<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Página 22 &#187; eleições</title>
	<atom:link href="http://pagina22.com.br/index.php/tag/eleicoes/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://pagina22.com.br</link>
	<description>Informações para o novo século</description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 11:10:14 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>A indignação espanhola</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2011/07/a-indignacao-espanhola/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2011/07/a-indignacao-espanhola/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 06:05:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Flavia Pardini]]></category>
		<category><![CDATA[indignação]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Primavera Árabe]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=13183</guid>
		<description><![CDATA[O movimento dos “indignados” espanhóis deu mostras de que continua vivo e atuante. Há alguns dias, manifestantes vindos a pé de vários cantos da Espanha congregaram na Praça Puerta del Sol, a mais movimentada de Madrid, e pretendiam continuar caminhando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_13184" class="wp-caption alignleft" style="width: 307px"><a href="http://www.flickr.com/photos/david_fisher/5751205705/"><img class="size-medium wp-image-13184" title="http://www.flickr.com/photos/david_fisher/5751205705/" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/07/5751205705_f50287686b-297x198.jpg" alt="Foto de david_fisher via Flickr" width="297" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de david_fisher via Flickr</p></div>
<p>O movimento dos “indignados” espanhóis deu <a href=" http://english.aljazeera.net/news/europe/2011/07/2011725046110696.html" target="_blank">mostras</a> de que continua vivo e atuante. Há alguns dias, manifestantes vindos a pé de vários cantos da Espanha congregaram na Praça Puerta del Sol, a mais movimentada de Madrid, e pretendiam continuar caminhando até Bruxelas. É mais uma etapa desse movimento pacífico que, para alguns, é um exercício em democracia radical e, para outros, peca pela falta de objetivos concretos.</p>
<p>Tudo começou em maio, às vésperas das eleições regionais espanholas, quando manifestantes, inspirados pela Primavera Árabe, armaram acampamento na Praça Puerta del Sol para protestar contra a crise econômica, o desemprego galopante, medidas de austeridade e corrupção. Espanha, Portugal, Itália e Grécia, devido ao alto endividamento, estão no centro da mais recente crise econômica na Europa. Na Espanha, o <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2010/mar/08/financial-crisis-subprimecrisis" target="_blank">estouro da bolha</a> imobiliária em 2008 trouxe efeitos severos, inclusive uma nova escalada das taxas de desemprego – hoje cerca de metade dos jovens espanhóis não tem trabalho.</p>
<p>O acampamento levou o nome de Camp Sol e, aos poucos, cresceu para formar uma “micropolis” no coração de Madrid, como <a href="http://www.commondreams.org/view/2011/06/03-1" target="_blank">descreveu</a>, em junho, a jornalista Maria Carríon:</p>
<p>“O Camp Sol, que começou espontaneamente em 15 de maio com algumas barracas para protestar contra corrupção, falta de oportunidades e pedir por mudanças democráticas, é agora uma pequena cidade, um labirinto de lonas e plástico emendadas com arame e postes improvisados, que conta com sua própria estação de rádio, creche, áreas de alimentação, postos de primeiros socorros, clínicas de assistência legal, biblioteca (inclusive uma para crianças) e centros de informação, que conduzem reuniões e workshops sobre assuntos que vão do meio ambiente aos direitos dos imigrantes.”</p>
<p>Os acampados se auto-denominaram “os indignados” e adotaram métodos de assembléia geral para tomar decisões, como <a href="http://www.shareable.net/blog/yes-we-camp-a-global-fight-for-radical-democracy" target="_blank">contou </a>o blogueiro Willie Osterweil:</p>
<p>“Se já esteve em qualquer tipo de reunião de esquerda, você tem ideia de como funciona: alguém se oferece para facilitar a reunião, e as pessoas levantam a mão para se inscrever. O facilitador chama as pessoas na ordem em que levantaram a mão, e só uma pessoa fala por vez. Busca-se consenso em vez do princípio da maioria: todas as reuniões que testemunhei acabaram com os dissidentes concordando com propostas e aceitando a decisão do grupo. Em um voto pela maioria, os eleitores recebem uma questão para responder sim ou não e leva quem tem 51%, mas em uma Assembléia Geral as propostas são construídas durante a conversa e o debate e, como tal, refletem o desejo do grupo como um todo”.</p>
<p>Foi dessa maneira que os indignados de Camp Sol <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2011/jun/12/madrid-demonstrators-vote-end-protests" target="_blank">decidiram</a>, no fim de junho, levantar acampamento e trabalhar para que o movimento cresça. Desde então, conseguiram algumas vitórias, como obter do candidato socialista às eleições gerais previstas para março de 2012 uma proposta de reforma eleitoral.</p>
<p>Observadores notam que os indignados são bem mais comportados do que os manifestantes gregos, que não raro apelam para a violência ao protestar contra medidas de austeridade. <a href="http://www.economist.com/node/18959259?story_id=18959259&amp;fsrc=rss" target="_blank">Outros </a>apontam que, a despeito das assembléias e busca de consenso, suas demandas contra “o sistema” são vagas. Ainda assim, os indignados contam com o apoio de mais 60% dos espanhóis e acampamentos semelhantes ao Camp Sol começam a aparecer em outros países. Vaga ou não, daqui para frente a indignação talvez não possa mais ser ignorada.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2011/07/a-indignacao-espanhola/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O verde nas urnas</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2011/07/o-verde-nas-urnas/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2011/07/o-verde-nas-urnas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 08:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Flavia Pardini]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=13151</guid>
		<description><![CDATA[Pelo menos na teoria, os políticos americanos só têm a ganhar ao adotar uma postura em favor do meio ambiente. É o que revelam os resultados de uma pesquisa recém-divulgada pelo Woods Institute for the Environment da Universidade de Stanford, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_13152" class="wp-caption alignleft" style="width: 307px"><a href="http://www.flickr.com/photos/whiteafrican/3004595893/"><img class="size-medium wp-image-13152" title="http://www.flickr.com/photos/whiteafrican/3004595893/" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/07/3004595893_2fd8ffdbe3-297x198.jpg" alt="Foto de Erik Hersman via Flickr" width="297" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Erik Hersman via Flickr</p></div>
<p>Pelo menos na teoria, os políticos americanos só têm a ganhar ao adotar uma postura em favor do meio ambiente. É o que revelam os <a href="http://woods.stanford.edu/docs/surveys/Stanford_Climate_Politics2011.pdf" target="_blank">resultados</a> de uma pesquisa recém-divulgada pelo Woods Institute for the Environment da Universidade de Stanford, na Califórnia.</p>
<p>O Instituto partiu de pesquisas anteriores, feitas desde os anos 90, mostrando que a maioria dos americanos acredita que a temperatura da Terra aumentou nos últimos 100 anos, que o aquecimento é pelo menos em parte causado por atividades humanas e que o governo deve agir para reduzir emissões de gases de efeito estufa. Tal conjunto de crenças é agrupado pelos pesquisadores como uma “postura verde” e deveria indicar que os eleitores preferem candidatos que compartilham sua visão.</p>
<p>“Mas não é assim que uma eleição funciona – um assunto como a mudança climática geralmente não influencia os votos de todos os cidadãos”, destacam os pesquisadores. Apenas eleitores entre aqueles que prestam atenção e consideram o tema extremamente importante para eles pessoalmente – um grupo estimado em cerca de 38 milhões de americanos – decidem seu voto com base na questão climática.</p>
<p>Para testar a hipótese de que os políticos têm boas chances de ganhar os votos de tais eleitores ao assumir uma postura verde – e de perder votos com uma postura contrária –, os pesquisadores ouviram cidadãos nos estados da Florida, Maine e Massachusetts em julho de 2010 e fizeram uma pesquisa nacional em novembro de 2010.</p>
<p>Os entrevistadores leram declarações de um candidato hipotético ao Senado e os eleitores responderam sobre quais as chances de ele receber seu voto. Todos os eleitores ouviram declarações sobre outros assuntos além da mudança climática. Alguns ouviram declarações em favor do meio ambiente, alguns ouviram declarações contra o meio ambiente, e para alguns não houve declaração sobre o assunto.</p>
<p>Os resultados mostraram que faz diferença ter uma postura sobre o meio ambiente e a questão climática: candidatos hipotéticos com uma postura verde ganharam votos, aqueles com uma postura contra, perderam. Os candidatos que mais se beneficiam de uma postura verde são os do Partido Republicano – que na vida real tendem a se opor à ação governamental em relação ao clima.</p>
<p>“Além de ajudar a atrair eleitores independentes, candidatos republicanos com postura verde talvez tenham mais sucesso ao tentar seduzir cidadãos democratas em eleições gerais, especialmente se seus adversários democratas permanecerem silenciosos na questão do clima”, escreveram os pesquisadores. Eles acrescentaram que assumir uma postura ambiental aparentemente não afeta os votos de eleitores republicanos em candidatos republicanos. Ser verde, portanto, pode ser uma estratégia vencedora para candidatos do Partido Republicano.</p>
<p>Os pesquisadores alertam que o estudo tem limitações, especialmente porque nos EUA nem todos os cidadãos votam, porque foram medidas intenções de voto e não os votos em si, e porque um candidato no mundo real adota posturas em relação a um número maior de temas do que a pesquisa assumiu. Mais importante, notam, seria importante investigar o que acontece quando a postura ambiental adotada por um candidato é atacada por seus oponentes.</p>
<p>O que daria bom pano para manga seria pesquisar porque tantos candidatos, apesar das indicações do estudo, rejeitam uma postura ambiental. Quais fatores estariam influenciando os políticos mais do que a visão de seus eleitores?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2011/07/o-verde-nas-urnas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Para ser bem-amado</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2010/09/para-ser-bem-amado/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2010/09/para-ser-bem-amado/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 16:45:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[45]]></category>
		<category><![CDATA[Abelardo Blanco]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[colaboração em rede]]></category>
		<category><![CDATA[democracia colaborativa]]></category>
		<category><![CDATA[Dias Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[espetacularização]]></category>
		<category><![CDATA[Fabián Echegaray]]></category>
		<category><![CDATA[Haroldo Ceravolo]]></category>
		<category><![CDATA[imagem pública]]></category>
		<category><![CDATA[interação em rede]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Aurélio Prado]]></category>
		<category><![CDATA[marketing político]]></category>
		<category><![CDATA[marqueteiros]]></category>
		<category><![CDATA[mídias sociais]]></category>
		<category><![CDATA[O Bem Amadom]]></category>
		<category><![CDATA[política tradicional]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia social]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Rech]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade do espetáculo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=9059</guid>
		<description><![CDATA[O velho trabalho dos marqueteiros se faz atual como nunca.  E daqui para a frente se depara com o desafio de lidar com a internet e as redes sociais – empenhadas em enxergar os políticos por trás da maquiagem
O recente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O velho trabalho dos marqueteiros se faz atual como nunca.  E daqui para a frente se depara com o desafio de lidar com a internet e as redes sociais – empenhadas em enxergar os políticos por trás da maquiagem</em></p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-1.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-9145" title="bem amado 1" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-1-365x270.jpg" alt="bem amado 1" width="365" height="270" /></a>O recente lançamento nos cinemas de <em>O Bem-Amado</em>, obra do teatrólogo Dias Gomes, trouxe de volta a figura de Odorico Paraguaçu, arquétipo do político matreiro, envolvente, “enrolador”, corrupto até a medula e obsessivo em sua saga por inaugurar o cemitério municipal, obra representativa de sua administração.  Na fictícia cidade baiana de Sucupira, convivem todos os elementos que no imaginário nacional permeiam o jogo político: amores, luxúria, dinheiro, poder, inveja e violência – personalizada na figura do matador redimido Zeca Diabo.  Isso sem falar da figura ciclotímica de Nezinho do Jegue, que, quando sóbrio, era um fervoroso defensor de Odorico Paraguaçu, mas, ao ficar bêbado, transformava-se no principal acusador dos desmandos do prefeito.</p>
<p>O Bem-Amado talvez seja a mais bem-acabada representação de um modo de fazer política que aparentemente está enterrado no passado recente do Brasil, especialmente depois da volta do regime democrático.  Mas, a cada período eleitoral, algumas das artimanhas e manejo de palavras e gestos de Odorico Paraguaçu ressurgem no processo de construção da persona pública de vários candidatos país afora.</p>
<p>O que Dias Gomes não previu quando escreveu sua obra foi o fluxo incontrolável de informação, comunicação e interatividade potencializado pela internet e as chamadas redes sociais, como Twitter, Facebook e Orkut.  Hoje é preciso bem mais do que uma retórica laudatória e cheia de advérbios inusitados para impressionar os eleitores (mais em <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2010/09/a-agora-de-agora/" target="_blank">entrevista</a> com Sérgio Abranches, nesta edição).  As campanhas requerem não só maior investimento na construção e consolidação da imagem, como também um aprendizado sobre como usar adequadamente essas novas ferramentas, que expõem mais o candidato à opinião pública, testam sua autenticidade e espontaneidade e tendem a ganhar importância a cada eleição.</p>
<p>O uso da internet e especialmente das redes sociais ainda é um fenômeno novo e de certa forma os “marqueteiros” – profissionais de marketing responsáveis por ajudar o candidato a construir ou reconstruir sua imagem pública – ainda estão aprendendo a incorporá-las às campanhas.  Fato é que o processo de construção da imagem dos políticos passa por um momento de transformação, no qual promessas, gestos, maneirismos e até a forma de se vestir continuam mantendo sua importância, mas terão de conviver com um escrutínio e uma interação permanentes com a sociedade promovidos e facilitados pela rede mundial de computadores.</p>
<p><strong>A era do espetáculo </strong></p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-5.jpg"><img class="alignright size-large wp-image-9149" title="bem amado 5" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-5-208x270.jpg" alt="bem amado 5" width="208" height="270" /></a>A emergência da internet e das redes sociais torna mais complexo um desafio que não vem de hoje: o de conhecer a fundo para onde vai o humor dos eleitores e ter respostas para as suas expectativas.  O professor Marco Aurélio Prado, doutor em psicologia social pela PUC de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Psicologia Política, lembra que a construção do discurso político sempre se utilizou de estratégias que criassem formas de identificação com a noção de “povo” ou “população”.</p>
<p>Segundo ele, vários teóricos acreditavam que as massas revolucionárias do final do século XIX eram “patológicas”.  Por isso, exigiriam uma forma específica de tratamento por parte do líder que passava por garantir uma comunicação que fosse abrangente o suficiente para criar formas de identificação, com afirmações rápidas e conclusões repetitivas.  “Os teóricos não imaginavam que as massas viriam para ficar e que esses fenômenos só ficariam mais complexos com os meios de comunicação, o aumento populacional, as formas de gestão etc.”, diz Prado.</p>
<p>Opinião semelhante tem o diretor de TV Abelardo Blanco, que já assessorou diversas campanhas políticas.  Para ele, a questão da representação – ou da “farsa que ocupa o lugar da realidade” – não se restringe ao momento político e à campanha eleitoral, mas é parte de um processo maior de “espetacularização” da vida cotidiana, que viria já desde fins do século XIX.  Assim, o marqueteiro, por mais que se considere milagreiro, poderoso e chegue a ser incensado por muitos políticos, não passaria “de mero instrumento minúsculo de um processo histórico que vem de longe”, diz.</p>
<p>Para exemplificar seu ponto de vista, Blanco recorre a um trecho do livro <em>A Sociedade do Espetáculo</em>, escrito pelo pensador francês Guy Debord [1]: “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos.  Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação”.</p>
<blockquote><p>[1] Escritor francês morto em 1994.  Foi um dos pensadores da Internacional Situacionista e da Internacional Letrista, e seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68.  A Sociedade do Espetáculo é seu trabalho mais conhecido.</p></blockquote>
<p>Isso faz com que, no processo de construção da sua imagem, o político esteja atento permanentemente aos humores da opinião pública.  Com isso, as pesquisas de opinião, quantitativas e qualitativas, transformaram-se em uma ferramenta básica de trabalho e as equipes de campanha delas se valem para moldar os discursos públicos ou mesmo realizar mudanças cosméticas no vestuário ou no comportamento dos candidatos.  Tudo com o objetivo de estabelecer uma ponte com os eleitores que se transforme em apoio político e votos.</p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-4.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-9148" title="bem amado 4" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-4-208x270.jpg" alt="bem amado 4" width="208" height="270" /></a>Fabián Echegaray, cientista político e diretor da empresa de pesquisas de mercado Market Analysis, acredita que esse processo não é mau em si.  Para ele, a crítica ao poder do marketing político vem especialmente de setores da mídia, para quem se estaria perdendo a autenticidade e o debate de ideias em favor de uma grande disputa de imagem e estilos.  Echegaray defende que esta construção é não apenas necessária, como praticamente a única forma de manter sustentável uma candidatura, especialmente em um contexto de diluição das identidades partidárias.</p>
<p>À coerência e à habilidade em fazer promessas que atendam às expectativas dos eleitores outro elemento que se une à construção da imagem do político é a questão do estilo pessoal, sua maneira de se vestir e se comportar.  Em tempos de hiperinflação de informações, com a importância da TV e a acessibilidade permanente propiciada pela internet, este tema, antes marginal, parece se tornar cada vez mais relevante.  Com isso, ao lado do marqueteiro, outro profissional emerge: o<em> personal stylist</em>, responsável pela “paginação” do candidato com o objetivo de torná-lo mais atraente para os eleitores.</p>
<p>Existe até uma tipificação dos estilos pessoais mais reconhecidos pelos brasileiros, cada qual tanto com seu lado positivo quanto com o negativo.  Há, por exemplo, o “romântico”, caracterizado pela “sensibilidade, suavidade e gentileza”, ou o “sexy”, cujos elementos incluem sedução, carisma, coragem e autoconfiança.  São justamente esses dois estilos os que mais atraem os eleitores brasileiros, segundo a consultora de imagem Sabina Donadelli, para quem os candidatos que têm naturalmente algum desses dois elementos conquistam mais chance de encantar os eleitores.</p>
<p><strong>Caiu na rede </strong></p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-3.jpg"><img class="alignright size-large wp-image-9147" title="bem amado 3" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-3-205x270.jpg" alt="bem amado 3" width="205" height="270" /></a>Fato é que promessas, gestual e estilo pessoal, além de dinheiro, por muito tempo foram combinados para construir ou consolidar a imagem dos políticos, sempre com um foco nos meios tradicionais de comunicação, em especial a TV e o rádio, que são basicamente unidirecionais.  Não sem razão, há um enorme investimento de tempo, saliva e compromissos para consolidar alianças partidárias com o intuito de aumentar o tempo de exposição dos candidatos no horário eleitoral gratuito.</p>
<p>O que esses meios tradicionais basicamente fazem é garantir a emissão da mensagem para os eleitores, mas não lhes facilita a interação direta com o candidato.  Com a internet, tudo isso muda radicalmente.  E como fica o jogo político neste novo contexto?</p>
<p>O jornalista e consultor Roberto Rech é veterano de várias campanhas políticas e um defensor da internet como um canal para quebrar o monopólio de comunicação da mídia tradicional.  “Um grande veículo pode decidir não publicar algo sobre determinado candidato, por afinidade ou interesse político, mas basta essa informação cair na rede e já é de conhecimento público”, diz.  Para ele, mesmo aqueles que estão na base social, com pouco ou nenhum acesso à internet, acabam sendo tocados pelo que chama de “contágio eleitoral”, muitas vezes iniciado em discussões ou ações no mundo virtual.  “No caso do Barack Obama, a internet foi a grande responsável pelo contágio, pelo levante daquela onda que a gente não consegue explicar ainda direito, mas que acabou levando-o à Presidência dos Estados Unidos.”</p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-2.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-9146" title="bem amado 2" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/bem-amado-2-205x270.jpg" alt="bem amado 2" width="205" height="270" /></a>Com o advento das redes sociais na <em>web</em>, o trabalho dos candidatos para construir e consolidar sua imagem pública certamente ficará mais difícil.  É o que pensa Haroldo Ceravolo, diretor de redação dos sites Opera Mundi e Última Instância.  Ele reconhece que, nas eleições deste ano, apesar de toda a expectativa ao redor do uso da internet, a TV segue sendo o principal canal de informação e mobilização dos eleitores.  Mas, para as próximas eleições, o poder da TV tende a diminuir, com mais pessoas tendo acesso à internet com uma velocidade maior.</p>
<p>“O modo de se fazer campanha terá de mudar.  Haverá novas preocupações, porque o texto e as posturas dos candidatos estarão submetidos a um contato mais direto com as pessoas”, diz Ceravolo.  Ele acredita que aí, então, será possível entender o que é uma campanha pela internet.  Exemplos recentes em que a web fez diferença foram o da já citada campanha de Barack Obama e a do ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus, que o transformou em uma sensação ao levá-lo, contra todos os prognósticos, ao segundo turno das eleições na Colômbia.</p>
<p>Para Ceravolo, exemplos como os citados, de uso eficiente e criativo da internet na campanha eleitoral, ainda são poucos, mas tendem a aumentar com a crescente popularização da rede de computadores.  Ou seja, os futuros Odoricos terão de usar muito mais do que advérbios, sorrisos e promessas para ser escutados.  Provavelmente terão de estar conectados permanentemente, dialogando e sendo questionados em tempo real por seus eleitores e detratores.  E, quem sabe, fazendo da verdade seu maior trunfo eleitoral.</p>
<p>Veja quadro com os <a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Quadro-estilos.doc">estilos dos candidatos</a> identificados pela consultora Sabina Donadelli.</p>
<p>Confira <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2010/09/por-tras-da-maquiagem-politica/" target="_blank">aqui</a> as fotos do making-of da arte corporal de Beto França e saiba mais sobre o que inspirou Página22 a realizar o ensaio.</p>
<p>____________________________</p>
<p><strong>O que dizem os blogueiros</strong></p>
<p>Depoimentos de blogueiros referenciais colhidos por Página22 mostram a influência da internet e das redes sociais na política como uma tendência que desponta. Mas afirmam que seus recursos ainda são pouco usados pelo cidadão e muito mal explorados pelos candidatos :</p>
<p><em>Primeiro teste</em></p>
<p>As eleições 2010 serão o primeiro teste dos políticos para o jornalismo-cidadão que nós, “consumidores 2.0”, fazemos nas redes sociais desde a popularização das ferramentas de compartilhamento de notícias e de autopublicação.  Se antes precisávamos ir ao ombudsman para ler uma visão mais crítica da notícia repercutida, agora temos muitos blogs e perfis de Twitter para seguir, ora concordando, ora discordando, mas acima de tudo – e felizmente – vivenciando um debate inovador na nossa sociedade.  Sugiro que o eleitor interessado em votar bem escolha um foco (eu escolhi educação) e acompanhe os candidatos na temática selecionada, sendo também um propagador dos erros e acertos de suas propostas e campanhas neste assunto.  Isso é ser proativo no desnudar do candidato e na tarefa de escolher quem vai representar seus interesses no próximo governo.  Samantha Shiraishi, editora do blog <em><a href="http://www.samshiraishi.com" target="_blank">A vida como a vida quer</a>.</em></p>
<p><em>Candidatos analógicos </em></p>
<p>Há um abismo entre o que a campanha digital poderia ser e o que está sendo.  Os candidatos estão mais preocupados em influenciar (ou manipular) a opinião alheia do que efetivamente compartilhar suas opiniões, conversar, mostrar quem são.  Não temos candidatos na internet, são seus assessores que cuidam dos seus espaços, cometendo gafes, pinçando as perguntas que querem responder e editando tudo para que o candidato apareça plástico e sem vida, defendendo os argumentos que a campanha decidiu serem o pilar de sua candidatura.  Não temos espaços abertos para conversar com os candidatos no âmbito digital, porque a candidatura off-line toma todo esse tempo: as redes sociais contemplam relacionamento e os candidatos estão usando a internet como mídia de massa.  Edney Souza, editor do blog <a href="http://www.interney.net" target="_blank"><em>Interney</em></a>.</p>
<p><em>Canal ainda mal explorado</em></p>
<p>As mídias sociais ainda estão sendo utilizadas de modo muito tímido no Brasil.  Não poderia ser diferente: apesar do crescimento substancial de visitas a sites como Twitter e Facebook no País nos últimos doze meses, o fato é que a TV aberta ainda é o grande formador de opiniões no Brasil.  Outro problema que diagnostico é o fato de, em blogs e mídias sociais, as discussões políticas andarem extremamente exacerbadas.  O maniqueísmo desses debates empobrece demais as discussões, afastando interessados em comentar política.  E a internet, que poderia representar um meio onde fosse possível encontrar informações diferenciadas, infelizmente acaba por fomentar rivalidades em vez de construir pontes de entendimento entre partidos.  Alexandre Inagaki, editor do blog <em><a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki" target="_blank">Pensar Enlouquece</a></em>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2010/09/para-ser-bem-amado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A política fora da caixa</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2010/09/a-politica-fora-da-caixa/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2010/09/a-politica-fora-da-caixa/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 16:40:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[45]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[José Emygdio de Carvalho Neto]]></category>
		<category><![CDATA[lei da palmada]]></category>
		<category><![CDATA[poder]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[relações de poder]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=9076</guid>
		<description><![CDATA[Ela está mais presente no cotidiano do que imaginamos.  E será mais utilizada quando soubermos o que queremos construir
Mesmo buscando saber mais sobre eleições, acabamos percebendo que no fundo nos sentimos desconectados de todo esse movimento.  Dentro de nós, salvo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ela está mais presente no cotidiano do que imaginamos.  E será mais utilizada quando soubermos o que queremos construir</em></p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/fora-da-caixa.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-9158" title="fora da caixa" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/09/fora-da-caixa-398x270.jpg" alt="fora da caixa" width="398" height="270" /></a>Mesmo buscando saber mais sobre eleições, acabamos percebendo que no fundo nos sentimos desconectados de todo esse movimento.  Dentro de nós, salvo o sentimento de “dever público” por um instante, uma sensação de vazio nos toma.  Na prática, percebemos a política como uma obrigação.  E, se não pensarmos nela, cometemos um erro, pois é nosso dever “cuidar” do nosso país.</p>
<p>Essa sensação de distância não é errada nem certa.  Ela é um sintoma de como vemos a política em nossas vidas.  No entanto, as relações de poder estão em todos os lugares.  A política está em quase tudo.</p>
<p>O poder está em nossa casa, em nosso casamento, em nosso grupo de amigos, em nossa empresa.  E, se o poder está presente, a política também.</p>
<p>A política é basicamente o uso de poder.  Alguns autores a defi nem como força de influenciar comportamentos e decisões.  E adicionam: essa força é potencial, situacional e relacional.</p>
<p>O “potencial” vem da ideia de que posso escolher usá-la.  “Situacional” porque sempre dependerá da situação.  E “relacional” porque o poder somente existe na relação, não há indivíduo poderoso, somente se é poderoso em relação a alguém.</p>
<p>Darei um exemplo.  Uma lei, seja ela formal, seja informal, sempre define esses três parâmetros.  A Lei da Palmada, proposta do governo para proibir qualquer castigo físico em crianças e adolescentes, causou furor instantâneo.  Em muitas famílias, a lei informal de convivência diz que os filhos devem obedecer aos pais, caso contrário os pais têm o “direito” de usar a força para que seus filhos “aprendam”.</p>
<p>No momento em que a Lei da Palmada [1] começa a ser discutida, ela traz consigo um imenso impacto político no cotidiano.  Partindo-se do pressuposto de que a lei fosse implementada de maneira eficaz, a relação de poder pais-filhos mudaria completamente.</p>
<blockquote><p>[1] Projeto de lei enviado ao Congresso Nacional que estabelece o direito da criança e do adolescente de serem educados sem palmadas e beliscões.</p></blockquote>
<p>Os pais não teriam mais a escolha (potencial de poder) de bater em seus filhos, mesmo tendo a situação permanecido inalterada: um filho desobedecendo ao pai.  A relação mudaria drasticamente.  Forçaria as famílias a mudar sua política de infl uência sobre os filhos, e, por conseguinte, a maneira de educá-los.</p>
<p>Levando adiante esse exemplo, podemos perceber que leis informais estão em toda parte.  Você pode percebê-las nesse momento olhando em sua volta.  A política está em todas as relações.  A política é convivência.  Ela busca trazer um aspecto mais ordenado para nossas vidas.  Quer tenhamos consciência, quer não, tudo que escolhemos na convivência com o outro é uma escolha política.</p>
<p>Em época de eleições, muitos críticos dizem que os candidatos não têm programas coerentes e aprofundados.  Acredito que o questionamento anterior deva ser: qual é o programa que a sociedade apresenta?  E este serve para chegar aonde?  Esta escolha pedirá que tipo de convivência entre as pessoas?</p>
<p>Muitas de nossas angústias vêm da própria falta de consciência de que nossas escolhas são políticas, nossas relações são políticas, e elas estão a serviço de nossos interesses.  Sempre.</p>
<p>Queremos mudar a política nacional, participar de grandes eleições, mas nos esquecemos dos pequenos votos que fazemos todos os dias e do quanto esses votos moldam a política à nossa volta.</p>
<p>O poder então é uma ferramenta?  Sim.  Está a serviço de nossos objetivos individuais e coletivos.  E a política é o modo como o poder de cada um interage com o poder dos outros, por isso, de novo: convivência.</p>
<p>Antes de criticarmos a sociedade por não se interessar por poder e política, temos que perguntar: qual é o nosso objetivo coletivo?  Qual é o nosso sonho?  Qual é o meu sonho de sociedade de um ponto de vista bem prático?</p>
<p>Somente nos interessaremos mais por política quando a política for mais interessante, quando ela estiver mais conectada com nossos objetivos coletivos.  Em outras palavras, a política somente será mais utilizada, como qualquer outra ferramenta, quando soubermos o que queremos construir.</p>
<p><em>*Formado pela FGV em Administração Pública, voltada para Reforma do Estado e Análise de Poder, e vice-presidente do Instituto Tellus.</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2010/09/a-politica-fora-da-caixa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cigarros e votos</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2010/08/cigarros-e-votos/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2010/08/cigarros-e-votos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 05:44:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[Austrália]]></category>
		<category><![CDATA[campanha anti-fumo]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Flavia Pardini]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[tabaco]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=8703</guid>
		<description><![CDATA[A Austrália está prestes a se tornar o primeiro país do mundo a bater de frente com a indústria do tabaco e exigir que os fabricantes abandonem todo e qualquer adorno nas embalagens de cigarros. Se tudo correr bem e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/29998767@N07/2806329669/"><img class="alignleft size-medium wp-image-8704" title="http://www.flickr.com/photos/29998767@N07/2806329669/" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/08/2806329669_104187c76c-1-300x196.jpg" alt="http://www.flickr.com/photos/29998767@N07/2806329669/" width="300" height="196" /></a>A Austrália está prestes a se tornar o primeiro país do mundo a bater de frente com a indústria do tabaco e exigir que os fabricantes abandonem todo e qualquer adorno nas embalagens de cigarros. Se tudo correr bem e o país não mudar de governo no meio do caminho, a medida entra em vigor em 2012 e deve ajudar a reduzir o número de fumantes, hoje em torno de 20%.</p>
<p>A decisão foi anunciada em abril pelo então primeiro-ministro Kevin Rudd, do partido Trabalhista, junto com um aumento de 25% no imposto sobre os cigarros e a destinação de A$ 27,8 milhões para uma campanha anti-fumo. Com o novo imposto, os fumantes australianos pagam cerca de 15 dólares (R$ 24) por um maço de 30 cigarros e o governo estima arrecadar A$ 5 bilhões em quatro anos para investir na reforma do sistema de saúde.</p>
<p>Em junho, entretanto, Rudd perdeu o cargo de primeiro-ministro e, às vésperas das eleições que vai sacramentar seu sucessor, a indústria do tabaco financia uma campanha publicitária contra as embalagens sem adornos – e, dizem analistas, contra o Partido Trabalhista.</p>
<p>A propaganda de cigarros é proibida na Austrália, os impostos somam mais de 70% do preço e os maços exibem imagens horríveis das conseqüências do fumo. As embalagens sem adorno ou cores, argumentam os defensores da medida, ajudariam a quebrar a ligação entre a marca e o fumante. “Os maços permanecem com o usuário uma vez abertos e são exibidos repetidamente em situações sociais, tornando-se uma forma direta de propaganda móvel para a marca”, diz a ONG Action on Smoking and Health.</p>
<p>Propaganda era o que Rudd provavelmente esperava, mas apesar da popularidade da medida, ele não conseguiu manter seu cargo. Segundo alguns analistas, o primeiro-ministro nunca se recuperou depois de abandonar sua política de mudanças climáticas. Desde 2007 Rudd defendia que a Austrália liderasse o mundo na ação para mitigar as mudanças do clima, instituindo um esquema de c<em>ap-and-trade</em> de emissões. Para muita gente, ao <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2010/04/sem-cap-nem-trade/" target="_blank">engavetar o plano</a>, Rudd mostrou interesses eleitoreiros e sua verdadeira cara. Em queda nas pesquisas de opinião, ele perdeu o apoio interno no partido e o cargo para sua vice, Julia Gillard.</p>
<p>Gillard não foi capaz de apresentar um plano alternativo para o clima – propôs apenas criar uma assembléia de 150 cidadãos comuns para debater a questão. Seu opositor, o líder dos Liberais Tony Abbott, rejeita qualquer medida para dar um preço ao carbono. Gillard apóia a medida anti-fumo, enquanto Abbott diz apenas que vai considerar mantê-la se for eleito. Para o eleitor que prefere morrer de &#8220;causas naturais&#8221;, restam poucas opções. A 15 dias das eleições, a intenção de voto para o Partido Verde disparou e chega a 12%.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2010/08/cigarros-e-votos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Banindo os criminosos do jogo eleitoral</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2010/02/banindo-os-criminosos-do-jogo-eleitoral/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2010/02/banindo-os-criminosos-do-jogo-eleitoral/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 14:25:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciberação]]></category>
		<category><![CDATA[avaaz.org]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[candidatos corruptos]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=6175</guid>
		<description><![CDATA[Proibir que políticos envolvidos em crimes graves possam disputar as eleições ainda neste ano. Esse é o objetivo da ação que a Avaaz &#8211; organização independente que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global em questões de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/02/votos1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6181" title="_votos" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/02/votos1-198x198.jpg" alt="_votos" width="198" height="198" /></a>Proibir que políticos envolvidos em crimes graves possam disputar as eleições ainda neste ano. Esse é o objetivo da ação que a <a href="http://www.avaaz.org" target="_blank">Avaaz</a> &#8211; organização independente que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global em questões de interesse coletivo &#8211; promove buscando fortalecer o “Projeto de Lei Ficha Limpa&#8221;.</p>
<p>A ideia consiste em enviar mensagens virtuais a todos os políticos, pressionando-os a aprovarem o projeto em tempo hábil para que ele seja válido já nas eleições de outobro. A organização entende que em ano eleitoral os políticos não querem ter sua imagem vinculada a algo negativo, e acredita que por isso a pressão popular pode contribuir decisivamente nesse processo.</p>
<p>Para enviar sua mensagem aos deputados que irão votar a lei basta clicar <a href="http://www.avaaz.org/po/brasil_sem_corrupcao/?vl">aqui</a>.</p>
<p>O <a href="http://www.mcce.org.br/">Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral</a> já coletou 1,5 milhão de assinaturas favoráveis à lei.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2010/02/banindo-os-criminosos-do-jogo-eleitoral/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A estratégia Viagra</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2010/02/a-estrategia-viagra/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2010/02/a-estrategia-viagra/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 06:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[Austrália]]></category>
		<category><![CDATA[cap-and-trade]]></category>
		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Flavia Pardini]]></category>
		<category><![CDATA[IPCC]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=5967</guid>
		<description><![CDATA[Se o fiasco de Copenhague deveria propagar novas ideias e formas de mitigar as mudanças climáticas, como sugeriu Mike Hulme, pelo jeito elas não virão da Austrália. Um plano alternativo ao do governo para cortar as emissões do país em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/40713859@N00/3686151615/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5969" title="http://www.flickr.com/photos/40713859@N00/3686151615/" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/02/3686151615_ed11dbe4e21-131x198.jpg" alt="http://www.flickr.com/photos/40713859@N00/3686151615/" width="131" height="198" /></a>Se o fiasco de Copenhague deveria propagar novas ideias e formas de mitigar as mudanças climáticas, <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/no-pos-copenhague-hora-da-diversidade/" target="_blank">como sugeriu Mike Hulme</a>, pelo jeito elas não virão da Austrália. Um plano alternativo ao do governo para cortar as emissões do país em 5% até 2020 foi apelidado de “Viagra do carbono”. A meta não é lá essas coisas – foi oficialmente submetida à ONU em 1o de fevereiro –, e agora o partido de oposição, o Liberal, garante é possível atingí-la sem custo para empresas ou consumidores. Mais ou menos como o tiozinho que acredita que continua em forma, até parar de tomar o santo Viagra.</p>
<p>De um lado, o<a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/entre-a-cruz-e-a-caldeirinha/" target="_blank"> governo propõe</a> um esquema de negociação de créditos de carbono (CPRS na sigla em inglês), em que se impõe um limite para as emissões e se obriga os grandes poluidores a comprar permissões se emitirem acima do limite. Os que emitirem abaixo podem vender créditos no mercado. A receita com a venda de permissões seria usada, basicamente, para compensar indústrias com mais dificuldade de se adaptar, exportadores que concorrem com empresas de países onde não há legislação para corte de emissões, e famílias de média e baixa renda.</p>
<p>Do outro lado do ringue, o novo líder dos liberais, Tony Abbott, lançou essa semana um plano que, segundo ele, é simples e <em>cost-free</em>. Empresas que cortem suas emissões seriam pagas pelo governo, por meio de um fundo, e aquelas que aumentem, levariam multa – mas não haveria limite. Os liberais não especificaram como pretendem decidir quem é multado ou não, e em quanto. O importante, segundo o líder, é não penalizar o <em>business as usual</em> – e, acrescentam vários comentaristas, as chances de Abbott nas eleições que devem ocorrer até o fim do ano.</p>
<p>O governo pagaria também para que os agricultores estoquem carbono no solo, incentivaria as famílias a instalar painéis solares, as geradoras de energia a abandonar o carvão em favor do gás natural e a plantação de 20 milhões de árvores. Abbott só não revelou de onde sairá o dinheiro – A$ 3,2 bilhões nos primeiros quatro anos (A$ 1 = R$ 1,63). Disse apenas que há como se achar tais bilhões no orçamento.</p>
<p>O interessante é que Abbott acusa o governo de criar um “imposto gigante”, dizendo que o CPRS vai custar mais de A$ 40 bilhões em quatro anos. A proposta do governo não é isenta de críticas, mas a cifra reflete o que o esquema deve arrecadar  e repartir entre as compensações e outras alocações. Ao contrário, o plano dos Liberais, se financiando pelo orçamento, sairia diretamente dos impostos que cidadãos australianos e milhões de imigrantes pagam. O custo pode não estar evidente, “pero que lo hay, lo hay”.</p>
<p>Antes de se tornar líder em dezembro – e, portanto, candidato a primeiro-ministro –, Abbott foi citado pela imprensa dizendo que “a ciência em torno das mudanças climáticas é bobagem total”. Agora ele jura acreditar que é preciso agir para conter as emissões, mas não ao custo de atividade econômica e empregos. O argumento ressoa positivamente na comunidade corporativa e até com pequenos empresários, como um conhecido meu que se sentiu vingado ao ouvir o plano de Abbott. Segundo ele, não se pode penalizar quem movimenta a economia nem subtrair a escolha de consumidores, queiram eles comprar o maior SUV do mundo ou viajar de jatinho particular por aí.</p>
<p>O Wentworth Group of Concerned Scientist, grupo independente de pesquisadores da área de conservação, parabenizou Abbott por reconhecer o problema climático, mas apontou que para evitar o aumento de temperatura em mais de 2 graus até o fim do século é preciso limitar as emissões dos setores de transporte e energia.</p>
<p>O governo e o primeiro-ministro Kevin Rudd vinham surfando na onda de conscientização popular sobre as mudanças climáticas e, agora, terão que reembalar seu peixe. A comunidade cética australiana se delicia com as <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jan/20/ipcc-himalayan-glaciers-mistake" target="_blank">notícias de que o relatório do IPCC</a> contém um erro sobre o derretimento do Himalaia. O fracasso nas negociações em Copenhague só reforça ao argumento de que corte de emissões na Austrália, por mais drástico que seja, pouco afeta o estado global das coisas – deixando de mencionar que, embora pequenas na comparação global, as emissões australianas <em>per capita</em> estão entre as mais altas do mundo.</p>
<p>As mudanças climáticas, queiram os políticos ou não, trarão custos. Mas, em ano eleitoral, impera a estratégia Viagra, a que apenas sustenta a ineficiência.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2010/02/a-estrategia-viagra/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entre a cruz e a caldeirinha</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/entre-a-cruz-e-a-caldeirinha/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/entre-a-cruz-e-a-caldeirinha/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 11:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[Austrália]]></category>
		<category><![CDATA[cap-and-trade]]></category>
		<category><![CDATA[COP 15]]></category>
		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Flavia Pardini]]></category>
		<category><![CDATA[incêndios]]></category>
		<category><![CDATA[Kevin Rudd]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=5626</guid>
		<description><![CDATA[A mudança climática ainda não contaminou a geopolítica global – vide o desfecho da reunião de Copenhague –, mas em alguns países a política está totalmente dominada pelo debate sobre as emissões de gases de efeito estufa. A Austrália é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/oxfam/3943747401/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5627" title="http://www.flickr.com/photos/oxfam/3943747401/" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/12/3943747401_691a551c37-297x198.jpg" alt="http://www.flickr.com/photos/oxfam/3943747401/" width="297" height="198" /></a>A mudança climática ainda não contaminou a geopolítica global – vide o desfecho da reunião de Copenhague –, mas em alguns países a política está totalmente dominada pelo debate sobre as emissões de gases de efeito estufa. A Austrália é um dos casos mais significativos.</p>
<p>Em 2 de dezembro, às vésperas da COP15, o Senado australiano rejeitou pela segunda vez o projeto do governo que cria um esquema de <em>cap-and-trade</em> de emissões (Carbon Pollution Reduction Scheme, ou CPRS). Como a Câmara havia aprovado o projeto, a dupla rejeição pelos senadores dá ao primeiro-ministro Kevin Rudd, do Partido Trabalhista, a possibilidade de dissolver as duas casas e convocar eleições antecipadas. Se isso ocorrer, no coração da disputa estarão as mudanças climáticas e as ações para combatê-la no continente mais seco e um dos mais altos emissores per capita do mundo.</p>
<p>A oposição ao governo, a coalizão entre os partidos Liberal e Nacional, vem com chumbo grosso. Ao derrotar o projeto no Senado em dezembro, os Liberais foram contra a orientação do então líder, o ex-ministro do Meio Ambiente Malcom Turnbull – que, apesar de criticar o projeto do governo, apoiava a criação de um esquema de <em>cap-and-trade</em>. Turnbull acabou substituído por Tony Abbott, um dos mais conservadores políticos australianos e cético declarado em relação ao aquecimento global. Abbott assumiu a liderança argumentando que o CPRS não passa de um “grande imposto” sobre a economia australiana.</p>
<p>Para piorar, o desfecho de Copenhague deixou Rudd entre a cruz e a caldeirinha. O chamado Acordo de Copenhague, sem metas ou prazos obrigatórios, apenas compila os objetivos voluntários apresentados pelos países – no caso da Austrália, redução das emissões de 5% a 25% sobre os níveis de 2000 até 2020.</p>
<p>O país se comprometeu a reduzir 5% incondicionalmente, e a aumentar para 25%, dependendo do resultado das negociações globais. Ao longo de 2009, Rudd tentou convencer os senadores a aprovar o projeto do CPRS antes da COP15, alegando “impertativo moral” por parte da Austrália e o incentivo às demais nações. Agora, com o resultado frágil de Copenhague e a eleição de Abbott como líder dos Liberais, o governo terá ainda mais dificuldade de aprovar o projeto.</p>
<p>Uma das saídas seria negociar com o Partido Verde, que até agora manteve-se aliado à oposição para bloquear o projeto, não por ser contra o esquema proposto pelo governo, mas por defender meta mais ambiciosa: 40% de redução de emissões até 2020. Se quiser o apoio dos verdes, Rudd provavelmente terá de elevar suas metas. Mas aí o sapato aperta do outro lado: a resistência de setores poluidores é tão grande que o governo teve de rever o projeto duas vezes para ampliar compensações a indústrias como as de carvão e de alumínio.</p>
<p>Outra alternativa é reapresentar o projeto – como o governo anunciou que fará em 2 de fevereiro de 2010 –, torcer para que seja rejeitado novamente e então dissolver o Parlamento e convocar eleições. Nesse caso, a aposta de Rudd seria a de que o eleitorado continua defendendo uma Austrália progressista na questão climática, assim como em 2007 quando derrotou o governo do Liberal John Howard.</p>
<p>Se as pesquisas de opinião servem de referência, uma <a href="http://www.roymorgan.com/news/polls/2009/4435/" target="_blank">realizada em novembro </a>mostrou que a porcentagem de australianos que acreditam que “se não agirmos agora será muito tarde” caiu de 67% em 2006 para 52%. Os que acham que as preocupações com a mudança do clima são exageradas aumentou de 13% para 30%. O apoio ao projeto do CPRS diminuiu de 55% em agosto de 2009 para 50% em novembro.</p>
<p>Por fim, o governo pode não usar o gatilho de eleições antecipadas e esperar que o discurso inflamado de Abbott perca o brilho com o eleitorado. O que será da mudança climática politicamente na Austrália, a esta altura, é uma incógnita. O que já se vê claramente são os indícios da estação de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bushfires_in_Australia" target="_blank">incêndios</a>, que neste ano que finda matou centenas de pessoas.</p>
<p>Leia também reportagem sobre a <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2007/07/pegada-singular/" target="_blank">pegada climática australiana</a> e <a href="  http://pagina22.com.br/index.php/2008/02/o-xadrez-do-mundo/" target="_blank">entrevista </a>que comenta a eleição de Rudd em 2007.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/entre-a-cruz-e-a-caldeirinha/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Caetano declara voto em Marina</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2009/11/caetano-declara-voto-por-marina/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2009/11/caetano-declara-voto-por-marina/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 14:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Silva]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=3832</guid>
		<description><![CDATA[Os entusiastas da possível candidatura de Marina Silva à Presidência acambam de ganhar uma voz forte para engrossar o apoio a ela: Caetano Veloso. Em entrevista à jornalista Sonia Racy, do jornal O estado de São Paulo, o ícone da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Caetano_Veloso_(2005).jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3835" title="Caetano_Veloso_(2005)" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Caetano_Veloso_2005-136x198.jpg" alt="Caetano_Veloso_(2005)" width="136" height="198" /></a>Os entusiastas da possível candidatura de Marina Silva à Presidência acambam de ganhar uma voz forte para engrossar o apoio a ela: Caetano Veloso. Em entrevista à jornalista Sonia Racy, do jornal O estado de São Paulo, o ícone da música popular brasileira deixa evidente a sua preferência pela atual senadora pelo Acre – para ele, ela é “Lula e Obama ao mesmo tempo”.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">“Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”, disse.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Caso a candidatura de Marina seja confirmada, Caetano diz que votaria nela “com a esperança de que ela, com sensatez que sempre demonstra, acolha a complexidade da realidade”.</div>
<p><a rel="attachment wp-att-3835" href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/11/caetano-declara-voto-por-marina/caetano_veloso_2005/"><img class="alignleft size-medium wp-image-3835" title="Caetano_Veloso_(2005)" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Caetano_Veloso_2005-136x198.jpg" alt="Caetano_Veloso_(2005)" width="136" height="198" /></a>Os entusiastas da possível candidatura de Marina Silva à Presidência acabam de ganhar uma voz forte para engrossar o coro: Caetano Veloso. <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,as-ultimas-de-caetano-veloso-em-entrevista-exclusiva,461281,0.htm" target="_blank">Em entrevista a Sonia Racy, do jornal O Estado de S.Paulo</a>, o ícone da música popular brasileira deixa evidente a sua preferência pela atual senadora do Acre – para ele, Marina é “Lula e Obama ao mesmo tempo”.</p>
<p>“Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”, disse.</p>
<p>Caso a candidatura de Marina seja confirmada, Caetano diz que votaria nela “com a esperança de que ela, com sensatez que sempre demonstra, acolha a complexidade da realidade”.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2009/11/caetano-declara-voto-por-marina/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A fila anda</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/a-fila-anda/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/a-fila-anda/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 10:45:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[35]]></category>
		<category><![CDATA[Revista]]></category>
		<category><![CDATA[ambientalismo]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Silva]]></category>
		<category><![CDATA[neoambientalistas]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=2906</guid>
		<description><![CDATA[A perspectiva de uma candidatura Marina é a de desconstruir a visão brutalizante da economia e colocá-la em sintonia com a sociedade e seus valores, com a busca de um &#8220;mundo melhor&#8221; – bandeira a ser traduzida em detalhes
Marina Silva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a rel="attachment wp-att-2908" href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/a-fila-anda/analise-2/"><img class="alignleft size-medium wp-image-2908" title="analise" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/10/analise-224x198.jpg" alt="analise" width="224" height="198" /></a>A perspectiva de uma candidatura Marina é a de desconstruir a visão brutalizante da economia e colocá-la em sintonia com a sociedade e seus valores, com a busca de um &#8220;mundo melhor&#8221; – bandeira a ser traduzida em detalhes</em></p>
<p>Marina Silva deu uma chacoalhada memorável no universo modorrento do sistema político brasileiro com sua decisão de sair do PT e filiar-se ao Partido Verde.  O correcorre dos &#8220;neoambientalistas&#8221; em todos os partidos, para mostrar intimidade com algo que nunca os moveu seriamente, é também muito interessante e pode render bons frutos para o País, já que nunca se sabe como essas coisas terminam.  Começam no oportunismo e, vai saber, podem despertar vocações sinceras ou levar a boas iniciativas.</p>
<p>O que não dá é para ser otimista a ponto de prever alterações de fundo no olimpo tosco e fisiológico do poder político brasileiro.  O que está acontecendo parece ser apenas, como diria meu amigo Mario Monzoni, um habeas corpus preventivo para enfrentar, em 2010, um possível fenômeno Marina chegando ao coração da população com uma proposta mais avançada de desenvolvimento e de prática política ou – pior ainda para o establishment – conseguindo demonstrar aos mais pobres que, para fazer justiça social de fato, são imprescindíveis o respeito ao meio ambiente e o uso correto dos recursos naturais.</p>
<p>Atentos, porém, à lição recorrente das pesquisas de que o bolso decide eleições – as pessoas votam orientadas, basicamente, pela situação econômica do País e de olho na sua em particular –, as múltiplas forças empenhadas em barrar o crescimento de Marina Silva soltaram na praça o mote de que ela é &#8220;monotemática&#8221;, induzindo à conclusão de que só pensa no meio ambiente e é incapaz de lidar com outras questões.</p>
<p>Nessa reação, que, aliás, saiu primeiro do Palácio do Planalto, estão contidos os dois grandes problemas dessa candidatura contra a corrente: mostrar a que veio e conseguir comunicar isso amplamente.  Que Marina não é monotemática, as forças conservadoras sabem, pois certamente estão acompanhando seus artigos, declarações, posições e as iniciativas pelo Menos desde que assumiu o Ministério do Meio Ambiente, em 2003.  No conjunto da obra está claro que Marina propõe rumos para a economia, para o poder político e para as prioridades do desenvolvimento, dialogando com a complexidade da situação do planeta e com a necessidade de mudanças decorrentes da gravidade do quadro do aquecimento global.</p>
<p>&#8220;É a economia, estúpido!&#8221;, para voltar à repisada frase do marqueteiro James Carville, na campanha de Bill Clinton de 1992. A diferença agora, integralmente colocada ao Brasil pela perspectiva de uma candidatura Marina, é que não se trata mais da visão totalizante e brutalizante da economia, mas do desafio de um projeto nacional que prepare o salto para a póseconomia tal como a conhecemos hoje.  Descarbonizada e também desmistificada como ciência da fatalidade, do &#8220;tem que ser assim&#8221;.  O que significa desconstruir a prepotência política do mercado e colocar em primeiro plano a sociedade e sua conexão com valores, com novos conhecimentos, com a trajetória da humanidade, com o planeta, com a busca de um &#8220;mundo melhor&#8221;, bandeira a ser traduzida em detalhes.</p>
<p>Para chegar a esses detalhes, Marina e o PV não podem perder a energia que está claramente mobilizada na sociedade brasileira para ajudar a montar o quebracabeça do desenvolvimento sustentável, definir suas ferramentas, metas, modus operandi.  Ou se faz agora o teste do poder horizontalizado e da participação qualitativa, substantiva, amarrada e interativa como os nós de uma rede, ou sabe-se lá quando haverá outra oportunidade e tamanha motivação.</p>
<p>Por outro lado, isso não é uma ação entre amigos, para, ao final, dar a satisfação de ter sido uma experiência avançada.  O avanço, sem querer ser tautológica, precisa avançar.</p>
<p>Precisa fazer alianças, expandir-se para além das bordas dos setores de classe média bem informada, nos quais, segundo os arautos do atraso, esgota-se o potencial eleitoral de Marina Silva.  Como comunicar, sem prender-se ao vazio meramente propagandístico, o que representa essa provável candidatura?</p>
<p>Certamente a internet será fundamental nesse embate, por ser, apesar de todos os problemas e da delinquência que nela campeia, o espaço comunicativo da sociedade, livre e sem senhores, cada vez mais acessível e aberto à criatividade e ao confronto de informações.  Não sem razão, as raposas do Congresso tentaram submetêla às suas regras, para manter o jogo sempre dentro do mesmo quadrado.  Os freios atingiriam, obviamente, quem mais depende de iniciativas da sociedade para fazer chegar sua mensagem.  Para a alternativa desenvolvimento sustentável/Marina, foi uma vitória a não inclusão de restrições à internet na minirreforma eleitoreira.  Mesmo assim, para não perder o cacoete, impôs-se à rede mundial, como se ela fosse também uma concessão pública, a mesma regra de rádio e TV para a realização de debates.</p>
<p>Paciência.  O importante é que a fila anda e 2010 poderá ser, tomara!, uma nova fronteira política para o País.</p>
<p><em>*Jornalista e socióloga</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/a-fila-anda/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

