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	<title>Página 22 &#187; Carlos Minc</title>
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	<description>Informações para o novo século</description>
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		<title>Ministério publica boletim com Nota Verde dos carros</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 21:07:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
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		<category><![CDATA[Carlos Minc]]></category>
		<category><![CDATA[emissões de gases do efeito estufa]]></category>
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		<category><![CDATA[ministério do Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Unica]]></category>

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		<description><![CDATA[Em setembro deste ano o Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicou um ranking dos carros mais poluentes vendidos no Brasil que causou grande polêmica quanto aos seus métodos de avaliação, inclusive entre leitores de nosso blog. Desta vez, o MMA reformulou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4928" class="wp-caption alignleft" style="width: 208px"><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/12/etanol-crescebrasil-2008.jpg"><img class="size-medium wp-image-4928" title="Foto do blog crescerbrasil.com" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/12/etanol-crescebrasil-2008-198x198.jpg" alt="Foto do blog crescerbrasil.com" width="198" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Foto do blog crescerbrasil.com</p></div>
<p>Em setembro deste ano o Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicou um <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/09/carro-verde-etanol-talvez-nao/ " target="_blank">ranking dos carros mais poluentes vendidos no Brasil</a> que causou grande polêmica quanto aos seus métodos de avaliação, inclusive entre leitores de nosso blog. Desta vez, o MMA reformulou sua metodologia de análise e chegou a uma nova lista com a chamada Nota Verde.</p>
<p>Agora, ao invés de uma nota numérica, os carros recebem até cinco estrelas &#8212;  quanto mais estrelas tiver, maior é a sua eficiência e menor é o índice de emissão de gases causadores do efeito estufa.</p>
<p>A lista conta com cerca de 400 modelos fabricados em 2009, sendo que deles, 22 modelos com motores flex (que rodam tanto com gasolina quanto com álcool) ganharam a pontuação máxima. são seis modelos da Fiat (Idea, Palio, Siena e três diferentes versões do Estilo), um da Ford (Ka), sete da GM (Prisma e seis versões diferentes do Celta), três da Citroen (todos da versão C3) e cinco da Volkswagem (duas versões do Fox e três versões do Space Fox). Dentre esses com a mesma pontuação, não há um ranking entre melhores e piores. <a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/12/ranking_verde_oficial_carros.pdf">Veja a lista completa</a></p>
<p>A nova metologia tem a intenção de simplificar o entendimento por parte do público e, segundo o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, orientar o consumidor. O grupo de trabalho que chegou até ela incluiu representantes do Ibama, da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar) e da Petrobras.</p>
<p>Duas das três estrelas que cada veículo pode potencialmente conquistar são relativas à emissão de CO2. &#8220;Os carros que utilizam álcool já ganham automaticamente uma estrela, porque o CO2 liberado é absorvido no processo de cultivo da cana&#8221;, explica Minc. As outras 3 estrelas são relativas à emissão de outros poluentes (entre eles o monóxido de carbono).</p>
<p>Em comunicado à imprensa, a UNICA alega que o novo sistema de avaliação emitido pelo MMA, apesar de melhor do que aquele publicado em setembro, não estabelece um parâmetro correto entre as emissões de CO2 e dos outros gases. Este fato, segundo a entidade, prejudicaria o desempenho de veículos movidos a etanol.</p>
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		<title>Com que cara eu vou?</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 17:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[36]]></category>
		<category><![CDATA[Revista]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Minc]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Roussef]]></category>
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		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>

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		<description><![CDATA[A um mês de Copenhague, País ainda expõe contradições e desarticulação entre as áreas do governo
Veja glossário aqui
O caminho da delegação brasileira rumo à COP 15 é cheio de curvas perigosas, em que impasses técnicos e políticos precisam de soluções [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3990" class="wp-caption alignleft" style="width: 211px"><a rel="attachment wp-att-3990" href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/11/com-que-cara-eu-vou/reportagem_comquecara/"><img class="size-medium wp-image-3990" title="Com que cara eu vou?" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/11/reportagem_comquecara-201x198.jpg" alt="Com que cara eu vou?" width="201" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Com que cara eu vou?</p></div>
<p><em>A um mês de Copenhague, País ainda expõe contradições e desarticulação entre as áreas do governo</em></p>
<p><strong><a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/11/glossario/" target="_blank">Veja glossário aqui</a></strong></p>
<p>O caminho da delegação brasileira rumo à COP 15 é cheio de curvas perigosas, em que impasses técnicos e políticos precisam de soluções urgentes.  A ausência de uma posição brasileira clara às vésperas do encontro expõe contradições e desarticulação entre áreas de governo.  Com isso, o Brasil vive uma situação paradoxal: possui relativo conforto no âmbito internacional &#8211; pois conquistou respeito e certo protagonismo desde a aprovação, na Rio-92, da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima -, ao mesmo tempo que enfrenta dificuldades para incorporar a variável ambiental como política de governo.</p>
<p>Vale lembrar que, apenas 17 anos depois de assinar a Convenção, o País ganhou seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas e, até agora, não possui uma política para essa área.  De acordo com a coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Universidade de Campinas, Leila Ferreira da Costa, estudiosa da evolução do Brasil na implementação das políticas ambientais, houve avanços dentro do governo, porém muito tímidos.  &#8220;O governo trabalhou na institucionalização da agenda climática para além do Ministério do Meio Ambiente, mas ainda há cisão entre áreas estratégicas, como agricultura e energia.  Bom exemplo é ver 13 ministérios envolvidos com o Plano Nacional de Combate ao Desmatamento, mas cujos resultados esbarram no campo político.&#8221;</p>
<p>O coordenador do programa de clima do Greenpeace, João Talocchi, avalia que o governo ainda não encontrou a solução para lidar com tantos interesses diferentes nem possui criatividade para encontrar o caminho rumo à economia de baixo carbono.  &#8220;Falta articulação interna para conciliar tantas contradições e, por isso, encontramos disparidades, como planos de energia que preveem ampliação de termoelétricas, ministros que querem abrir estradas no meio da Floresta Amazônica e os que pedem o avanço da fronteira agrícola.  Sem falar na flexibilização da legislação ambiental para o uso da terra na Amazônia.&#8221;</p>
<p>Além disso, na contramão de uma economia de baixo carbono, o Brasil festeja a descoberta das reservas de petróleo na camada pré-sal.  &#8220;Esta seria a melhor manchete da metade do século passado&#8221;, afirma Carlos Rittl, coordenador de clima e energia do WWF Brasil.  Segundo ele, o governo precisa olhar para o futuro e investir desde já em energia limpa.  &#8220;Até começar a extração de petróleo dessas reservas, por volta de 2020, o mundo deverá ser outro, com muitas restrições aos combustíveis fósseis&#8221;, diz.</p>
<p>A desarticulação que gera o imbróglio do governo na agenda climática envolve principalmente os ministérios do Meio Ambiente (MMA), da Ciência e Tecnologia (MCT) e das Relações Exteriores (MRE), que formam o chamado &#8220;G3&#8243;.  No caso da redução de gases de efeito estufa, a ala desenvolvimentista, hegemônica, defende que o País não deve ter meta específica para esse fim.  Isso porque o corte de 80% do desmatamento na Floresta Amazônica até 2020 já responde de certa forma à pressão dos Estados Unidos e de alguns países europeus para que nações em desenvolvimento também assumam esforços de mitigação.</p>
<p>Nesse embate, o MMA defendeu sozinho a diminuição de até 40% nas emissões brasileiras em relação ao cenário projetado para 2020.  Tasso Azevedo, consultor do MMA e integrante da equipe que elaborou a proposta, explica que o objetivo é o Brasil chegar a 2020 ao menos no patamar de 2005, quando foram emitidos 2,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente.  Para isso, o cenário projetado levou em conta a taxa de crescimento anual de 4% no PIB, com base no Plano Nacional de Energia 2030.</p>
<p>Nesse embate, o MMA defendeu sozinho a diminuição de até 40% nas emissões brasileiras em relação ao cenário projetado para 2020.  Tasso Azevedo, consultor do MMA e integrante da equipe que elaborou a proposta, explica que o objetivo é o Brasil chegar a 2020 ao menos no patamar de 2005, quando foram emitidos 2,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente.  Para isso, o cenário projetado levou em conta a taxa de crescimento anual de 4% no PIB, com base no Plano Nacional de Energia 2030.</p>
<p>Outro ponto a ser fortalecido na posição brasileira, avalia Azevedo, é a defesa de um acordo climático que diminua as emissões globais a um nível que segure o aumento da temperatura do planeta abaixo dos 2 graus até 2100 em relação ao período pré-industrial.  &#8220;Simplesmente concordar com esse número não basta.  É preciso ter uma decisão política que planeje o crescimento levando em conta uma trajetória de emissões que inclua um teto para o orçamento de carbono&#8221;, diz.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 1329px; height: 1px;">O orçamento de carbono é a quantidade de emissões toleráveis ao longo de um período.  Em nível mundial, o teto desse orçamento deveria ser de 1,8 trilhão de toneladas de CO2 durante</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 1329px; height: 1px;">o século.  &#8220;O Brasil precisa avançar nesse ponto para de fato ser uma peça-chave, um líder nas negociações&#8221;, defende.</div>
<p>O orçamento de carbono é a quantidade de emissões toleráveis ao longo de um período.  Em nível mundial, o teto desse orçamento deveria ser de 1,8 trilhão de toneladas de CO2 durante o século.  &#8220;O Brasil precisa avançar nesse ponto para de fato ser uma peça-chave, um líder nas negociações&#8221;, defende.</p>
<p><strong>Faces técnica e política </strong></p>
<p>O cientista político Sérgio Abranches coloca mais lenha na fogueira do debate sobre as divergências no governo.  Segundo ele, é até difícil comentar a posição brasileira, uma vez que a considera tosca, atrasada e que atende meramente a aspirações político-ideológicas.</p>
<p>Ele entende que o governo trabalha em duas frentes: a técnica e a política.  Na primeira, aumentou bastante o consenso e a afinidade entre MCT e MMA sobre a necessidade de metas de redução de emissões.  &#8220;Já com o Itamaraty é mais complicado, porque as relações são mais hierarquizadas e com mais controle interno.  Os diplomatas não têm autonomia para ter esse tipo de conversa que acontece normalmente no quadro técnico.  No campo político, encontramos um impasse terrível&#8221;, avalia.</p>
<p>Quem tem mais poder é o Itamaraty, pois detém o monopólio da representação brasileira na Convenção e também exerce maior influência na formação da opinião do presidente da República, explica Abranches.  Como o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, faz parte da ala desenvolvimentista, o MMA fica isolado.  &#8220;No jogo político, ao evitar o anúncio de uma meta de estabilização das emissões que transcende a meta do desmatamento, o MCT e o Itamaraty dão um veto estritamente ideológico, porque não querem que o Brasil fique subordinado aos outros países que cobram metas das nações em desenvolvimento&#8221;, complementa.</p>
<p>Diplomaticamente, a coordenadora da área de clima e sustentabilidade da Secretaria de Mudanças Climáticas do MMA, Andrea Santos, evita comentar as divergências no &#8220;G3&#8243;.  Diz apenas que as equipes técnicas das três pastas operam em sintonia.  &#8220;Nosso trabalho caminha muito bem e está em fase de ajustes&#8221;, diz.  Segundo ela, o que acontece entre os ministros são debates políticos, comentados apenas pelo alto escalão.</p>
<p>Contudo, fontes que estiveram em reunião no dia 14 de outubro na Presidência da República, e preferem não se identificar, relatam que parte do sucesso das negociações se deu porque as pessoas que acompanharam os ministros eram técnicos e cientistas, e não a ala mais política.  &#8220;Os números levados pelo MMA ao encontro foram respaldados pelo MCT.  O pesquisador Carlos Nobre esteve lá e mostrou afinidade com o que foi apresentado.</p>
<p>O embaixador extraordinário do Brasil para a mudança do clima, Sérgio Serra, nega o clima de toma lá dá cá.  Ele comenta, por exemplo, o recente episódio envolvendo o coordenadorgeral de Mudanças Globais de Clima do MCT, José Miguez, e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que discutiram sobre as estimativas de emissões feitas pelo MMA para subsidiar a proposta de meta de redução brasileira &#8211; uma vez que o novo inventário nacional não está pronto.  Na ocasião, Miguez chegou a dizer que os dados do MMA não teriam nenhuma confiabilidade.  &#8220;Esse debate ganhou uma importância que não merece.  Não vejo motivo para tanta cobrança do inventário, pois temos o compromisso de entregá-lo à Convenção apenas no ano que vem&#8221;, rebate o embaixador.</p>
<p>Nessa discussão que assumiu contornos tão políticos, a ciência se ressente de ter ficado um tanto à margem.  José Antônio Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), defende maior influência da Academia nas decisões.  &#8220;Há muito tempo nós apontamos que o Brasil deveria ter metas de desmatamento e de redução de emissões, mas isso não era considerado.  Boa parte dos países, o Reino Unido, por exemplo, tem cientistas em suas delegações oficiais.  Infelizmente, não é o caso do Brasil&#8221;, critica.  &#8220;Espero que os nossos negociadores considerem a ciência por trás das negociações, pois a Física não obedece às leis dos homens ou a protocolos e resoluções da COP.&#8221;</p>
<p><strong>Idas e vindas</strong></p>
<p>Mais um alvo de divergências diz respeito ao mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd).  O Brasil defendia um fundo de cooperação para o financiamento de projetos, de forma que os países ricos destinem recursos aos países em desenvolvimento para que possam combater o desmatamento e estimular o uso sustentável das florestas.  O governo brasileiro resistia em apoiar a inclusão do Redd no mercado compensatório de carbono, como acontece com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).  Alegava que seria uma via muito barata de os países desenvolvidos atingirem suas metas, sem redução efetiva de emissões.</p>
<p>No entanto, às vésperas da COP 15, o governo brasileiro sinaliza que aceitará, em Copenhague, um mecanismo de mercado compensatório &#8211; fruto da pressão feita por governadores dos estados da Amazônia que apostam no mecanismo de Redd como motor para o desenvolvimento da região.</p>
<p>A postura interna do Brasil é alvo de atenção no cenário internacional.  Para Manfred Nitsch, professor do Latein-Amerika Institut, da Universidade Livre de Berlim, e estudioso da questão econômica e ambiental na Amazônia, o governo brasileiro deve primeiramente assumir uma estratégia que resolva a questão fundiária na região.  Os países não sentirão segurança de aplicar em um fundo para projetos de Redd se esses recursos correrem o sério risco de cair na mão de grileiros.</p>
<p>Para além do que possa acontecer em Copenhague, uma coisa é certa: a agenda climática tem de ser adotada como política de governo.  Para isso, a coordenadora-adjunta do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-Eaesp, Rachel Biderman, diz que é preciso um &#8220;comandante&#8221; desse esforço dentro do governo, com recursos e poder para demandar as informações necessárias e recrutar os atores relevantes.</p>
<p>&#8220;O Brasil também tem de mostrar o quanto vai investir do próprio bolso, antes de solicitar recursos internacionais.  Temos condições de dar nossa contribuição para a solução do problema.  Esperar que os países industrializados financiem a ação dos em desenvolvimento é irreal e ingênuo&#8221;, avalia Rachel.</p>
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		<title>Desgaste em comissão e bastidores no Planalto aquecem debate sobre Código Florestal</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 20:20:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
		<category><![CDATA[Áreas de Proteção Permanente]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Minc]]></category>
		<category><![CDATA[Código Florestal]]></category>
		<category><![CDATA[Reinhold Stephanes]]></category>

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		<description><![CDATA[Já noticiamos por aqui a bomba que a bancada ruralista quer fazer passar pela Comissão Especial de Meio Ambiente, na Câmara. Ontem, as discussões ficaram ainda mais aquecidas na Comissão, com deputados defendendo a anistia a desmatadores e manifestantes sendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3738" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-3738" href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/desgaste-em-comissao-e-bastidores-no-planalto-aquecem-codigo-florestal/greenpeace2/"><img class="size-medium wp-image-3738" title="Ativistas do Greenpeace em reunião da Comissão de Meio Ambiente. Foto: Greenpeace.org.br" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/10/greenpeace2-300x162.jpg" alt="Ativistas do Greenpeace em reunião da Comissão de Meio Ambiente.  Foto: Greenpeace.org.br" width="300" height="162" /></a><p class="wp-caption-text">Ativistas do Greenpeace em reunião da Comissão de Meio Ambiente. Foto: Greenpeace.org.br</p></div>
<p>Já <a href="Http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/urgente-desmonte-ambiental/" target="_blank">noticiamos por aqui</a> a bomba que a bancada ruralista quer fazer passar pela Comissão Especial de Meio Ambiente, na Câmara. Ontem, as discussões ficaram ainda mais aquecidas na Comissão, com deputados defendendo a anistia a desmatadores e manifestantes sendo expulsos da sala de reunião.</p>
<p>O embate aconteceu por causa da redação de um novo relatório, feito pelo deputado Marcos Montes (DEM-MG), cujo ponto mais polêmico é o que prevê a anistia para áreas desmatadas até 31 de julho de 2006 – como <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2910200920.htm" target="_blank">informa o jornal Folha de S.Paulo</a>.</p>
<p>A medida beneficiaria os proprietários de mais de 35 milhões de hectares desmatados ilegalmente, de acordo com dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).  Mas a polêmica não parou por aí: outro ponto que gerou discussão foi o que passa para os Estados a competência para definir as Áreas de Proteção Permanente (APPs), que são topos de morro, margens de rios e encostas &#8212; ou seja, áreas que não podem ser ocupadas e precisam ser recuperadas.</p>
<p>E no meio de toda a discussão, ativistas do Greenpeace foram expulsos por seguranças da Casa.  Eles <a href="http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/greenpeace-protesta-contra-a-b" target="_blank">carregavam sirenes e cartazes com os dizeres</a> &#8220;A bancada da motosserra quer acabar com nossas florestas&#8221;.</p>
<p>Diversas organizações não-governamentais divulgaram um <a href="http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2980" target="_blank">manifesto em que repudiam o trabalho desenvolvido pela comissão</a>, “formada por maioria de membros da bancada ruralista e que, portanto, não representa a diversidade de setores da sociedade brasileira interessada na sustentabilidade do nosso desenvolvimento”.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 422px; height: 1px;">Pressão Paralela</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 422px; height: 1px;">Do outro lado da praça dos Três Poderes, o Planalto costura um Pacote Florestal que busca conciliar anseios de ambientalistas e ruralistas.</div>
<p><strong>Pressão paralela</strong></p>
<p>Do outro lado da praça dos Três Poderes, o Planalto costura um Pacote Florestal que busca conciliar anseios de ambientalistas e ruralistas.</p>
<p>O Ministério da Agricultura decidiu propor ao Planalto que as médias propriedades do país fiquem isentas da obrigação de recompor suas<a href="http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/agricultura/agr_acoes_resultados/agr_solucoes_cases_reserva/" target="_blank"> reservas legais</a>.  A anistia se aplicaria a propriedades de até oito módulos fiscais, o que significa até 880 hectares (o tamanho de um módulo fiscal varia conforme a região do País).</p>
<p>A visão de Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura, é que a medida defende agricultores que cortaram árvores legalmente décadas atrás para expandir lavouras.  Mas com a proximidade do ano eleitoral, nenhuma decisão tende a ser tomada por acaso em Brasília: se ratificada, a proposta beneficiaria principalmente os pequenos e médios proprietários da região sul.  O ministro, filiado ao PMDB do Paraná, será candidato a deputado federal no ano que vem e tem no setor a sua base eleitoral &#8211;<a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2910200919.htm" target="_blank"> como indica matéria da Folha.</a></p>
<p>Para Minc, isenção nem pensar.  &#8220;Nesse ponto, não tem acordo&#8221;, disse.</p>
<p><strong>Uma possível conciliação?</strong></p>
<p>A maior rusga entre o ministério da Agricultura e o MMA é um decreto presidencial editado no final de 2008, que entra em vigor em 11 de dezembro, e que permite punir com multa proprietários que não cumprirem os limites para conservação ou não se comprometerem oficialmente a recuperá-las.</p>
<p>Em <a href="http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=332817" target="_blank">entrevista ao jornal Valor Econômico</a>, Minc diz que o pacote de Lula tende a resolver 70% dos temas que hoje causam furor entre ambientalistas e ruralistas.  Sobre o pacote, ele alega que &#8220;é uma guerra de 20 anos que só se resolve com legalização das áreas.  Não quero anistiar nem afrouxar, mas facilitar a vida e dar condições ao produtor de cumprir a lei&#8221;.</p>
<p>Ele defende um texto que permita atividades em encostas, à exceção do plantio de cana-de-açúcar e grãos, além da criação de gado.  As demais atividades ficaram proibidas, como informa o Valor.</p>
<p>O grupo que formula o pacote é coordenado pela Casa Civil e, segundo Minc, deverá ser finalizado por Lula na próxima semana.</p>
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		<item>
		<title>Térmicas não querem compensar emissão de carbono</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/liminar-derruba-normativa-do-ibama-para-termicas/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/liminar-derruba-normativa-do-ibama-para-termicas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 17:26:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Minc]]></category>
		<category><![CDATA[emissões de carbono]]></category>
		<category><![CDATA[gases do efeito estufa]]></category>
		<category><![CDATA[termelétricas]]></category>

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		<description><![CDATA[Entidades do setor elétrico conseguiram na semana passada uma liminar na Justiça Federal que derruba a instrução normativa do Ibama que condiciona a construção de novas termelétricas movidas a carvão e a óleo à compensação das emissões de carbono com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3636" class="wp-caption alignleft" style="width: 278px"><a href="http://www.biodinamica.bio.br/fotos/grandes/aratu.jpg"><img class="size-medium wp-image-3636" title="Usina Termelétrica Porto de Aratu, Candeias/BA" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/10/aratu-268x198.jpg" alt="Usina Termelétrica Porto de Aratu, Candeias/BA -- www.biodinamica.bio.br" width="268" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Usina Termelétrica Porto de Aratu, Candeias/BA -- www.biodinamica.bio.br</p></div>
<p>Entidades do setor elétrico conseguiram na semana passada uma liminar na Justiça Federal que derruba a instrução normativa do Ibama que condiciona a construção de novas termelétricas movidas a carvão e a óleo à compensação das emissões de carbono com reflorestamento e investimentos em energias renováveis.</p>
<p>O ministério do Meio Ambiente disse que irá recorrer da decisão do juiz José Márcio da Silveira e Silva, da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, tomada após pedido da Associação Brasileira do Carvão Mineral, Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas, a Associação dos Investidores em Autoprodução (Abiape) e a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia &#8212; <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/10/22/materia.2009-10-22.3373716096/view" target="_blank">como noticia a Agência Brasil.</a></p>
<p>A instrução normativa instituída pelo Ibama em abril deste ano determina que o lincenciamento ambiental desses empreendimentos seja submetido à redução dos impactos de emissões. Segundo cálculos do Ministério do Meio Ambiente, para compensar a construção de uma termelétrica de 100 megawatts de potência, por exemplo, o empreendedor terá que reflorestar três mil hectares, em média 600 mil árvores.</p>
<p><strong>Impasses burocráticos</strong></p>
<p>O juiz que assinou a decisão alega que o Ibama não tem competência para regulamentar a compensação de emissões de carbono.  Já o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a decisão não se sustenta.  O ministro espera defender a manutenção da regra em uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente de 1986 que, segundo ele, define que o Ibama tem o dever de exigir que os empreendimentos mitiguem seus impactos ambientais.</p>
<p>“Térmicas: preparem-se.  Com ou sem instrução normativa vão ter que plantar milhões de árvores.  Não será uma derrota do clima e uma vitória do carvão”, disse Minc.</p>
<p>O secretário-executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, José Domingos Miguez, também <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/08/25/materia.2009-08-25.7595826052/view" target="_blank">acredita que o Ibama não pode legislar sobre emissões de gases de efeito estufa</a>. Em agosto, representantes de <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/08/25/materia.2009-08-25.7595826052/view" target="_blank">nove ministérios apresentaram uma carta à Casa Civil</a> pedindo a revogação da instrução.</p>
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		<title>Indústria da reciclagem não pagará IPI, diz Minc</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 19:43:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar na próxima semana que a indústria da reciclagem terá isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em toda a sua cadeia.  A informação é do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-3438" href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/industria-da-reciclagem-nao-pagara-ipi-diz-minc/reciclagem/"><img class="alignright size-full wp-image-3438" title="reciclagem" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/10/reciclagem.jpg" alt="reciclagem" width="310" height="234" /></a>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar na próxima semana que a indústria da reciclagem terá isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em toda a sua cadeia.  A informação é do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e foi noticiada no jornal Folha de S.Paulo (assinantes do jornal ou do UOL podem ler o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1610200909.htm" target="_blank">texto na íntegra aqui</a>).</p>
<p>De acordo com o Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem), o setor movimenta R$ 10 bilhões por ano, e a política tributária nacional representa um entrave para o setor, que tem uma capacidade ociosa de até 40%.</p>
<p>Minc não soube estimar a renúncia fiscal a ser feita pelo governo com a medida.</p>
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		<title>O poder dos afroverdes</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 10:39:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Embora negros e pobres sejam os mais afetados pela degradação, o movimento ambiental é excessivamente loiro e mais para o abonado.  Mas uma reação se forma, emergindo do movimento inclusivo dos green jobs
Somos todos iguais perante a poluição – mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Embora negros e pobres sejam os mais afetados pela degradação, o movimento ambiental é excessivamente loiro e mais para o abonado.  Mas uma reação se forma, emergindo do movimento inclusivo dos green jobs</em></p>
<p><a rel="attachment wp-att-2899" href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/o-poder-dos-afroverdes/coluna_regina/"><img class="alignright size-medium wp-image-2899" title="coluna_regina" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/10/coluna_regina-287x198.jpg" alt="coluna_regina" width="287" height="198" /></a>Somos todos iguais perante a poluição – mas alguns são mais iguais que outros.  A degradação ambiental é injusta e afeta predominantemente as minorias e os mais pobres.  O exemplo clássico é o da progressiva escassez e contaminação da água em áreas áridas – as meninas têm que ir cada vez mais longe para encher suas jarras, perdendo a chance de frequentar a escola.  Ou, para usar um exemplo que está na moda: o dos países em desenvolvimento, que pagarão o grosso da conta das mudanças climáticas, embora não sejam os principais responsáveis históricos pelo fenômeno.</p>
<p>O que falta, nesses casos, é justiça ambiental – embora o ministro Carlos Minc prefira a expressão &#8220;racismo ambiental&#8221;, que usou recentemente na crítica à importação de lixo inglês.</p>
<p>A injustiça ambiental fica bem evidente em um estudo pioneiro da Amigos da Terra britânica, divulgado em 1999 [1].  A organização descobriu que 662 fábricas inscritas na lista oficial de maiores poluidoras da Inglaterra e do País de Gales ficavam em áreas habitadas por populações com renda  anual inferior a 15 mil libras.  Em contraste, apenas cinco unidades estavam em bairros onde a população tinha renda média superior a 30 mil libras.</p>
<p>Pode-se, naturalmente, discutir se as fábricas foram empurradas para bairros mais pobres, ou se os bairros mais pobres proliferaram em terrenos desvalorizados pela presença das fábricas.  Nenhuma das duas hipóteses muda o fato de que os menos favorecidos ficaram com o pepino.</p>
<p>Outro exemplo: nos anos 90, o sociólogo americano Robert Bullard, um dos principais acadêmicos a discutir a justiça ambiental, verificou que os bairros negros hospedavam seis dos oito incineradores de lixo e todos os cinco aterros sanitários municipais de Houston, maior cidade do Texas.  Isto, embora a comunidade negra representasse apenas 28% da população.  Aliás, a mulher de Bullard, a advogada Linda McKeever Bullard, defendeu um grupo de moradores negros na luta contra a instalação de um aterro perto de suas casas.  A ação, do fim dos anos 70, é considerada a primeira a usar o argumento da discriminação ambiental nos Estados Unidos.</p>
<p>Se pobres, negros e outras minorias estão mais expostos, assume-se que eles também deveriam ser os mais engajados.  Obviamente, não é o que se vê.  Tirando as exceções honrosas – como os seringueiros do Acre ou os plantadores de árvores quenianos liderados pela Nobel Wangari Maathai –, o movimento ambientalista é excessivamente loiro e mais para o abonado.  E isso não só no Brasil.</p>
<p>As possíveis razões são muitas.  As minorias muitas vezes preferem se envolver em brigas consideradas mais urgentes, como os movimentos sociais e a luta por igualdade.  Já os mais pobres, seja da cor que forem, têm de correr atrás do pão de cada dia.  Além disso, os dois grupos devem se sentir como forasteiros nesse debate, no qual não se vêm representados.</p>
<p>Nos Estados Unidos, cresce o esforço para integrar minorias à mobilização pela sustentabilidade.  Lisa Jackson, primeira diretora negra da agência ambiental Americana, a EPA, tem falado na necessidade de engajá-las, porque o &#8220;ambientalismo” não vem num tamanho único.  Precisamos da ajuda de todos, não só dos que se autointitulam ambientalistas&#8221;.</p>
<p>Na verdade, já existe até mesmo a African-American Environmentalist Association, que há mais de 20 anos busca envolver a comunidade negra dos EUA no debate ambiental.  Mas a sua atuação é razoavelmente discreta.</p>
<p>O verdadeiro expoente dessa mobilização é o grupo Green for All, organização de Oakland, na Califórnia, que busca gerar &#8220;empregos verdes&#8221;, como a instalação de painéis solares ou a construção de sistemas de transportes coletivos, de modo a minimizar dois problemas: o aquecimento global e a pobreza urbana.  O cérebro por trás da Green for All é Van Jones, advogado negro formado em Yale e, até o começo de setembro, conselheiro do presidente Barack Obama – posição à qual teve de renunciar devido à pressão republicana e a algumas declarações polêmicas.  Segundo Jones, os empregos verdes são a grande oportunidade de reintegrar ao mercado de trabalho populações marginalizadas, sem treinamento ou recémsaídas das prisões.</p>
<p>&#8220;Trata-se de um modelo de resgate de comunidades descartadas&#8221;, comenta Jones, num perfil seu publicado pela revista The New Yorker.  &#8220;Existe uma ideia de que há pessoas descartáveis, num planeta descartável.  Tínhamos que discutir isso por aí.&#8221;</p>
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		<title>O ministro e o reggae</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 20:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O palco era da banda Tribo de Jah, na pequena Vila de São Jorge, Chapada dos Veadeiros, Goiás. Mas o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, roubou a cena numa aparição inusitada.
Sem parar de dançar no compasso da música, empunhou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O palco era da banda Tribo de Jah, na pequena Vila de São Jorge, Chapada dos Veadeiros, Goiás. Mas o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, roubou a cena numa aparição inusitada.</p>
<p>Sem parar de dançar no compasso da música, empunhou o microfone e empolgou a galera com frases de ordem como: “O Reggae é a liberdade!”, “Bob Marley e Chico Mendes!”, “Viva a consciência ecológica!”. Falou de tudo um pouco, de Amazônia à descriminalização da maconha. E, na empolgação, lembrou a todos que dia 10 seria “aniversário” do Cerrado, embora não se saiba em que dia nasceu o bioma e quantos anos estaria completando (11 de setembro é Dia Nacional do Cerrado).</p>
<p>Os fãs de reggae tiveram um show à parte. Confira no vídeo.</p>
<p><em><a href="http://www.oeco.com.br/">Via O Eco</a></em></p>
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		<title>Veja bem&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Carolina Derivi 
No último dia 16, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, teria anunciado a criação de um selo ambiental para automóveis, conforme noticiado pela imprensa.  A informação, entretanto, é imprecisa, segundo o responsável por programas de etiquetagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No último dia 16, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, teria anunciado a criação de um selo ambiental para automóveis, conforme noticiado pela imprensa.  A informação, entretanto, é imprecisa, segundo o responsável por programas de etiquetagem do Inmetro, Alexandre Novgorodcev.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Confundiram etiquetagem com selo verde.  Não vamos dizer que determinado carro é &#8216;verde&#8217;.  Isso serviria para carros movidos a hidrogênio ou eletricidade e não é o caso&#8221;, diz Novgorodcev.  O projeto, gestado no Inmetro, vem sendo chamado de Programa de Etiquetagem de Eficiência Veicular (PEEV).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As etiquetas que serão distribuídas a partir de janeiro de 2009 não servirão para certificar o desempenho ambiental dos carros, mas apenas para quantificar o consumo de combustível em cinco categorias que vão de A (mais eficiente) A E (menos eficiente).  Informações sobre emissões de carbono ou outros poluentes não estão incluídas no programa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A adesão das montadoras é voluntária.  Caso haja interesse em participar, é obrigatório submeter no mínimo metade dos modelos disponíveis à avaliação do Inmetro.  O lançamento oficial do programa ocorrerá no Salão do Automóvel, em São Paulo, no mês de outubro.</div>
<div>Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div></div>
<div>No último dia 16, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, teria anunciado a criação de um selo ambiental para automóveis, conforme noticiado pela imprensa.  A informação, entretanto, é imprecisa, segundo o responsável por programas de etiquetagem do Inmetro, Alexandre Novgorodcev.</div>
<div></div>
<div>&#8220;Confundiram etiquetagem com selo verde.  Não vamos dizer que determinado carro é &#8216;verde&#8217;.  Isso serviria para carros movidos a hidrogênio ou eletricidade e não é o caso&#8221;, diz Novgorodcev.  O projeto, gestado no Inmetro, vem sendo chamado de Programa de Etiquetagem de Eficiência Veicular (PEEV).</div>
<div></div>
<div>As etiquetas que serão distribuídas a partir de janeiro de 2009 não servirão para certificar o desempenho ambiental dos carros, mas apenas para quantificar o consumo de combustível em cinco categorias que vão de A (mais eficiente) A E (menos eficiente).  Informações sobre emissões de carbono ou outros poluentes não estão incluídas no programa.</div>
<div></div>
<div>A adesão das montadoras é voluntária.  Caso haja interesse em participar, é obrigatório submeter no mínimo metade dos modelos disponíveis à avaliação do Inmetro.  O lançamento oficial do programa ocorrerá no Salão do Automóvel, em São Paulo, no mês de outubro.</div>
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		<title>Sem meias palavras</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2008/07/sem-meias-palavras/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 16:27:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Amália Safatle e Carolina Derivi 
Na assessoria de comunicação do Ministério do Meio Ambiente, a fila não pára.  Em meio ao assédio da imprensa, Carlos Minc Baumfeld, 57 anos, mostra-se um ativo comunicador e formulador de frases de efeito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Amália Safatle e Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na assessoria de comunicação do Ministério do Meio Ambiente, a fila não pára.  Em meio ao assédio da imprensa, Carlos Minc Baumfeld, 57 anos, mostra-se um ativo comunicador e formulador de frases de efeito, o que até lhe rendeu o apelido de Carlos Mídia.  E deverá usar da força da comunicação para tirar a pasta do isolamento.  O &#8220;ecoansioso&#8221; ministro, como se intitula, aposta na experiência de negociador acumulada no Parlamento para trocar &#8220;nãos&#8221; por &#8220;sins&#8221; e avançar na agenda socioambiental, em um governo predominantemente desenvolvimentista.  Mas sem barganha, no sentido pejorativo da palavra &#8211; garante.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Líder estudantil exilado, economista de formação, fundador do Partido Verde e deputado estadual por 20 anos, Minc tem a princípio apenas dois anos para pôr em prática tudo o que anuncia.  E ainda se equilibrar entre o movimento ambientalista, com o compromisso de não abandonar a agenda de Marina Silva, e os interesses dos setores econômicos e de demais ministros.  Como nunca, colocará à prova sua capacidade de interlocução.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quanto é possível avançar em uma agenda socioambiental dentro de um governo reconhecidamente desenvolvimentista?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O governo não é só desenvolvimentista.  Foi o governo que mais homologou terras indígenas e fez reservas na Amazônia.  Qualquer país que se desenvolve tem tensões entre desenvolvimento e preservação.  Elas se refletem na sociedade, no Parlamento e nos governos.  A ministra Marina Silva, minha amiga e companheira há mais de 25 anos &#8211; quando a conheci, era uma menina, no Acre, com Chico Mendes, que também esteve na minha casa, sou dessa turma -, conseguiu fazer muita coisa boa em cinco anos.  E também teve derrotas.  No fim, o ministério estava realmente isolado.  Inclusive a Marina se sacrificou, de alguma forma, para o meio ambiente ter mais força.  Eu não pedi para ser ministro.  Não queria ser ministro.  Coloquei dez condições para aceitar e algumas pessoas disseram que era arrogância.  Como uma pessoa convidada, em vez de dizer &#8220;quanta honra&#8221;, estabelece condições?  Arrogância era achar que faria a agenda avançar sem ter condições.  Era o mínimo necessário.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quais foram as condições?  O que é o mínimo necessário?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Meio Ambiente voltar a ter recursos, os quais tem garantidos por lei e foram contingenciados.  Recursos como 10% dos lucros das atividades de petróleo, o que seriam R$ 180 milhões por ano.  Recursos também previstos em lei sobre o uso da água pelo setor elétrico.  Isso gera superávit fiscal e minha tese é de que tem de virar superávit ambiental.  Outro ponto é que o meio ambiente acabou alijado de políticas como a de saneamento.  Como não vai influir na política responsável pela poluição nos rios, mares, lagoas?  Isso também foi garantido.  Vai haver um plano nacional para passar o nível de coleta e tratamento de esgoto dos atuais 35% para 70% em dez anos, com investimentos de bilhões por ano.  O Meio Ambiente saiu da política industrial, da política tecnológica.  E isso é inacreditável, porque a questão da tecnologia limpa não é indiferente ao que vai acontecer com os ecossistemas, com o pulmão das pessoas, com a ecologia humana.  Então, o MMA vai participar dessa agenda formalmente.  Já existe uma pauta com o presidente do BNDES para uma política de estímulo especial para a tecnologia limpa.  Um dos pontos também reivindicados é voltar para a coordenação do PAS (Plano Amazônia Sustentável).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Outra coisa importante é a resolução do Banco Central que corta o crédito para quem está irregular do ponto de vista fundiário e ambiental.  É uma forma de tentar segurar o desmatamento, agora que os índices voltaram a subir.  E aí pedi garantias de que a resolução seria mantida.  Houve pressão grande de um governador (Blairo Maggi), que mobilizou outros, mas nós contatamos, um por um, os governadores da Amazônia.  Obtivemos ganhos para eles.  Por exemplo, preços mínimos para produtos extrativistas e o aumento de R$ 60 milhões para R$ 130 milhões dos recursos para estruturar e modernizar a atividade extrativista, mais outros para regularização fundiária, e terminar até o ano que vem o Zoneamento Econômico-Ecológico.  Resultado: nenhum dos oito governadores, além daquele que propôs a derrubada dessa medida, assinou a proposta.  A medida está mantida, aliás, entra em vigor daqui a duas semanas (equivalente a início de julho).  Outra condição foi uma posição clara do presidente em relação ao projeto da Frente Ruralista, que diminui a reserva legal da Amazônia de 80% para 50%.  O presidente Lula garantiu que essa posição não seria só do ministério, mas do governo, e eu comuniquei isso aos líderes na Câmara e no Senado.  Com base nessas garantias, começamos o trabalho.  Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o presidente assinou três reservas há um ano e meio encalacradas, e que representam duas vezes e meia a área desmatada no ano passado.  Não estou inebriado por isso, as questões são duríssimas.  Há passivos ambientais em todas as áreas.  Esses recursos estão garantidos, mas tem que correr atrás.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E a questão da transversalidade, da qual Marina Silva falava tanto, e que é importante para se conseguir fazer tudo isso?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Pois é, a Marina e todos nós defendemos a transversalidade.  Mas esse discurso não estava acontecendo.  O Meio Ambiente ficou fora da política de saneamento.  Voltou agora.  Ficou fora da política científica e industrial.  Voltou agora.  Ficou fora do grupo executivo do PAS.  Voltou agora.  E, mesmo na agenda do licenciamento ambiental, não tinha uma interlocução boa com outros ministérios, digamos, mais da área econômica, como Minas e Energia, com a ANP (Agência Nacional do Petróleo) ou com a Agricultura.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É tirar o Meio Ambiente de um certo isolamento, também pela questão do licenciamento ambiental.  No Rio, destravamos o licenciamento aumentando o rigor.  Não há contradição nisso.  Você pode demorar três anos para dar uma licença frouxa, e pode dar em seis meses o maior licenciamento ambiental da América Latina, que foi o do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) em Itaboraí, da Petrobras.  Um licenciamento de R$ 18 bilhões e a licença mais rigorosa já dada no País.  Como conseguimos isso?  Diminuindo etapas inúteis, encurtando prazos, trabalhando de forma seqüencial, informatizando, fazendo grupos de acompanhamento quinzenal das grandes licenças com checklist.  Por exemplo: na Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), para chegar na mão do primeiro analista ambiental, o processo passava por 15 funcionários.  Nós tiramos 14.  Não interessa ficar meses descobrindo se tem alvará, fotocópia, conta de luz.  Tem de ir no point.  Com isso, passamos a licença de três anos para oito, seis meses.  Aumentamos o rigor e acho que essa foi a principal razão pela qualo presidente Lula nos chamou para o ministério.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas isso valeria para a Amazônia, onde há um cenário muito mais complexo?  Muitas vezes não é bom que o processo demore, para que haja tempo de a sociedade refletir, discutir sobre as mudanças causadas pelos empreendimentos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não vejo dessa forma, pelo seguinte: para as licenças que demos com alguma rapidez, houve seis meses de discussão com a universidade e com os ambientalistas, para fazer a instrução técnica, que são as perguntas que o estudo ambiental deve responder.  A Petrobras ficou nervosa quando criamos uma audiência para fazer a instrução técnica.  Normalmente, lá na frente descobre-se que as boas perguntas não foram feitas.  Então, você perde três semanas e faz todas as perguntas boas.  Depois, fizemos cinco audiências públicas com participação média de 2 mil, 3 mil pessoas, dos municípios no entorno.  Demos 2 mil licenças em um ano e quatro meses, de alta qualidade, votadas pela sociedade civil.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O principal motivo da saída da Marina foi a demora em licenciamentos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Foram vários os motivos.  Ela caiu mais pelos acertos do que pelos erros.  Participei de uma reunião do conselho de ministros de Biossegurança e fui derrotado por 7 votos a 3 quanto ao recurso da Anvisa sobre o milho transgênico.  No entanto, foram aprovadas na mesma reunião duas coisas importantes: uma recomendação unânime ao CTNbio de que não se baseie, no futuro, exclusivamente em estudos apresentados pelo proponente do organismo geneticamente modificado, mas que faça estudos independentes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E que esses estudos não sejam baseados no que acontece em outros países, mas nos nossos biomas. Quer dizer, a gente teve uma derrota e também uma vitória. Temos uma posição muito propositiva junto ao setor empresarial.  Assinamos a moratória com o setor da soja. Durante um ano não vão comprar soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia.  Já havia a moratória, mas o governo não participava.  Eles estavam desistindo de renovar a moratória.  Alegavam que não podiam ser &#8220;mais realistas que o rei&#8221;.  Como há o direito legal de desmatar 20%, a moratória vai além da lei brasileira.  A gente colocou a questão do Zoneamento Econômico-Ecológico, o governo entrando para garantir o cadastramento das propriedades e a regularização fundiária, e eles toparam mais um ano, desta vez com intervenção do governo.  Vamos fazer o mesmo em dois outros setores: frigoríficos e madeira.  Vão ter de informar todos os fornecedores.  E vão ser co-responsáveis pelos crimes ambientais cometidos pelos fornecedores, como a pessoa que compra um carro roubado.  Vira receptador, dá prisão.  Esses dois setores são poderosíssimos na Amazônia e no Brasil, e precisam do carimbo para exportar.  Não vão ter o carimbo, porque suas cadeias estão fora da lei.  É muito melhor do que colocar um fiscal atrás de cada um.  E vamos conseguir recursos adicionais no BNDES para modernização e legalização das cadeias produtivas.  A legalidade será incentivada, respeitada, acreditada.  A ilegalidade será fechada, embargada, punida com cana dura, como diz a Lei de Crimes Ambientais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O quanto ministérios &#8220;fortes&#8221;, como o da Agricultura, o de Minas e Energia, têm noção da importância de o Brasil ser uma potência ambiental e valorizam essa vantagem comparativa?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não tenho a pretensão de mudar a cabeça dos outros ministros.  É um governo plural, tem várias forças políticas representadas e vai continuar assim.  Tenho de afirmar a nossa área, tirá-la do isolamento, ir para o propositivo.  Licenças precisam ser técnicas, não políticas.  O que for &#8220;não&#8221; é &#8220;não&#8221;.  Mas é &#8220;não&#8221; rapidamente.  E tem mais: não me envergonharei de dar licenças ambientais bem dadas.  Porque o papel da área ambiental não é ser breque da roda em relação ao licenciamento ambiental.  O que for bem dado, eu direi: dei uma ótima licença ambiental.  Vai ter desenvolvimento, com criação de emprego e pouco impacto na população, no rio e na floresta.  Já falei para os outros ministros: cada licença, um parque.  Cada licença, mais recursos para saneamento e para lixo.  Dois pra lá, dois pra cá.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Existe insegurança jurídica no que diz respeito à distribuição da competência para o licenciamento ambiental nas três esferas de governo&#8230;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Artigo 23&#8230; (da Constituição Fderal, segundo o qual a preservação ambiental é de responsabilidade da União, estados e municípios, mas não distribui as tarefas).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Uma interpretação leva em conta a extensão do impacto, outra, o domínio territorial.  E isso está ligado à alta judicialização dos licenciamentos no Brasil.  O senhor pretende resolver isso também?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vamos resolver isso em menos de dois meses.  O Conama estava um pouco fora, porque passa dias votando moções.  Não é concebível que o órgão máximo que formula a política ambiental do País e se reúne uma vez a cada três meses fique dias discutindo moções, cujo efeito prático é zero.  É a desqualificação do órgão.  Nós vamos chamar os representantes dos estados, os representantes das prefeituras, os da sociedade civil.  O Conama vai voltar a legislar sobre política ambiental.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Qual critério deveria prevalecer?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Deve ser pelo impacto, pelo tamanho do empreendimento.  Não tem sentido ser por região.  Exemplo: praia é da União.  Então, na praia o Ibama licencia?  Isso é loucura, o Ibama tem que licenciar siderúrgica, hidrelétrica.  Não vai licenciar um quiosque porque está na praia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O senhor acha que falta à iniciativa privada uma cultura de planejamento que integre as questões ambientais ao longo de todo o processo e não só no final?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sim.  Muitas vezes, o problema está no órgão ambiental.  Mas muitas vezes a empresa não investe nisso e faz um estudo ambiental vagabundo.  Por que a gente conseguiu no Comperj fazer uma licença de boa qualidade em tão pouco tempo?  Quando o EIA/Rima chegou, não era um ET.  A gente já tinha analisado e corrigido por seis meses, por isso pôde dar a licença em outros seis.  Agora, uma empresa que não invista na questão ambiental, que não contrate pessoas que valorizem a área, e façam uma EIA/Rima precário, não tem como licenciar.  É vagabundo?  Minha orientação é não dar a entrada, volta pra trás.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em princípio, o senhor tem mais dois anos de Ministério.Vai dar tempo para fazer tudo o que propõe?  Não precisa selecionar as prioridades?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Toda hora você tem que selecionar prioridades.  Toda hora cai a agenda.  Tudo o que eu disse são procedimentos que vamos tomar rapidamente.  Para destravar o Ibama, já anunciamos data.  É 5 de julho.  Vamos apresentar uma série de medidas administrativas que reduzirão para metade o tempo de tramitação das licenças.  Abrir a câmara de compensação para universidades, ONGs e a iniciativa privada, é um mês.  Oficiar as empresas da Amazônia que têm que informar toda a cadeia produtiva, isso foi ontem (18 de junho).  Mandar para o Congresso a Lei de Mudanças Climáticas, também já foi.  Mudar a posição defensiva do Itamaraty em relação a biodiesel e etanol, foi no dia seguinte em que eu tomei posse.  A moratória da soja foi assinada, e mês que vem espero assinar a dos frigoríficos e da madeira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em dois anos dá para fazer bastante coisa?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Imagino que sim.  Não tudo o que o Brasil precisa na área ambiental, mas continuar a agenda da Marina.  Tenho um compromisso político de não abandonar um só dos programas.  Não perdi um milímetro da relação com movimento social, movimento ambientalista, área parlamentar&#8230; Mas aumentei muito a interlocução com governadores, com outros ministérios e o setor econômico.  O centro de tudo é a questão do licenciamento, a questão do zoneamento, e é, acima de tudo, diminuir atritos sem eliminar as contradições entre a proteção da vida, dos rios, dos ecossistemas, e a necessidade de desenvolvimento para o País para combater a miséria, a exclusão, a fome.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Isso é muito amplo.  Como estabelecer prioridades, identificar o que é urgente?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Governar é estabelecer prioridades.  Em relação ao licenciamento, tenho uma agenda com a Petrobras para ver, de 500 licenciamentos, quais são prioridade.  Farei o mesmo com a Vale, com o (Edison) Lobão.  Aquilo que não tiver como licenciar, a gente lima logo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O senhor é favorável ao licenciamento de Belo Monte?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As questões de Belo Monte basicamente estão equacionadas do ponto de vista ambiental, assim como Santo Antônio.  O que falta para Belo Monte são as questões indígenas de garantias, compensação e negociação.  Não há problemas insolúveis em Belo Monte.  Ao contrário.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Então, a prioridade agora é a o licenciamento para esses projetos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não.  Isso é a agenda do licenciamento.  Tem outras agendas.  Antes de 5 de junho, eu disse ao presidente Lula: &#8220;Presidente, eu estou chegando agora, a Marina é um ícone nacional e internacional, não é nada fácil nem cômodo, ainda por cima, para um amigo e companheiro dela de 25 anos, entrar na hora em que ela joga a toalha, porque não estava conseguindo fazer o que queria.  Quero saber o que vou dizer no dia 5 de junho, quando eu faço uma semana de governo.&#8221;  Levei para a mesa seis unidades de conversação e consegui três.  Levei cinco decretos e consegui dois, e os outros vão ser assinados no dia 10 de julho, por exemplo, um decreto que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais, que vai ser uma revolução.  Hoje em dia 5% ou 10% das multas são pagas.  As pessoas conseguem embromar por quatro anos.  Vai acabar essa moleza.  Vai passar para três ou quatro meses.  Fizemos leilões de grãos e madeira pela primeira vez.  Brincaram quando eu falei do &#8220;boi pirata&#8221;, mas 3.500 bois piratas apreendidos serão leiloados.  Vão virar churrasquinho para o Fome Zero.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Recentemente foi publicado um relatório de auditoria do TCU sobre órgãos federais que atuam na Amazônia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Está tudo insuficiente, não tem gente, não tem recursos, não tem integração uns com os outros.  Tudo verdade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para o Ibama, a auditoria constatou a baixa eficiência da fiscalização e a baixa arrecadação de multas.  Para o Instituto Chico Mendes, a baixa implementação de planos de manejo, a sobreposição de unidades de conservação com terras indígenas e assentamentos, além da falta de regularização fundiária.  O senhor tem propostas para esses pontos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para todos eles.  Todas encaminhadas.  No Rio de Janeiro, o Sérgio Cabral criou um decreto chamado guarda-parque.  São bombeiros que vão ficar dentro das unidades de conservação.  Estamos em processo de negociação com Tarso Genro, da Justiça, que vai concluir-se em mais 15 dias.  Mais do que isso é uma eternidade, e eu sou &#8220;ecoansioso&#8221;.  Vai ter um decreto nacional de guarda-parques.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vamos colocar recursos para os bombeiros estaduais e para os batalhões florestais estaduais &#8211; dinheiro dos ministérios do Meio Ambiente e da Justiça, para comprar helicóptero, carros etc. Em contrapartida, cada estado vai dar 20, 30 bombeiros para unidades do Chico Mendes.  Vamos dar cursos especiais para os membros do batalhão florestal, eles vão ter também um complemento de R$ 300, R$ 400.  A contrapartida é colocarem de 80 a 120 homens em cada estado, em ações preventivas junto com o Ibama.  Reprogramamos a Operação Arco de Fogo, vamos antecipar algumas etapas, porque o desmatamento está crescendo e os próximos meses historicamente são horríveis.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Exército vai entrar nisso?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Essa apreensão do gado já contou com aviões e caminhões do Exército.  A gente quer que o Exército entre mais.  Mas tem coisas que dependem de três assuntos.  Um é uma mexida constitucional, incluindo um tema caro às Forças Armadas, que é o conceito de soberania ambiental.  Outro é dar mais recursos.  E o terceiro é circunscrever que isso será feito por alguns batalhões e regimentos e não pela totalidade do Exército.  Converso direto com o ministro (Nelson) Jobim sobre isso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Qual foi o motivo da visita do governador Blairo Maggi hoje ao senhor?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Tenho recebido, a pedidos, os governadores da Amazônia.  Recebi ontem o governador de Roraima (José de Anchieta Junior) e anteontem o de Rondônia (Ivo Cassol).  E tenho falado diariamente com todos por telefone.  Jantei na casa do ministro Mangabeira Unger.  O fato de haver posições diferentes, em relação a vários pontos, não significa que você não vai dialogar.  Eu me habituei ao diálogo.  Aprovei 130 leis.  Sou o deputado que mais aprovou leis na história do Parlamento do Rio de Janeiro.  Nenhuma era nome de rua, semana da mulata, semana da velha-guarda.  Eram leis sobre saneamento, educação ambiental, política de resíduos sólidos, leicontra a discriminação dos gays, ICMS cultural.  Mas nenhuma foi aprovada da forma que propus.  Todas foram negociadas, a maioria teve audiência pública.  Aprendi que tem que negociar com pessoas que pensam diferente de você.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E qual tem sido a negociação?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Um exemplo prático.  Eu queria essas reservas no dia 5.  O ministro Lobão disse que em uma delas poderia ter aproveitamento hidrelétrico de 200 MW, na outra, de 150 MW.  Falei que estava pensando em antecipar a licença de Santo Antônio, que são 4.000 MW, mas que precisava dessas reservas para esta semana.  Então a gente tem duas contas a fazer.  Ou um &#8220;não, não&#8221;, ou um &#8220;sim, sim&#8221;.  É pegar ou largar.  Ele pegou.  Vai ter Santo Antônio antes do prazo e eu tive as duas unidades que estavam bloqueadas há um ano e meio no dia que eu queria.  Transformei dois &#8220;não&#8221; em dois &#8220;sim&#8221;.  Isso eu faço todo dia e várias vezes por dia.  É minha especialidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas aí vira um toma-lá-dá-cá?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não!  O projeto de Santo Antônio pôde ser licenciado porque já foi resolvido tecnicamente lá atrás.  A tecnologia de geradores bulbo reduz em mais de 80% a área alagada.  Isso foi resolvido ao longo de dois anos, com toda a discussão dos bagres, todo mundo acompanhou o desgaste.  Foi um trabalho maravilhoso da Marina, que ela acabou não capitalizando para se fortalecer.  Graças à equipe dela, pôde-se fazer um licenciamento seguro, importante para o País não ter um apagão e com um impacto perfeitamente suportável, minimizado em mais de 80%.  Barganha seria vender a alma ao diabo, ou seja, dar uma licença que não deveria ser dada naquelas condições.  Isso nunca farei.  Ganhei um prêmio global da ONU do Meio Ambiente, tenho uma história, participei de seis eleições, nunca perdi, nunca um inimigo meu levantou um pingo moral ou ético em 20 anos de Parlamento, agora vou vender a alma ao diabo por causa de uma hidrelétrica?  Me inclua fora dessa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Brasil será um dos principais beneficiários de um provável mecanismo para compensar o desmatamento evitado.  Qual é a sua posição em relação aos mecanismos de mercado e à criação de fundo com doações de países desenvolvidos?  Sou a favor do fundo e sou a favor dos mecanismos de mercado.  Um dos pontos que levei ao presidente no dia 5 foi o Fundo Amazônia, para o qual já conseguimos uma doação da Noruega de US$ 100 milhões por ano, durante cinco anos.  Combinamos com a embaixadora da Noruega o dia em que virá aqui o primeiro-ministro, em setembro, fazer o primeiro cheque.  O Lula resistiu, por causa da soberania.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Acha que todo mundo vai meter o dedo, que vai dar R$ 10 milhões e dizer o que faz e o que não faz da Amazônia.  Expliquei para o presidente Lula que esse fundo era muito mais soberano que o PPG7 (Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais no Brasil), porque o órgão executor era multilateral.  Neste Fundo Amazônia, que vamos criar em um mês, o país doador não tem assento no conselho e o órgão executor é o BNDES.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O presidente Lula entendeu?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Entendeu, e assinou também um grupo de trabalho que se reúne toda semana, do qual o BNDES faz parte.  Se tudo correr bem, em 8 ou 9 de julho sai o fundo.  A Alemanha vai entrar, a Suíça vai entrar, empresas privadas brasileiras vão entrar.  Não pode ter dinheiro público, só de outros países ou dinheiro privado do Brasil e do exterior.  A única garantia que eles têm, e vão ter isso demonstrado, é que isso serve para reconstituir as áreas degradadas ou manter a floresta em pé, o que levou ao apelido de &#8220;Fundo Viagra&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O que o senhor acha do argumento de que o Brasil não precisa se submeter às restrições de emissões porque os países desenvolvidos poluíram mais?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Minha posição é de que o Brasil devia ter metas de redução.  Mas, entre a minha posição e a oficial, do Itamaraty, tem uma intermediária que estamos levando adiante.  Não vou achar que sou um rapaz mimado, que vou impor a todos os setores do governo a minha posição em todos os casos.  Não é assim no movimento ambientalista, não é no Parlamento, e muito menos em um governo que contém tantas forças heterogêneas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Com a Copa de 2014 é prevista uma profusão de grandes obras com data para entrega.  Isso pode aumentar a pressão sobre os órgãos licenciadores?  Com certeza.  Como lidar com isso?  Contratando mais gente.  O PAC já é um desafio brutal, a Copa é outro.  Queremos Copa?  Então façam bons projetos, equipem os órgãos ambientais, mais concurso, bons salários.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Copa é oportunidade para o Brasil afirmar-se como destaque ambiental?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Deverá ser realmente um bom momento.  A consciência ambiental às vezes dá saltos e estamos em um desses momentos.  Há 25 anos éramos chamados de profetas do Apocalipse, os exóticos, os alucinados, os doidos.  Não existia Ministério do Meio Ambiente, secretarias, as empresas não tinham diretoria de meio ambiente.  Agora todos os países começam a discutir muito seriamente.  Nossa guerra é contra o modelo predatório que empobrece o povo e degrada o ecossistema.  E podemos até 2014 estar em uma posição menos defensiva e mais protagonista.</div>
<div>Por Amália Safatle e Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>Na assessoria de comunicação do Ministério do Meio Ambiente, a fila não pára.  Em meio ao assédio da imprensa, Carlos Minc Baumfeld, 57 anos, mostra-se um ativo comunicador e formulador de frases de efeito, o que até lhe rendeu o apelido de Carlos Mídia.  E deverá usar da força da comunicação para tirar a pasta do isolamento.  O &#8220;ecoansioso&#8221; ministro, como se intitula, aposta na experiência de negociador acumulada no Parlamento para trocar &#8220;nãos&#8221; por &#8220;sins&#8221; e avançar na agenda socioambiental, em um governo predominantemente desenvolvimentista.  Mas sem barganha, no sentido pejorativo da palavra &#8211; garante.</div>
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<div>Líder estudantil exilado, economista de formação, fundador do Partido Verde e deputado estadual por 20 anos, Minc tem a princípio apenas dois anos para pôr em prática tudo o que anuncia.  E ainda se equilibrar entre o movimento ambientalista, com o compromisso de não abandonar a agenda de Marina Silva, e os interesses dos setores econômicos e de demais ministros.  Como nunca, colocará à prova sua capacidade de interlocução.</div>
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<div>Quanto é possível avançar em uma agenda socioambiental dentro de um governo reconhecidamente desenvolvimentista?</div>
<div>O governo não é só desenvolvimentista.  Foi o governo que mais homologou terras indígenas e fez reservas na Amazônia.  Qualquer país que se desenvolve tem tensões entre desenvolvimento e preservação.  Elas se refletem na sociedade, no Parlamento e nos governos.  A ministra Marina Silva, minha amiga e companheira há mais de 25 anos &#8211; quando a conheci, era uma menina, no Acre, com Chico Mendes, que também esteve na minha casa, sou dessa turma -, conseguiu fazer muita coisa boa em cinco anos.  E também teve derrotas.  No fim, o ministério estava realmente isolado.  Inclusive a Marina se sacrificou, de alguma forma, para o meio ambiente ter mais força.  Eu não pedi para ser ministro.  Não queria ser ministro.  Coloquei dez condições para aceitar e algumas pessoas disseram que era arrogância.  Como uma pessoa convidada, em vez de dizer &#8220;quanta honra&#8221;, estabelece condições?  Arrogância era achar que faria a agenda avançar sem ter condições.  Era o mínimo necessário.</div>
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<div>Quais foram as condições?  O que é o mínimo necessário?</div>
<div>O Meio Ambiente voltar a ter recursos, os quais tem garantidos por lei e foram contingenciados.  Recursos como 10% dos lucros das atividades de petróleo, o que seriam R$ 180 milhões por ano.  Recursos também previstos em lei sobre o uso da água pelo setor elétrico.  Isso gera superávit fiscal e minha tese é de que tem de virar superávit ambiental.  Outro ponto é que o meio ambiente acabou alijado de políticas como a de saneamento.  Como não vai influir na política responsável pela poluição nos rios, mares, lagoas?  Isso também foi garantido.  Vai haver um plano nacional para passar o nível de coleta e tratamento de esgoto dos atuais 35% para 70% em dez anos, com investimentos de bilhões por ano.  O Meio Ambiente saiu da política industrial, da política tecnológica.  E isso é inacreditável, porque a questão da tecnologia limpa não é indiferente ao que vai acontecer com os ecossistemas, com o pulmão das pessoas, com a ecologia humana.  Então, o MMA vai participar dessa agenda formalmente.  Já existe uma pauta com o presidente do BNDES para uma política de estímulo especial para a tecnologia limpa.  Um dos pontos também reivindicados é voltar para a coordenação do PAS (Plano Amazônia Sustentável).</div>
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<div>Outra coisa importante é a resolução do Banco Central que corta o crédito para quem está irregular do ponto de vista fundiário e ambiental.  É uma forma de tentar segurar o desmatamento, agora que os índices voltaram a subir.  E aí pedi garantias de que a resolução seria mantida.  Houve pressão grande de um governador (Blairo Maggi), que mobilizou outros, mas nós contatamos, um por um, os governadores da Amazônia.  Obtivemos ganhos para eles.  Por exemplo, preços mínimos para produtos extrativistas e o aumento de R$ 60 milhões para R$ 130 milhões dos recursos para estruturar e modernizar a atividade extrativista, mais outros para regularização fundiária, e terminar até o ano que vem o Zoneamento Econômico-Ecológico.  Resultado: nenhum dos oito governadores, além daquele que propôs a derrubada dessa medida, assinou a proposta.  A medida está mantida, aliás, entra em vigor daqui a duas semanas (equivalente a início de julho).  Outra condição foi uma posição clara do presidente em relação ao projeto da Frente Ruralista, que diminui a reserva legal da Amazônia de 80% para 50%.  O presidente Lula garantiu que essa posição não seria só do ministério, mas do governo, e eu comuniquei isso aos líderes na Câmara e no Senado.  Com base nessas garantias, começamos o trabalho.  Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o presidente assinou três reservas há um ano e meio encalacradas, e que representam duas vezes e meia a área desmatada no ano passado.  Não estou inebriado por isso, as questões são duríssimas.  Há passivos ambientais em todas as áreas.  Esses recursos estão garantidos, mas tem que correr atrás.</div>
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<div>E a questão da transversalidade, da qual Marina Silva falava tanto, e que é importante para se conseguir fazer tudo isso?</div>
<div>Pois é, a Marina e todos nós defendemos a transversalidade.  Mas esse discurso não estava acontecendo.  O Meio Ambiente ficou fora da política de saneamento.  Voltou agora.  Ficou fora da política científica e industrial.  Voltou agora.  Ficou fora do grupo executivo do PAS.  Voltou agora.  E, mesmo na agenda do licenciamento ambiental, não tinha uma interlocução boa com outros ministérios, digamos, mais da área econômica, como Minas e Energia, com a ANP (Agência Nacional do Petróleo) ou com a Agricultura.</div>
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<div>É tirar o Meio Ambiente de um certo isolamento, também pela questão do licenciamento ambiental.  No Rio, destravamos o licenciamento aumentando o rigor.  Não há contradição nisso.  Você pode demorar três anos para dar uma licença frouxa, e pode dar em seis meses o maior licenciamento ambiental da América Latina, que foi o do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) em Itaboraí, da Petrobras.  Um licenciamento de R$ 18 bilhões e a licença mais rigorosa já dada no País.  Como conseguimos isso?  Diminuindo etapas inúteis, encurtando prazos, trabalhando de forma seqüencial, informatizando, fazendo grupos de acompanhamento quinzenal das grandes licenças com checklist.  Por exemplo: na Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), para chegar na mão do primeiro analista ambiental, o processo passava por 15 funcionários.  Nós tiramos 14.  Não interessa ficar meses descobrindo se tem alvará, fotocópia, conta de luz.  Tem de ir no point.  Com isso, passamos a licença de três anos para oito, seis meses.  Aumentamos o rigor e acho que essa foi a principal razão pela qualo presidente Lula nos chamou para o ministério.</div>
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<div>Mas isso valeria para a Amazônia, onde há um cenário muito mais complexo?  Muitas vezes não é bom que o processo demore, para que haja tempo de a sociedade refletir, discutir sobre as mudanças causadas pelos empreendimentos?</div>
<div>Não vejo dessa forma, pelo seguinte: para as licenças que demos com alguma rapidez, houve seis meses de discussão com a universidade e com os ambientalistas, para fazer a instrução técnica, que são as perguntas que o estudo ambiental deve responder.  A Petrobras ficou nervosa quando criamos uma audiência para fazer a instrução técnica.  Normalmente, lá na frente descobre-se que as boas perguntas não foram feitas.  Então, você perde três semanas e faz todas as perguntas boas.  Depois, fizemos cinco audiências públicas com participação média de 2 mil, 3 mil pessoas, dos municípios no entorno.  Demos 2 mil licenças em um ano e quatro meses, de alta qualidade, votadas pela sociedade civil.</div>
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<div>O principal motivo da saída da Marina foi a demora em licenciamentos?</div>
<div>Foram vários os motivos.  Ela caiu mais pelos acertos do que pelos erros.  Participei de uma reunião do conselho de ministros de Biossegurança e fui derrotado por 7 votos a 3 quanto ao recurso da Anvisa sobre o milho transgênico.  No entanto, foram aprovadas na mesma reunião duas coisas importantes: uma recomendação unânime ao CTNbio de que não se baseie, no futuro, exclusivamente em estudos apresentados pelo proponente do organismo geneticamente modificado, mas que faça estudos independentes.</div>
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<div>E que esses estudos não sejam baseados no que acontece em outros países, mas nos nossos biomas. Quer dizer, a gente teve uma derrota e também uma vitória. Temos uma posição muito propositiva junto ao setor empresarial.  Assinamos a moratória com o setor da soja. Durante um ano não vão comprar soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia.  Já havia a moratória, mas o governo não participava.  Eles estavam desistindo de renovar a moratória.  Alegavam que não podiam ser &#8220;mais realistas que o rei&#8221;.  Como há o direito legal de desmatar 20%, a moratória vai além da lei brasileira.  A gente colocou a questão do Zoneamento Econômico-Ecológico, o governo entrando para garantir o cadastramento das propriedades e a regularização fundiária, e eles toparam mais um ano, desta vez com intervenção do governo.  Vamos fazer o mesmo em dois outros setores: frigoríficos e madeira.  Vão ter de informar todos os fornecedores.  E vão ser co-responsáveis pelos crimes ambientais cometidos pelos fornecedores, como a pessoa que compra um carro roubado.  Vira receptador, dá prisão.  Esses dois setores são poderosíssimos na Amazônia e no Brasil, e precisam do carimbo para exportar.  Não vão ter o carimbo, porque suas cadeias estão fora da lei.  É muito melhor do que colocar um fiscal atrás de cada um.  E vamos conseguir recursos adicionais no BNDES para modernização e legalização das cadeias produtivas.  A legalidade será incentivada, respeitada, acreditada.  A ilegalidade será fechada, embargada, punida com cana dura, como diz a Lei de Crimes Ambientais.</div>
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<div>O quanto ministérios &#8220;fortes&#8221;, como o da Agricultura, o de Minas e Energia, têm noção da importância de o Brasil ser uma potência ambiental e valorizam essa vantagem comparativa?</div>
<div>Não tenho a pretensão de mudar a cabeça dos outros ministros.  É um governo plural, tem várias forças políticas representadas e vai continuar assim.  Tenho de afirmar a nossa área, tirá-la do isolamento, ir para o propositivo.  Licenças precisam ser técnicas, não políticas.  O que for &#8220;não&#8221; é &#8220;não&#8221;.  Mas é &#8220;não&#8221; rapidamente.  E tem mais: não me envergonharei de dar licenças ambientais bem dadas.  Porque o papel da área ambiental não é ser breque da roda em relação ao licenciamento ambiental.  O que for bem dado, eu direi: dei uma ótima licença ambiental.  Vai ter desenvolvimento, com criação de emprego e pouco impacto na população, no rio e na floresta.  Já falei para os outros ministros: cada licença, um parque.  Cada licença, mais recursos para saneamento e para lixo.  Dois pra lá, dois pra cá.</div>
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<div>Existe insegurança jurídica no que diz respeito à distribuição da competência para o licenciamento ambiental nas três esferas de governo&#8230;</div>
<div>Artigo 23&#8230; (da Constituição Fderal, segundo o qual a preservação ambiental é de responsabilidade da União, estados e municípios, mas não distribui as tarefas).</div>
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<div>Uma interpretação leva em conta a extensão do impacto, outra, o domínio territorial.  E isso está ligado à alta judicialização dos licenciamentos no Brasil.  O senhor pretende resolver isso também?</div>
<div>Vamos resolver isso em menos de dois meses.  O Conama estava um pouco fora, porque passa dias votando moções.  Não é concebível que o órgão máximo que formula a política ambiental do País e se reúne uma vez a cada três meses fique dias discutindo moções, cujo efeito prático é zero.  É a desqualificação do órgão.  Nós vamos chamar os representantes dos estados, os representantes das prefeituras, os da sociedade civil.  O Conama vai voltar a legislar sobre política ambiental.</div>
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<div>Qual critério deveria prevalecer?</div>
<div>Deve ser pelo impacto, pelo tamanho do empreendimento.  Não tem sentido ser por região.  Exemplo: praia é da União.  Então, na praia o Ibama licencia?  Isso é loucura, o Ibama tem que licenciar siderúrgica, hidrelétrica.  Não vai licenciar um quiosque porque está na praia.</div>
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<div>O senhor acha que falta à iniciativa privada uma cultura de planejamento que integre as questões ambientais ao longo de todo o processo e não só no final?</div>
<div>Sim.  Muitas vezes, o problema está no órgão ambiental.  Mas muitas vezes a empresa não investe nisso e faz um estudo ambiental vagabundo.  Por que a gente conseguiu no Comperj fazer uma licença de boa qualidade em tão pouco tempo?  Quando o EIA/Rima chegou, não era um ET.  A gente já tinha analisado e corrigido por seis meses, por isso pôde dar a licença em outros seis.  Agora, uma empresa que não invista na questão ambiental, que não contrate pessoas que valorizem a área, e façam uma EIA/Rima precário, não tem como licenciar.  É vagabundo?  Minha orientação é não dar a entrada, volta pra trás.</div>
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<div>Em princípio, o senhor tem mais dois anos de Ministério.Vai dar tempo para fazer tudo o que propõe?  Não precisa selecionar as prioridades?</div>
<div>Toda hora você tem que selecionar prioridades.  Toda hora cai a agenda.  Tudo o que eu disse são procedimentos que vamos tomar rapidamente.  Para destravar o Ibama, já anunciamos data.  É 5 de julho.  Vamos apresentar uma série de medidas administrativas que reduzirão para metade o tempo de tramitação das licenças.  Abrir a câmara de compensação para universidades, ONGs e a iniciativa privada, é um mês.  Oficiar as empresas da Amazônia que têm que informar toda a cadeia produtiva, isso foi ontem (18 de junho).  Mandar para o Congresso a Lei de Mudanças Climáticas, também já foi.  Mudar a posição defensiva do Itamaraty em relação a biodiesel e etanol, foi no dia seguinte em que eu tomei posse.  A moratória da soja foi assinada, e mês que vem espero assinar a dos frigoríficos e da madeira.</div>
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<div>Em dois anos dá para fazer bastante coisa?</div>
<div>Imagino que sim.  Não tudo o que o Brasil precisa na área ambiental, mas continuar a agenda da Marina.  Tenho um compromisso político de não abandonar um só dos programas.  Não perdi um milímetro da relação com movimento social, movimento ambientalista, área parlamentar&#8230; Mas aumentei muito a interlocução com governadores, com outros ministérios e o setor econômico.  O centro de tudo é a questão do licenciamento, a questão do zoneamento, e é, acima de tudo, diminuir atritos sem eliminar as contradições entre a proteção da vida, dos rios, dos ecossistemas, e a necessidade de desenvolvimento para o País para combater a miséria, a exclusão, a fome.</div>
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<div>Isso é muito amplo.  Como estabelecer prioridades, identificar o que é urgente?</div>
<div>Governar é estabelecer prioridades.  Em relação ao licenciamento, tenho uma agenda com a Petrobras para ver, de 500 licenciamentos, quais são prioridade.  Farei o mesmo com a Vale, com o (Edison) Lobão.  Aquilo que não tiver como licenciar, a gente lima logo.</div>
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<div>O senhor é favorável ao licenciamento de Belo Monte?</div>
<div>As questões de Belo Monte basicamente estão equacionadas do ponto de vista ambiental, assim como Santo Antônio.  O que falta para Belo Monte são as questões indígenas de garantias, compensação e negociação.  Não há problemas insolúveis em Belo Monte.  Ao contrário.</div>
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<div>Então, a prioridade agora é a o licenciamento para esses projetos?</div>
<div>Não.  Isso é a agenda do licenciamento.  Tem outras agendas.  Antes de 5 de junho, eu disse ao presidente Lula: &#8220;Presidente, eu estou chegando agora, a Marina é um ícone nacional e internacional, não é nada fácil nem cômodo, ainda por cima, para um amigo e companheiro dela de 25 anos, entrar na hora em que ela joga a toalha, porque não estava conseguindo fazer o que queria.  Quero saber o que vou dizer no dia 5 de junho, quando eu faço uma semana de governo.&#8221;  Levei para a mesa seis unidades de conversação e consegui três.  Levei cinco decretos e consegui dois, e os outros vão ser assinados no dia 10 de julho, por exemplo, um decreto que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais, que vai ser uma revolução.  Hoje em dia 5% ou 10% das multas são pagas.  As pessoas conseguem embromar por quatro anos.  Vai acabar essa moleza.  Vai passar para três ou quatro meses.  Fizemos leilões de grãos e madeira pela primeira vez.  Brincaram quando eu falei do &#8220;boi pirata&#8221;, mas 3.500 bois piratas apreendidos serão leiloados.  Vão virar churrasquinho para o Fome Zero.</div>
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<div>Recentemente foi publicado um relatório de auditoria do TCU sobre órgãos federais que atuam na Amazônia.</div>
<div>Está tudo insuficiente, não tem gente, não tem recursos, não tem integração uns com os outros.  Tudo verdade.</div>
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<div>Para o Ibama, a auditoria constatou a baixa eficiência da fiscalização e a baixa arrecadação de multas.  Para o Instituto Chico Mendes, a baixa implementação de planos de manejo, a sobreposição de unidades de conservação com terras indígenas e assentamentos, além da falta de regularização fundiária.  O senhor tem propostas para esses pontos?</div>
<div>Para todos eles.  Todas encaminhadas.  No Rio de Janeiro, o Sérgio Cabral criou um decreto chamado guarda-parque.  São bombeiros que vão ficar dentro das unidades de conservação.  Estamos em processo de negociação com Tarso Genro, da Justiça, que vai concluir-se em mais 15 dias.  Mais do que isso é uma eternidade, e eu sou &#8220;ecoansioso&#8221;.  Vai ter um decreto nacional de guarda-parques.</div>
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<div>Vamos colocar recursos para os bombeiros estaduais e para os batalhões florestais estaduais &#8211; dinheiro dos ministérios do Meio Ambiente e da Justiça, para comprar helicóptero, carros etc. Em contrapartida, cada estado vai dar 20, 30 bombeiros para unidades do Chico Mendes.  Vamos dar cursos especiais para os membros do batalhão florestal, eles vão ter também um complemento de R$ 300, R$ 400.  A contrapartida é colocarem de 80 a 120 homens em cada estado, em ações preventivas junto com o Ibama.  Reprogramamos a Operação Arco de Fogo, vamos antecipar algumas etapas, porque o desmatamento está crescendo e os próximos meses historicamente são horríveis.</div>
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<div>O Exército vai entrar nisso?</div>
<div>Essa apreensão do gado já contou com aviões e caminhões do Exército.  A gente quer que o Exército entre mais.  Mas tem coisas que dependem de três assuntos.  Um é uma mexida constitucional, incluindo um tema caro às Forças Armadas, que é o conceito de soberania ambiental.  Outro é dar mais recursos.  E o terceiro é circunscrever que isso será feito por alguns batalhões e regimentos e não pela totalidade do Exército.  Converso direto com o ministro (Nelson) Jobim sobre isso.</div>
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<div>Qual foi o motivo da visita do governador Blairo Maggi hoje ao senhor?</div>
<div>Tenho recebido, a pedidos, os governadores da Amazônia.  Recebi ontem o governador de Roraima (José de Anchieta Junior) e anteontem o de Rondônia (Ivo Cassol).  E tenho falado diariamente com todos por telefone.  Jantei na casa do ministro Mangabeira Unger.  O fato de haver posições diferentes, em relação a vários pontos, não significa que você não vai dialogar.  Eu me habituei ao diálogo.  Aprovei 130 leis.  Sou o deputado que mais aprovou leis na história do Parlamento do Rio de Janeiro.  Nenhuma era nome de rua, semana da mulata, semana da velha-guarda.  Eram leis sobre saneamento, educação ambiental, política de resíduos sólidos, leicontra a discriminação dos gays, ICMS cultural.  Mas nenhuma foi aprovada da forma que propus.  Todas foram negociadas, a maioria teve audiência pública.  Aprendi que tem que negociar com pessoas que pensam diferente de você.</div>
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<div>E qual tem sido a negociação?</div>
<div>Um exemplo prático.  Eu queria essas reservas no dia 5.  O ministro Lobão disse que em uma delas poderia ter aproveitamento hidrelétrico de 200 MW, na outra, de 150 MW.  Falei que estava pensando em antecipar a licença de Santo Antônio, que são 4.000 MW, mas que precisava dessas reservas para esta semana.  Então a gente tem duas contas a fazer.  Ou um &#8220;não, não&#8221;, ou um &#8220;sim, sim&#8221;.  É pegar ou largar.  Ele pegou.  Vai ter Santo Antônio antes do prazo e eu tive as duas unidades que estavam bloqueadas há um ano e meio no dia que eu queria.  Transformei dois &#8220;não&#8221; em dois &#8220;sim&#8221;.  Isso eu faço todo dia e várias vezes por dia.  É minha especialidade.</div>
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<div>Mas aí vira um toma-lá-dá-cá?</div>
<div>Não!  O projeto de Santo Antônio pôde ser licenciado porque já foi resolvido tecnicamente lá atrás.  A tecnologia de geradores bulbo reduz em mais de 80% a área alagada.  Isso foi resolvido ao longo de dois anos, com toda a discussão dos bagres, todo mundo acompanhou o desgaste.  Foi um trabalho maravilhoso da Marina, que ela acabou não capitalizando para se fortalecer.  Graças à equipe dela, pôde-se fazer um licenciamento seguro, importante para o País não ter um apagão e com um impacto perfeitamente suportável, minimizado em mais de 80%.  Barganha seria vender a alma ao diabo, ou seja, dar uma licença que não deveria ser dada naquelas condições.  Isso nunca farei.  Ganhei um prêmio global da ONU do Meio Ambiente, tenho uma história, participei de seis eleições, nunca perdi, nunca um inimigo meu levantou um pingo moral ou ético em 20 anos de Parlamento, agora vou vender a alma ao diabo por causa de uma hidrelétrica?  Me inclua fora dessa.</div>
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<div>O Brasil será um dos principais beneficiários de um provável mecanismo para compensar o desmatamento evitado.  Qual é a sua posição em relação aos mecanismos de mercado e à criação de fundo com doações de países desenvolvidos?  Sou a favor do fundo e sou a favor dos mecanismos de mercado.  Um dos pontos que levei ao presidente no dia 5 foi o Fundo Amazônia, para o qual já conseguimos uma doação da Noruega de US$ 100 milhões por ano, durante cinco anos.  Combinamos com a embaixadora da Noruega o dia em que virá aqui o primeiro-ministro, em setembro, fazer o primeiro cheque.  O Lula resistiu, por causa da soberania.</div>
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<div>Acha que todo mundo vai meter o dedo, que vai dar R$ 10 milhões e dizer o que faz e o que não faz da Amazônia.  Expliquei para o presidente Lula que esse fundo era muito mais soberano que o PPG7 (Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais no Brasil), porque o órgão executor era multilateral.  Neste Fundo Amazônia, que vamos criar em um mês, o país doador não tem assento no conselho e o órgão executor é o BNDES.</div>
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<div>O presidente Lula entendeu?</div>
<div>Entendeu, e assinou também um grupo de trabalho que se reúne toda semana, do qual o BNDES faz parte.  Se tudo correr bem, em 8 ou 9 de julho sai o fundo.  A Alemanha vai entrar, a Suíça vai entrar, empresas privadas brasileiras vão entrar.  Não pode ter dinheiro público, só de outros países ou dinheiro privado do Brasil e do exterior.  A única garantia que eles têm, e vão ter isso demonstrado, é que isso serve para reconstituir as áreas degradadas ou manter a floresta em pé, o que levou ao apelido de &#8220;Fundo Viagra&#8221;.</div>
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<div>O que o senhor acha do argumento de que o Brasil não precisa se submeter às restrições de emissões porque os países desenvolvidos poluíram mais?</div>
<div>Minha posição é de que o Brasil devia ter metas de redução.  Mas, entre a minha posição e a oficial, do Itamaraty, tem uma intermediária que estamos levando adiante.  Não vou achar que sou um rapaz mimado, que vou impor a todos os setores do governo a minha posição em todos os casos.  Não é assim no movimento ambientalista, não é no Parlamento, e muito menos em um governo que contém tantas forças heterogêneas.</div>
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<div>Com a Copa de 2014 é prevista uma profusão de grandes obras com data para entrega.  Isso pode aumentar a pressão sobre os órgãos licenciadores?  Com certeza.  Como lidar com isso?  Contratando mais gente.  O PAC já é um desafio brutal, a Copa é outro.  Queremos Copa?  Então façam bons projetos, equipem os órgãos ambientais, mais concurso, bons salários.</div>
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<div>A Copa é oportunidade para o Brasil afirmar-se como destaque ambiental?</div>
<div>Deverá ser realmente um bom momento.  A consciência ambiental às vezes dá saltos e estamos em um desses momentos.  Há 25 anos éramos chamados de profetas do Apocalipse, os exóticos, os alucinados, os doidos.  Não existia Ministério do Meio Ambiente, secretarias, as empresas não tinham diretoria de meio ambiente.  Agora todos os países começam a discutir muito seriamente.  Nossa guerra é contra o modelo predatório que empobrece o povo e degrada o ecossistema.  E podemos até 2014 estar em uma posição menos defensiva e mais protagonista.</div>
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		<title>A força da leveza</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 21:04:32 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O repórter do The Guardian entra no apartamento da senadora Marina Silva, sete dias após o gesto com que ela encerrou cinco anos, quatro meses e 14 dias à frente do Ministério do Meio Ambiente. Pergunta, desavisado, por que tantas flores, se é aniversário de alguém. A senadora está no sofá ao lado da janela, onde costuma ler, conversar e fazer os deveres do curso de psicopedagogia da Universidade Católica. Os vidros estão abertos, o céu escandalosamente azul do outono brasiliense à mostra. Diferentemente da semana anterior, quando, mesmo com as cortinas fechadas, os flashes dos fotógrafos espocavam a cada vez que uma sombra se aproximava. Agora as coisas estão mais calmas, já aconteceu o primeiro encontro com o novo ministro, Carlos Minc. A vida volta ao normal. Será? A saída de Marina foi cheia de significados e desnudamentos. Existe uma política ambiental ou o governo apenas suporta a &#8220;turma do Meio Ambiente&#8221;? É uma queda-de-braço entre Marina e setores do governo e da produção ou se espraia pela sociedade e pode gerar novos alinhamentos e atitudes? Ainda não se sabe, mas é possível ver impactos inesperados no ar. O repórter do The Guardian conta que perguntou ao taxista se sabia da demissão. Não só sabia, como comentou: &#8220;Sinto como se tivessem me tirado o tapete de baixo dos pés. Se uma mulher como a Marina Silva não consegue ficar, quem consegue?&#8221; O repórter sai. A senadora se acomoda no sofá, dá um suspiro e fala para ninguém: &#8220;A gente tem de saber qual o movimento que vai nos dar força. Às vezes a força está na leveza. Aprendi isso vendo como era potente ouvir o canto do uirapuru ali no meio da floresta. Parecia a voz de uma pessoa falando alguma coisa que não se entendia. Era lindo. Tinha uma força que parecia que as árvores, os outros bichos, a gente mesmo, todo mundo parava para escutar, mas não se sentia paralisado. Ao contrário, a gente sabia que a floresta em torno estava toda viva e isso ficava até mais realçado&#8221;. Toca o telefone, um alto integrante do Poder Judiciário quer cumprimentá-la. Continua ressoando na sala um canto imaginário do uirapuru.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Maristela Bernardo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;"><span style="white-space: pre;"> </span>Versão</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">em PDF</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os embates entre proteção ambiental e pressões desenvolvimentistas no núcleo duro do governo eram patentes desde a primeira gestão de Lula. No entanto, a senhora decidiu sair após 5 anos e meio.  Acabou a paciência ou a esperança?  Não se trata de acabar a paciência, e nem a esperança.  Aliás, o gesto de sair requer paciência, porque a gente sabe o que vai enfrentar a partir da decisão.  Pode ser também o momento de renovar a esperança, porque meu objetivo era provocar um novo pacto em torno do que considero a agenda ambiental estratégica, que é viabilizar o desenvolvimento sustentável.  Compreendi que comigo ela estaria emperrada, dada às crescentes dificuldades e resistências que vinha enfrentando dentro e fora do governo e que, de certa forma, são de conhecimento público.  A gente gosta de localizar o empecilho nos outros, mas, às vezes, é preciso perceber que você é a pedra a ser mexida para reunir novas condições políticas e continuar avançando. Em muitos momentos fui formando essa compreensão, não há um fato específico.  Desde questões como transgênicos, licenciamento de hidrelétricas do Rio Madeira, ainda que nesse caso se tenha reclamado mais das exigências para aumentar a qualidade do projeto do que por não ter licença.  Antes as licenças eram dadas, mas, de uma média de 145 empreendimentos, 45 estavam parados na Justiça.  Em 2007 foram 300 licenciamentos, mas nenhum foi judicializado.  Mesmo assim, muita gente prefere o atalho tortuoso ao caminho reto.  O bom é que muitas empresas já entenderam as vantagens do caminho, embora ele tenha um pouco mais de dificuldades e desafios no início.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sua demissão agora é fruto das circunstâncias, ou já imaginava que não chegaria ao fim do governo Lula?  Minha permanência foi tensionada o tempo todo.  Quem assume função pública sabe que pode sair a qualquer momento, por sua vontade ou de quem convidou, ou ainda por circunstâncias fora do controle de um e de outro.  Não sei se ficaria até o fim deste mandato.  Já que, no primeiro, muitas coisas foram conquistadas, apesar das dificuldades, meu sonho era sair quando entendesse que tinha fechado um ciclo e minha participação direta não se fizesse mais necessária, deixando à equipe a tarefa de seguir com a implementação da agenda.  No segundo mandato, apresentei um novo termo de referência, com foco na reestruturação do ministério e do Ibama.  Talvez as coisas mais difíceis e complexas tenham sido realizadas nos últimos cinco anos: a aprovação da Lei de Gestão de Florestas Públicas; o decreto das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade; a criação do Serviço Florestal, do Instituto Chico Mendes, das secretarias de Mudanças Climáticas, de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável; o licenciamento de obras complexas e até a experiência de transversalidade.  As grandes brigas da agenda ambiental foram enfrentadas. O ministro que assume tem uma base sólida.  O desafio maior é o do desenvolvimento sustentável, mas não é algo que possa ser operado por um ministro isoladamente, depende da interação dentro do governo e com a sociedade.  É um trânsito, mas não pode ser a passo de tartaruga.  A missão da nossa geração é mudar da tartaruga para a lebre.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A saída mostra que os instrumentos estão dados e que governos, setor privado e sociedade precisam tomar a decisão de implementar? Desnuda que o Brasil está na hora H?  A maior parte dos instrumentos está dada.  Precisamos é da decisão para valer de transitar desse modelo insustentável para uma situação que nos honre como fiéis depositários do futuro dos que ainda não nasceram.  Todos querem deixar para os filhos segurança material, conhecimento, valores, cultura.  Mas não temos a mesma noção quanto às riquezas e belezas que encontramos no planeta.  O desafio fundamental da humanidade está reafirmado dramaticamente: como suprir as legítimas necessidades do presente sem comprometer os direitos dos que estão por vir.  É uma interpelação ética, um ponto de vista civilizatório.  Os reposicionamentos em relação a meio ambiente e desenvolvimento não são para atrapalhar o processo produtivo e, sim, para resgatar seu sentido no contexto de uma civilização em xeque.  Não se pode só perguntar ao outro o que será feito.  É uma pergunta que cada um deve fazer a si mesmo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Qual sua maior frustração ao sair?  O fundamental é consolidar a política ambiental transversal e nesses anos fizemos alguns ensaios.  Tivemos bons exemplos de que, quando diferentes setores se envolvem para resolver uma equação, o benefício para a sociedade, o meio ambiente e os empreendimentos é incomparavelmente maior.  Um deles é a BR-163, que envolveu 22 ministérios; outros são o plano de combate ao desmatamento e a difícil tarefa de licenciar as usinas do Madeira, com expressivo ganho ambiental em relação à proposta inicial.  Chegamos a um projeto com um lago oito vezes menor! Embora promissora, a idéia-força ransversal, no centro das decisões do governo, ficou num pequeno começo.  O arranjo feito nas experiências pontuais agora se encontra em risco, porque setores que participaram não assumem aquilo a que se comprometeram, e a sociedade começa a manifestar certa frustração.  Parece que as pessoas pensam que o arranjo da BR-163, por exemplo, era para viabilizar a estrada e não que ele próprio precisa se viabilizar como metodologia de ação.  Não viram que a estrada era um componente do conjunto, não o elemento principal.  Sem governança ambiental, é só uma estrada.  Com governança ambiental, sinaliza outro paradigma de infra-estrutura para o desenvolvimento, de relação com a sociedade, as comunidades locais, as empresas, e na dinâmica do governo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O que emperra a transversalidade?  Quando cito fora do Brasil exemplos nos quais atingimos bom grau de transversalidade na tomada de decisão, as pessoas se impressionam, porque, na maior parte do mundo, o tratamento é fragmentado.  A dificuldade é generalizada, mas o Brasil talvez seja um dos países em melhores condições para superá-la.  Falta-nos ainda percepção para ver na transversalidade um elemento de pioneirismo civilizatório, em um momento de crise global que coloca a questão ambiental não mais como problema apenas de ambientalistas e governo, mas de qualquer cidadão preocupado com o futuro do planeta.  Felizmente ainda podemos reparar esse erro. Os pequenos passos dados demonstram que é possível dar grandes passos e o Brasil pode ser precursor de uma mudança-chave para o crescimento ambientalmente qualificado, que, não há dúvida, é o desafio deste século.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quais setores foram mais resistentes à transversalidade e onde encontrou receptividade?  Os setores no centro da dinâmica do processo econômico, tanto no setor privado quanto no governo, têm mais dificuldade de lidar com a transversalidade.  Talvez isso se deva à cultura do desenvolvimento que acha que pode explorar a natureza sem fazer esforço tecnológico ou metodológico para poupá-la.  Os setores com os quais, surpreendentemente, tive mais facilidade no governo foram os que lidam com a agenda de comando e controle.  As Forças Armadas, o Ministério da Justiça.  A Polícia Federal deu uma contribuição fantástica, criando 27 delegacias especializadas, fazendo mais de 20 operações conjuntas com o Ibama, o que levou cerca de 600 pessoas à cadeia e desconstituiu mais de 1.500 empresas criminosas.  Com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, fizemos uma parceria com a portaria que inibiu 66 mil propriedades griladas que ocupavam, em média, 2 mil hectares de terras públicas. Se tivessem se consolidado na mão de grileiros, teria sido um estrago ambiental terrível na Amazônia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Algum setor, na iniciativa privada, surpreendeu pelo engajamento em mudanças no processo de produção?  Se garimpar, encontram-se boas experiências na indústria, na produção agrícola, na pecuária.  Em todos os segmentos há pessoas comprometidas com mudanças profundas.  Acontece que, para ir além da exigência legal básica, não têm incentivo.  Quando alguém sai da linha da média, não é estimulado a avançar.  É preciso ter imediatamente instrumentos econômicos fortes para isso.  Criamos um departamento para propor medidas para viabilizar o pagamento por serviços ambientais, apoiar a idéia de imposto de renda verde, mudar a lei de licitação para favorecer as “compras verdes”.  Se as compras públicas preferirem papel reciclado, móveis de madeira certificada e arranjos produtivos ambientalmente corretos, esses segmentos podem reduzir seus custos a curto prazo, ter uma inserção de mercado induzida pelo próprio Estado e servir como efeito-demonstração.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Existe massa crítica no empresariado ou ainda são vozes isoladas que se engajam na linha da sustentabilidade socioambiental?  Existe uma massa significativa de pessoas e grupos que se associam, formando uma espécie de núcleo virtuoso.  Os anéis desse núcleo precisam ser ampliados e, toda vez que se faz um discurso paternalista e patrimonialista, de que a legislação ambiental precisa ser flexibilizada, de que se está fiscalizando demais etc., deixa-se de puxar para o núcleo os setores que estão na borda.  É como o pai que, quando o filho não quer estudar nem ter responsabilidade, diz: “Tudo bem, filhinho, não precisa”.  Lá na frente, o filho paga um preço alto.  Os produtores que têm capital e visão estratégica apostam em tecnologia, em certificação. Acontece na produção de álcool: há empresas que fecharam o ciclo produtivo com eficiência energética, uso correto da água, destinação adequada dos resíduos, cumprimento da legislação social e trabalhista – postura que os qualificará na ponta do mercado de biocombustíveis.  Outros não fazem isso e lá adiante vão culpar quem não soube induzi-los a essa agenda.  A mesmice parece fácil, mas, na verdade, traz problemas. Nosso papel não é o de nos conformar com uma linha de base rebaixada, mas de fazer com que ela possa ousar se transformar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O ministro Minc, após conversa com o presidente, disse que recebeu apoio para manter a sua política no ministério e a resolução que impede a concessão de crédito para propriedades com irregularidades ambientais. A senhora acredita nessa sinalização?  É positivo que o presidente tenha afirmado que a política não muda e os avanços serão mantidos e consolidados. E também que o ministro Minc assuma com claro respaldo da sociedade para fazer mais, e não menos.  Quando assumi em 2003, havia expectativa voltada para a pessoa.  Hoje é diferente.  A sociedade manifestou preocupação com o que pode acontecer com a mudança no ministério, e demonstrou estar atenta ao compromisso assumido pelo presidente.  É sinal de que temos, sim, um novo acordo político, com um componente fundamental: o olhar da sociedade. Ainda que exista quem tenha dúvidas ou resista, há também os que têm plena consciência de que o Brasil precisa transitar da economia do século 19 para uma do século 21, incorporando critérios de sustentabilidade nos planejamentos públicos e privados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A frase do presidente – “sai a companheira Marina, mas a política continua” – lembra os anos 1990 e as crises financeiras: saía ministro, entrava ministro, e o governo jurava que a política econômica não mudava.  Hoje, é usada para a ministra do Meio Ambiente.  O FMI e o Banco Mundial estão mergulhados no discurso do desenvolvimento sustentável.  Trata-se de reconhecimento do meio ambiente como agenda estratégica e do Brasil como potência mundial?  Sem dúvida!  Essa questão fez uma síntese do que venho dizendo: antigamente, havia agitação quando caía o ministro da Fazenda porque o signo era o da saúde financeira.  Agora o mesmo acontece quando se julga que pode estar em risco a saúde dos ativos ambientais, que também são uma economia viva, dinâmica, capaz de gerar riquezas com qualidade de vida.  Reflete um reposicionamento geral das preocupações do mundo atual.  As pessoas não querem pensar apenas em como crescer, mas, sim, em como viver neste planeta cada vez mais hostil com quem o hostilizou.  Espero que disso tudo emerja um novo arranjo civilizatório, no qual o Brasil tenha seu papel, assumindo ser uma potência ambiental.  O Brasil pode criar uma nova narrativa para o seu fazer, para sua economia, de modo que as pessoas tenham certeza de que não acontecerá na Amazônia, no Cerrado, no Pantanal, em todos os biomas, o que aconteceu na Mata Atlântica.  Além disso, há coisas que dependem do esforço endógeno de cada país ou de uma relação bilateral, mas jamais se poderá prescindir do esforço multilateral.  Alguns países que lideram a política planetária, pela força econômica e bélica, por que não se dispõem a liderar do mesmo jeito a reversão dos processos catastróficos relacionados ao aquecimento global?  E o Brasil não pode mais fazer o discurso de que tem o direito de destruir florestas porque os países ricos fizeram isso desde a Revolução Industrial.  Temos que nos posicionar sabendo que somos beneficiários do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, mas que nossas responsabilidades são grandes.  Precisamos, claro, de financiamento, de transferência de tecnologia, mas sobretudo da decisão interna de fazer o que estiver ao alcance, como no caso do Plano de Desmatamento, que evitou a emissão meio bilhão de toneladas de CO2 em três anos; e do Programa do Álcool, que reduziu 600 milhões de toneladas em 30 anos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Governos historicamente identificados com a esquerda, ao apontar oposição entre crescimento, emprego, renda e conservação ambiental, têm dificuldade com a idéia da sustentabilidade?  Não dá pra dizer que governos conservadores sejam mais sensíveis.  Boa parte não é sensível nem à agenda social mínima.  De um governo progressista se espera que tenha para o meio ambiente a mesma sensibilidade que tem para o social, mas a crise ambiental coloca em questão até mesmo a dicotomia direita/esquerda ou conservadores/progressistas.  Se os progressistas precisam de água potável e ar puro, os conservadores também.  Talvez seja esse o espaço em que se pode criar uma nova qualidade da relação entre os que se proclamam conservadores e progressistas.  Afinal, há coisas tão grandiosas que tornam possível olhar na mesma direção, apesar das diferenças.  Há um espelho no qual a imagem que se reflete é a do ser humano sem adjetivação, uma existência que depende das outras formas de existência.  Esse espelho sugere que não se aprofundem as dicotomias, mas, sim, que se busque o que nos aproxima.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Legislativo tem sido tímido nas questões ambientais.  O desensenvolvimento sustentável pode ser a bandeira para mudar o tom da política, envolvendo os jovens?  As instituições andam em velocidade bem menor do que a sociedade.  Eu sempre dizia à equipe que não estávamos inventando a roda, mas transformando em políticas públicas as boas idéias da sociedade, ainda que não na velocidade demandada.  Não há dúvida de que o Congresso é lento nas respostas, 15 anos debatendo a Lei da Mata Atlântica para decidir se vamos preservar os 7% que restam&#8230; A política é o espaço em que diferentes setores da sociedade, em particular a juventude, podem ter um envolvimento, não necessariamente do jeito tradicional, filiando-se a um partido.  Há núcleos vivos de prática política que podem servir de referência para os partidos. Setores, grupos, pessoas que pensam, agem e criam representam uma nova forma de organização, de fazer político.  Se os partidos não forem capazes de perceber que não devem só disputar a hegemonia, mas procurar qualidade para ser parte de um todo, vamos perder o trem da história.  A contribuição da política partidária e dos políticos é apenas uma, não é a contribuição.  O exercício da política e da liderança não pode ser visto como a homogeneização do sonho nem a diluição das diferenças.  As pessoas têm que ter o direito de sonhar diversificado, de ser diferentes, mas há determinados eixos que nos unem, nos aproximam.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O que falta para as lideranças e elites brasileiras assumirem sua parte na responsabilidade com as gerações futuras? Uma vez li um artigo interessante. Dizia que o problema do Brasil não é a elite, é a falta de elite.  As oligarquias pensam “no aqui, no agora e no meu”, a partir de si mesmas, como se pudessem ser a medida de todas as coisas e do outro.  A elite é capaz de pensar estrategicamente, fazer concessões, negociar, mudar pontos de vista. Para mim, Chico Mendes foi uma pessoa da elite. Um jovem brilhante, capaz, generoso, antenado para o Brasil e o mundo, esteja em uma empresa, ONG, na universidade, onde for, é parte da elite do Brasil, independentemente de sua origem.  Há pessoas que têm dinheiro, influência econômica e poder político, mas não são elite.  Hoje, líder não é o porta-voz do sonho de todas as pessoas, mas aquele capaz de dizer que também sonha e, aí, colocar-se em relação de igualdade com os demais sonhadores.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A senhora se sente motivada para liderar um movimento para mudar a política no Brasil?  Sinto-me muito motivada a ser parte desse movimento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A senhora viveu a experiência das reservas extrativistas. Outras áreas de uso sustentável ainda são um calcanhar-de aquiles. O que falta para que se tornem padrão de desenvolvimento e renda para populações locais?  Ousamos criar o Instituto Chico Mendes exatamente para responder a essa questão.  O Brasil tem 70 milhões de hectares de Unidades de Conservação (UC), e ainda é pouco.  Tanto as unidades de uso sustentável quanto as de proteção integral poderiam se constituir em ativo econômico importante para atividades de turismo, pesquisa e outras. Somam algo do tamanho de Minas Gerais, mas, infelizmente, temos um déficit de implementação.  Itatiaia, o parque mais antigo, só começou a ser regularizado em 2007, aos 71 anos.  Se a consolidação do Instituto Chico Mendes for feita tendo em vista dois pilares – o das comunidades locais e o da proteção ambiental – e a síntese entre ambos, será algo inovador e relevante.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Plano Amazônia Sustentável pretendia ser um grande plano de desenvolvimento, baseado em diagnósticos regionais, mas decepcionou os especialistas, a exemplo de Bertha Becker, que o considera enfraquecido. A senhora concorda?  Foi preciso fazer concessões para aprová-lo?  O plano foi feito com a coordenação do Ministério da Integração e a colaboração de muitas pessoas e instituições, inclusive da professora Bertha Becker.  Entendo que ele manteve os elementos para estabelecer um novo paradigma de desenvolvimento para a Amazônia, mas não se pode vê-lo como peça pronta e acabada.  Sua elaboração teve caráter dinâmico e aberto.  Por exemplo, não se esperou concluí-lo para decidir pela criação do Serviço Florestal Brasileiro.  As coisas foram acontecendo concomitantemente.  O plano contém um bom diagnóstico, diretrizes, e os eixos estão delineados.  É uma ferramenta importante, mas não basta.  Há que ter determinação política de querer, saber e poder fazer.  O Brasil quer, sabe e pode fazer em boa parte, mas a coisa não acontece da noite para o dia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A reserva extrativista do Xingu e outras estavam prontas para ser criadas, mas o decreto não foi assinado.  É importante insistir?  Sim, para que se mantenham os avanços dos primeiros quatro anos do governo Lula, quando criamos mais de 20 milhões de hectares de Ucs.  No último ano e cinco meses, o processo perdeu potência de forma preocupante, mas mesmo assim chegamos a quase 24 milhões de hectares, 40% de tudo o que foicriado desde que dom Pedro teve a idéia de fazer o Jardim Botânico do Rio.  Além disso, antes se criavam unidades em regiões remotas.  Hoje estamos na frente da expansão predatória.  Antes não se tinha o mapa das áreas prioritárias; hoje há uma lógica que leva em conta os corredores ecológicos e outros elementos sociais e ecológicos, de modo a dinamizar a região a partir da existência da área protegida.  Não podemos abrir mão da continuidade desse trabalho.  Às vezes os estudos para criação dependem da ação dos governos estaduais e eles têm sido resistentes.  Na área do estudo do Xingu há muitas ameaças e violência.  Cheguei a receber de um trabalhador um bule que foicrivado de balas em um ataque de pistoleiros à casa dele.  A experiência mostra que, quando os grileiros têm expectativa da posse, são muito mais agressivos.  Quando a expectativa não existe porque o poder público criou uma UC, baixa o tensionamento.  A irmã Dorothy foi assassinada no dia da assembléia para decidir sobre a criação da reserva do Riozinho do Anfrísio.  Foicomo uma tentativa desesperada de desestabilizar uma decisão já tomada pelo governo federal.  Espero que a reserva do Xingu seja criada logo.  Não podemos esperar acontecer outra tragédia como a morte da irmã Dorothy e de outros companheiros.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como é a Marina antes e depois do ministério? Saio com um olhar mais para dentro dos problemas tanto nacionais quanto internacionais.  Escutei muito nesses anos.  Escutei arrozeiro, madeireiro, pecuarista, sojicultor, pescadores.  Escutei trabalhadores em geral, industriais, cientistas, escutei populares, ONGs.  E foi graças a essa escuta que volto, talvez, com maior condição de falar da tribuna do Senado. Cada vez mais precisamos requalificar os porta-vozes de determinadas questões.  Os porta-vozes do ambientalismo hoje buscam soluções para o desenvolvimento e não só para a proteção ambiental. Os porta-vozes do agronegócio, dos setores produtivos, das comunidades, dos movimentos sociais precisam também requalificar seu discurso, porque sem isso não se credenciam para o diálogo, e logo estarão superados, porque a agricultura que o Brasil precisa é a agricultura sustentável, a pecuária que o Brasil precisa é a pecuária sustentável, e da mesma forma o biocombustível, a produção familiar, a produção industrial, cada um na sua escala.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Qual seu futuro político?  Qual seu desejo de vida daqui pra frente?  Meu desejo é continuar desejando. Vivi a oportunidade que o presidente Lula me deu de ficar cinco anos, quatro meses e 14 dias como ministra de Meio Ambiente.  Volto para o Senado para continuar vivendo a oportunidade que a população do Acre me deu, já em quase 16 anos de mandato.  A única coisa de que tenho clareza é que sou uma professora secundária de História.  Esse é meu locus, mas sei que faço parte de um processo político e social maior em que a gente é convidado e se convida a participar.  Vou tentar interpretar o convite que as pessoas e o mundo me fazem a todo momento, que certamente tem a ver com o que sou e como tenho agido.  Ao mesmo tempo, penso em como vou me convidar a participar daqui em diante.  Tenho 50 anos e vejo isso como uma coisa boa: você sente que já fez algumas coisas, e é em cima delas que pode fazer um pouco mais.</div>
<p>O repórter do The Guardian entra no apartamento da senadora Marina Silva, sete dias após o gesto com que ela encerrou cinco anos, quatro meses e 14 dias à frente do Ministério do Meio Ambiente. Pergunta, desavisado, por que tantas flores, se é aniversário de alguém. A senadora está no sofá ao lado da janela, onde costuma ler, conversar e fazer os deveres do curso de psicopedagogia da Universidade Católica. Os vidros estão abertos, o céu escandalosamente azul do outono brasiliense à mostra. Diferentemente da semana anterior, quando, mesmo com as cortinas fechadas, os flashes dos fotógrafos espocavam a cada vez que uma sombra se aproximava. Agora as coisas estão mais calmas, já aconteceu o primeiro encontro com o novo ministro, Carlos Minc. A vida volta ao normal. Será? A saída de Marina foi cheia de significados e desnudamentos. Existe uma política ambiental ou o governo apenas suporta a &#8220;turma do Meio Ambiente&#8221;? É uma queda-de-braço entre Marina e setores do governo e da produção ou se espraia pela sociedade e pode gerar novos alinhamentos e atitudes? Ainda não se sabe, mas é possível ver impactos inesperados no ar. O repórter do The Guardian conta que perguntou ao taxista se sabia da demissão. Não só sabia, como comentou: &#8220;Sinto como se tivessem me tirado o tapete de baixo dos pés. Se uma mulher como a Marina Silva não consegue ficar, quem consegue?&#8221; O repórter sai. A senadora se acomoda no sofá, dá um suspiro e fala para ninguém: &#8220;A gente tem de saber qual o movimento que vai nos dar força. Às vezes a força está na leveza. Aprendi isso vendo como era potente ouvir o canto do uirapuru ali no meio da floresta. Parecia a voz de uma pessoa falando alguma coisa que não se entendia. Era lindo. Tinha uma força que parecia que as árvores, os outros bichos, a gente mesmo, todo mundo parava para escutar, mas não se sentia paralisado. Ao contrário, a gente sabia que a floresta em torno estava toda viva e isso ficava até mais realçado&#8221;. Toca o telefone, um alto integrante do Poder Judiciário quer cumprimentá-la. Continua ressoando na sala um canto imaginário do uirapuru.</p>
<p>Por Maristela Bernardo<span style="white-space: pre;"> </span></p>
<p>Os embates entre proteção ambiental e pressões desenvolvimentistas no núcleo duro do governo eram patentes desde a primeira gestão de Lula. No entanto, a senhora decidiu sair após 5 anos e meio.  Acabou a paciência ou a esperança?  Não se trata de acabar a paciência, e nem a esperança.  Aliás, o gesto de sair requer paciência, porque a gente sabe o que vai enfrentar a partir da decisão.  Pode ser também o momento de renovar a esperança, porque meu objetivo era provocar um novo pacto em torno do que considero a agenda ambiental estratégica, que é viabilizar o desenvolvimento sustentável.  Compreendi que comigo ela estaria emperrada, dada às crescentes dificuldades e resistências que vinha enfrentando dentro e fora do governo e que, de certa forma, são de conhecimento público.  A gente gosta de localizar o empecilho nos outros, mas, às vezes, é preciso perceber que você é a pedra a ser mexida para reunir novas condições políticas e continuar avançando. Em muitos momentos fui formando essa compreensão, não há um fato específico.  Desde questões como transgênicos, licenciamento de hidrelétricas do Rio Madeira, ainda que nesse caso se tenha reclamado mais das exigências para aumentar a qualidade do projeto do que por não ter licença.  Antes as licenças eram dadas, mas, de uma média de 145 empreendimentos, 45 estavam parados na Justiça.  Em 2007 foram 300 licenciamentos, mas nenhum foi judicializado.  Mesmo assim, muita gente prefere o atalho tortuoso ao caminho reto.  O bom é que muitas empresas já entenderam as vantagens do caminho, embora ele tenha um pouco mais de dificuldades e desafios no início.</p>
<p>Sua demissão agora é fruto das circunstâncias, ou já imaginava que não chegaria ao fim do governo Lula?  Minha permanência foi tensionada o tempo todo.  Quem assume função pública sabe que pode sair a qualquer momento, por sua vontade ou de quem convidou, ou ainda por circunstâncias fora do controle de um e de outro.  Não sei se ficaria até o fim deste mandato.  Já que, no primeiro, muitas coisas foram conquistadas, apesar das dificuldades, meu sonho era sair quando entendesse que tinha fechado um ciclo e minha participação direta não se fizesse mais necessária, deixando à equipe a tarefa de seguir com a implementação da agenda.  No segundo mandato, apresentei um novo termo de referência, com foco na reestruturação do ministério e do Ibama.  Talvez as coisas mais difíceis e complexas tenham sido realizadas nos últimos cinco anos: a aprovação da Lei de Gestão de Florestas Públicas; o decreto das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade; a criação do Serviço Florestal, do Instituto Chico Mendes, das secretarias de Mudanças Climáticas, de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável; o licenciamento de obras complexas e até a experiência de transversalidade.  As grandes brigas da agenda ambiental foram enfrentadas. O ministro que assume tem uma base sólida.  O desafio maior é o do desenvolvimento sustentável, mas não é algo que possa ser operado por um ministro isoladamente, depende da interação dentro do governo e com a sociedade.  É um trânsito, mas não pode ser a passo de tartaruga.  A missão da nossa geração é mudar da tartaruga para a lebre.</p>
<p>A saída mostra que os instrumentos estão dados e que governos, setor privado e sociedade precisam tomar a decisão de implementar? Desnuda que o Brasil está na hora H?  A maior parte dos instrumentos está dada.  Precisamos é da decisão para valer de transitar desse modelo insustentável para uma situação que nos honre como fiéis depositários do futuro dos que ainda não nasceram.  Todos querem deixar para os filhos segurança material, conhecimento, valores, cultura.  Mas não temos a mesma noção quanto às riquezas e belezas que encontramos no planeta.  O desafio fundamental da humanidade está reafirmado dramaticamente: como suprir as legítimas necessidades do presente sem comprometer os direitos dos que estão por vir.  É uma interpelação ética, um ponto de vista civilizatório.  Os reposicionamentos em relação a meio ambiente e desenvolvimento não são para atrapalhar o processo produtivo e, sim, para resgatar seu sentido no contexto de uma civilização em xeque.  Não se pode só perguntar ao outro o que será feito.  É uma pergunta que cada um deve fazer a si mesmo.</p>
<p>Qual sua maior frustração ao sair?  O fundamental é consolidar a política ambiental transversal e nesses anos fizemos alguns ensaios.  Tivemos bons exemplos de que, quando diferentes setores se envolvem para resolver uma equação, o benefício para a sociedade, o meio ambiente e os empreendimentos é incomparavelmente maior.  Um deles é a BR-163, que envolveu 22 ministérios; outros são o plano de combate ao desmatamento e a difícil tarefa de licenciar as usinas do Madeira, com expressivo ganho ambiental em relação à proposta inicial.  Chegamos a um projeto com um lago oito vezes menor! Embora promissora, a idéia-força ransversal, no centro das decisões do governo, ficou num pequeno começo.  O arranjo feito nas experiências pontuais agora se encontra em risco, porque setores que participaram não assumem aquilo a que se comprometeram, e a sociedade começa a manifestar certa frustração.  Parece que as pessoas pensam que o arranjo da BR-163, por exemplo, era para viabilizar a estrada e não que ele próprio precisa se viabilizar como metodologia de ação.  Não viram que a estrada era um componente do conjunto, não o elemento principal.  Sem governança ambiental, é só uma estrada.  Com governança ambiental, sinaliza outro paradigma de infra-estrutura para o desenvolvimento, de relação com a sociedade, as comunidades locais, as empresas, e na dinâmica do governo.</p>
<p>O que emperra a transversalidade?  Quando cito fora do Brasil exemplos nos quais atingimos bom grau de transversalidade na tomada de decisão, as pessoas se impressionam, porque, na maior parte do mundo, o tratamento é fragmentado.  A dificuldade é generalizada, mas o Brasil talvez seja um dos países em melhores condições para superá-la.  Falta-nos ainda percepção para ver na transversalidade um elemento de pioneirismo civilizatório, em um momento de crise global que coloca a questão ambiental não mais como problema apenas de ambientalistas e governo, mas de qualquer cidadão preocupado com o futuro do planeta.  Felizmente ainda podemos reparar esse erro. Os pequenos passos dados demonstram que é possível dar grandes passos e o Brasil pode ser precursor de uma mudança-chave para o crescimento ambientalmente qualificado, que, não há dúvida, é o desafio deste século.</p>
<p>Quais setores foram mais resistentes à transversalidade e onde encontrou receptividade?  Os setores no centro da dinâmica do processo econômico, tanto no setor privado quanto no governo, têm mais dificuldade de lidar com a transversalidade.  Talvez isso se deva à cultura do desenvolvimento que acha que pode explorar a natureza sem fazer esforço tecnológico ou metodológico para poupá-la.  Os setores com os quais, surpreendentemente, tive mais facilidade no governo foram os que lidam com a agenda de comando e controle.  As Forças Armadas, o Ministério da Justiça.  A Polícia Federal deu uma contribuição fantástica, criando 27 delegacias especializadas, fazendo mais de 20 operações conjuntas com o Ibama, o que levou cerca de 600 pessoas à cadeia e desconstituiu mais de 1.500 empresas criminosas.  Com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, fizemos uma parceria com a portaria que inibiu 66 mil propriedades griladas que ocupavam, em média, 2 mil hectares de terras públicas. Se tivessem se consolidado na mão de grileiros, teria sido um estrago ambiental terrível na Amazônia.</p>
<p>Algum setor, na iniciativa privada, surpreendeu pelo engajamento em mudanças no processo de produção?  Se garimpar, encontram-se boas experiências na indústria, na produção agrícola, na pecuária.  Em todos os segmentos há pessoas comprometidas com mudanças profundas.  Acontece que, para ir além da exigência legal básica, não têm incentivo.  Quando alguém sai da linha da média, não é estimulado a avançar.  É preciso ter imediatamente instrumentos econômicos fortes para isso.  Criamos um departamento para propor medidas para viabilizar o pagamento por serviços ambientais, apoiar a idéia de imposto de renda verde, mudar a lei de licitação para favorecer as “compras verdes”.  Se as compras públicas preferirem papel reciclado, móveis de madeira certificada e arranjos produtivos ambientalmente corretos, esses segmentos podem reduzir seus custos a curto prazo, ter uma inserção de mercado induzida pelo próprio Estado e servir como efeito-demonstração.</p>
<p>Existe massa crítica no empresariado ou ainda são vozes isoladas que se engajam na linha da sustentabilidade socioambiental?  Existe uma massa significativa de pessoas e grupos que se associam, formando uma espécie de núcleo virtuoso.  Os anéis desse núcleo precisam ser ampliados e, toda vez que se faz um discurso paternalista e patrimonialista, de que a legislação ambiental precisa ser flexibilizada, de que se está fiscalizando demais etc., deixa-se de puxar para o núcleo os setores que estão na borda.  É como o pai que, quando o filho não quer estudar nem ter responsabilidade, diz: “Tudo bem, filhinho, não precisa”.  Lá na frente, o filho paga um preço alto.  Os produtores que têm capital e visão estratégica apostam em tecnologia, em certificação. Acontece na produção de álcool: há empresas que fecharam o ciclo produtivo com eficiência energética, uso correto da água, destinação adequada dos resíduos, cumprimento da legislação social e trabalhista – postura que os qualificará na ponta do mercado de biocombustíveis.  Outros não fazem isso e lá adiante vão culpar quem não soube induzi-los a essa agenda.  A mesmice parece fácil, mas, na verdade, traz problemas. Nosso papel não é o de nos conformar com uma linha de base rebaixada, mas de fazer com que ela possa ousar se transformar.</p>
<p>O ministro Minc, após conversa com o presidente, disse que recebeu apoio para manter a sua política no ministério e a resolução que impede a concessão de crédito para propriedades com irregularidades ambientais. A senhora acredita nessa sinalização?  É positivo que o presidente tenha afirmado que a política não muda e os avanços serão mantidos e consolidados. E também que o ministro Minc assuma com claro respaldo da sociedade para fazer mais, e não menos.  Quando assumi em 2003, havia expectativa voltada para a pessoa.  Hoje é diferente.  A sociedade manifestou preocupação com o que pode acontecer com a mudança no ministério, e demonstrou estar atenta ao compromisso assumido pelo presidente.  É sinal de que temos, sim, um novo acordo político, com um componente fundamental: o olhar da sociedade. Ainda que exista quem tenha dúvidas ou resista, há também os que têm plena consciência de que o Brasil precisa transitar da economia do século 19 para uma do século 21, incorporando critérios de sustentabilidade nos planejamentos públicos e privados.</p>
<p>A frase do presidente – “sai a companheira Marina, mas a política continua” – lembra os anos 1990 e as crises financeiras: saía ministro, entrava ministro, e o governo jurava que a política econômica não mudava.  Hoje, é usada para a ministra do Meio Ambiente.  O FMI e o Banco Mundial estão mergulhados no discurso do desenvolvimento sustentável.  Trata-se de reconhecimento do meio ambiente como agenda estratégica e do Brasil como potência mundial?  Sem dúvida!  Essa questão fez uma síntese do que venho dizendo: antigamente, havia agitação quando caía o ministro da Fazenda porque o signo era o da saúde financeira.  Agora o mesmo acontece quando se julga que pode estar em risco a saúde dos ativos ambientais, que também são uma economia viva, dinâmica, capaz de gerar riquezas com qualidade de vida.  Reflete um reposicionamento geral das preocupações do mundo atual.  As pessoas não querem pensar apenas em como crescer, mas, sim, em como viver neste planeta cada vez mais hostil com quem o hostilizou.  Espero que disso tudo emerja um novo arranjo civilizatório, no qual o Brasil tenha seu papel, assumindo ser uma potência ambiental.  O Brasil pode criar uma nova narrativa para o seu fazer, para sua economia, de modo que as pessoas tenham certeza de que não acontecerá na Amazônia, no Cerrado, no Pantanal, em todos os biomas, o que aconteceu na Mata Atlântica.  Além disso, há coisas que dependem do esforço endógeno de cada país ou de uma relação bilateral, mas jamais se poderá prescindir do esforço multilateral.  Alguns países que lideram a política planetária, pela força econômica e bélica, por que não se dispõem a liderar do mesmo jeito a reversão dos processos catastróficos relacionados ao aquecimento global?  E o Brasil não pode mais fazer o discurso de que tem o direito de destruir florestas porque os países ricos fizeram isso desde a Revolução Industrial.  Temos que nos posicionar sabendo que somos beneficiários do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, mas que nossas responsabilidades são grandes.  Precisamos, claro, de financiamento, de transferência de tecnologia, mas sobretudo da decisão interna de fazer o que estiver ao alcance, como no caso do Plano de Desmatamento, que evitou a emissão meio bilhão de toneladas de CO2 em três anos; e do Programa do Álcool, que reduziu 600 milhões de toneladas em 30 anos.</p>
<p>Governos historicamente identificados com a esquerda, ao apontar oposição entre crescimento, emprego, renda e conservação ambiental, têm dificuldade com a idéia da sustentabilidade?  Não dá pra dizer que governos conservadores sejam mais sensíveis.  Boa parte não é sensível nem à agenda social mínima.  De um governo progressista se espera que tenha para o meio ambiente a mesma sensibilidade que tem para o social, mas a crise ambiental coloca em questão até mesmo a dicotomia direita/esquerda ou conservadores/progressistas.  Se os progressistas precisam de água potável e ar puro, os conservadores também.  Talvez seja esse o espaço em que se pode criar uma nova qualidade da relação entre os que se proclamam conservadores e progressistas.  Afinal, há coisas tão grandiosas que tornam possível olhar na mesma direção, apesar das diferenças.  Há um espelho no qual a imagem que se reflete é a do ser humano sem adjetivação, uma existência que depende das outras formas de existência.  Esse espelho sugere que não se aprofundem as dicotomias, mas, sim, que se busque o que nos aproxima.</p>
<p>O Legislativo tem sido tímido nas questões ambientais.  O desensenvolvimento sustentável pode ser a bandeira para mudar o tom da política, envolvendo os jovens?  As instituições andam em velocidade bem menor do que a sociedade.  Eu sempre dizia à equipe que não estávamos inventando a roda, mas transformando em políticas públicas as boas idéias da sociedade, ainda que não na velocidade demandada.  Não há dúvida de que o Congresso é lento nas respostas, 15 anos debatendo a Lei da Mata Atlântica para decidir se vamos preservar os 7% que restam&#8230; A política é o espaço em que diferentes setores da sociedade, em particular a juventude, podem ter um envolvimento, não necessariamente do jeito tradicional, filiando-se a um partido.  Há núcleos vivos de prática política que podem servir de referência para os partidos. Setores, grupos, pessoas que pensam, agem e criam representam uma nova forma de organização, de fazer político.  Se os partidos não forem capazes de perceber que não devem só disputar a hegemonia, mas procurar qualidade para ser parte de um todo, vamos perder o trem da história.  A contribuição da política partidária e dos políticos é apenas uma, não é a contribuição.  O exercício da política e da liderança não pode ser visto como a homogeneização do sonho nem a diluição das diferenças.  As pessoas têm que ter o direito de sonhar diversificado, de ser diferentes, mas há determinados eixos que nos unem, nos aproximam.</p>
<p>O que falta para as lideranças e elites brasileiras assumirem sua parte na responsabilidade com as gerações futuras? Uma vez li um artigo interessante. Dizia que o problema do Brasil não é a elite, é a falta de elite.  As oligarquias pensam “no aqui, no agora e no meu”, a partir de si mesmas, como se pudessem ser a medida de todas as coisas e do outro.  A elite é capaz de pensar estrategicamente, fazer concessões, negociar, mudar pontos de vista. Para mim, Chico Mendes foi uma pessoa da elite. Um jovem brilhante, capaz, generoso, antenado para o Brasil e o mundo, esteja em uma empresa, ONG, na universidade, onde for, é parte da elite do Brasil, independentemente de sua origem.  Há pessoas que têm dinheiro, influência econômica e poder político, mas não são elite.  Hoje, líder não é o porta-voz do sonho de todas as pessoas, mas aquele capaz de dizer que também sonha e, aí, colocar-se em relação de igualdade com os demais sonhadores.</p>
<p>A senhora se sente motivada para liderar um movimento para mudar a política no Brasil?  Sinto-me muito motivada a ser parte desse movimento.</p>
<p>A senhora viveu a experiência das reservas extrativistas. Outras áreas de uso sustentável ainda são um calcanhar-de aquiles. O que falta para que se tornem padrão de desenvolvimento e renda para populações locais?  Ousamos criar o Instituto Chico Mendes exatamente para responder a essa questão.  O Brasil tem 70 milhões de hectares de Unidades de Conservação (UC), e ainda é pouco.  Tanto as unidades de uso sustentável quanto as de proteção integral poderiam se constituir em ativo econômico importante para atividades de turismo, pesquisa e outras. Somam algo do tamanho de Minas Gerais, mas, infelizmente, temos um déficit de implementação.  Itatiaia, o parque mais antigo, só começou a ser regularizado em 2007, aos 71 anos.  Se a consolidação do Instituto Chico Mendes for feita tendo em vista dois pilares – o das comunidades locais e o da proteção ambiental – e a síntese entre ambos, será algo inovador e relevante.</p>
<p>O Plano Amazônia Sustentável pretendia ser um grande plano de desenvolvimento, baseado em diagnósticos regionais, mas decepcionou os especialistas, a exemplo de Bertha Becker, que o considera enfraquecido. A senhora concorda?  Foi preciso fazer concessões para aprová-lo?  O plano foi feito com a coordenação do Ministério da Integração e a colaboração de muitas pessoas e instituições, inclusive da professora Bertha Becker.  Entendo que ele manteve os elementos para estabelecer um novo paradigma de desenvolvimento para a Amazônia, mas não se pode vê-lo como peça pronta e acabada.  Sua elaboração teve caráter dinâmico e aberto.  Por exemplo, não se esperou concluí-lo para decidir pela criação do Serviço Florestal Brasileiro.  As coisas foram acontecendo concomitantemente.  O plano contém um bom diagnóstico, diretrizes, e os eixos estão delineados.  É uma ferramenta importante, mas não basta.  Há que ter determinação política de querer, saber e poder fazer.  O Brasil quer, sabe e pode fazer em boa parte, mas a coisa não acontece da noite para o dia.</p>
<p>A reserva extrativista do Xingu e outras estavam prontas para ser criadas, mas o decreto não foi assinado.  É importante insistir?  Sim, para que se mantenham os avanços dos primeiros quatro anos do governo Lula, quando criamos mais de 20 milhões de hectares de Ucs.  No último ano e cinco meses, o processo perdeu potência de forma preocupante, mas mesmo assim chegamos a quase 24 milhões de hectares, 40% de tudo o que foicriado desde que dom Pedro teve a idéia de fazer o Jardim Botânico do Rio.  Além disso, antes se criavam unidades em regiões remotas.  Hoje estamos na frente da expansão predatória.  Antes não se tinha o mapa das áreas prioritárias; hoje há uma lógica que leva em conta os corredores ecológicos e outros elementos sociais e ecológicos, de modo a dinamizar a região a partir da existência da área protegida.  Não podemos abrir mão da continuidade desse trabalho.  Às vezes os estudos para criação dependem da ação dos governos estaduais e eles têm sido resistentes.  Na área do estudo do Xingu há muitas ameaças e violência.  Cheguei a receber de um trabalhador um bule que foicrivado de balas em um ataque de pistoleiros à casa dele.  A experiência mostra que, quando os grileiros têm expectativa da posse, são muito mais agressivos.  Quando a expectativa não existe porque o poder público criou uma UC, baixa o tensionamento.  A irmã Dorothy foi assassinada no dia da assembléia para decidir sobre a criação da reserva do Riozinho do Anfrísio.  Foicomo uma tentativa desesperada de desestabilizar uma decisão já tomada pelo governo federal.  Espero que a reserva do Xingu seja criada logo.  Não podemos esperar acontecer outra tragédia como a morte da irmã Dorothy e de outros companheiros.</p>
<p>Como é a Marina antes e depois do ministério? Saio com um olhar mais para dentro dos problemas tanto nacionais quanto internacionais.  Escutei muito nesses anos.  Escutei arrozeiro, madeireiro, pecuarista, sojicultor, pescadores.  Escutei trabalhadores em geral, industriais, cientistas, escutei populares, ONGs.  E foi graças a essa escuta que volto, talvez, com maior condição de falar da tribuna do Senado. Cada vez mais precisamos requalificar os porta-vozes de determinadas questões.  Os porta-vozes do ambientalismo hoje buscam soluções para o desenvolvimento e não só para a proteção ambiental. Os porta-vozes do agronegócio, dos setores produtivos, das comunidades, dos movimentos sociais precisam também requalificar seu discurso, porque sem isso não se credenciam para o diálogo, e logo estarão superados, porque a agricultura que o Brasil precisa é a agricultura sustentável, a pecuária que o Brasil precisa é a pecuária sustentável, e da mesma forma o biocombustível, a produção familiar, a produção industrial, cada um na sua escala.</p>
<p>Qual seu futuro político?  Qual seu desejo de vida daqui pra frente?  Meu desejo é continuar desejando. Vivi a oportunidade que o presidente Lula me deu de ficar cinco anos, quatro meses e 14 dias como ministra de Meio Ambiente.  Volto para o Senado para continuar vivendo a oportunidade que a população do Acre me deu, já em quase 16 anos de mandato.  A única coisa de que tenho clareza é que sou uma professora secundária de História.  Esse é meu locus, mas sei que faço parte de um processo político e social maior em que a gente é convidado e se convida a participar.  Vou tentar interpretar o convite que as pessoas e o mundo me fazem a todo momento, que certamente tem a ver com o que sou e como tenho agido.  Ao mesmo tempo, penso em como vou me convidar a participar daqui em diante.  Tenho 50 anos e vejo isso como uma coisa boa: você sente que já fez algumas coisas, e é em cima delas que pode fazer um pouco mais.</p>
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