaram em pedir ajuda aos seus respectivos governos para que os salvasse. Agora, em ritmo de fim de crise, talvez tenha chegado a hora desses mesmos gigantes ajudarem a conter os avanços da crise climática, ajudando a manter em pé as florestas do planeta.</p>
<p><a href="http://ow.ly/163Xc6" target="_blank">Uma matéria publicada pela The Economist</a> mostra que cerca de 21 bilhões de dólares serão distribuídos em bônus a banqueiros do Goldman Sachs este ano. Já um relatório apresentado por especialistas da área de finanças a autoridades de 19 países com áreas de florestas mostra que uma quantia entre 22 bilhões e 37 bilhões de dólares seria suficiente para conter o desmatamento entre 2010 e 2015.</p>
<p>Dois anos de bônus dos executivos do Sachs já faria uma boa diferença ambiental. Nada mais justo, ironiza a The Economist, que esses milionários abram a mão de uma Ferrari cada um para contribuir com a sanidade climática e ambiental do mundo. A contenção do desmantamento pode representar uma redução de 30% nas emissões de carbono até 2020.</p>
<p><strong>O bonde já está andando?</strong></p>
<p>A reunião em que esses dados vieram à tona aconteceu nas salas da realiza britânica, contou com o Príncipe Charles como anfitrião, e visava discutir um pacote emergencial para frear o desmatamento. Mas não é novidade que países de diversas partes do mundo já perceberam esse filão.</p>
<p>O Brasil já mantém o Fundo Amazônia, financiado por doações de outros países. A cada 120 dólares, um hectare de floresta é protegido por 20 anos. Trata-se de um investimento barato em comparação com outras ações que geram créditos de carbono, como a troca do uso de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis.</p>
<p>Alguns bancos têm considerado esse tipo de carteira para investidores de longo prazo, como fundos de pensão, por exemplo. A própria legislação climática que segue emperrada no Congresso americano <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/11/obama-e-as-nossas-florestas/" target="_blank">deve considerar a manutenção de florestas como ferramenta</a>.</p>
<p>Para conhecer mais sobre florestas e o mercado de carbono:</p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/05/arvore-do-conhecimento/" target="_blank">Árvore do conhecimento</a> – reportagem de Amália Safatle<br />
<a href="http://pagina22.com.br/index.php/2008/07/floresta-a-quilo/" target="_blank">Floresta a quilo</a> – reportagem de Flavia Pardini<br />
<a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/05/reducao-de-duvidas/" target="_blank">Redução de dúvidas</a> – artigo de Mario Monzoni</p>
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		<title>Da ruína à inovação</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 18:46:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Carolina Derivi
Em plena crise financeira, tem gente querendo inaugurar um novo banco nos EUA.  Mas o E3bank, que deve iniciar suas operações em junho, parece ter assimilado bem as lições amargas do momento.  O novo banco terá a missão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Carolina Derivi</p>
<p>Em plena crise financeira, tem gente querendo inaugurar um novo banco nos EUA.  Mas o E3bank, que deve iniciar suas operações em junho, parece ter assimilado bem as lições amargas do momento.  O novo banco terá a missão de distribuir crédito preferencial a compras e projetos norteados pela sustentabilidade ambiental e social, o que, para o diretor, Sandy Wiggins, significa lidar com clientes mais confiáveis.</p>
<p>&#8220;O cliente &#8216;verde&#8217; apresenta um perfil de risco baixo, porque tem mentalidade de longo prazo&#8221;, disse Wiggins, em entrevista ao site Matter Network. As taxas de juro do E3bank serão progressivamente menores quanto mais consistentes forem os critérios socioambientais. Por exemplo, projetos de construção que visem eficiência energética terão empréstimos facilitados, especialmente aqueles que buscarem certificação independente.</p>
<p>Para Wiggins, que já foi presidente do Conselho Nacional de Green Building dos EUA, o cliente que busca a redução do seu consumo energético está menos suscetível à volatilidade dos preços de energia no futuro e, portanto, mais apto a honrar seu empréstimo.</p>
<p>Os critérios para concessão de crédito não são a única inovação. Para dar o exemplo , o E3bank reduzirá ao máximo seu consumo de recursos naturais, por ser quase que totalmente virtual. O banco não terá agências, apenas um escritório central no estado da Pensilvânia, e as operações serão realizadas digitalmente por meio da internet.  Quando necessário, os próprios funcionários irão ao encontro dos clientes.</p>
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		<title>Em defesa do longo prazo</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2008 16:36:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No cerne da crise do sistema financeiro global está a mesma visão de curto prazo que impede as empresas de adotar estratégias e práticas da sustentabilidade, aponta Simon Zadek, chief executive da AccountAbility, organização que promove a prestacão de contas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No cerne da crise do sistema financeiro global está a mesma visão de curto prazo que impede as empresas de adotar estratégias e práticas da sustentabilidade, aponta Simon Zadek, chief executive da AccountAbility, organização que promove a prestacão de contas como caminho para o desenvolvimento sustentável. Para aproveitar a oportunidade única de mudar o mainstream, o movimento da sustentabilidade precisa influenciar, rapidamente, o pequeno grupo de pessoas que vai redesenhar o sistema financeiro. Já existem no mercado, lembra Zadek, experiências em que as decisões de investimento levam em conta a performance de longo prazo e os temas da sustentabilidade. É necessário alavancá-las.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quais os efeitos da crise financeira para a agenda da sustentabilidade?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A crise deixa boa parte da agenda da sustentabilidade sob estresse, em algumas instâncias, sob muito estresse.  De outro lado, é um sintoma do mesmo conjunto de problemas que nos limita nas abordagens da sustentabilidade.  Deveríamos vê-la como oportunidade de ir à raiz do problema.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Qual é a raiz do problema, na sua visão?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Se focarmos no setor empresarial e na maneira com que a economia cria resultados ligados à sustentabilidade, é crucialo papel da comunidade de investimentos em decidir o que as empresas podem ou não fazer.  Sabemos que o comportamento dos traders &#8211; gestores de fundos -, que buscam resultados de curto prazo ao competir uns com os outros em vez de investir na criação de valor de longo prazo, é uma grande razão pela qual as empresas não podem abordar a sustentabilidade nas estratégias e práticas de negócio.  O &#8220;curto-prazismo&#8221;, que limita a comunidade empresarial nas abordagens da sustentabilidade, é exatamente o mesmo que o desconto do risco que levou a comunidade de investimentos a essa bagunça em que se encontra.  São uma mesma coisa.  Da mesma forma que os gestores de fundos são incentivados a buscar resultados de curto prazo &#8211; parte das razões por que estavam dispostos a comprar hipotecas subprime, securitizá-las e passá-las para a frente -, eles demandam performance de curto prazo de empresas que em outras circunstâncias se concentrariam em investimentos de longo prazo em produtos e serviços para, por exemplo, um mundo onde há limite para as emissões de carbono.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">De que maneira a crise pode nos levar à visão de longo prazo nos investimentos e a uma nova economia?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esta é a primeira vez na minha vida que a comunidade de investimentos está tão enfraquecida que temos a oportunidade de forçá-la a mudar.  A oportunidade é que, ao tomar o dinheiro de contribuintes e exigir o apoio dos cidadãos que elegem os governos, ela seja forçada a adotar mudanças nas práticas que, ao longo das últimas duas décadas ou mais, relutou em adotar.  Este é o coração da oportunidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Isso requer que estejamos &#8211; contribuintes e eleitores &#8211; em sintonia com a agenda da sustentabilidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O senhor acha que esse é o caso?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não acho, absolutamente não.  O paradoxo é que temos uma oportunidade quase única, que ocorre uma vez na vida, e não estamos preparados para ela.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Isso é trágico!</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Está certo, é trágico em vez de paradoxal.  Os investimentos socialmente responsáveis, por exemplo, vêm sendo trabalhados há décadas, mas essa comunidade não tem as competências, a voz ou o processo coletivo necessários para influenciar temas como os bônus estruturados para os gestores de fundos, os problemas que permeiam a governança dos fundos de pensão ou os desafios postos pelo fato de que as agências de rating de crédito não são independentes ou suficientemente competentes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Estamos em um momento em que, de um lado, gritamos sobre a necessidade de sustentabilidade &#8211; particularmente nas negociações sobre a mudança climática &#8211; e, de outro, um pequeno grupo de pessoas vai examinar a re-regulação da comunidade financeira sem qualquer consideração por temas da sustentabilidade.  Zero.  Se acrescentarmos o desafio do tempo, há a oportunidade de fazer mudanças durante o período em que essa comunidade está enfraquecida, mas, se as coisas forem bem, em dois ou três meses essa posição vai passar e será muito tarde.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como influenciar esse pequeno grupo se ele nem pensa em sustentabilidade?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Conhecemos, coletivamente, as pessoas que dirigem a Securities and Exchange Commission, nos EUA, a Financial Services Authority, no Reino Unido, os líderes políticos, de Gordon Brown a Barack Obama, e outros que serão chave tanto no desenho técnico quanto na coragem política para fazer mudanças.  A boa notícia é que, dez ou vinte anos atrás, as pessoas No movimento da sustentabilidade não conheciam as pessoas certas, mas agora conhecemos.  Precisamos também enfatizar o paradoxo.  Se examinar as edições do Financial Times do último mês, vai ver que não há um artigo sequer que faça a conexão.  Não é só porque eles não sabem da conexão.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Tentamos oferecer material a esses veículos de mídia, mas eles não aceitam.  A discussão sobre a regulação financeira já está na mídia, controlada por um pequeno número de pessoas, &#8220;os especialistas&#8221;.  Já existe um monopólio do conhecimento por parte das mesmas pessoas que há dois anos decidiam as virtudes do sistema financeiro.  Então, primeiro precisamos enfatizar a conexão para uma audiência ampla, não só por meio de pequenas revistas de responsabilidade corporativa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em segundo lugar, precisamos alertar rapidamente aqueles que trabalham no lado das políticas de que é o momento de agir.  Em terceiro lugar, há pessoas &#8211; espero ser uma delas &#8211; tentando unir rapidamente as duas agendas.  Em quarto lugar, precisamos pensar no que queremos que a nova estrutura regulatória adote.  Não é suficiente dizer: &#8220;Queremos que ela aborde a sustentabilidade&#8221;.  Comentários abstratos são coisa de dez anos atrás, temos que saber precisamente as mudanças que queremos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Então, no meio dessa oportunidade extraordinária, também somos desafiados sobre se temos as respostas certas. Acho que temos várias das respostas, mas certamente há trabalho a ser feito rapidamente.  Não há muito tempo, acordaremos em janeiro e a oportunidade de mudar a comunidade de investimentos provavelmente terá desaparecido.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Se isso acontecer, quais as conseqüências de as agendas do mundo financeiro e da sustentabilidade continuarem separadas?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vamos examinar o exemplo da mudança climática.  Estamos no meio de uma negociação complexa sobre algo que vai além do Protocolo de Kyoto.  Possivelmente, a mais complicada negociação que a comunidade global já tentou.  Parte do desafio é como gerar trilhões de dólares para produzir reduções das emissões de carbono.  Nem milhões nem bilhões, trilhões.  As pessoas que trabalham com mudança climática estão ocupadas, pensando: &#8220;Podemos criar mercados de carbono, usar impostos, taxar o combustível de aviação&#8230;&#8221; Todos estão centrados em como criar as finanças do carbono.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A ironia é que o que realmente precisamos é direcionar o principal veículo de financiamento do planeta &#8211; o mercado de capitais &#8211; para uma abordagem de investimento que precifique o carbono de maneira diferente.  Em primeira instância, significa concentrar-se na criação de valor de longo prazo, ao fazer com que mais e mais empresas incluam o preço do carbono em seus cálculos. Se não conectarmos esses dois mundos, acordaremos em janeiro sem que trilhões de dólares no mercado de capitais respondam à mudança climática, e estaremos ainda tentando levantar outros trilhões com os contribuintes mais sensíveis à mudança climática.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Do outro lado, temos a oportunidade de acordar em janeiro, fevereiro ou março, com um alinhamento muito maior entre onde realmente está o dinheiro &#8211; que é o mercado de capitais &#8211; e a real necessidade &#8211; neste caso, a redução das emissões de carbono.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Qual o papel nesse cenário dos negociadores do sucessor do Protocolo de Kyoto?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na semana passada estive em Paris com negociadores de países desenvolvidos e de países emergentes avançados.  Tivemos justamente esta conversa, e a preocupação deles, com razão, era de que a crise financeira distrairia a atenção do processo político sobre a necessidade de alcançar um acordo climático e tornaria mais difícil destravar recursos para pagar pelo acordo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Oferecemos em troca a perspectiva que acabei de expor.  Eles disseram: &#8220;Esse é um assunto do qual não sabemos nada, para o qual não temos mandato e que não podemos trazer para as negociações, pois elas não podem dar conta dele&#8221;.  Um dos negociadores estava sentado no mesmo corredor em que a equipe financeira de seu país se reunia, e ele destacou a ironia de ele e seus colegas estarem completamente separados ao lidar com temas profundamente conectados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nosso desafio é conectar, encorajar os negociadores a ver a oportunidade, não de trazer o tema para as negociações, pois isso é muito pouco provável a esta altura, mas de criar consciência na esfera dos governos, especialmente os governos do Norte que terão que pagar a conta da mudança climática, sobre a oportunidade de a re-regulação financeira ajudá-los a pagar essa conta.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Qual é o papel dos países em desenvolvimento, particularmente o Brasil?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quando os líderes políticos da China, Índia, Brasil, África do Sul e outros dizem aos cidadãos do Norte que &#8220;vocês criaram o problema, vocês paguem para se livrar dele&#8221;, acho que há uma dose de verdade.  Mas, se nos prendermos a esse ponto, como diria Al Gore, ninguém terá muito desenvolvimento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não posso imaginar um país como o Brasil dizendo: &#8220;Estamos dispostos a reduzir nossa taxa de crescimento econômico em nome do controle climático&#8221;.  Simplesmente porque não acredito que o mundo funcione dessa maneira, e talvez isso esteja correto. O desafio é inverter a pergunta: &#8220;Sob quais circunstâncias uma sociedade como o Brasil pode buscar o caminho da prosperidade de baixo carbono?&#8221;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Temos que começar de um ponto diferente, o movimento da sustentabilidade começa com &#8220;isso é o que precisa ser reduzido&#8221;, é o que pessoas, comunidades e países precisam fazer, e alguém tem de pagar para compensar a dor.  Acho que essa lógica não vai nos levar a muitos resultados.  Temos que reverter a lógica e perguntar que tipos de investimentos serão necessários para gerar esse resultado e como isso pode ser co-financiado entre o Brasil e os outros.  Não é um jogo de palavras, é uma mudança real na lente da análise.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A crise financeira trouxe à luz uma crise do movimento da sustentabilidade, já que é preciso mudar a abordagem?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A comunidade de investidores socialmente responsáveis, há uma década, estava centrada principalmente nos filtros negativos (exclusão de setores como os de armas, cigarros e bebidas dos investimentos).  O mesmo movimento há cinco ou dois anos havia amadurecido incrivelmente e centrava-se no papel dos temas da sustentabilidade na gestão de risco, o que o traz para perto do processo de investimento do mainstream.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Acho que, se enfrentássemos a situação atual daqui a cinco anos, talvez o movimento da responsabilidade corporativa ou da sustentabilidade estivesse em melhores condições de lidar com ela.  É que aconteceu bem antes que tivéssemos as competências e o foco para lidar com esses temas tão diretamente.  Não acho que trilhamos o caminho errado, apenas não crescemos rápido o suficiente.  Como a oportunidade nos aparece agora, estamos pouco preparados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O senhor falou do link entre investimentos e as empresas.  Há também um problema de governança corporativa?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Muito tempo e esforço têm sido gastos para melhorar a governança corporativa, mas vemos que a estrutura dos incentivos aos gestores seniores em grande parte da comunidade empresarial continua concentrada sobre os resultados de curto prazo.  Embora haja melhoras na governança, conselhos melhores, mais independentes, relatórios melhores, não vemos as mudanças nas estruturas de incentivos em direção a um alinhamento com a performance de longo prazo e os resultados da sustentabilidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esta é a primeira parte.  A segunda é que, se os investidores dizem &#8220;vamos julgar você pelos seus resultados trimestrais, e pouco além disso&#8221;, não surpreende que os conselhos e os gestores estejam ocupados em produzir resultados nessa escala de tempo.  Então, a questão é por que a comunidade de investimentos está centrada no curto prazo. Parte do problema está na comunidade dos gestores de fundos e não tem a ver só com bônus mais altos, mas uma estrutura totalmente perversa de bônus que beneficia os gestores individuais por meio da negociação, e não dos investimentos de longo prazo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esse comportamento e essa estrutura são fomentados pelos mandatos que os fundos de pensão dão aos gestores, que exigem que eles demonstrem resultados de curto prazo em relação ao mercado.  Se imaginarmos uma cadeia de valor dos investimentos, essa mentalidade vai desde a empresa que recebe o dinheiro até o fundo de pensão ou a seguradora de onde o dinheiro sai.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Defendo que as grandes reformas em governança devem ser feitas no topo da cadeia, ou seja, na governança dos fundos de pensão, para permitir que os verdadeiros &#8220;fazedores&#8221; de capital, você e eu, pessoas que possuem apólices de seguro ou recebem aposentadoria, influenciem de uma maneira mais profunda o que é feito com nosso dinheiro.  Essas são as mudanças que vão levar os trustees de nosso dinheiro a dar mandatos aos gestores de fundos para forçá-los a buscar a performance de longo prazo, o que vai mudar a estratégia de investimento, impelir as empresas a centrar-se em temas de longo prazo e alterar a estrutura de incentivos dos gestores seniores.  Em outras palavras, não há sentido em apenas tentar consertar o que uma empresa faz, o problema está mais em cima.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Soa simples, mas é uma tarefa imensa, não?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há exemplos interessantes, como o Generation Investment Management, fundo que Al Gore e David Blood &#8211; que era do Goldman Sachs &#8211; lançaram há cinco anos.  Chegaram ao mercado sem recursos, construíram um fundo de US$ 5 bilhões, convenceram seus clientes, que são fundos de pensão e pessoas ricas, a colocar dinheiro no Generation sem garantias de performance de curto prazo, com uma visão de longo prazo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E o resultado é que o Generation pode não apenas centrar-se em temas da sustentabilidade como resultado, mas entendê-los como chave para a performance de longo prazo.  A performance do Generation supera a do mercado consistentemente a cada ano, desde que foi estabelecido.  Para fazer isso, tiveram que convencer os trustees dos fundos de pensão e pessoas ricas a não fazer o que normalmente fazem, que é se balizar pela performance de curto prazo.  Há exemplos no mercado que demonstram claramente como a alocação de capital &#8211; em outras palavras, as decisões de investimento &#8211; pode funcionar de maneira diferente.  Não temos que imaginar, ou inventar, já existe no mercado. O que temos de fazer é alavancar isso de forma que influencie o que a parte principal da comunidade de investimentos faz.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O senhor está otimista de que se pode fazer isso na janela de tempo que se apresenta?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sempre me pergunto se o otimismo é uma característica do caráter de alguém ou uma escolha estratégica.  Sou otimista por escolha, acredito que a mudança é possível, porque vemos que ela ocorreu ao longo da história.  Estou muito preocupado que o nível de mudança que é preciso agora, e a velocidade com que deve ocorrer, exerça tanta pressão sobre as instituições existentes para que sejam flexíveis que será muito difícil alcançá-lo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não porque a cobiça é parte da natureza humana ou coisa do gênero, acho tudo isso uma bobagem sem sentido, mas simplesmente porque nossas instituições foram construídas para enfrentar um mundo diferente, o Goldman Sachs, as Nações Unidas ou a Oxfam.  O desafio é ou transformar os objetivos dessas instituições, suas capacidades e seu ritmo de mudança ou criar novas instituições.  Vemos isso com a Organização Mundial do Comércio (OMC) &#8211; é difícil imaginar que ela volte a fazer qualquer acordo progressista.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Pode alcançar um acordo, mas seria em nível tão baixo que acabaria desinteressante.  A razão pela qual a AccountAbility tem esse nome é porque acreditamos que, para mudar o foco das organizações, é preciso recriar as formas de exigir a prestação de contas.  Seja da OMC, seja da General Electric.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É mudar a forma de ver o mundo?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há um ditado em inglês que diz que &#8220;se tudo o que você vê é um prego, então tudo o que procura é um martelo&#8221;.  É preciso &#8220;re-entender&#8221; o problema, não a solução. Se entendemos o problema de forma diferente, então não pegamos o martelo, pegamos alguma outra coisa.  e acharmos que o problema da mudança climática é a necessidade de criar as finanças do carbono, tentaremos desenhar instituições que façam isso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas, se pensarmos que o problema, pelo menos em parte, é que a comunidade de investimentos foi construída de maneira errada, vamos nos concentrar nisso também.  É extremamente importante repensar o problema.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por enquanto isso não acontece.  O Accountability Rating de 2007, por exemplo, mostra que, embora as empresas prestem contas, isso não Está ligado a uma melhor performance financeira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Absolutamente. Vemos empresas que lidam com os direitos humanos de maneira mais efetiva, são mais transparentes do que nunca, engajam-se com stakeholders diversos, mas os mercados não as recompensam por isso.  Temos que enfrentar esse fato, não podemos, como uma comunidade ou um movimento, continuar gritando &#8220;faça o bem e você será lucrativo!&#8221;, porque está claro que essa é uma interpretação equivocada ou da história ou da nossa situação atual.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O senhor mencionou Barack Obama.  Quão crucial é a eleição americana para a mudança que precisa ocorrer?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não sou americano, não estou nos EUA e não faço parte do processo político &#8211; eu colocaria estes três alertas, para começar.  Aparentemente tanto Obama quanto (John) McCain têm visão mais progressista da mudança climática do que a atual administração, mas parece mais provável que Obama tenha o potencial para uma abordagem para mudar o jogo.  E que McCain, embora mais progressista que Bush, manteria a mesma base para as negociações.  Os desafios para quem quer que seja eleito são o que é possível fazer no atual clima econômico e o quão rapidamente terá de tomar uma posição.  O eleito em 4 de novembro fará o discurso de posse em 20 de janeiro e, nesse tempo, terá de decidir para onde quer ir nos grandes temas, as prioridades.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Tornar a mudança climática prioridade, mesmo na agenda de Obama, será desafiador, embora possível.  Levar a comunidade que apóia Obama a ver que a reregulação financeira deve levar em conta a lente mais ampla da sustentabilidade é possível, mas desafiador.  Há uma oportunidade, mas, se a Índia, por exemplo, não estiver disposta a jogar &#8211; e no momento não está muito engajada -, fica difícil um acordo.  O mesmo com a China, é preciso haver um acordo simultâneo entre as duas grandes economias, porque a China não se mexe sem os EUA e os EUA são cautelosos em se mexer em qualquer direção sem a China a bordo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Embora o mercado de carbono esteja separado do centro da crise, há rumores de uma bolha nesse mercado.  Qual é o problema e como enfrentá-lo?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mesmo dentro do mercado de carbono relativamente controlado da Europa, temos visto problemas enormes associados ao excesso de liberalismo na alocação de crédito; ganhos de vários tipos com a comercialização dos créditos; entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) foi, eu diria, negociado até a morte.  As mais recentes avaliações da adicionalidade da redução das emissões de carbono produzidas pelo Mdloferecem um quadro lamentável.  Parece-me improvável que qualquer novo regime aceite expandir o MDL em sua forma atual.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Isso significa duas coisas.  Uma, que, se vamos usar os mercados &#8211; estou assumindo que vamos -, as metodologias de alocação de crédito e os processos de monitoramento, prestação de contas e verificação (MRV, ou monitoring, reporting and verification, em inglês) terão de ser muito mais robustos.  Senão, o mercado perderá a reputação e se tornará contraproducente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em segundo lugar, particularmente por causa da crise financeira, talvez sejamos menos otimistas em relação a soluções de mercado e mais ênfase seja dada à regulação e aos impostos.  Lembre-se de que os mercados de carbono são apenas um conjunto de ferramentas financeiras e o que vemos é a capacidade da comunidade de investimentos de distorcer o que eram instrumentos financeiros úteis, tornando-os não produtivos ou contraproducentes.  Acho que isso nos deixa menos afeitos a usar instrumentos financeiros como principal veículo para a mudança.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O problema do MDL é que muitos projetos não entregaram a redução de emissões que prometiam?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Se colocarmos de maneira simples: se alguém paga 1 dólar para comprar um crédito que se destina a compensar o que se calculou que seja equivalente a um dólar em emissões de carbono, mas descobre que isso não foi feito, essa pessoa não vaicomprar outro dólar em crédito de carbono no futuro.  Da mesma forma, se se pede que um contribuinte dê 1 dólar para uma comunidade em uma parte pobre do mundo para que ela mitigue as emissões de carbono &#8211; uma transferência direta -, mas as emissões no fim não são mitigadas, o contribuinte estará menos inclinado a comparecer com seu dinheiro de novo.  Então, solucionar o chamado MRV, com a capacidade de realmente entregar uma análise robusta de impacto, é parte essencial para qualquer sistema que desenharmos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O mercado de carbono está enfrentando esse problema?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há muito trabalho sendo feito para desenhar um sistema de verificação mais efetivo.  É uma área em que a AccountAbility tenta ter um papel.  Embora as negociações climáticas sejam entre governos, muitos dos casos de monitoramento e verificação efetivos ocorrem no espaço dos padrões voluntários ou privados, o Forest Stewardship Council, os Princípios do Equador, a Iniciativa para Transparência da Indústria Extrativa.  São todos sistemas de monitoramento e verificação não estatutários, padrões certificados.  Muito pode ser feito para trazer essas experiências de maneira mais efetiva para a equação da mudança climática, e um pouco tem sido feito, fico feliz em dizer.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os críticos dizem que os padrões voluntários são mais convenientes para as empresas do que a regulação.  A pressão por regulação no sistema financeiro vai afetar também os padrões sociais e ambientais?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há uma longa discussão sobre se tais padrões devem ser voluntários ou estatutários.  O problema é que, freqüentemente, degenera para uma discussão ideológica em vez de basear-se em evidências.  O que é preciso realmente é uma combinação um tanto complicada dos dois.  É perfeitamente possível ter uma base estatutária sobre a qualos processos certificatórios são feitos por meios privados.  E ter padrões voluntários em que existem compensações estatutárias, por exemplo, restituição de impostos.  Acho que vamos caminhar para uma combinação mais interessante de processos voluntários e estatutários, em que um afeta positivamente o outro, em vez de serem alternativos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Muitos analistas dizem que a crise financeira marca o fim de uma era.  Qual sua visão do futuro da economia de mercado?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não acho que esse seja o fim do mercado, mas acho que a suposta ideologia da superioridade das soluções de mercado foi derrotada.  As visões ideológicas de que o mercado sempre entrega melhores soluções que o Estado &#8211; ou outros &#8211; não serão mais aceitas em debates sérios para formulação de políticas.  Será preciso demonstrar que as opções de mercado possibilitam resultados em um mesmo nível que outras opções, e isso é bom.  Haverá muitas instâncias em que as soluções de mercado serão a resposta correta, e muitas em que não serão.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas a premissa ideológica se quebrou.  Estou contente com isso, porque não acho que devemos ser movidos a visões ideológicas sobre o mercado ou o Estado, mas a evidências e análises, para descobrir os caminhos que levam aos melhores resultados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas os grupos sociais sempre tentam manipular as coisas em seu benefício.  É possível olhar o mundo de forma imparcial na busca do melhor caminho?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há ideologias dominantes em qualquer ponto no tempo, e muitos de nós vivemos em países onde argumentar contra soluções de mercado tem sido visto como uma extravagância quixotesca.  As vozes que desafiam essas soluções e oferecem abordagens alternativas serão mais fortes no futuro.  Claro, a manipulação continuará a existir, mas tudo é uma questão de equilíbrio.  Ninguém vai ver os EUA com credibilidade novamente se eles disserem &#8220;o mercado livre é melhor, e menos regulação é melhor&#8221;, ninguém pode dizer isso com a cara limpa.  Estive no Brasil e na China nas últimas semanas e havia quase que um alívio tangível de que a ideologia se quebrou, e também com a possibilidade de desafiá-la de maneira efetiva.  Não se trata de o mercado ser bom ou ruim, mas de como se decide o que fazer</div>
<p><em><img class="alignleft size-medium wp-image-2724" title="entrevista" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2008/11/entrevista-143x198.jpg" alt="entrevista" width="143" height="198" />No cerne da crise do sistema financeiro global está a mesma visão de curto prazo que impede as empresas de adotar estratégias e práticas da sustentabilidade, aponta Simon Zadek, chief executive da AccountAbility, organização que promove a prestacão de contas como caminho para o desenvolvimento sustentável. Para aproveitar a oportunidade única de mudar o mainstream, o movimento da sustentabilidade precisa influenciar, rapidamente, o pequeno grupo de pessoas que vai redesenhar o sistema financeiro. Já existem no mercado, lembra Zadek, experiências em que as decisões de investimento levam em conta a performance de longo prazo e os temas da sustentabilidade. É necessário alavancá-las.</em></p>
<p><strong>Por Flavia Pardini</strong><span style="white-space: pre;"><strong> </strong></span></p>
<p>Quais os efeitos da crise financeira para a agenda da sustentabilidade?</p>
<p>A crise deixa boa parte da agenda da sustentabilidade sob estresse, em algumas instâncias, sob muito estresse.  De outro lado, é um sintoma do mesmo conjunto de problemas que nos limita nas abordagens da sustentabilidade.  Deveríamos vê-la como oportunidade de ir à raiz do problema.</p>
<p>Qual é a raiz do problema, na sua visão?</p>
<p>Se focarmos no setor empresarial e na maneira com que a economia cria resultados ligados à sustentabilidade, é crucialo papel da comunidade de investimentos em decidir o que as empresas podem ou não fazer.  Sabemos que o comportamento dos traders &#8211; gestores de fundos -, que buscam resultados de curto prazo ao competir uns com os outros em vez de investir na criação de valor de longo prazo, é uma grande razão pela qual as empresas não podem abordar a sustentabilidade nas estratégias e práticas de negócio.  O &#8220;curto-prazismo&#8221;, que limita a comunidade empresarial nas abordagens da sustentabilidade, é exatamente o mesmo que o desconto do risco que levou a comunidade de investimentos a essa bagunça em que se encontra.  São uma mesma coisa.  Da mesma forma que os gestores de fundos são incentivados a buscar resultados de curto prazo &#8211; parte das razões por que estavam dispostos a comprar hipotecas subprime, securitizá-las e passá-las para a frente -, eles demandam performance de curto prazo de empresas que em outras circunstâncias se concentrariam em investimentos de longo prazo em produtos e serviços para, por exemplo, um mundo onde há limite para as emissões de carbono.</p>
<p>De que maneira a crise pode nos levar à visão de longo prazo nos investimentos e a uma nova economia?</p>
<p>Esta é a primeira vez na minha vida que a comunidade de investimentos está tão enfraquecida que temos a oportunidade de forçá-la a mudar.  A oportunidade é que, ao tomar o dinheiro de contribuintes e exigir o apoio dos cidadãos que elegem os governos, ela seja forçada a adotar mudanças nas práticas que, ao longo das últimas duas décadas ou mais, relutou em adotar.  Este é o coração da oportunidade.</p>
<p>Isso requer que estejamos &#8211; contribuintes e eleitores &#8211; em sintonia com a agenda da sustentabilidade.</p>
<p>O senhor acha que esse é o caso?</p>
<p>Não acho, absolutamente não.  O paradoxo é que temos uma oportunidade quase única, que ocorre uma vez na vida, e não estamos preparados para ela.</p>
<p>Isso é trágico!</p>
<p>Está certo, é trágico em vez de paradoxal.  Os investimentos socialmente responsáveis, por exemplo, vêm sendo trabalhados há décadas, mas essa comunidade não tem as competências, a voz ou o processo coletivo necessários para influenciar temas como os bônus estruturados para os gestores de fundos, os problemas que permeiam a governança dos fundos de pensão ou os desafios postos pelo fato de que as agências de rating de crédito não são independentes ou suficientemente competentes.</p>
<p>Estamos em um momento em que, de um lado, gritamos sobre a necessidade de sustentabilidade &#8211; particularmente nas negociações sobre a mudança climática &#8211; e, de outro, um pequeno grupo de pessoas vai examinar a re-regulação da comunidade financeira sem qualquer consideração por temas da sustentabilidade.  Zero.  Se acrescentarmos o desafio do tempo, há a oportunidade de fazer mudanças durante o período em que essa comunidade está enfraquecida, mas, se as coisas forem bem, em dois ou três meses essa posição vai passar e será muito tarde.</p>
<p>Como influenciar esse pequeno grupo se ele nem pensa em sustentabilidade?</p>
<p>Conhecemos, coletivamente, as pessoas que dirigem a Securities and Exchange Commission, nos EUA, a Financial Services Authority, no Reino Unido, os líderes políticos, de Gordon Brown a Barack Obama, e outros que serão chave tanto no desenho técnico quanto na coragem política para fazer mudanças.  A boa notícia é que, dez ou vinte anos atrás, as pessoas No movimento da sustentabilidade não conheciam as pessoas certas, mas agora conhecemos.  Precisamos também enfatizar o paradoxo.  Se examinar as edições do Financial Times do último mês, vai ver que não há um artigo sequer que faça a conexão.  Não é só porque eles não sabem da conexão.</p>
<p>Tentamos oferecer material a esses veículos de mídia, mas eles não aceitam.  A discussão sobre a regulação financeira já está na mídia, controlada por um pequeno número de pessoas, &#8220;os especialistas&#8221;.  Já existe um monopólio do conhecimento por parte das mesmas pessoas que há dois anos decidiam as virtudes do sistema financeiro.  Então, primeiro precisamos enfatizar a conexão para uma audiência ampla, não só por meio de pequenas revistas de responsabilidade corporativa.</p>
<p>Em segundo lugar, precisamos alertar rapidamente aqueles que trabalham no lado das políticas de que é o momento de agir.  Em terceiro lugar, há pessoas &#8211; espero ser uma delas &#8211; tentando unir rapidamente as duas agendas.  Em quarto lugar, precisamos pensar no que queremos que a nova estrutura regulatória adote.  Não é suficiente dizer: &#8220;Queremos que ela aborde a sustentabilidade&#8221;.  Comentários abstratos são coisa de dez anos atrás, temos que saber precisamente as mudanças que queremos.</p>
<p>Então, no meio dessa oportunidade extraordinária, também somos desafiados sobre se temos as respostas certas. Acho que temos várias das respostas, mas certamente há trabalho a ser feito rapidamente.  Não há muito tempo, acordaremos em janeiro e a oportunidade de mudar a comunidade de investimentos provavelmente terá desaparecido.</p>
<p>Se isso acontecer, quais as conseqüências de as agendas do mundo financeiro e da sustentabilidade continuarem separadas?</p>
<p>Vamos examinar o exemplo da mudança climática.  Estamos no meio de uma negociação complexa sobre algo que vai além do Protocolo de Kyoto.  Possivelmente, a mais complicada negociação que a comunidade global já tentou.  Parte do desafio é como gerar trilhões de dólares para produzir reduções das emissões de carbono.  Nem milhões nem bilhões, trilhões.  As pessoas que trabalham com mudança climática estão ocupadas, pensando: &#8220;Podemos criar mercados de carbono, usar impostos, taxar o combustível de aviação&#8230;&#8221; Todos estão centrados em como criar as finanças do carbono.</p>
<p>A ironia é que o que realmente precisamos é direcionar o principal veículo de financiamento do planeta &#8211; o mercado de capitais &#8211; para uma abordagem de investimento que precifique o carbono de maneira diferente.  Em primeira instância, significa concentrar-se na criação de valor de longo prazo, ao fazer com que mais e mais empresas incluam o preço do carbono em seus cálculos. Se não conectarmos esses dois mundos, acordaremos em janeiro sem que trilhões de dólares no mercado de capitais respondam à mudança climática, e estaremos ainda tentando levantar outros trilhões com os contribuintes mais sensíveis à mudança climática.</p>
<p>Do outro lado, temos a oportunidade de acordar em janeiro, fevereiro ou março, com um alinhamento muito maior entre onde realmente está o dinheiro &#8211; que é o mercado de capitais &#8211; e a real necessidade &#8211; neste caso, a redução das emissões de carbono.</p>
<p>Qual o papel nesse cenário dos negociadores do sucessor do Protocolo de Kyoto?</p>
<p>Na semana passada estive em Paris com negociadores de países desenvolvidos e de países emergentes avançados.  Tivemos justamente esta conversa, e a preocupação deles, com razão, era de que a crise financeira distrairia a atenção do processo político sobre a necessidade de alcançar um acordo climático e tornaria mais difícil destravar recursos para pagar pelo acordo.</p>
<p>Oferecemos em troca a perspectiva que acabei de expor.  Eles disseram: &#8220;Esse é um assunto do qual não sabemos nada, para o qual não temos mandato e que não podemos trazer para as negociações, pois elas não podem dar conta dele&#8221;.  Um dos negociadores estava sentado no mesmo corredor em que a equipe financeira de seu país se reunia, e ele destacou a ironia de ele e seus colegas estarem completamente separados ao lidar com temas profundamente conectados.</p>
<p>Nosso desafio é conectar, encorajar os negociadores a ver a oportunidade, não de trazer o tema para as negociações, pois isso é muito pouco provável a esta altura, mas de criar consciência na esfera dos governos, especialmente os governos do Norte que terão que pagar a conta da mudança climática, sobre a oportunidade de a re-regulação financeira ajudá-los a pagar essa conta.</p>
<p>Qual é o papel dos países em desenvolvimento, particularmente o Brasil?</p>
<p>Quando os líderes políticos da China, Índia, Brasil, África do Sul e outros dizem aos cidadãos do Norte que &#8220;vocês criaram o problema, vocês paguem para se livrar dele&#8221;, acho que há uma dose de verdade.  Mas, se nos prendermos a esse ponto, como diria Al Gore, ninguém terá muito desenvolvimento.</p>
<p>Não posso imaginar um país como o Brasil dizendo: &#8220;Estamos dispostos a reduzir nossa taxa de crescimento econômico em nome do controle climático&#8221;.  Simplesmente porque não acredito que o mundo funcione dessa maneira, e talvez isso esteja correto. O desafio é inverter a pergunta: &#8220;Sob quais circunstâncias uma sociedade como o Brasil pode buscar o caminho da prosperidade de baixo carbono?&#8221;</p>
<p>Temos que começar de um ponto diferente, o movimento da sustentabilidade começa com &#8220;isso é o que precisa ser reduzido&#8221;, é o que pessoas, comunidades e países precisam fazer, e alguém tem de pagar para compensar a dor.  Acho que essa lógica não vai nos levar a muitos resultados.  Temos que reverter a lógica e perguntar que tipos de investimentos serão necessários para gerar esse resultado e como isso pode ser co-financiado entre o Brasil e os outros.  Não é um jogo de palavras, é uma mudança real na lente da análise.</p>
<p>A crise financeira trouxe à luz uma crise do movimento da sustentabilidade, já que é preciso mudar a abordagem?</p>
<p>A comunidade de investidores socialmente responsáveis, há uma década, estava centrada principalmente nos filtros negativos (exclusão de setores como os de armas, cigarros e bebidas dos investimentos).  O mesmo movimento há cinco ou dois anos havia amadurecido incrivelmente e centrava-se no papel dos temas da sustentabilidade na gestão de risco, o que o traz para perto do processo de investimento do mainstream.</p>
<p>Acho que, se enfrentássemos a situação atual daqui a cinco anos, talvez o movimento da responsabilidade corporativa ou da sustentabilidade estivesse em melhores condições de lidar com ela.  É que aconteceu bem antes que tivéssemos as competências e o foco para lidar com esses temas tão diretamente.  Não acho que trilhamos o caminho errado, apenas não crescemos rápido o suficiente.  Como a oportunidade nos aparece agora, estamos pouco preparados.</p>
<p>O senhor falou do link entre investimentos e as empresas.  Há também um problema de governança corporativa?</p>
<p>Muito tempo e esforço têm sido gastos para melhorar a governança corporativa, mas vemos que a estrutura dos incentivos aos gestores seniores em grande parte da comunidade empresarial continua concentrada sobre os resultados de curto prazo.  Embora haja melhoras na governança, conselhos melhores, mais independentes, relatórios melhores, não vemos as mudanças nas estruturas de incentivos em direção a um alinhamento com a performance de longo prazo e os resultados da sustentabilidade.</p>
<p>Esta é a primeira parte.  A segunda é que, se os investidores dizem &#8220;vamos julgar você pelos seus resultados trimestrais, e pouco além disso&#8221;, não surpreende que os conselhos e os gestores estejam ocupados em produzir resultados nessa escala de tempo.  Então, a questão é por que a comunidade de investimentos está centrada no curto prazo. Parte do problema está na comunidade dos gestores de fundos e não tem a ver só com bônus mais altos, mas uma estrutura totalmente perversa de bônus que beneficia os gestores individuais por meio da negociação, e não dos investimentos de longo prazo.</p>
<p>Esse comportamento e essa estrutura são fomentados pelos mandatos que os fundos de pensão dão aos gestores, que exigem que eles demonstrem resultados de curto prazo em relação ao mercado.  Se imaginarmos uma cadeia de valor dos investimentos, essa mentalidade vai desde a empresa que recebe o dinheiro até o fundo de pensão ou a seguradora de onde o dinheiro sai.</p>
<p>Defendo que as grandes reformas em governança devem ser feitas no topo da cadeia, ou seja, na governança dos fundos de pensão, para permitir que os verdadeiros &#8220;fazedores&#8221; de capital, você e eu, pessoas que possuem apólices de seguro ou recebem aposentadoria, influenciem de uma maneira mais profunda o que é feito com nosso dinheiro.  Essas são as mudanças que vão levar os trustees de nosso dinheiro a dar mandatos aos gestores de fundos para forçá-los a buscar a performance de longo prazo, o que vai mudar a estratégia de investimento, impelir as empresas a centrar-se em temas de longo prazo e alterar a estrutura de incentivos dos gestores seniores.  Em outras palavras, não há sentido em apenas tentar consertar o que uma empresa faz, o problema está mais em cima.</p>
<p>Soa simples, mas é uma tarefa imensa, não?</p>
<p>Há exemplos interessantes, como o Generation Investment Management, fundo que Al Gore e David Blood &#8211; que era do Goldman Sachs &#8211; lançaram há cinco anos.  Chegaram ao mercado sem recursos, construíram um fundo de US$ 5 bilhões, convenceram seus clientes, que são fundos de pensão e pessoas ricas, a colocar dinheiro no Generation sem garantias de performance de curto prazo, com uma visão de longo prazo.</p>
<p>E o resultado é que o Generation pode não apenas centrar-se em temas da sustentabilidade como resultado, mas entendê-los como chave para a performance de longo prazo.  A performance do Generation supera a do mercado consistentemente a cada ano, desde que foi estabelecido.  Para fazer isso, tiveram que convencer os trustees dos fundos de pensão e pessoas ricas a não fazer o que normalmente fazem, que é se balizar pela performance de curto prazo.  Há exemplos no mercado que demonstram claramente como a alocação de capital &#8211; em outras palavras, as decisões de investimento &#8211; pode funcionar de maneira diferente.  Não temos que imaginar, ou inventar, já existe no mercado. O que temos de fazer é alavancar isso de forma que influencie o que a parte principal da comunidade de investimentos faz.</p>
<p>O senhor está otimista de que se pode fazer isso na janela de tempo que se apresenta?</p>
<p>Sempre me pergunto se o otimismo é uma característica do caráter de alguém ou uma escolha estratégica.  Sou otimista por escolha, acredito que a mudança é possível, porque vemos que ela ocorreu ao longo da história.  Estou muito preocupado que o nível de mudança que é preciso agora, e a velocidade com que deve ocorrer, exerça tanta pressão sobre as instituições existentes para que sejam flexíveis que será muito difícil alcançá-lo.</p>
<p>Não porque a cobiça é parte da natureza humana ou coisa do gênero, acho tudo isso uma bobagem sem sentido, mas simplesmente porque nossas instituições foram construídas para enfrentar um mundo diferente, o Goldman Sachs, as Nações Unidas ou a Oxfam.  O desafio é ou transformar os objetivos dessas instituições, suas capacidades e seu ritmo de mudança ou criar novas instituições.  Vemos isso com a Organização Mundial do Comércio (OMC) &#8211; é difícil imaginar que ela volte a fazer qualquer acordo progressista.</p>
<p>Pode alcançar um acordo, mas seria em nível tão baixo que acabaria desinteressante.  A razão pela qual a AccountAbility tem esse nome é porque acreditamos que, para mudar o foco das organizações, é preciso recriar as formas de exigir a prestação de contas.  Seja da OMC, seja da General Electric.</p>
<p>É mudar a forma de ver o mundo?</p>
<p>Há um ditado em inglês que diz que &#8220;se tudo o que você vê é um prego, então tudo o que procura é um martelo&#8221;.  É preciso &#8220;re-entender&#8221; o problema, não a solução. Se entendemos o problema de forma diferente, então não pegamos o martelo, pegamos alguma outra coisa.  e acharmos que o problema da mudança climática é a necessidade de criar as finanças do carbono, tentaremos desenhar instituições que façam isso.</p>
<p>Mas, se pensarmos que o problema, pelo menos em parte, é que a comunidade de investimentos foi construída de maneira errada, vamos nos concentrar nisso também.  É extremamente importante repensar o problema.</p>
<p>Por enquanto isso não acontece.  O Accountability Rating de 2007, por exemplo, mostra que, embora as empresas prestem contas, isso não Está ligado a uma melhor performance financeira.</p>
<p>Absolutamente. Vemos empresas que lidam com os direitos humanos de maneira mais efetiva, são mais transparentes do que nunca, engajam-se com stakeholders diversos, mas os mercados não as recompensam por isso.  Temos que enfrentar esse fato, não podemos, como uma comunidade ou um movimento, continuar gritando &#8220;faça o bem e você será lucrativo!&#8221;, porque está claro que essa é uma interpretação equivocada ou da história ou da nossa situação atual.</p>
<p>O senhor mencionou Barack Obama.  Quão crucial é a eleição americana para a mudança que precisa ocorrer?</p>
<p>Não sou americano, não estou nos EUA e não faço parte do processo político &#8211; eu colocaria estes três alertas, para começar.  Aparentemente tanto Obama quanto (John) McCain têm visão mais progressista da mudança climática do que a atual administração, mas parece mais provável que Obama tenha o potencial para uma abordagem para mudar o jogo.  E que McCain, embora mais progressista que Bush, manteria a mesma base para as negociações.  Os desafios para quem quer que seja eleito são o que é possível fazer no atual clima econômico e o quão rapidamente terá de tomar uma posição.  O eleito em 4 de novembro fará o discurso de posse em 20 de janeiro e, nesse tempo, terá de decidir para onde quer ir nos grandes temas, as prioridades.</p>
<p>Tornar a mudança climática prioridade, mesmo na agenda de Obama, será desafiador, embora possível.  Levar a comunidade que apóia Obama a ver que a reregulação financeira deve levar em conta a lente mais ampla da sustentabilidade é possível, mas desafiador.  Há uma oportunidade, mas, se a Índia, por exemplo, não estiver disposta a jogar &#8211; e no momento não está muito engajada -, fica difícil um acordo.  O mesmo com a China, é preciso haver um acordo simultâneo entre as duas grandes economias, porque a China não se mexe sem os EUA e os EUA são cautelosos em se mexer em qualquer direção sem a China a bordo.</p>
<p>Embora o mercado de carbono esteja separado do centro da crise, há rumores de uma bolha nesse mercado.  Qual é o problema e como enfrentá-lo?</p>
<p>Mesmo dentro do mercado de carbono relativamente controlado da Europa, temos visto problemas enormes associados ao excesso de liberalismo na alocação de crédito; ganhos de vários tipos com a comercialização dos créditos; entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) foi, eu diria, negociado até a morte.  As mais recentes avaliações da adicionalidade da redução das emissões de carbono produzidas pelo Mdloferecem um quadro lamentável.  Parece-me improvável que qualquer novo regime aceite expandir o MDL em sua forma atual.</p>
<p>Isso significa duas coisas.  Uma, que, se vamos usar os mercados &#8211; estou assumindo que vamos -, as metodologias de alocação de crédito e os processos de monitoramento, prestação de contas e verificação (MRV, ou monitoring, reporting and verification, em inglês) terão de ser muito mais robustos.  Senão, o mercado perderá a reputação e se tornará contraproducente.</p>
<p>Em segundo lugar, particularmente por causa da crise financeira, talvez sejamos menos otimistas em relação a soluções de mercado e mais ênfase seja dada à regulação e aos impostos.  Lembre-se de que os mercados de carbono são apenas um conjunto de ferramentas financeiras e o que vemos é a capacidade da comunidade de investimentos de distorcer o que eram instrumentos financeiros úteis, tornando-os não produtivos ou contraproducentes.  Acho que isso nos deixa menos afeitos a usar instrumentos financeiros como principal veículo para a mudança.</p>
<p>O problema do MDL é que muitos projetos não entregaram a redução de emissões que prometiam?</p>
<p>Se colocarmos de maneira simples: se alguém paga 1 dólar para comprar um crédito que se destina a compensar o que se calculou que seja equivalente a um dólar em emissões de carbono, mas descobre que isso não foi feito, essa pessoa não vaicomprar outro dólar em crédito de carbono no futuro.  Da mesma forma, se se pede que um contribuinte dê 1 dólar para uma comunidade em uma parte pobre do mundo para que ela mitigue as emissões de carbono &#8211; uma transferência direta -, mas as emissões no fim não são mitigadas, o contribuinte estará menos inclinado a comparecer com seu dinheiro de novo.  Então, solucionar o chamado MRV, com a capacidade de realmente entregar uma análise robusta de impacto, é parte essencial para qualquer sistema que desenharmos.</p>
<p>O mercado de carbono está enfrentando esse problema?</p>
<p>Há muito trabalho sendo feito para desenhar um sistema de verificação mais efetivo.  É uma área em que a AccountAbility tenta ter um papel.  Embora as negociações climáticas sejam entre governos, muitos dos casos de monitoramento e verificação efetivos ocorrem no espaço dos padrões voluntários ou privados, o Forest Stewardship Council, os Princípios do Equador, a Iniciativa para Transparência da Indústria Extrativa.  São todos sistemas de monitoramento e verificação não estatutários, padrões certificados.  Muito pode ser feito para trazer essas experiências de maneira mais efetiva para a equação da mudança climática, e um pouco tem sido feito, fico feliz em dizer.</p>
<p>Os críticos dizem que os padrões voluntários são mais convenientes para as empresas do que a regulação.  A pressão por regulação no sistema financeiro vai afetar também os padrões sociais e ambientais?</p>
<p>Há uma longa discussão sobre se tais padrões devem ser voluntários ou estatutários.  O problema é que, freqüentemente, degenera para uma discussão ideológica em vez de basear-se em evidências.  O que é preciso realmente é uma combinação um tanto complicada dos dois.  É perfeitamente possível ter uma base estatutária sobre a qualos processos certificatórios são feitos por meios privados.  E ter padrões voluntários em que existem compensações estatutárias, por exemplo, restituição de impostos.  Acho que vamos caminhar para uma combinação mais interessante de processos voluntários e estatutários, em que um afeta positivamente o outro, em vez de serem alternativos.</p>
<p>Muitos analistas dizem que a crise financeira marca o fim de uma era.  Qual sua visão do futuro da economia de mercado?</p>
<p>Não acho que esse seja o fim do mercado, mas acho que a suposta ideologia da superioridade das soluções de mercado foi derrotada.  As visões ideológicas de que o mercado sempre entrega melhores soluções que o Estado &#8211; ou outros &#8211; não serão mais aceitas em debates sérios para formulação de políticas.  Será preciso demonstrar que as opções de mercado possibilitam resultados em um mesmo nível que outras opções, e isso é bom.  Haverá muitas instâncias em que as soluções de mercado serão a resposta correta, e muitas em que não serão.</p>
<p>Mas a premissa ideológica se quebrou.  Estou contente com isso, porque não acho que devemos ser movidos a visões ideológicas sobre o mercado ou o Estado, mas a evidências e análises, para descobrir os caminhos que levam aos melhores resultados.</p>
<p>Mas os grupos sociais sempre tentam manipular as coisas em seu benefício.  É possível olhar o mundo de forma imparcial na busca do melhor caminho?</p>
<p>Há ideologias dominantes em qualquer ponto no tempo, e muitos de nós vivemos em países onde argumentar contra soluções de mercado tem sido visto como uma extravagância quixotesca.  As vozes que desafiam essas soluções e oferecem abordagens alternativas serão mais fortes no futuro.  Claro, a manipulação continuará a existir, mas tudo é uma questão de equilíbrio.  Ninguém vai ver os EUA com credibilidade novamente se eles disserem &#8220;o mercado livre é melhor, e menos regulação é melhor&#8221;, ninguém pode dizer isso com a cara limpa.  Estive no Brasil e na China nas últimas semanas e havia quase que um alívio tangível de que a ideologia se quebrou, e também com a possibilidade de desafiá-la de maneira efetiva.  Não se trata de o mercado ser bom ou ruim, mas de como se decide o que fazer</p>
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		<title>O jogo do momento</title>
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		<pubDate>Thu, 01 May 2008 20:07:45 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os mercados ambientais crescem rapidamente e começam a &#8220;monetizar&#8221; ativos naturais, diz David Brand, diretor da New Forests, empresa australiana de environmental asset management
Por Flavia Pardini 
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O mundo financeiro finalmente enxerga valor em ecossistemas como as florestas tropicais. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os mercados ambientais crescem rapidamente e começam a &#8220;monetizar&#8221; ativos naturais, diz David Brand, diretor da New Forests, empresa australiana de environmental asset management</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;"><span style="white-space: pre;"> </span>Versão</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">em PDF</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O mundo financeiro finalmente enxerga valor em ecossistemas como as florestas tropicais.  O nascente mercado para conservação, impulsionado por esquemas voluntários de redução de emissões de gases de efeito estufa, toma forma em alguns projetos pioneiros.  A australiana New Forests criou um banco para a biodiversidade na Malásia.  Na Guiana, em troca de arcar com parte dos custos para manter a floresta, uma empresa de private equity lucra com a venda de serviços ambientais.  Na ilha de Sumatra, na Indonésia, a Merrill Lynch investe para reduzir o desmatamento e gerar créditos de carbono, tornando o mecanismo de REDD (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação) uma realidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Existem mercados para conservação hoje no mundo?  O mercado falha em proteger as florestas tropicais porque o valor da soja, da carne, do óleo de palma (conhecido no Brasil como azeite de dendê, é extraído da palmeira Elaeis guineensis e constitui o pilar de economias no Sudeste Asiático, na África central e oeste, e na América Central) e de outras safras de commodities agrícolas está disparando, enquanto as florestas não têm valor.  Isso levou a muito desmatamento nos últimos anos.  O que vemos agora, porém, é muito interesse em gerar sinais de preços, ou de mercado, que levarão à criação de valor para a conservação das florestas.  Parece que, com a ênfase nos projetos de REDD, com a COP em Bali (a Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro, incluiu as florestas nas negociações sobre redução de gases de efeito estufa), e o interesse no mercado voluntário de carbono, é uma época interessante para acordos pioneiros nessa área.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Então não se trata de um mercado, mas de iniciativas?  É um mercado, mas relativamente “estreito” (com poucos compradores e vendedores), ainda nascente.  Mas o crescimento desses mercados voluntários é enorme – em 2007 o movimento foi de 40 milhões de toneladas de carbono e estima-se que ultrapassará 100 milhões de toneladas em 2008.  Algumas iniciativas pioneiras tentam criar valor para a biodiversidade, é o que fizemos em Sabah (estado da Malásia), e para serviços ambientais, caso do projeto na Guiana.  Há um certo número de modelos comerciais que competem entre si e começam a sair do papel.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É preciso uma abordagem comercial?  Outras formas de dar valor à conservação não funcionam?  Pode-se regular, mas aí tem o problema de fiscalizar. Podem-se usar fundos filantrópicos, mas a quantidade total de investimento privado ultrapassa qualquer quantia que seríamos capazes de obter de fundações ou investidores filantrópicos.  Por fim, podem-se criar estruturas que permitam investimento direto de capital em conservação.  O que as pessoas estão descobrindo é que essa terceira rota é a única sustentável: para proteger alguma coisa, ela tem que ter valor.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Isso porque nossa sociedade opera desta maneira,com o sistema financeiro permeando tudo.  O mercado é como uma mão, vai agarrando continuamente, e, se a floresta como um ecossistema natural não tem valor, vai estar constantemente sob pressão para ser convertida em algo com uso econômico maior.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há estimativas do custo de preservar as florestas tropicais – o Relatório Stern fala em US$ 15 bilhões por ano.  Quanto podem render em termos de serviços ambientais ou retorno aos investidores? Apresentamos um paper na COP que avalia as fronteiras nas florestas tropicais: a conversão da Amazônia em pastagem, da floresta de Papua Nova Guiné em plantações de palmeira para óleo, e a produção de madeira na República Democrática do Congo.  Em todos os casos, mesmo com preços modestos do carbono, entre 5 e 10 dólares por tonelada de CO2, a floresta seria mais valiosa como estoque de carbono do que se fosse convertida em commodities agrícolas.Se o preço do carbono chegar a 5 a 10 dólares, haveria uma mudança, e as pessoas, agindo de maneira economicamente racional, conservariam a floresta em vez de derrubá-la.  Neste momento, porque não há mercado para o carbono a esse preço, as florestas continuam substituídas por gado, plantações de palmeiras, de soja e usadas como fonte de madeira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Espera-se que o mercado chegue a esse preço? Está mudando rapidamente.  Acabo de negociar preços para um projeto que prevê a venda de créditos de REDD, e o mercado de varejo de carbono falava em pagar de 4 a 8 dólares por tonelada.  Está próximo, mas não temos volume.  Estamos nos primeiros estágios do mercado, desenvolvendo os projetos pioneiros.  Se trouxéssemos 50 milhões de toneladas de carbono, o mercado não compraria tudo e o preço colapsaria.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sua empresa é responsável por um projeto pioneiro na Malásia.  Como vai funcionar? Exportamos o modelo do Banco para Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos para a Malásia.  O Banco de Conservação de Habitat da Reserva Florestal de Malua tem 34 mil hectares de floresta tropical.  Houve atividade madeireira na região desde 1970: um terço da área foimuito danificado, em outro terço foram retiradas apenas as árvores grandes, e no último terço nunca houve exploração de madeira.  Pelo acordo, o governo do estado de Sabah entra com a terra, e cessa as atividades madeireiras na região a partir de 31 de dezembro de 2007.  Nós entramos com US$ 10 milhões para reabilitar as áreas exploradas e protegê-las de qualquer exploração ou conversão futuras.  Criamos um comitê assessor com representantes de ONGs e instituições científicas que vai elaborar e pôr em prática um plano de manejo e conservação permanente para a área.  Aquela região tem a maior densidade de orangotango do mundo, o rinoceronte-de-sumatra – uma espécie de 30 milhões de anos quase extinta – foi visto ali, há o elefante pigmeu de Bórneu, o macaco gibão, o urso-malaio.  A área vai ser dividida em unidades de 100 metros quadrados, cada crédito vai custar aproximadamente US$ 7,50, e o que as pessoas estarão efetivamente comprando é uma unidade de reabilitação e proteção permanente de floresta tropical.  A idéia inicial era vender os créditos para a indústria de óleo de palma: se a empresa planta um hectare de palmeira, que produziria 5,6 toneladas de óleo de palma cru por ano, por 25 anos, ao comprar um crédito de nosso banco para cada tonelada produzida, durante toda a vida da plantação, estaria patrocinando a reabilitação e a proteção de um hectare de floresta.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É como uma compensação?  Dizemos que é um crédito.  Se os compradores quiserem usar como compensação, têm que apresentar dessa maneira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Essa era a idéia inicial, o que mudou?  Há demanda vindo de lugares insuspeitados, de indústrias, empresas de bens de consumo, agências de turismo e viagens, gente que tem uma cadeia de fornecimento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como o esquema gera retorno sobre o investimento?  É uma joint venture 50-50, o governo entra com a terra, nós entramos com US$ 10 milhões – dizemos que o valor da opção sobre a terra é de US$ 10 milhões.  Quando os créditos forem vendidos, 20% da receita vai para um fundo do tipo “endowment” (que administra os recursos, mantendo o principal intacto), gerido por um trustee em perpetuidade.  Esse fundo pagará um dividendo, para sempre, para o manejo da conservação da área, com capacidade para investir em educação, saúde, desenvolvimento das comunidades da região, e monitorar a conservação.  Retirados os primeiros 20% para o fundo, depois são pagos todos os custos do empreendimento, e o restante é o lucro, que vai 50-50 para nossos clientes e o governo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quem são seus clientes?  Eu os chamaria de investidores em private equity muito espertos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">De onde são?  Internacionais.  Temos escritórios na Austrália, em San Francisco, em Washington DC e clientes em todo o mundo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quanto será possível remunerá-los pelo investimento?  Eles terão um retorno muito bom se vendermos os créditos.  Pode chegar, em termos reais, a uma taxa de retorno interna de 30% ou 40%.  É um negócio de alto risco e alto retorno.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O risco é de não vender os créditos ou há algum risco relacionado à conservação da área?  É o risco financeiro de que não sejamos capazes de vender os créditos.  Mas estamos confiantes, fizemos pesquisa de mercado e há demanda por esses créditos.  Vamos vender.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como são comercializados?  Para vender, criamos o que se chama de um documento de especificação do produto, e levamos ao mercado.  Podemos vender por meio de corretores, temos também uma lista de empresas-alvo com quem vamos conversar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esse acordo é semelhante ao fechado pela Canopy Capital com serviços ambientais na Guiana?  Não, o modelo da Guiana é diferente.  Assim como o projeto de REDD em Sumatra, em que a Fauna and Flora International vendeu créditos de redução de emissões por desmatamento para a Merrill Lynch (por US$ 9 milhões).  Temos um negócio com biodiversidade, há um acordo com carbono, e o da Guiana com serviços ambientais.  São três tipos diferentes de modelos novos e interessantes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há algo acontecendo no Brasil?  Há algumas propostas e projetos, mas não posso falar sobre aqueles em que estou envolvido.  A grande questão é que o Brasil argumenta que deveria haver um fundo governamental.  O governo do Brasil diz: tenho esta quantidade de floresta, se reduzir as taxas de desmatamento, recebo créditos que posso vender no mercado internacional.  Mas a comunidade financeira não gosta disso, queremos fazer projetos em que podemos ter os direitos, que podemos monetizar e vender.  Então há a dúvida: se eu for ao Brasil, fizer um projeto independente, e o governo vier e declarar que todos os créditos são estatais, eu perco tudo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É uma incerteza de ordem política?  Sim.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há também incerteza porque o mecanismo de REDD depende de negociações internacionais em curso?  Isso pode afetar os mercados que estão nascendo?  Minha opinião é que os negócios de REDD estão se desenvolvendo fora de Kyoto (das regras a serem estabelecidas pelos países que ratificaram o Protocolo de Kyoto e negociam, no momento, seu substituto).  O processo de Kyoto é muito lento, não é o jogo do momento.  Por exemplo, a Austrália está costurando acordos bilaterais com Papua Nova Guiné e Indonésia para importar diretamente os créditos de REDD para o esquema de negociação de emissões australiano; nos EUA, a proposta de lei Lieberman- Warner (que prevê metas de redução de emissões de gases de efeito estufa) permite que os créditos de REDD sejam importados; na Califórnia é possível usar créditos de conservação florestal; há o padrão voluntário de carbono que tem um componente de REDD; há diversos mercados de varejo, a Chicago Climate Exchange, vários padrões e mecanismos de REDD estão sendo desenvolvidos.  As regras de Kyoto podem estar disponíveis em dois anos, mas você sabe como é o processo de Kyoto, é como esperar tinta secar. Outros mecanismos estão correndo por fora.  Não é diferente do que em outras áreas, é um mercado caótico, mas é por isso que as pessoas ganham dinheiro, porque é confuso, difícil, tecnicamente desafiador.  Tivemos que contratar gente com MBA, ph.D., pessoas com grande capacidade financeira, mas também gente que sabe modelar o conteúdo de carbono nas árvores.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os leigos têm a sensação de que o mercado financeiro lida com papel, desconectado do mundo real.  Neste caso trabalha para algo concreto, a conservação da floresta, da biodiversidade? Quando a floresta não tinha valor, era invisível para o mercado, e o que o mercado fazia era simplesmente tirá-la do caminho, consumi-la, desperdiçá-la.  Agora que ela tem valor, é diferente, as pessoas vão investir nela, tentar recuperá-la, melhorá-la.  Minha visão é de que nossa companhia vai crescer e se tornar um fundo global de infraestrutura natural, assumindo grandes posições em estoques de carbono, florestas, ativos da biodiversidade, bancos de água etc. Esses serão ativos com um valor enorme à medida que o crescimento da economia global dobra e redobra, em que o peso da economia sobre os ecossistemas cresce.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na sua opinião, o Brasil está ficando para trás?  Sim, foi o que argumentei com o ministro-chefe de Sabah.  A região é semelhante ao Brasil, pois há forte pressão da agricultura de commodities para converter a floresta, criar empregos para as pessoas nas plantações etc. Mas eles também entendem que há uma enorme percepção internacional de valor naquelas florestas, e a questão é como “monetizá-la”. Eu argumentei em favor de um modelo Silicon Valley, em que nós desenvolvemos um banco de biodiversidade, uma empresa holandesa tem um projeto de recuperação florestal, um financista suíço tem um projeto de REDD.  São negócios pequenos e inovadores competindo com idéias e modelos financeiros, alguns vão dar certo, outros não, alguns vão proliferar, mas desse processo de criatividade saem muitas oportunidades de negócios.  Pelo jeito o Brasil está fechando a porta para isso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há uma preocupação em perder a soberania sobre a Amazônia com esse tipo de abordagem.  É preferível dar a floresta para a Cargill cortar e converter em soja? Países como o Brasil podem ser as superpotências desses mercados ambientais que se abrem, da mesma maneira que San Francisco é o centro da cena tecnológica e da internet.  Lugares como o Brasil, Bornéu e a África tropical têm ativos super premium nesse campo e o fato de que não estão na liderança das tentativas de monetizá-los parece uma loucura.</div>
<div>Os mercados ambientais crescem rapidamente e começam a &#8220;monetizar&#8221; ativos naturais, diz David Brand, diretor da New Forests, empresa australiana de environmental asset management</div>
<div>Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div><span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div>O mundo financeiro finalmente enxerga valor em ecossistemas como as florestas tropicais.  O nascente mercado para conservação, impulsionado por esquemas voluntários de redução de emissões de gases de efeito estufa, toma forma em alguns projetos pioneiros.  A australiana New Forests criou um banco para a biodiversidade na Malásia.  Na Guiana, em troca de arcar com parte dos custos para manter a floresta, uma empresa de private equity lucra com a venda de serviços ambientais.  Na ilha de Sumatra, na Indonésia, a Merrill Lynch investe para reduzir o desmatamento e gerar créditos de carbono, tornando o mecanismo de REDD (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação) uma realidade.</div>
<div></div>
<div>Existem mercados para conservação hoje no mundo?  O mercado falha em proteger as florestas tropicais porque o valor da soja, da carne, do óleo de palma (conhecido no Brasil como azeite de dendê, é extraído da palmeira Elaeis guineensis e constitui o pilar de economias no Sudeste Asiático, na África central e oeste, e na América Central) e de outras safras de commodities agrícolas está disparando, enquanto as florestas não têm valor.  Isso levou a muito desmatamento nos últimos anos.  O que vemos agora, porém, é muito interesse em gerar sinais de preços, ou de mercado, que levarão à criação de valor para a conservação das florestas.  Parece que, com a ênfase nos projetos de REDD, com a COP em Bali (a Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro, incluiu as florestas nas negociações sobre redução de gases de efeito estufa), e o interesse no mercado voluntário de carbono, é uma época interessante para acordos pioneiros nessa área.</div>
<div></div>
<div>Então não se trata de um mercado, mas de iniciativas?  É um mercado, mas relativamente “estreito” (com poucos compradores e vendedores), ainda nascente.  Mas o crescimento desses mercados voluntários é enorme – em 2007 o movimento foi de 40 milhões de toneladas de carbono e estima-se que ultrapassará 100 milhões de toneladas em 2008.  Algumas iniciativas pioneiras tentam criar valor para a biodiversidade, é o que fizemos em Sabah (estado da Malásia), e para serviços ambientais, caso do projeto na Guiana.  Há um certo número de modelos comerciais que competem entre si e começam a sair do papel.</div>
<div></div>
<div>É preciso uma abordagem comercial?  Outras formas de dar valor à conservação não funcionam?  Pode-se regular, mas aí tem o problema de fiscalizar. Podem-se usar fundos filantrópicos, mas a quantidade total de investimento privado ultrapassa qualquer quantia que seríamos capazes de obter de fundações ou investidores filantrópicos.  Por fim, podem-se criar estruturas que permitam investimento direto de capital em conservação.  O que as pessoas estão descobrindo é que essa terceira rota é a única sustentável: para proteger alguma coisa, ela tem que ter valor.</div>
<div></div>
<div>Isso porque nossa sociedade opera desta maneira,com o sistema financeiro permeando tudo.  O mercado é como uma mão, vai agarrando continuamente, e, se a floresta como um ecossistema natural não tem valor, vai estar constantemente sob pressão para ser convertida em algo com uso econômico maior.</div>
<div></div>
<div>Há estimativas do custo de preservar as florestas tropicais – o Relatório Stern fala em US$ 15 bilhões por ano.  Quanto podem render em termos de serviços ambientais ou retorno aos investidores? Apresentamos um paper na COP que avalia as fronteiras nas florestas tropicais: a conversão da Amazônia em pastagem, da floresta de Papua Nova Guiné em plantações de palmeira para óleo, e a produção de madeira na República Democrática do Congo.  Em todos os casos, mesmo com preços modestos do carbono, entre 5 e 10 dólares por tonelada de CO2, a floresta seria mais valiosa como estoque de carbono do que se fosse convertida em commodities agrícolas.Se o preço do carbono chegar a 5 a 10 dólares, haveria uma mudança, e as pessoas, agindo de maneira economicamente racional, conservariam a floresta em vez de derrubá-la.  Neste momento, porque não há mercado para o carbono a esse preço, as florestas continuam substituídas por gado, plantações de palmeiras, de soja e usadas como fonte de madeira.</div>
<div></div>
<div>Espera-se que o mercado chegue a esse preço? Está mudando rapidamente.  Acabo de negociar preços para um projeto que prevê a venda de créditos de REDD, e o mercado de varejo de carbono falava em pagar de 4 a 8 dólares por tonelada.  Está próximo, mas não temos volume.  Estamos nos primeiros estágios do mercado, desenvolvendo os projetos pioneiros.  Se trouxéssemos 50 milhões de toneladas de carbono, o mercado não compraria tudo e o preço colapsaria.</div>
<div></div>
<div>Sua empresa é responsável por um projeto pioneiro na Malásia.  Como vai funcionar? Exportamos o modelo do Banco para Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos para a Malásia.  O Banco de Conservação de Habitat da Reserva Florestal de Malua tem 34 mil hectares de floresta tropical.  Houve atividade madeireira na região desde 1970: um terço da área foimuito danificado, em outro terço foram retiradas apenas as árvores grandes, e no último terço nunca houve exploração de madeira.  Pelo acordo, o governo do estado de Sabah entra com a terra, e cessa as atividades madeireiras na região a partir de 31 de dezembro de 2007.  Nós entramos com US$ 10 milhões para reabilitar as áreas exploradas e protegê-las de qualquer exploração ou conversão futuras.  Criamos um comitê assessor com representantes de ONGs e instituições científicas que vai elaborar e pôr em prática um plano de manejo e conservação permanente para a área.  Aquela região tem a maior densidade de orangotango do mundo, o rinoceronte-de-sumatra – uma espécie de 30 milhões de anos quase extinta – foi visto ali, há o elefante pigmeu de Bórneu, o macaco gibão, o urso-malaio.  A área vai ser dividida em unidades de 100 metros quadrados, cada crédito vai custar aproximadamente US$ 7,50, e o que as pessoas estarão efetivamente comprando é uma unidade de reabilitação e proteção permanente de floresta tropical.  A idéia inicial era vender os créditos para a indústria de óleo de palma: se a empresa planta um hectare de palmeira, que produziria 5,6 toneladas de óleo de palma cru por ano, por 25 anos, ao comprar um crédito de nosso banco para cada tonelada produzida, durante toda a vida da plantação, estaria patrocinando a reabilitação e a proteção de um hectare de floresta.</div>
<div></div>
<div>É como uma compensação?  Dizemos que é um crédito.  Se os compradores quiserem usar como compensação, têm que apresentar dessa maneira.</div>
<div></div>
<div>Essa era a idéia inicial, o que mudou?  Há demanda vindo de lugares insuspeitados, de indústrias, empresas de bens de consumo, agências de turismo e viagens, gente que tem uma cadeia de fornecimento.</div>
<div></div>
<div>Como o esquema gera retorno sobre o investimento?  É uma joint venture 50-50, o governo entra com a terra, nós entramos com US$ 10 milhões – dizemos que o valor da opção sobre a terra é de US$ 10 milhões.  Quando os créditos forem vendidos, 20% da receita vai para um fundo do tipo “endowment” (que administra os recursos, mantendo o principal intacto), gerido por um trustee em perpetuidade.  Esse fundo pagará um dividendo, para sempre, para o manejo da conservação da área, com capacidade para investir em educação, saúde, desenvolvimento das comunidades da região, e monitorar a conservação.  Retirados os primeiros 20% para o fundo, depois são pagos todos os custos do empreendimento, e o restante é o lucro, que vai 50-50 para nossos clientes e o governo.</div>
<div></div>
<div>Quem são seus clientes?  Eu os chamaria de investidores em private equity muito espertos.</div>
<div></div>
<div>De onde são?  Internacionais.  Temos escritórios na Austrália, em San Francisco, em Washington DC e clientes em todo o mundo.</div>
<div></div>
<div>Quanto será possível remunerá-los pelo investimento?  Eles terão um retorno muito bom se vendermos os créditos.  Pode chegar, em termos reais, a uma taxa de retorno interna de 30% ou 40%.  É um negócio de alto risco e alto retorno.</div>
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<div>O risco é de não vender os créditos ou há algum risco relacionado à conservação da área?  É o risco financeiro de que não sejamos capazes de vender os créditos.  Mas estamos confiantes, fizemos pesquisa de mercado e há demanda por esses créditos.  Vamos vender.</div>
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<div>Como são comercializados?  Para vender, criamos o que se chama de um documento de especificação do produto, e levamos ao mercado.  Podemos vender por meio de corretores, temos também uma lista de empresas-alvo com quem vamos conversar.</div>
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<div>Esse acordo é semelhante ao fechado pela Canopy Capital com serviços ambientais na Guiana?  Não, o modelo da Guiana é diferente.  Assim como o projeto de REDD em Sumatra, em que a Fauna and Flora International vendeu créditos de redução de emissões por desmatamento para a Merrill Lynch (por US$ 9 milhões).  Temos um negócio com biodiversidade, há um acordo com carbono, e o da Guiana com serviços ambientais.  São três tipos diferentes de modelos novos e interessantes.</div>
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<div>Há algo acontecendo no Brasil?  Há algumas propostas e projetos, mas não posso falar sobre aqueles em que estou envolvido.  A grande questão é que o Brasil argumenta que deveria haver um fundo governamental.  O governo do Brasil diz: tenho esta quantidade de floresta, se reduzir as taxas de desmatamento, recebo créditos que posso vender no mercado internacional.  Mas a comunidade financeira não gosta disso, queremos fazer projetos em que podemos ter os direitos, que podemos monetizar e vender.  Então há a dúvida: se eu for ao Brasil, fizer um projeto independente, e o governo vier e declarar que todos os créditos são estatais, eu perco tudo.</div>
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<div>É uma incerteza de ordem política?  Sim.</div>
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<div>Há também incerteza porque o mecanismo de REDD depende de negociações internacionais em curso?  Isso pode afetar os mercados que estão nascendo?  Minha opinião é que os negócios de REDD estão se desenvolvendo fora de Kyoto (das regras a serem estabelecidas pelos países que ratificaram o Protocolo de Kyoto e negociam, no momento, seu substituto).  O processo de Kyoto é muito lento, não é o jogo do momento.  Por exemplo, a Austrália está costurando acordos bilaterais com Papua Nova Guiné e Indonésia para importar diretamente os créditos de REDD para o esquema de negociação de emissões australiano; nos EUA, a proposta de lei Lieberman- Warner (que prevê metas de redução de emissões de gases de efeito estufa) permite que os créditos de REDD sejam importados; na Califórnia é possível usar créditos de conservação florestal; há o padrão voluntário de carbono que tem um componente de REDD; há diversos mercados de varejo, a Chicago Climate Exchange, vários padrões e mecanismos de REDD estão sendo desenvolvidos.  As regras de Kyoto podem estar disponíveis em dois anos, mas você sabe como é o processo de Kyoto, é como esperar tinta secar. Outros mecanismos estão correndo por fora.  Não é diferente do que em outras áreas, é um mercado caótico, mas é por isso que as pessoas ganham dinheiro, porque é confuso, difícil, tecnicamente desafiador.  Tivemos que contratar gente com MBA, ph.D., pessoas com grande capacidade financeira, mas também gente que sabe modelar o conteúdo de carbono nas árvores.</div>
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<div>Os leigos têm a sensação de que o mercado financeiro lida com papel, desconectado do mundo real.  Neste caso trabalha para algo concreto, a conservação da floresta, da biodiversidade? Quando a floresta não tinha valor, era invisível para o mercado, e o que o mercado fazia era simplesmente tirá-la do caminho, consumi-la, desperdiçá-la.  Agora que ela tem valor, é diferente, as pessoas vão investir nela, tentar recuperá-la, melhorá-la.  Minha visão é de que nossa companhia vai crescer e se tornar um fundo global de infraestrutura natural, assumindo grandes posições em estoques de carbono, florestas, ativos da biodiversidade, bancos de água etc. Esses serão ativos com um valor enorme à medida que o crescimento da economia global dobra e redobra, em que o peso da economia sobre os ecossistemas cresce.</div>
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<div>Na sua opinião, o Brasil está ficando para trás?  Sim, foi o que argumentei com o ministro-chefe de Sabah.  A região é semelhante ao Brasil, pois há forte pressão da agricultura de commodities para converter a floresta, criar empregos para as pessoas nas plantações etc. Mas eles também entendem que há uma enorme percepção internacional de valor naquelas florestas, e a questão é como “monetizá-la”. Eu argumentei em favor de um modelo Silicon Valley, em que nós desenvolvemos um banco de biodiversidade, uma empresa holandesa tem um projeto de recuperação florestal, um financista suíço tem um projeto de REDD.  São negócios pequenos e inovadores competindo com idéias e modelos financeiros, alguns vão dar certo, outros não, alguns vão proliferar, mas desse processo de criatividade saem muitas oportunidades de negócios.  Pelo jeito o Brasil está fechando a porta para isso.</div>
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<div>Há uma preocupação em perder a soberania sobre a Amazônia com esse tipo de abordagem.  É preferível dar a floresta para a Cargill cortar e converter em soja? Países como o Brasil podem ser as superpotências desses mercados ambientais que se abrem, da mesma maneira que San Francisco é o centro da cena tecnológica e da internet.  Lugares como o Brasil, Bornéu e a África tropical têm ativos super premium nesse campo e o fato de que não estão na liderança das tentativas de monetizá-los parece uma loucura.</div>
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		<title>As partes e o todo</title>
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		<pubDate>Thu, 01 May 2008 19:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aparentemente desconectado da vida concreta das pessoas, o sistema financeiro é peça fundamental na organização das sociedades e precisa integrar as soluções para a sustentabilidade
Por Flavia Pardini 
Se você não entendeu o que está por trás da atual crise do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Aparentemente desconectado da vida concreta das pessoas, o sistema financeiro é peça fundamental na organização das sociedades e precisa integrar as soluções para a sustentabilidade</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Se você não entendeu o que está por trás da atual crise do sistema financeiro mundial que ameaça instalar uma recessão na maior economia do globo, com prováveis efeitos colaterais nos demais países, inclusive o Brasil, fique tranqüilo.  Você não está sozinho: a grande maioria das pessoas, até especialistas em finanças, tem a sensação de que o mercado financeiro – e seus “instrumentos” cada vez mais sofisticados – descolou-se da realidade concreta da vida das pessoas.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">De fato, bilhões, até mesmo trilhões de dólares, podem ser “criados” ou “destruídos” em um instante, enquanto os cidadãos médios cuidam de afazeres triviais e a Terra continua seu inexorável movimento ao redor do Sol.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Para quem quer se aventurar nas razões que levaram à chamada crise das hipotecas, o quadro ao final desta reportagem arrisca algumas explicações. Talvez mais importante seja compreender as forças que mantêm o sistema financeiro, apesar das constantes perturbações – nos últimos 25 anos foram 165 crises bancárias e 196 crises monetárias, nas contas do economista belga Bernard Lietaer –, no centro da organização da sociedade e, por conseqüência, da relação dos homens com o ambiente que os cerca.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">A análise pode se beneficiar de pontos de vista que não meramente o financeiro, em especial um que busque paralelos em outros sistemas complexos, em que o comportamento de uma parte influencia as demais, tais como o clima, os ecossistemas e as redes de distribuição de energia.  Dessa perspectiva, é possível perceber que, apesar do atual consenso em manter as escolhas individuais no centro dos processos econômicos, o que importa são os resultados coletivos dessas escolhas. Da mesma forma, o sistema financeiro é parte do comportamento humano que determina a economia como a conhecemos hoje e esta, por sua vez, integra um sistema maior, a biosfera.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Tentar uma reconexão não significa legitimar o horizonte de curto prazo com que opera a comunidade financeira, mas talvez ajude a enxergar como a busca de soluções para a sustentabilidade das sociedades humanas no planeta pode incluir o sistema financeiro.“Ele não é tão desconectado das nossas vidas, tudo tem a ver com risco e recompensa”, diz George Sugihara, pesquisador da Scripps Institution of Ocenography, na Universidade da Califórnia, em San Diego.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Ecologia para banqueiros</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Sugihara e dois ecólogos – Robert May, da Universidade de Oxford, e Simon Levin, da Universidade de Princeton – publicaram em fevereiro na revista Nature um artigo intitulado “Ecology for bankers”, resultado de um brainstorming promovido por ninguém menos do que o Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano.  Em maio de 2006, o Fed de Nova York organizou uma conferência para explorar os paralelos entre o risco sistêmico no setor financeiro e campos como a ecologia e a engenharia.  Bem antes que a bolha imobiliária estourasse, os reguladores financeiros estavam preocupados com a possibilidade de que um evento desse tipo colocasse em risco o sistema todo.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Mudanças catastróficas no estado geral de um sistema podem decorrer, em última instância, da forma como ele está organizado. (&#8230;) A mudança pode ser iniciada por algum evento externo, como uma guerra, mas é em geral detonada por um acontecimento aparentemente menor ou até mesmo um boato.  Uma vez em andamento, tais mudanças podem se mostrar explosivas e (&#8230;) tornar a recuperação muito mais lenta do que o colapso. Em casos extremos, podem ser irreversíveis”, escreveram os autores de “Ecology for bankers”.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Um exemplo de mudança dessa magnitude, segundo os pesquisadores, foram o crash do mercado de ações em 1929 e a depressão econômica que se seguiu. Não por acaso, o noticiário sobre a bolha imobiliária nos EUA de 2008 está recheado de lembranças do século passado.  “Estamos pagando o preço de uma amnésia intencional”, escreveu o economista Paul Krugman no The New York Times.  “Escolhemos esquecer o que aconteceu nos anos 30 – e, ao nos recusar a aprender, estamos repetindo a história.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">O potencial para mudanças catastróficas, entretanto, não se aplica apenas às finanças, lembram Sugihara e seus colegas, mas também ao clima global, à medida que aumenta a concentração de gases de efeito estufa; aos serviços ambientais, com o desaparecimento de espécies; à indústria da pesca, a partir da superexploração dos estoques de peixes; e às redes de distribuição de energia ou à internet, ao receberem demandas crescentes. No caso financeiro, a pergunta é até que ponto mecanismos que aumentam a estabilidade em face de pequenas flutuações podem predispor o sistema ao colapso, ao evitar que se adapte a mudanças.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“A robustez (ou resiliência) refere-se à capacidade do sistema de continuar funcionando diante de algum tipo de estresse”, explica Simon Levin.  “Basicamente há duas formas: uma é resistir ao estresse, outra é ser capaz de se recuperar.  É esta última que tem a ver com a resiliência do sistema.” Ou seja, em caso de perturbação, o importante é que o sistema consiga absorver e volte a funcionar.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Diante da possibilidade de não-absorção da falência de um player tão importante quanto o Bear Sterns, o Fed agiu, arquitetando sua venda para outro gigante, o JP Morgan, e avalizando seus ativos. Talvez tenha privilegiado a estabilidade em detrimento da robustez do sistema.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Estabilidade significa constância, e há riscos associados a isso, porque o sistema pode perder a capacidade de se adaptar”, diz Levin.  “Há uma troca: de uma certa maneira, quanto mais estável for um sistema ao longo do tempo, mais frágil ele se torna.” Alguns ecossistemas, por exemplo, são resilientes devido à continuada existência, pois sobreviveram e se adaptaram a mudanças tão definidoras quanto a deriva continental, flutuações no clima e a evolução das espécies que os constituem.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Topologia financeira</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Um estudo encomendado pelo Fed sobre a “topologia” do sistema de pagamentos interbancários americano identificou cerca de 700 mil transferências envolvendo US$ 1,2 trilhão entre pouco mais de 5 mil bancos, e uma “certa desigualdade”, com 75% dos pagamentos envolvendo menos de 0,1% dos bancos.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Se pensarmos no sistema de pagamentos bancários como uma rede de ‘nós’ e ‘interfaces’ – em que os bancos são os ‘nós’ e as transferências eletrônicas entre eles são as ‘interfaces’ –, vamos descobrir que ela tem a mesma estrutura de algumas redes ecológicas, com tendência à assimetria”, diz Sugihara.  “E a maioria das redes ecológicas, por ter passado por milhões de anos de estresse, são relativamente robustas.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Assim, a estrutura do sistema financeiro estaria, de alguma forma, preparada para absorver perturbações. Apesar de moldada pela “engenharia” humana, essa estrutura não foi desenhada, mas cresceu organicamente, lembra Sugihara.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Em certa medida, é também auto-regulada, uma vez que o sistema, embora internacional, não dispõe de uma única autoridade reguladora.  “Não podemos controlá-lo, introduzimos mecanismos para tentar influenciar os incentivos, especialmente os individuais, e alcançar os objetivos desejados, mas não somos muito bem-sucedidos”, afirma Simon Levin.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Nas sociedades humanas, ao contrário do estresse enfrentado pelos ecossistemas, as intervenções em sistemas como o financeiro “visam aliviar distúrbios de alta freqüência e baixa amplitude”, nas palavras de Sugihara.  Por exemplo, os diques construídos em lugares como Nova Orleans são suficientes para resistir a 50 anos de enchentes, mas não a um ou dois séculos.  A superinoculação de uma população com antibióticos permite o surgimento de uma superbactéria a médio ou longo prazo.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“É muito difícil para nós pensar a longo prazo”, diz o pesquisador, destacando que as carreiras no setor financeiro tendem a ser curtas.  “É parte da cultura ganhar a maior quantidade de dinheiro possível e sair do mercado antes que a casa pegue fogo.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Da mesma forma, ao gerir riscos, os bancos estão interessados na própria viabilidade no contexto maior da rede financeira, da qual são apenas uma parte.  “Está claro por que eles estão interessados em estabilidade, eles são os que têm mais a ganhar com o status quo”, afirma o oceanógrafo.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">A natureza da economia</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Junto com sistemas de policiamento, normas e outros mecanismos, as “regras” econômicas restringem o comportamento individual e ajudam a formar a estrutura da sociedade.  Esse tipo de organização não é exclusividade dos homens – segundo Levin, os primatas e insetos como abelhas e formigas são bons exemplos em que a estrutura social emerge do coletivo.  “Até as bactérias têm alto nível de organização social e a ação coletiva de centenas de espécies é uma das razões pelas quais temos de ir ao dentista. Ou seja, a ação coletiva vai das bactérias aos homens.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Coração da economia contemporânea, o sistema financeiro, entretanto, opera sob a égide da “mão invisível”, uma força que permite que os indivíduos persigam seus próprios interesses sem restrições, sob a alegação de que o resultado será o bem coletivo. “Pode ser que alguém consiga provar que isso leva os sistemas ao equilíbrio, mas a longo prazo a robustez desse equilíbrio não está garantida, seja nos sistemas ecológicos, seja nos econômicos”, argumenta Levin. “Temos muitas evidências empíricas de que isso pode levar ao colapso do sistema.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Tornada famosa pelos economistas neoclássicos como o imperativo para que o mercado opere sem interferências, a noção da “mão invisível” foi forjada pelo escocês Adam Smith (1723-1790) com base em observações sobre as ciências naturais, segundo a filósofa Margaret Schabas, autora de The Natural origins of Economics (The University of Chicago Press, 2005).</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Ao situar os escritos de Smith na tradição iluminista, Margaret Schabas conta que a primeira menção à “mão invisível” aparece no tomo A História da Astronomia – e trata-se da mão de Júpiter.  Ali, o “pai” da economia interpreta os céus como uma grande decepção, “afinal o Sol não se levanta e se põe todo dia, independente do que pensem as pessoas comuns, e a astronomia decorrente do triunfo de Copérnico implica que o mundo foi desenhado de maneira complexa, criando ilusões de autocentrismo – a Terra como centro do universo – e de estabilidade – a Terra em estado de descanso”.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“A mão invisível é também um truque de mão. As classes baixas labutam porque acreditam, falsamente, que as riquezas valem o esforço, quando, na verdade, elas estão aptas a perder a serenidade que possuem: ‘É essa decepção que levanta e mantém em moto-contínuo a indústria da humanidade’”, escreve Margaret Schabas, citando Adam Smith.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Outro conceito apropriado pelos neoclássicos, o laissez-faire, laissez-passer significava “deixe a natureza tomar seu curso”, para os fisiocratas, escola inspirada pelo francês François Quesnay (1694-1774) que floresceu na segunda metade do século XVIII e buscou sintetizar leis econômicas que operassem independente da vontade do homem e pudessem ser descobertas pela luz da razão. De acordo com Margaret, os fisiocratas e os filósofos iluministas fazem parte da tradição iniciada com os gregos de ver o mundo como um todo unificado.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Cientistas naturais e sociais contemporâneos, em contraste, implicitamente concordaram em dividir o mundo em duas partes.  Quando os físicos hoje pensam no mundo que investigam, é um mundo sem todas as instituições sociais.  Matéria, força e energia são estudadas independentemente dos princípios que governam as taxas de juro e as leis do mercado imobiliário, sem falar na acumulação de capital.  Os economistas adotaram um discurso igualmente segregado”, escreve a filósofa.  “A frase laissez-faire perdeu todo o significado original.  Pertence agora à políticas comerciais liberais, não às operações da natureza.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">O processo de desnaturalização da economia, na visão de Margaret Schabas, consolida-se com John Stuart Mill (1806-1873), que vê o mundo econômico como produto da ação humana, forja a concepção de riqueza dissociada do aspecto físico na idéia de utilidade e reforça a visão de que, neutro, o dinheiro não afeta os fenômenos econômicos.  Em oposição aos iluministas, Mill defende que a natureza é para ser conquistada, não obedecida – o progresso econômico consiste em aumentar o poder dos homens sobre ela.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“O desenvolvimento histórico indica que esse comprometimento com uma economia criada pelos homens e separada da natureza é uma invenção nova.Se olharmos com cuidado, seus componentes tendem a integrar os campos que biólogos e físicos estudam”, diz Margaret Schabas.  “É esse comprometimento que permite que se fale em estabilidade, engenharia, gestão da economia.  Se for o caso de que o dinheiro ou a taxa de juro, por exemplo, não estejam só sob a ação humana, mas tenham ligação com o mundo físico, isso sugere que temos de entender a noção de engenharia da mesma forma que faríamos no mundo físico.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">A taxa de juro tem vários níveis, segundo a filósofa.“No mercado de recursos para empréstimos, é um preço, formado quando a oferta e a demanda se encontram.  Mas acredita-se que isso reflita algo mais profundo, relacionado à acumulação de capital. (John Maynard) Keynes via a taxa de juro como o equivalente à eficiência marginal do capital. O compromisso com a acumulação de capital está mais próximo de nós, criaturas preocupadas com a auto-suficiência, que fazem estoques e desenvolvem tecnologia.  Mas é possível ver a taxa de juro de forma mais fundamental, ligada a atitudes em relação ao tempo e, talvez, ao espaço.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Abaixo o monopólio</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Diante das raízes profundas lançadas pela visão neoclássica dos mercados e pela divisão entre os campos naturais e sociais da ciência, a economia dos homens e aquela da natureza permanecem bem separadas.  Mas há sinais de que é preciso mudar, segundo Bernard Lietaer, economista que presidiu o Sistema Eletrônico de Pagamentos da Bélgica e ajudou a implantar a moeda única na Europa.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Entre eles, a crise ambiental global, a pobreza e o fato de que o atual sistema monetário é “cego” para os aspectos da sustentabilidade.  “A economia real não pode funcionar sem incluir, por exemplo, o que acontece nas famílias, em um nível em que não se usa dinheiro, mas fundamental para que se eduquem as crianças para trabalhar no mundo real”, exemplifica.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">A questão monetária e financeira é, na opinião de Lietaer, o link que falta no debate da sustentabilidade. “O pensamento de curto prazo é conseqüência direta do sistema monetário, uma vez que todo dinheiro carrega juros e isso faz com que qualquer pessoa que use critérios financeiros pense a curto prazo, descontando o futuro a ponto de torná-lo um nada”, diz. A solução, porém, não está em livrar-se do sistema monetário como o conhecemos, mas em permitir que outros sistemas convivam com ele.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Temos o monopólio de uma moeda que carrega juros, criada com o objetivo do lucro, que concentra recursos”, afirma o economista.  “O sistema foi muito útil para a Revolução Industrial, mas hoje estamos no fim dela, os problemas que temos são conseqüência da Revolução Industrial: a mudança climática, a crise de energia.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">A menina dos olhos de Lietaer são as moedas complementares, desenhadas para uso dentro das comunidades, a partir de um acordo comum, sem imposição hierárquica e sem juros, incentivando a circulação em vez da acumulação. O economista informa que mais de 5 mil comunidades ao redor do mundo usam moedas complementares.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Cuidar das crianças, dos velhos e do meio ambiente são funções que estão sendo suprimidas, não recebem energia, apoio. Dizemos que a coisa mais importante que temos são as crianças, mas um banqueiro ganha 100 vezes mais do que um professor.  Por que isso é normal?  Não remuneramos os professores</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">o suficiente para incentivar que os melhores profissionais se tornem professores, e deveria ser assim se fôssemos consistentes com o fato de que as crianças são importantes.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Lietaer admite que o sistema financeiro traz benefícios ao incentivar a competição de idéias, a inovação.  Para ele, os desenvolvimentos do mercado para dar valor a ativos naturais são importantes, mas não suficientes para lidar com a crise ambiental.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">O peixe-espada e a tartaruga</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Uma visão bem mais favorável ao sistema financeiro vem da Ecologia.  O oceanógrafo George Sugihara, que trabalhou quatro anos no Deutsche Bank, enxerga preciosas oportunidades nos mercados voluntários de carbono, por exemplo.  Mas, como Krugman, alerta que é preciso aprender com a história.  “Se desenharmos os instrumentos financeiros reconhecendo o comportamento humano como uma realidade, talvez crises como a das hipotecas não ocorram”, diz.  Um exemplo é sua proposta para a criação de créditos para a pesca não-intencional.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Nos EUA, há limites para quantos animais a indústria pesqueira pode pegar como resultado da pesca de outras espécies – por exemplo, tartarugas pegas junto com o peixe-espada.  Ao atingir o limite, todos os pesqueiros são fechados.  O sistema, no entanto, incentiva a pesca agressiva, sem cuidado para não pegar outras espécies.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Esse comportamento colide com o bem comum do grupo, mesmo que você não pegue tartaruga, alguém pega e a indústria é fechada antes que tenha tempo de maximizar o pegado”, diz Sugihara.  Ele propõe que o pesqueiro que pegue tartarugas seja obrigado a comprar créditos de um que não tenha pegado, incentivando a pesca cuidadosa. “Aqueles que não pegam tartaruga são recompensados e os que pegam, punidos.  O preço da punição é determinado pelo mercado.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">O design cuidadoso como propõe Sugihara pode ajudar a harmonizar interesses individuais e coletivos nos mercados, mas é bom ter em mente que estes são uma parte do todo.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“A discussão sobre sustentabilidade começa com a pergunta: sustentabilidade de quê?  Da oferta de energia, dos sistemas econômicos, da biodiversidade, dos serviços que os ecossistemas oferecem aos homens – alimento, fibras, combustível, fármacos, valores éticos e estéticos que damos a esses sistemas?”, diz Simon Levin.  “Todos esses sistemas, o natural, o social e o econômico estão interconectados, não acredito que se possa pensar na sustentabilidade de um sem a do outro.  O sistema econômico é, na verdade, essencial para a manutenção de um meio ambiente saudável e a maioria dos ecólogos reconhece isso, mas o contrário é muito menos reconhecido.  É preciso ver essas coisas como ligadas umas às outras.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Das tulipas ao subprime Recorrente, o processo de inflar bolhas alimenta-se da visão de curto prazo</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Há aqui um processo básico e recorrente.  É a alta dos preços de ações, imóveis, arte ou qualquer outra coisa.  Isso atrai atenção e compradores, aumenta o efeito e eleva mais os preços.  As expectativas são justificadas pela mesma ação que aumenta os preços.  O processo continua; o otimismo e seu efeito no mercado são a ordem do dia.  Os preços sobem ainda mais.  E então, por razões que serão eternamente debatidas, vem o fim.  A descida é sempre mais repentina que a subida; um balão furado não se esvazia de forma ordenada.”</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">O texto é de John Kenneth Galbraith, no prefácio da edição de 1997 do livro The Great Crash – 1929, em que o economista detalha os fatos que levaram à débâcle da bolsa e à Grande Depressão.  “Esse fenômeno se manifestou muitas vezes desde 1637, quando especuladores holandeses viram nos bulbos das tulipas seu caminho mágico para a riqueza”.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">A mais recente manifestação teve início em 1998, quando os preços dos imóveis nos EUA, deprimidos devido à recessão do início da década, viraram uma barganha.  Para incentivar empréstimos, o mercado passou a oferecer hipotecas com taxas ajustáveis, com um período inicial de juros baixos, mas que refl etiam o alto risco dos tomadores.  Com a possibilidade de refi nanciamento dos contratos, a disparada dos preços dos imóveis – 124% de 1997 a 2006 – e a expectativa de que continuariam subindo, os consumidores infl aram a bolha.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">O mercado lançou mão da securitização – a transformação de um fluxo de recursos futuro, como o pagamento de hipotecas, em papéis que podem ser negociados –, trazendo outros atores para o sistema.  Para espalhar o risco decorrente do mau histórico de crédito dos tomadores, bancos de investimento como o Bear Sterns criaram instrumentos para agrupar tais papéis e fatiá-los em tranches de acordo com o grau de risco e retorno: as com retorno mais alto são também as mais arriscadas; as de menor retorno correm risco só se houver o colapso dos ativos nos quais toda a estrutura está baseada.  Foi o que aconteceu quando os preços dos imóveis inverteram de sinal e os tomadores passaram a não pagar suas obrigações.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Para os críticos das finanças modernas, o fim rápido do Bear Sterns em 16 de março foi a conseqüência inevitável da filosofi a de laissez-faire que permitiu que os serviços fi nanceiros inovassem e se espalhassem quase sem controle”, escreveu a revista The Economist.  “Isso criou um sistema complexo, interdependente e disposto a conflitos de interesse.  Fraudes desenfreadas ocorreram na venda de hipotecas subprime. Incentivados por recompensas baseadas em ganhos de curto prazo, banqueiros e gestores de fundos são acusados de embolsar seus bônus sem pensar nas conseqüências de longo prazo do que estavam fazendo.  A aposta deles foi alimentada pelo conhecimento de que, em caso de desastre, alguém outro – tomadores, investidores, contribuintes – acabaria arcando com pelo menos parte das perdas.”</div>
<div><em>Aparentemente desconectado da vida concreta das pessoas, o sistema financeiro é peça fundamental na organização das sociedades e precisa integrar as soluções para a sustentabilidade</em></div>
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<div>Se você não entendeu o que está por trás da atual crise do sistema financeiro mundial que ameaça instalar uma recessão na maior economia do globo, com prováveis efeitos colaterais nos demais países, inclusive o Brasil, fique tranqüilo.  Você não está sozinho: a grande maioria das pessoas, até especialistas em finanças, tem a sensação de que o mercado financeiro &#8211; e seus &#8220;instrumentos&#8221; cada vez mais sofisticados &#8211; descolou-se da realidade concreta da vida das pessoas.</div>
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<div>De fato, bilhões, até mesmo trilhões de dólares, podem ser &#8220;criados&#8221; ou &#8220;destruídos&#8221; em um instante, enquanto os cidadãos médios cuidam de afazeres triviais e a Terra continua seu inexorável movimento ao redor do Sol.  Para quem quer se aventurar nas razões que levaram à chamada crise das hipotecas, o quadro ao final desta reportagem (&#8221;Das tulipas ao subprime&#8221;) arrisca algumas explicações.</div>
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<div>Talvez mais importante seja compreender as forças que mantêm o sistema financeiro, apesar das constantes perturbações &#8211; nos últimos 25 anos foram 165 crises bancárias e 196 crises monetárias, nas contas do economista belga Bernard Lietaer -, no centro da organização da sociedade e, por conseqüência, da relação dos homens com o ambiente que os cerca.</div>
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<div>A análise pode se beneficiar de pontos de vista que não meramente o financeiro, em especial um que busque paralelos em outros sistemas complexos, em que o comportamento de uma parte influencia as demais, tais como o clima, os ecossistemas e as redes de distribuição de energia.  Dessa perspectiva, é possível perceber que, apesar do atual consenso em manter as escolhas individuais no centro dos processos econômicos, o que importa são os resultados coletivos dessas escolhas.</div>
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<div>Da mesma forma, o sistema financeiro é parte do comportamento humano que determina a economia como a conhecemos hoje e esta, por sua vez, integra um sistema maior, a biosfera.  Tentar uma reconexão não significa legitimar o horizonte de curto prazo com que opera a comunidade financeira, mas talvez ajude a enxergar como a busca de soluções para a sustentabilidade das sociedades humanas no planeta pode incluir o sistema financeiro.</div>
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<div>&#8220;Ele não é tão desconectado das nossas vidas, tudo tem a ver com risco e recompensa&#8221;, diz George Sugihara, pesquisador da Scripps Institution of Ocenography, na Universidade da Califórnia, em San Diego.</div>
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<div><strong>Ecologia para banqueiros</strong></div>
<div>Sugihara e dois ecólogos &#8211; Robert May, da Universidade de Oxford, e Simon Levin, da Universidade de Princeton &#8211; publicaram em fevereiro na revista Nature um artigo intitulado &#8220;Ecology for bankers&#8221;, resultado de um brainstorming promovido por ninguém menos do que o Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano.</div>
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<div>Em maio de 2006, o Fed de Nova York organizou uma conferência para explorar os paralelos entre o risco sistêmico no setor financeiro e campos como a ecologia e a engenharia.  Bem antes que a bolha imobiliária estourasse, os reguladores financeiros estavam preocupados com a possibilidade de que um evento desse tipo colocasse em risco o sistema todo.</div>
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<div>&#8220;Mudanças catastróficas no estado geral de um sistema podem decorrer, em última instância, da forma como ele está organizado.  (&#8230;) A mudança pode ser iniciada por algum evento externo, como uma guerra, mas é em geral detonada por um acontecimento aparentemente menor ou até mesmo um boato.  Uma vez em andamento, tais mudanças podem se mostrar explosivas e (&#8230;) tornar a recuperação muito mais lenta do que o colapso.  Em casos extremos, podem ser irreversíveis&#8221;, escreveram os autores de &#8220;Ecology for bankers&#8221;.</div>
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<div>Um exemplo de mudança dessa magnitude, segundo os pesquisadores, foram o crash do mercado de ações em 1929 e a depressão econômica que se seguiu.  Não por acaso, o noticiário sobre a bolha imobiliária nos EUA de 2008 está recheado de lembranças do século passado.  &#8220;Estamos pagando o preço de uma amnésia intencional&#8221;, escreveu o economista Paul Krugman no The New York Times.  &#8220;Escolhemos esquecer o que aconteceu nos anos 30 &#8211; e, ao nos recusar a aprender, estamos repetindo a história.&#8221;</div>
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<div>O potencial para mudanças catastróficas, entretanto, não se aplica apenas às finanças, lembram Sugihara e seus colegas, mas também ao clima global, à medida que aumenta a concentração de gases de efeito estufa; aos serviços ambientais, com o desaparecimento de espécies; à indústria da pesca, a partir da superexploração dos estoques de peixes; e às redes de distribuição de energia ou à internet, ao receberem demandas crescentes.</div>
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<div>No caso financeiro, a pergunta é até que ponto mecanismos que aumentam a estabilidade em face de pequenas flutuações podem predispor o sistema ao colapso, ao evitar que se adapte a mudanças.  &#8220;A robustez (ou resiliência) refere-se à capacidade do sistema de continuar funcionando diante de algum tipo de estresse&#8221;, explica Simon Levin.  &#8220;Basicamente há duas formas: uma é resistir ao estresse, outra é ser capaz de se recuperar.</div>
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<div>É esta última que tem a ver com a resiliência do sistema.&#8221;  Ou seja, em caso de perturbação, o importante é que o sistema consiga absorver e volte a funcionar.  Diante da possibilidade de não-absorção da falência de um player tão importante quanto o Bear Sterns, o Fed agiu, arquitetando sua venda para outro gigante, o JP Morgan, e avalizando seus ativos.  Talvez tenha privilegiado a estabilidade em detrimento da robustez do sistema.</div>
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<div>&#8220;Estabilidade significa constância, e há riscos associados a isso, porque o sistema pode perder a capacidade de se adaptar&#8221;, diz Levin.  &#8220;Há uma troca: de uma certa maneira, quanto mais estável for um sistema ao longo do tempo, mais frágil ele se torna.&#8221;  Alguns ecossistemas, por exemplo, são resilientes devido à continuada existência, pois sobreviveram e se adaptaram a mudanças tão definidoras quanto a deriva continental, flutuações no clima e a evolução das espécies que os constituem.</div>
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<div><strong>Topologia financeira</strong></div>
<div>Um estudo encomendado pelo Fed sobre a &#8220;topologia&#8221; do sistema de pagamentos interbancários americano identificou cerca de 700 mil transferências envolvendo US$ 1,2 trilhão entre pouco mais de 5 mil bancos, e uma &#8220;certa desigualdade&#8221;, com 75% dos pagamentos envolvendo menos de 0,1% dos bancos.</div>
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<div>&#8220;Se pensarmos no sistema de pagamentos bancários como uma rede de &#8216;nós&#8217; e &#8216;interfaces&#8217; &#8211; em que os bancos são os &#8216;nós&#8217; e as transferências eletrônicas entre eles são as &#8216;interfaces&#8217; -, vamos descobrir que ela tem a mesma estrutura de algumas redes ecológicas, com tendência à assimetria&#8221;, diz Sugihara.  &#8220;E a maioria das redes ecológicas, por ter passado por milhões de anos de estresse, são relativamente robustas.&#8221;</div>
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<div>Assim, a estrutura do sistema financeiro estaria, de alguma forma, preparada para absorver perturbações.  Apesar de moldada pela &#8220;engenharia&#8221; humana, essa estrutura não foi desenhada, mas cresceu organicamente, lembra Sugihara.  Em certa medida, é também auto-regulada, uma vez que o sistema, embora internacional, não dispõe de uma única autoridade reguladora.</div>
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<div>&#8220;Não podemos controlá-lo, introduzimos mecanismos para tentar influenciar os incentivos, especialmente os individuais, e alcançar os objetivos desejados, mas não somos muito bem-sucedidos&#8221;, afirma Simon Levin.  Nas sociedades humanas, ao contrário do estresse enfrentado pelos ecossistemas, as intervenções em sistemas como o financeiro &#8220;visam aliviar distúrbios de alta freqüência e baixa amplitude&#8221;, nas palavras de Sugihara.</div>
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<div>Por exemplo, os diques construídos em lugares como Nova Orleans são suficientes para resistir a 50 anos de enchentes, mas não a um ou dois séculos.  A superinoculação de uma população com antibióticos permite o surgimento de uma superbactéria a médio ou longo prazo.  &#8220;É muito difícil para nós pensar a longo prazo&#8221;, diz o pesquisador, destacando que as carreiras no setor financeiro tendem a ser curtas.  &#8220;É parte da cultura ganhar a maior quantidade de dinheiro possível e sair do mercado antes que a casa pegue fogo.&#8221;</div>
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<div>Da mesma forma, ao gerir riscos, os bancos estão interessados na própria viabilidade no contexto maior da rede financeira, da qual são apenas uma parte.  &#8220;Está claro por que eles estão interessados em estabilidade, eles são os que têm mais a ganhar com o status quo&#8221;, afirma o oceanógrafo.  A natureza da economia Junto com sistemas de policiamento, normas e outros mecanismos, as &#8220;regras&#8221; econômicas restringem o comportamento individual e ajudam a formar a estrutura da sociedade.</div>
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<div>Esse tipo de organização não é exclusividade dos homens &#8211; segundo Levin, os primatas e insetos como abelhas e formigas são bons exemplos em que a estrutura social emerge do coletivo.  &#8220;Até as bactérias têm alto nível de organização social e a ação coletiva de centenas de espécies é uma das razões pelas quais temos de ir ao dentista.  Ou seja, a ação coletiva vai das bactérias aos homens.&#8221;</div>
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<div>Coração da economia contemporânea, o sistema financeiro, entretanto, opera sob a égide da &#8220;mão invisível&#8221;, uma força que permite que os indivíduos persigam seus próprios interesses sem restrições, sob a alegação de que o resultado será o bem coletivo.</div>
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<div>&#8220;Pode ser que alguém consiga provar que isso leva os sistemas ao equilíbrio, mas a longo prazo a robustez desse equilíbrio não está garantida, seja nos sistemas ecológicos, seja nos econômicos&#8221;, argumenta Levin.  &#8220;Temos muitas evidências empíricas de que isso pode levar ao colapso do sistema.&#8221;</div>
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<div>Tornada famosa pelos economistas neoclássicos como o imperativo para que o mercado opere sem interferências, a noção da &#8220;mão invisível&#8221; foi forjada pelo escocês Adam Smith (1723-1790) com base em observações sobre as ciências naturais, segundo a filósofa Margaret Schabas, autora de The Natural origins of Economics (The University of Chicago Press, 2005).</div>
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<div>Ao situar os escritos de Smith na tradição iluminista, Margaret Schabas conta que a primeira menção à &#8220;mão invisível&#8221; aparece no tomo A História da Astronomia &#8211; e trata-se da mão de Júpiter.  Ali, o &#8220;pai&#8221; da economia interpreta os céus como uma grande decepção, &#8220;afinal o Sol não se levanta e se põe todo dia, independente do que pensem as pessoas comuns, e a astronomia decorrente do triunfo de Copérnico implica que o mundo foi desenhado de maneira complexa, criando ilusões de autocentrismo &#8211; a Terra como centro do universo &#8211; e de estabilidade &#8211; a Terra em estado de descanso&#8221;.</div>
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<div>&#8220;A mão invisível é também um truque de mão.  As classes baixas labutam porque acreditam, falsamente, que as riquezas valem o esforço, quando, na verdade, elas estão aptas a perder a serenidade que possuem: &#8216;É essa decepção que levanta e mantém em moto-contínuo a indústria da humanidade&#8217;&#8221;, escreve Margaret Schabas, citando Adam Smith.</div>
<div> </div>
<div>Outro conceito apropriado pelos neoclássicos, o <em>laissez-faire, laissez-passer</em> significava &#8220;deixe a natureza tomar seu curso&#8221;, para os fisiocratas, escola inspirada pelo francês François Quesnay (1694-1774) que floresceu na segunda metade do século XVIII e buscou sintetizar leis econômicas que operassem independente da vontade do homem e pudessem ser descobertas pela luz da razão.</div>
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<div>De acordo com Margaret, os fisiocratas e os filósofos iluministas fazem parte da tradição iniciada com os gregos de ver o mundo como um todo unificado.  &#8220;Cientistas naturais e sociais contemporâneos, em contraste, implicitamente concordaram em dividir o mundo em duas partes.  Quando os físicos hoje pensam no mundo que investigam, é um mundo sem todas as instituições sociais.  Matéria, força e energia são estudadas independentemente dos princípios que governam as taxas de juro e as leis do mercado imobiliário, sem falar na acumulação de capital.  Os economistas adotaram um discurso igualmente segregado&#8221;, escreve a filósofa.  &#8220;A frase <em>laissez-faire</em> perdeu todo o significado original.  Pertence agora à políticas comerciais liberais, não às operações da natureza.&#8221;</div>
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<div>O processo de desnaturalização da economia, na visão de Margaret Schabas, consolida-se com John Stuart Mill (1806-1873), que vê o mundo econômico como produto da ação humana, forja a concepção de riqueza dissociada do aspecto físico na idéia de utilidade e reforça a visão de que, neutro, o dinheiro não afeta os fenômenos econômicos.</div>
<div>  </div>
<div>Em oposição aos iluministas, Mill defende que a natureza é para ser conquistada, não obedecida &#8211; o progresso econômico consiste em aumentar o poder dos homens sobre ela.  &#8220;O desenvolvimento histórico indica que esse comprometimento com uma economia criada pelos homens e separada da natureza é uma invenção nova.</div>
<div> </div>
<div>Se olharmos com cuidado, seus componentes tendem a integrar os campos que biólogos e físicos estudam&#8221;, diz Margaret Schabas.  &#8220;É esse comprometimento que permite que se fale em estabilidade, engenharia, gestão da economia.  Se for o caso de que o dinheiro ou a taxa de juro, por exemplo, não estejam só sob a ação humana, mas tenham ligação com o mundo físico, isso sugere que temos de entender a noção de engenharia da mesma forma que faríamos no mundo físico.&#8221;</div>
<div>  </div>
<div>A taxa de juro tem vários níveis, segundo a filósofa.&#8221;No mercado de recursos para empréstimos, é um preço, formado quando a oferta e a demanda se encontram.  Mas acredita-se que isso reflita algo mais profundo, relacionado à acumulação de capital.  (John Maynard) Keynes via a taxa de juro como o equivalente à eficiência marginal do capital.</div>
<div>  </div>
<div>O compromisso com a acumulação de capital está mais próximo de nós, criaturas preocupadas com a auto-suficiência, que fazem estoques e desenvolvem tecnologia.  Mas é possível ver a taxa de juro de forma mais fundamental, ligada a atitudes em relação ao tempo e, talvez, ao espaço.&#8221;</div>
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<div><strong>Abaixo o monopólio</strong></div>
<div>Diante das raízes profundas lançadas pela visão neoclássica dos mercados e pela divisão entre os campos naturais e sociais da ciência, a economia dos homens e aquela da natureza permanecem bem separadas.  Mas há sinais de que é preciso mudar, segundo Bernard Lietaer, economista que presidiu o Sistema Eletrônico de Pagamentos da Bélgica e ajudou a implantar a moeda única na Europa.</div>
<div>  </div>
<div>Entre eles, a crise ambiental global, a pobreza e o fato de que o atual sistema monetário é &#8220;cego&#8221; para os aspectos da sustentabilidade.  &#8220;A economia real não pode funcionar sem incluir, por exemplo, o que acontece nas famílias, em um nível em que não se usa dinheiro, mas fundamental para que se eduquem as crianças para trabalhar no mundo real&#8221;, exemplifica.</div>
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<div>A questão monetária e financeira é, na opinião de Lietaer, o link que falta no debate da sustentabilidade.  &#8220;O pensamento de curto prazo é conseqüência direta do sistema monetário, uma vez que todo dinheiro carrega juros e isso faz com que qualquer pessoa que use critérios financeiros pense a curto prazo, descontando o futuro a ponto de torná-lo um nada&#8221;, diz.</div>
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<div>A solução, porém, não está em livrar-se do sistema monetário como o conhecemos, mas em permitir que outros sistemas convivam com ele.</div>
<div>  </div>
<div>&#8220;Temos o monopólio de uma moeda que carrega juros, criada com o objetivo do lucro, que concentra recursos&#8221;, afirma o economista.  &#8220;O sistema foi muito útil para a Revolução Industrial, mas hoje estamos no fim dela, os problemas que temos são conseqüência da Revolução Industrial: a mudança climática, a crise de energia.&#8221;</div>
<div>  </div>
<div>A menina dos olhos de Lietaer são as moedas complementares, desenhadas para uso dentro das comunidades, a partir de um acordo comum, sem imposição hierárquica e sem juros, incentivando a circulação em vez da acumulação.  O economista informa que mais de 5 mil comunidades ao redor do mundo usam moedas complementares.</div>
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<div>&#8220;Cuidar das crianças, dos velhos e do meio ambiente são funções que estão sendo suprimidas, não recebem energia, apoio. Dizemos que a coisa mais importante que temos são as crianças, mas um banqueiro ganha 100 vezes mais do que um professor.  Por que isso é normal?  Não remuneramos os professores o suficiente para incentivar que os melhores profissionais se tornem professores, e deveria ser assim se fôssemos consistentes com o fato de que as crianças são importantes.&#8221;</div>
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<div>Lietaer admite que o sistema financeiro traz benefícios ao incentivar a competição de idéias, a inovação.  Para ele, os desenvolvimentos do mercado para dar valor a ativos naturais são importantes, mas não suficientes para lidar com a crise ambiental.</div>
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<div><strong>O peixe-espada e a tartaruga</strong></div>
<div>Uma visão bem mais favorável ao sistema financeiro vem da Ecologia.  O oceanógrafo George Sugihara, que trabalhou quatro anos no Deutsche Bank, enxerga preciosas oportunidades nos mercados voluntários de carbono, por exemplo.</div>
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<div>Mas, como Krugman, alerta que é preciso aprender com a história.  &#8220;Se desenharmos os instrumentos financeiros reconhecendo o comportamento humano como uma realidade, talvez crises como a das hipotecas não ocorram&#8221;, diz.  Um exemplo é sua proposta para a criação de créditos para a pesca não-intencional.</div>
<div>  </div>
<div>Nos EUA, há limites para quantos animais a indústria pesqueira pode pegar como resultado da pesca de outras espécies &#8211; por exemplo, tartarugas pegas junto com o peixe-espada.  Ao atingir o limite, todos os pesqueiros são fechados.  O sistema, no entanto, incentiva a pesca agressiva, sem cuidado para não pegar outras espécies.</div>
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<div>&#8220;Esse comportamento colide com o bem comum do grupo, mesmo que você não pegue tartaruga, alguém pega e a indústria é fechada antes que tenha tempo de maximizar o pegado&#8221;, diz Sugihara.  Ele propõe que o pesqueiro que pegue tartarugas seja obrigado a comprar créditos de um que não tenha pegado, incentivando a pesca cuidadosa.</div>
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<div>&#8220;Aqueles que não pegam tartaruga são recompensados e os que pegam, punidos.  O preço da punição é determinado pelo mercado.&#8221;  O design cuidadoso como propõe Sugihara pode ajudar a harmonizar interesses individuais e coletivos nos mercados, mas é bom ter em mente que estes são uma parte do todo.</div>
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<div>&#8220;A discussão sobre sustentabilidade começa com a pergunta: sustentabilidade de quê?  Da oferta de energia, dos sistemas econômicos, da biodiversidade, dos serviços que os ecossistemas oferecem aos homens &#8211; alimento, fibras, combustível, fármacos, valores éticos e estéticos que damos a esses sistemas?&#8221;, diz Simon Levin.  &#8220;Todos esses sistemas, o natural, o social e o econômico estão interconectados, não acredito que se possa pensar na sustentabilidade de um sem a do outro.  O sistema econômico é, na verdade, essencial para a manutenção de um meio ambiente saudável e a maioria dos ecólogos reconhece isso, mas o contrário é muito menos reconhecido.  É preciso ver essas coisas como ligadas umas às outras.&#8221; </div>
<div> </div>
<div><strong>Das tulipas ao subprime</strong> &#8211; <em>Recorrente, o processo de inflar bolhas alimenta-se da visão de curto prazo</em></div>
<div>&#8220;Há aqui um processo básico e recorrente.  É a alta dos preços de ações, imóveis, arte ou qualquer outra coisa.  Isso atrai atenção e compradores, aumenta o efeito e eleva mais os preços.  As expectativas são justificadas pela mesma ação que aumenta os preços.  O processo continua; o otimismo e seu efeito no mercado são a ordem do dia.  Os preços sobem ainda mais.  E então, por razões que serão eternamente debatidas, vem o fim. A descida é sempre mais repentina que a subida; um balão furado não se esvazia de forma ordenada.&#8221;</div>
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<div>O texto é de John Kenneth Galbraith, no prefácio da edição de 1997 do livro The Great Crash &#8211; 1929, em que o economista detalha os fatos que levaram à débâcle da bolsa e à Grande Depressão.  &#8220;Esse fenômeno se manifestou muitas vezes desde 1637, quando especuladores holandeses viram nos bulbos das tulipas seu caminho mágico para a riqueza&#8221;.</div>
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<div>A mais recente manifestação teve início em 1998, quando os preços dos imóveis nos EUA, deprimidos devido à recessão do início da década, viraram uma barganha.  Para incentivar empréstimos, o mercado passou a oferecer hipotecas com taxas ajustáveis, com um período inicial de juros baixos, mas que refl etiam o alto risco dos tomadores.</div>
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<div>Com a possibilidade de refinanciamento dos contratos, a disparada dos preços dos imóveis &#8211; 124% de 1997 a 2006 &#8211; e a expectativa de que continuariam subindo, os consumidores infl aram a bolha.  O mercado lançou mão da securitização &#8211; a transformação de um fluxo de recursos futuro, como o pagamento de hipotecas, em papéis que podem ser negociados -, trazendo outros atores para o sistema.</div>
<div>  </div>
<div>Para espalhar o risco decorrente do mau histórico de crédito dos tomadores, bancos de investimento como o Bear Sterns criaram instrumentos para agrupar tais papéis e fatiá-los em tranches de acordo com o grau de risco e retorno: as com retorno mais alto são também as mais arriscadas; as de menor retorno correm risco só se houver o colapso dos ativos nos quais toda a estrutura está baseada.</div>
<div>  </div>
<div>Foi o que aconteceu quando os preços dos imóveis inverteram de sinal e os tomadores passaram a não pagar suas obrigações.  &#8220;Para os críticos das finanças modernas, o fim rápido do Bear Sterns em 16 de março foi a conseqüência inevitável da filosofi a de laissez-faire que permitiu que os serviços fi nanceiros inovassem e se espalhassem quase sem controle&#8221;, escreveu a revista The Economist.</div>
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<div>&#8220;Isso criou um sistema complexo, interdependente e disposto a conflitos de interesse.  Fraudes desenfreadas ocorreram na venda de hipotecas subprime.  Incentivados por recompensas baseadas em ganhos de curto prazo, banqueiros e gestores de fundos são acusados de embolsar seus bônus sem pensar nas conseqüências de longo prazo do que estavam fazendo.  A aposta deles foi alimentada pelo conhecimento de que, em caso de desastre, alguém outro &#8211; tomadores, investidores, contribuintes &#8211; acabaria arcando com pelo menos parte das perdas.&#8221;</div>
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		<title>Boas ações para o bolso</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Feb 2007 12:57:28 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Entre as empresas apontadas pelo relatório do Citigroup como potenciais beneficiárias no contexto das mudanças climáticas estão duas brasileiras, Cosan e Brasil Ecodiesel.  A mistura de biocombustíveis aos derivados de petróleo, obrigatória em diversos países, justifica a seleção das empresas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre as empresas apontadas pelo relatório do Citigroup como potenciais beneficiárias no contexto das mudanças climáticas estão duas brasileiras, Cosan e Brasil Ecodiesel.  A mistura de biocombustíveis aos derivados de petróleo, obrigatória em diversos países, justifica a seleção das empresas nacionais, que aparecem ao lado de grandes companhias como ADM, Bunge e Cargill.</p>
<p>Fabricantes de equipamentos para geração de energia à base de fontes renováveis e para melhorar o rendimento dos hidrocarbonetos também devem se beneficiar.  O segmento de gás natural verá um aumento da demanda em virtude do controle de emissões, ao mesmo tempo que o consumo cairá devido a invernos mais quentes no Hemisfério Norte, diz o Citigroup.</p>
<p>As empresas de biotecnologia que pesquisam cultivares mais resistentes à falta d’água, como a Monsanto, e companhias de saneamento como a espanhola Águas de Barcelona, podem ganhar com as secas mais freqüentes.</p>
<p>Nos serviços, pequenas seguradoras americanas devem tirar proveito da estratégia das grandes companhias de reduzir a exposição ao risco em áreas sujeitas a furacões e tornados.  A compensação pela emissão de carbono também deve benefi ciar empresas como a Swiss Reinsurance e a Chicago Mercantile Exchange, acrescenta o relatório.</p>
<p>Até uma geradora de energia a carvão, a TXU dos EUA, pode se destacar, diz o Citigroup.  A empresa pretende construir usinas em estados onde obtenha garantia de isenção a futuras mudanças nos padrões de emissões de carbono.</p>
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		<title>Onde investir</title>
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A partir desse pressuposto, o Citigroup elaborou um relatório temático que identifi ca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As conseqüências físicas das mudanças climáticas globais podem demorar anos para se manifestar, mas as reações de governos, empresas e pessoas criam oportunidades de negócio a curto prazo.</p>
<p>A partir desse pressuposto, o Citigroup elaborou um relatório temático que identifi ca os desdobramentos relacionados ao aquecimento global e sua infl uência nos mercados.  O banco identificou 74 empresas, de 21 setores e 18 países, que podem se beneficiar das novas condições climáticas e necessidades energéticas.  E oferecer boas alternativas de investimento.</p>
<p>Foram consideradas implicações físicas, regulatórias e comportamentais já observadas, assim como tendências bem definidas.</p>
<p>O relatório ressalta que nem todas as oportunidades de investimento relacionadas à redução de emissões de gases de efeito estufa são benéficas ao meio ambiente.  Como exemplo, cita efeitos negativos das alternativas ao carvão e ao petróleo: o lixo perigoso no caso da energia nuclear, a necessidade de grandes extensões de terra para os biocombustíveis, o que ameaça florestas nativas, e os impactos de turbinas eólicas para aves e morcegos.</p>
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