<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Página 22 &#187; Canadá</title>
	<atom:link href="http://pagina22.com.br/index.php/tag/canada/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://pagina22.com.br</link>
	<description>Informações para o novo século</description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 11:10:14 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>A sobrevivência das abelhas em xeque</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2012/01/a-sobrevivencia-das-abelhas-em-xeque/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2012/01/a-sobrevivencia-das-abelhas-em-xeque/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 00:56:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[abelhas]]></category>
		<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[extinção]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=16000</guid>
		<description><![CDATA[A mortandade de abelhas que a imprensa do Hemisfério Norte tem noticiado há anos e que não parece encontrar barreiras está acelerando. &#8220;Estamos chegando a um ponto crítico&#8221;, declarou Steve Ellis, secretário do Conselho Consultivo Nacional de Abelhas Melíferas, durante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16001" class="wp-caption aligncenter" style="width: 212px"><a href="http://www.flickr.com/photos/negativz/11233147/"><img class="size-large wp-image-16001" title="abelha" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/abelha2-202x270.jpg" alt="Foto de Rod Senna/ Flickr" width="202" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Rod Senna/ Flickr</p></div>
<p>A mortandade de abelhas que a imprensa do Hemisfério Norte tem noticiado há anos e que não parece encontrar barreiras está acelerando. &#8220;Estamos chegando a um ponto crítico&#8221;, declarou Steve Ellis, secretário do Conselho Consultivo Nacional de Abelhas Melíferas, durante um evento promovido pelos apicultores americanos em parceria com ambientalistas dias atrás. O website Grist traz uma <a href="http://www.grist.org/food/2012-01-13-honey-bees-problem-nearing-a-critical-point" target="_blank">ótimo artigo</a> sobre o encontro. No ano passado, Ellis, que cria abelhas há 35 anos, testemunhou tantas mortes inesplicáveis de insetos que se qualificou para receber ajuda emergencial do governo federal.</p>
<p>Este infográfico produzido no ano passado pelo <a href="http://dailyinfographic.com/the-mysterious-honey-bee-extinction-infographic" target="_blank">Daily Infographic</a> resume o problema:  até poucos anos atrás, cerca de 15% das populações de abelhas morriam a cada inverno. Hoje, a porcentagem subiu para 21% no Canadá e quase 34% nos Estados Unidos. Clique na imagem para ir ao post onde ele pode ser lido na íntegra.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><a href="http://dailyinfographic.com/the-mysterious-honey-bee-extinction-infographic"><img class="aligncenter size-large wp-image-16002" title="Capture" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Capture-217x270.jpg" alt="Capture" width="217" height="270" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Um dos principais responsáveis é o chamado Distúrbio de Colapso de Colônia (CCD), que pode dizimar uma colônia em poucos dias e que também foi relatado por apicultores de uma dezena de países europeus. A origem dessa quase epidemia continua nebulosa. O CCD já foi atribuído a uma lista enorme de fatores: vírus, pesticidas e outros tipos de estresse ambiental, ausência de alimento em quantidade suficiente, radiação emitida por torres de telefonia celular, adoção de sementes transgênicas, a crescente uniformidade genética derivada da industrialização da criação de abelhas. No entanto, até agora, as pesquisas não foram conclusivas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, por exemplo, soltou no ano passado um <a href="http://www.ars.usda.gov/is/br/ccd/ccdprogressreport2010.pdf" target="_blank">document</a>o que aventa a possibilidade de haver aí uma combinação de fatores, um mix de contaminação ambiental e microorganismos predadores e oportunistas. Já os produtores de abelhas apontam o dedo para os pesticidas, com destaque para os neonicotinóides, que têm uma estrutura semelhante à da nicotina. &#8220;Eles desempenham um papel importante no que está acontecendo&#8221;, disse Dave Hackenberg, outro dirigente do Conselho Consultivo e apicultor no estado da Pennsylvania.</p>
<p style="text-align: left;">Estes dois documentários em inglês tentam explorar todos esses cenários:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=dIUo3STj6tw">watch?v=dIUo3STj6tw</a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ekoeQodrVoM">watch?v=ekoeQodrVoM</a></p>
<p style="text-align: left;">O comprometimento da sobrevivência das abelhas pode ser, é claro, tremendamente desastroso para os produtores rurais &#8211; e não apenas para aqueles que produzem mel. Estes insetos são responsáveis pela<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_crop_plants_pollinated_by_bees" target="_blank"> polinização de dezenas de espécies comerciais</a>, das maçãs aos cajús. Os mesmos produtores que podem estar matando as abelhas com o uso de transgênicos e agroquímicos provavelmente verão sua produtividade despencar num futuro não muito distante. Não deixa de ser irônico.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2012/01/a-sobrevivencia-das-abelhas-em-xeque/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Amadurecendo economias</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2011/12/amadurecendo-economias/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2011/12/amadurecendo-economias/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 16:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[59]]></category>
		<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão de Desenvolvimento Sustentável da Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[crescimento econômico]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[emissões de carbono]]></category>
		<category><![CDATA[John Maynard Keynes]]></category>
		<category><![CDATA[Managing Without Growth]]></category>
		<category><![CDATA[Occupy Wall Street]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Victor]]></category>
		<category><![CDATA[steady-state]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Jackson]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=15456</guid>
		<description><![CDATA[Peter Victor estudou um modelo para o Canadá em que não há mais crescimento econômico e descobriu que os efeitos contradizem as tradicionais cartilhas de economia

Se há alguém que tenta imaginar como fazer para que as economias respeitem os limites [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Peter Victor estudou um modelo para o Canadá em que não há mais crescimento econômico e descobriu que os efeitos contradizem as tradicionais </em><em>cartilhas de economia<br />
</em></p>
<div id="attachment_15462" class="wp-caption alignleft" style="width: 287px"><img class="size-large wp-image-15462 " title="PeterVictor" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/12/PeterVictor-277x270.jpg" alt="legendaaa" width="277" height="270" /><p class="wp-caption-text">O economista britânico Peter Victor lida há 40 anos com assuntos ambientais como consultor, servidor público e professor. Hoje ensina Estudos Ambientais na Universidade de York, no Canadá. Em 2005, publicou Managing Without Growth, livro em que explora um modelo sem crescimento para a economia canadense</p></div>
<p>Se há alguém que tenta imaginar como fazer para que as economias respeitem os limites biofísicos do planeta, é o economista Peter Victor.  Em 2005, ele publicou no livro <em>Managing Without Growth</em> um modelo macroeconômico de 30 anos em que a economia canadense amadurece gradualmente e para de crescer.  Os efeitos, ao contrário do que reza a cartilha econômica convencional, são positivos: pleno emprego, melhora na distribuição de renda, equilíbrio fiscal e redução das emissões de carbono.  A chave está em uma semana de trabalho 15% menor, vínculos sociais mais fortes, menos consumo por <em>status</em>, e fortalecimento de relações comerciais regionais.  Para que as pessoas gostem de viver em economias maduras, é preciso reavaliar o que é importante na vida, diz Victor.  Tal debate hoje é mais fácil do que há alguns anos, diante da fragilidade do sistema econômico e do crescente engajamento em movimentos como o Occupy Wall Street.  Para ajudar a aprofundar a discussão, Victor e seus colegas promovem, em maio, <a href="http://montreal.degrowth.org" target="_blank">a primeira conferência</a> para repensar o crescimento nas Américas.</p>
<p><strong>O crescimento econômico nem sempre recebeu a prioridade que tem hoje.  Como se tornou o motor da economia global? </strong></p>
<p>A literatura sobre economia e políticas de governo não contém referências ao crescimento econômico antes de 1950.  A ideia apareceu com o trabalho de John Maynard Keynes nos anos 30 – ele elaborou uma nova explicação para o desemprego galopante em vários países.  Os economistas da época argumentavam que o governo não podia fazer nada para que a economia voltasse ao pleno emprego.  Keynes disse que o principal determinante do emprego é o nível total de gastos em uma economia, e o desemprego se deve ao fato de não haver dinheiro suficiente sendo gasto.  Os gastos são compostos de gente comum indo às compras e de empresas comprando equipamentos ou construindo prédios.  Keynes disse que é preciso estimular ambos para gerar empregos.</p>
<p>O problema de estimular um aumento dos investimentos é que expandimos a capacidade da economia de produzir e, no próximo ano, será preciso adicionar mais gastos para manter o pleno emprego.  Os governos adotaram o crescimento para assegurar o pleno emprego, mas, a partir dos anos 50, mudaram a ênfase e passaram a considerar o crescimento mais importante do que o emprego.  Houve razões políticas, a Guerra Fria, os EUA e a União Soviética competindo, a corrida espacial, os russos tentando alcançar o padrão de vida dos americanos, então isso também virou uma corrida, com o crescimento como prioridade.  Não é que antes os economistas não estivessem interessados em crescimento – Adam Smith se interessava por como as nações se tornam ricas –, mas não era tema de política pública.  A mudança ocorreu após a Segunda Guerra Mundial e, em 1961, quando foi criada a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), os países ricos colocaram o crescimento como prioridade.</p>
<p><strong>Tal prioridade continua, especialmente depois da recessão iniciada em 2008, mas pouco se fala em acabar com a desigualdade, por exemplo. </strong></p>
<p>Há a visão generalizada de que a desigualdade não importa se todos ficam mais ricos: por que reclamar que alguns enriquecem mais do que você se você também está enriquecendo?  Acho isso errado.  Para muitos de nós, o que importa é a posição relativa, não a riqueza absoluta.  Há a visão também de que, se você quiser combater a desigualdade, terá recursos para fazê-lo se a economia estiver crescendo; sem crescimento, terá problemas.</p>
<p><strong>No Brasil, apesar do crescimento dos últimos anos, ainda há desigualdade.<br />
</strong>Isso é típico, há evidências de que o nível de desigualdade em muitas economias cresceu nos últimos 10 a 15 anos.  Se você deixa uma economia capitalista se manifestar, ela não gera igualdade, há pressões tremendas para acumular e concentrar capital.  É uma questão de criar políticas de governo para contrabalançar, e, até 10 ou 15 anos atrás, os governos entendiam essa responsabilidade.  Mas afastaram-se dela e dão menos importância à desigualdade.  Os desdobramentos normais do mercado não promovem igualdade, não há nada no sistema que o faça fazer isso.  É uma combinação de como a economia funciona com o fato de que os governos se afastaram da responsabilidade.</p>
<p><strong>Em sua pesquisa, o senhor perguntou se a economia canadense poderia ter pleno emprego, equilíbrio fiscal e emissões de carbono reduzidas, além de acabar com a pobreza – tudo isso sem crescimento econômico.  Que resposta encontrou? </strong></p>
<p>Isso é possível no modelo que criei.  Funciona como um modelo econômico convencional, com o nível total de gastos na economia como o principal determinante do emprego, e as principais categorias de gastos: consumo, investimento, gastos do governo e comércio exterior.  O que é pouco convencional é a pergunta que fiz.  Em vez de como obter mais crescimento, perguntei se podemos alcançar importantes objetivos sociais, econômicos e ambientais mesmo se a economia não crescer.  Não obtive uma boa resposta simplesmente ao matar o crescimento, e isso é instrutivo, porque é real o risco de que uma economia sem crescimento saia do controle.  É por isso que a resposta à recessão é: precisamos sair disso e voltar a crescer.  Mas, por questões ambientais muito importantes, esse não é o caminho a seguir, e vale investigar alternativas.</p>
<p>O modelo equilibra a capacidade produtiva da economia com o nível de gastos para que haja pleno emprego – ou algo próximo a isso –, sem que seja preciso manter a economia expandindo ano após ano, como fazemos hoje.  O que o modelo faz é empregar os benefícios de um aumento de produtividade na forma de mais lazer.  Assim, podemos nos tornar mais produtivos sem ter de produzir mais, apenas trabalhar menos.  Desde que haja distribuição, é possível ter muito menos desigualdade, sem crescimento.  Há redução imediata das emissões de carbono, mas eu não parei aí e introduzi no modelo um imposto para que houvesse incentivo à busca de alternativas – isso faz grande diferença nos resultados.</p>
<p>O modelo apresenta uma combinação de coisas que, se fossem todas colocadas em prática, resultariam em uma economia em estado estacionário (<em>steady-state)</em> funcionando muito bem.</p>
<p><strong>Então o modelo tem crescimento baixo por um tempo e termina sem crescimento?<br />
</strong><br />
No principal cenário que explorei no livro (<em>Managing Without Growth</em>), a taxa de crescimento desacelera por mais ou menos uma década, a partir de 2010, com a introdução gradual de várias medidas.  Depois de cerca de 20 anos, o PIB <em>per capita</em> se estabiliza, mas a um nível mais alto do que hoje.  Então é uma desaceleração seguida de estabilização.  Depois que terminei o livro, me envolvi na discussão sobre decrescimento e usei meu modelo para pesquisar cenários em que a economia encolhe – ainda é possível atingir os objetivos sociais, econômicos e ambientais dos quais estamos falando.  É mais difícil, mas é possível gerar cenários satisfatórios.</p>
<p><strong>Pelo menos no mundo dos modelos&#8230; </strong></p>
<p>No modelo, sim.  No mundo real&#8230; Para mim, modelos são úteis para nos ajudar a compreender o mundo, eles não nos dizem o que vai acontecer, apenas nos dão insights.</p>
<p><strong>Como o seu modelo lida com a desigualdade?<br />
</strong><br />
No Canadá há uma medida estatística chamada “limite da renda baixa”, basicamente a mesma coisa que o resto do mundo chama de “linha da pobreza”.  Não é um número só, depende da cidade, se a região é urbana ou rural, tamanho da família etc. Calculei quanto custaria, em 2005, elevar todos a pelo menos esse nível.  Não sabia se se tratava de um problema de 100 bilhões de dólares (<em>canadenses</em>), de 200 bilhões, mas acabou se provando um problema de 13 bilhões.  Na época, o Canadá tinha um superávit orçamentário bem maior do que isso, embora a situação tenha mudado nos últimos dois anos.  Desse ponto de vista – e sabemos que pobreza é muito mais do que renda –, a magnitude do problema torna-se administrável.  O que qualquer usuário do programa pode fazer – <a href="http://managingwithoutgrowth.com" target="_blank">está disponível na internet</a> – é escolher o percentual da população que quer manter abaixo da linha da pobreza e o modelo calcula o custo e inclui no orçamento do governo.</p>
<p><strong>Transferência direta de dinheiro? </strong></p>
<p>Sim, traríamos todos ao nível que os estatísticos nos dizem ser necessário para um padrão de vida decente; você não é rico, mas tem comida suficiente, moradia, vestuário, transporte etc.</p>
<p><strong>Para manter a situação bastaria transferir dinheiro ao longo do tempo?<br />
</strong><br />
Sim, já fazemos isso, temos programas de apoio, impostos mais altos para os ricos do que para os pobres.  Nos afastamos desse tipo de política nos últimos 15 a 20 anos, e o resultado tem sido desigualdade crescente.  No modelo, basta optar por mais apoio financeiro aos mais pobres.  Na prática, há muitas coisas que você pode fazer no nível da comunidade, por meio da educação, e assim por diante.  Minha abordagem é um pouco direta, mas conta uma história válida.</p>
<p><strong>O modelo está disponível na internet.  As pessoas podem usar seus próprios dados e obter resultados diferentes? </strong></p>
<p>Não é tão flexível assim.  É um modelo só da economia canadense, mas há coisas que você pode determinar de forma a eliminar a pobreza, ou níveis diferentes de taxação, ou pode encurtar a semana de trabalho.  O modelo então calcula as implicações.  Você pode mudar, por exemplo, o imposto sobre o carbono.  Obtive meus resultados com um imposto bem mais alto do que a Austrália acaba de aprovar (<em>23 dólares australianos por tonelada</em>).  Comecei com um imposto zero que sobe até 200 dólares (<em>canadenses</em>) – para reduzir as emissões significativamente, é preciso de um imposto dessa magnitude.  Na minha versão do modelo, o imposto sobre o carbono é neutro, qualquer receita que o governo tenha é compensada com redução nos impostos de renda e sobre o lucro das corporações.  Há versões do modelo adaptadas para a Suécia, a Nova Zelândia, e estão construindo uma na Noruega.</p>
<p><strong>Como em qualquer modelo, é preciso adotar premissas, e uma das suas é população e força de trabalho estáveis.  Quão factíveis são as premissas do seu modelo na atual situação social, econômica e política?</strong></p>
<p>Claro, há muitas premissas.  A população estável, entretanto, é das mais realistas, porque a situação no Canadá, e em outros países desenvolvidos, é que a taxa de natalidade caiu abaixo da taxa de substituição.  O que mantém a população crescendo é a imigração, que é um assunto sensível, duplamente para mim, pois sou imigrante.  Pode-se estabilizar o produto de uma economia mesmo com população crescente, mas na média todos ficariam mais pobres.  Não gosto disso, então perguntei o que seria preciso para estabilizar a população canadense.</p>
<p>Há duas categorias de imigrantes: aqueles que imigram por questões humanitárias ou de família, e os “imigrantes econômicos”.  São pessoas convidadas a vir ao país para beneficiar a economia.  Nossa política de imigração é uma política de crescimento econômico, desenhada para trazer mais pessoas para aumentar o PIB.  São pessoas bem treinadas, com dinheiro e habilidade para se empregar, que teriam muito a contribuir em seus países de origem.  Se o Canadá mudasse sua disposição quanto ao crescimento econômico, automaticamente alteraria a posição em relação aos imigrantes.  Ainda precisaríamos de centenas de milhares de imigrantes econômicos por ano, apenas para estabilizar a população.  Não teríamos uma política de portas fechadas, mas de imigração reduzida.  A questão da população é uma questão de política.  Mas, voltando às premissas, usamos dados reais para fortalecer as premissas dos modelos, mas o problema é que isso envolve explorar situações passadas.  Por exemplo, eu investiguei como as pessoas gastaram aumentos na renda e assumi que tal comportamento se mantém no futuro.</p>
<p>Mas, se a economia entra em estado estacionário e há uma mudança tão dramática de valores e modos de vida, por que assumir que as pessoas consumiriam a mesma proporção de um aumento de renda do que no passado?  É uma deficiência dos modelos que usam dados históricos para dizer algo sobre o futuro.</p>
<p><strong>O senhor defende mudanças não só em questões econômicas, mas também em temas como propaganda e educação.  Pode falar um pouco sobre elas? </strong></p>
<p>Para que as pessoas gostem de viver em uma economia em <em>steady-state,</em> é preciso reavaliar o que é importante na vida.  Primeiro, o crescimento não seria a coisa mais importante, mas, sim, ter mais tempo livre e uma vida social melhor, com comunidades mais fortes.  Uma das mudanças seria no valor do consumo.  Muito se escreveu sobre o <em>status </em>como motivação: consumimos para mostrar aos outros algo sobre nós.  Espero que encontremos outras formas de mostrar que somos bons cidadãos e vejo algum avanço.  Ensino há tempos e costumava haver discussão entre meus alunos sobre o carro que comprariam depois de se formar, mas faz pelos menos cinco anos que não ouço isso.  O carro não aparece mais na lista de coisas que eles querem.  Ao mesmo tempo, estamos todos tão expostos à propaganda – o principal canal de comunicação de valores em nossa sociedade costumava ser a religião, foi a educação por um tempo, mas diria que, hoje, são os marqueteiros.</p>
<p>Isso precisa ser controlado porque o tipo de valores que os marqueteiros promovem está em desacordo com qualquer direção razoável que a sociedade deveria seguir.  Quanto à educação, pelo menos no Canadá, há a percepção crescente de que temos de educar para que nossos estudantes obtenham um emprego.  Não digo que isso é irrelevante, mas gosto de pensar que devemos educá-los para ser bons cidadãos.  Tendemos a sacrificar coisas como artes, esportes, e até mesmo leitura, na crença de que são menos importantes do que outras coisas na preparação dos jovens para o mercado de trabalho.</p>
<p><strong>Como seria a vida do canadense comum sob o seu modelo sem crescimento?  O que mudaria?  Os canadenses poderiam comprar a última versão do iPhone, por exemplo? </strong></p>
<p>Esta é a pergunta certa.  Não tenho todas as respostas, meu trabalho centra-se no nível nacional, macroeconômico.  Há uma razão para isso.  Tenho tratado de questões ambientais há tempos e ouvi boas ideias serem descartadas porque alguém diz “isso prejudicaria o crescimento econômico”, ou a competitividade ou a produtividade, o que seja.  Tentei neutralizar esse argumento, ou pelo menos dar bem menos importância a ele – se concluíssemos que, na verdade, não precisamos de crescimento, poderíamos olhar seriamente para essas outras ideias.  A verdadeira questão é que tipo de vida queremos levar.  Depois de pensar e discutir com nossos pares, de que achamos que a boa vida consiste?  Da mesma forma, nas esferas da comunidade e local, como seria a vida que queremos em São Paulo, por exemplo?  É preciso haver uma grande discussão pública.  Seria um erro achar que há uma resposta simples, mas eu diria o seguinte: as pessoas teriam mais tempo livre, as economias seriam mais locais.  Há muito descontentamento com a globalização, uma sensação crescente de impotência e fragilidade, e a economia global no momento parece incrivelmente frágil.  Há coisas que poderiam fazer a vida das pessoas muito melhor, saber de onde vem sua comida, conhecer o agricultor, esse tipo de coisa.</p>
<p><strong>Menos consumo?<br />
</strong></p>
<p><strong> </strong>Menos consumo de coisas que compramos principalmente por<em> status</em>.  Mas o iPhone ainda existiria!</p>
<p><strong>Críticos argumentam que mudar as coisas em um só país não faz diferença – por exemplo, o imposto sobre o carbono na Austrália enquanto o resto do mundo continua imóvel em relação às emissões.  Quais seriam os impactos se o Canadá abandonasse o crescimento, enquanto o mundo continua tentando crescer? </strong></p>
<p>Se o Canadá mudasse de direção e mais ninguém o fizesse, todos os grandes problemas que uma economia em <em>steady-state</em> tenta solucionar continuariam tão ruins quanto antes.  Somos 2% da economia mundial, consertar 2% não resulta em muito, mas esse é<br />
o velho dilema: o que uma pessoa ética faz quando se depara com escolhas antiéticas?  A opção de responder “o que eu escolher não fará diferença” é uma fórmula para o desastre.  Vejo o problema de outro ângulo e pergunto “sobre o que temos controle, quais são nossas responsabilidades?” Vivemos em um mundo composto de nações-Estados, uma nação ainda pode tomar decisões importantes, e, se acha que há uma que vale a pena, então é isso que deve fazer.</p>
<p>Sabe de uma coisa?  Isso torna a decisão muito mais fácil para outros tomarem.  Algumas vezes haverá um preço a pagar a curto prazo, mas a longo prazo há muito a ganhar, tenho certeza de que será assim com a Austrália.  A segunda parte da resposta é que não há chance de que esse tipo de mudança ocorra em apenas um país.  Se há interesse por ela, ele está em todo o mundo, é muito mais provável que vejamos uma mudança generalizada, e não só um país se afastando tão radicalmente dos demais a ponto de pagar um alto preço por isso.</p>
<p><strong>Os adeptos do<em> steady-state </em>dizem que os países desenvolvidos devem parar de crescer para permitir que nações em desenvolvimento continuem a crescer por um tempo.  Nessa economia globalizada, com países como os EUA e a China umbilicalmente ligados pelo comércio, como a ausência de crescimento nos países ricos afetaria a habilidade dos países em desenvolvimento de crescer? </strong></p>
<p>Ótima pergunta.  Devo admitir que esse é um tema-chave sobre o qual mal começamos a pensar.  Trata-se da transição, porque não se pode apenas dizer “vamos pular para o <em>steady-state</em>”.  No meu caso, o modelo descreve uma transição, vai de onde o Canadá estava em 2005 e projeta uma trajetória ano após ano até 2035.  Até onde entendo, a relação entre os EUA e a China em particular não é durável ou saudável.  De um lado, você tem os EUA acumulando dívidas internacionais e, do outro, a China enviando cada vez mais produtos ao exterior na base do crédito.  Algum lado tem de ceder.</p>
<p>Os americanos gostariam de ver uma mudança na taxa de câmbio para que os produtos chineses ficassem mais caros e os americanos, mais baratos.  Ou seja, eles estão dizendo que querem mudança nas relações comerciais.  Não tem nada a ver com uma economia <em>steady-state</em>, será preciso ajustar a situação do comércio mundial mesmo que queiramos continuar com o modelo atual.  Não sei dizer a esta altura se a mudança seria tão mais dramática caso os países ricos adotassem economias<em> steady-state,</em> mas haveria mais trabalho a fazer.  Acredito no fortalecimento das relações Sul-Sul, e isso vem ocorrendo na América Latina com a Alba (Aliança Bolivariana para as Américas).  É a coisa certa a fazer, integrar-se com seus vizinhos próximos, cujas circunstâncias são comparáveis às suas, em vez de produzir para exportar para pessoas que consomem mais do que o necessário.  Mas a transição é chave.  Escrevi meu livro antes dessa recessão causada por questões financeiras e, quando me faziam esse tipo de pergunta, era como se tivéssemos um sistema funcionando muito bem, obrigado.  Agora, olho para o sistema e digo: “Está caindo aos pedaços!” Veja a Europa, a situação da Grécia, da Itália.  Facilita para nós que defendemos que há um caminho diferente a seguir, pois a alternativa parece muito ruim.</p>
<p><strong>O movimento Occupy Wall Street também ajuda? </strong></p>
<p>Ajuda, esse tipo de mudança não vai acontecer porque alguém clicou um botão em um computador e obteve um gráfico diferente.  Estamos falando de mudanças significativas no tecido social que só podem ocorrer se grandes grupos estiverem engajados na transformação.  As discussões no Occupy Wall Street não são muito focadas, mas se inspiram nas coisas certas.  O triste é que a ideia da economia <em>steady-state</em> ainda é muito marginal.  Se estivéssemos mais avançados em promovê-la, as pessoas do Occupy Wall Street poderiam se apoderar dela e dizer “sabe, há um modelo econômico diferente pelo qual podemos lutar”.</p>
<p><strong>Ainda se trata de uma ideia acadêmica? </strong></p>
<p><strong> </strong>Não acho que seja particularmente restrita à academia, não há muitos acadêmicos trabalhando nela.  Há outro problema.  Em meu livro, não uso o termo <em>steady-state</em>, não é uma terminologia que ache muito atraente.  É ainda pior se falarmos em decrescimento.</p>
<p><strong>O que o senhor gostaria de ouvir? </strong></p>
<p>Essa é a sua especialidade!  É um desafio, como traduzir essas ideias, mantendo sua integridade, mas usando uma linguagem mais amigável, positiva?</p>
<p><strong>Que tal “economia melhorada” (<em>improved economy</em>)? </strong></p>
<p>Estou trabalhando em um artigo sobre a transição para uma “economia madura”, e com isso quero dizer que a economia do crescimento é imatura como um adolescente que tem surtos de crescimento.  Quando atinge a idade adulta, não se espera que continue crescendo, há certa estabilidade.  Não sei se é a expressão certa, mas transmite uma imagem diferente do que <em>steady-state</em>.  Outra coisa que discuti com Herman (<em>Daly, o pai da economia </em>steady-state), é o que exatamente se mantém constante.  Analisei a literatura e diferentes autores mantêm coisas diferentes constantes quando falam em <em>steady-state.</em> Mesmo Herman algumas vezes fala em manter os estoques de capital constantes, outras vezes os fluxos de renda ou de consumo.</p>
<p>Minha visão é de que temos de prestar atenção na interface da economia com a biosfera.  Nossas economias demandam demais em termos de materiais, energia, espaço para colocar nosso lixo, e também ocupamos muita terra e expulsamos outras espécies.  É aí que precisamos de fortes políticas de controle.  Se tivéssemos essas políticas – assim como o imposto australiano, seria um passo na direção certa –, ainda seria concebível que uma economia crescesse.</p>
<p>Se o povo da tecnologia estiver certo em dizer que podemos ser mais e mais eficientes, e desde que controlemos o <em>throughput </em>e mantenhamos o fluxo de materiais e energia na economia consistente com o respeito pela biosfera, a economia pode crescer, mudar, transformar-se.  Prefiro não usar o termo<em> steady-state</em>, porque ele foca no PIB e deveríamos nos centrar nas demandas sobre a biosfera.  Essas definitivamente têm de encolher, pois estabilizar no nível em que estamos não é suficiente.</p>
<p><strong>Mais recentemente o senhor tem pesquisado o decrescimento? </strong></p>
<p>Estamos fazendo, Tim Jackson e eu, um modelo macro com aspectos melhorados em relação à minha primeira tentativa.  Por exemplo, o setor financeiro é mais proeminente, e tentamos nos prender menos ao comportamento passado quando projetamos o futuro.  Também queremos que possa ser aplicado mais facilmente a diferentes países.  Devemos ter resultados preliminares até o meio do ano que vem.  O modelo será capaz de dizer algo sobre economias que crescem, que encolhem e que se mantêm estáveis, é uma questão de quais políticas você impõe e quais premissas assume.</p>
<p>A pergunta que estamos fazendo é: o que acontece com uma economia com sérios limites biofísicos?  Há algum interesse de governos no novo modelo?  Não foi isso que nos estimulou.  Tim Jackson foi responsável pela pesquisa para a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da Inglaterra, ouviu sobre o meu trabalho, escreveu sobre ele no seu livro e me convidou a apresentá-lo.  Sendo o cara brilhante que é, percebeu que havia muito a melhorar e decidimos trabalhar juntos.  A comissão dele, entretanto, foi abolida.  Não há um só governo que tenha abraçado esse assunto.  Mas estão curiosos, eu recebo convites de políticos, servidores públicos.  Em geral, há mais interesse na esfera local do que na nacional, os políticos locais estão muito mais cientes dos limites, não podem imprimir dinheiro, são responsáveis por coisas como a disposição do lixo e esgoto, têm uma clara noção de seu território. <strong> </strong></p>
<p><strong>Quão receptivos são os economistas? </strong></p>
<p><strong> </strong>A maioria não se engaja, não adota o assunto.  Sou professor de estudos ambientais, mas gosto de como a economia nos dá uma base para análise e conceitos úteis.  A economia diz lidar com a escassez.  Meu desacordo com muitos economistas é que eles não veem o que se tornou escasso – a biosfera, ela não suporta nossas demandas, e deveríamos trazer nossa perspectiva de escassez para entender esse novo problema.  Conheço vários economistas que concordariam com o que eu acabei de dizer, mas não querem discutir a questão do crescimento, é simplesmente demais para eles.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2011/12/amadurecendo-economias/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Domingo no parque: do Canadá ao Brasil</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2010/08/domingo-no-parque-do-canada-ao-brasil/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2010/08/domingo-no-parque-do-canada-ao-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 17:04:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
		<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[gestão ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[parques]]></category>
		<category><![CDATA[Quebec]]></category>
		<category><![CDATA[unidades de conservação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=8943</guid>
		<description><![CDATA[O Oswaldo Gonçalves Junior, nosso leitor/colaborador, é também um experiente campista. Aqui, ele fala sobre as delícias de percorrer os parques de Quebec, no Canadá, e sobre como o exemplo da boa gestão de unidades de conservação por lá poderia também inspirar o Brasil.  
Ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Oswaldo Gonçalves Junior, nosso leitor/colaborador, é também um experiente campista. Aqui, ele fala sobre as delícias de percorrer os parques de Quebec, no Canadá, e sobre como o exemplo da boa gestão de unidades de conservação por lá poderia também inspirar o Brasil.</em>  </p>
<div id="attachment_8944" class="wp-caption alignleft" style="width: 416px"><a href="http://www.flickr.com/photos/11304375@N07/2249104485/"><img class="size-large wp-image-8944" title="aurora boreal" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/08/aurora-boreal-406x257.jpg" alt="Observatoire Mont Cosmos, Quebec, Canada. Foto de Philippe Moussette via Flickr" width="406" height="257" /></a><p class="wp-caption-text">Observatoire Mont Cosmos, Quebec, Canada. Foto de Philippe Moussette via Flickr</p></div>
<p>Ainda que não seja fácil comparar países, que têm sempre peculiaridades e trajetórias históricas próprias, vale a pena olhar para experiências de fora a fim de inspirar novos caminhos por aqui. Esse é o caso da gestão de unidades de conservação da natureza, especialmente os parques, e do acesso de seus cidadãos a esses espaços no Canadá.</p>
<p>De princípio, já pode parecer meio óbvio o quão grandes são as diferenças em termos de organização desses espaços. Entretanto, o objetivo deste artigo não é reforçar a imagem do “quanto somos atrasados”, mas sim procurar trazer elementos que ajudem a entender melhor como os canadenses chegaram a esse patamar. Ou seja, comparar pode ser um bom caminho para que avancemos para além daquilo que nossa imaginação permite.</p>
<p>Um primeiro aspecto que chama a atenção quando se pretende visitar um parque canadense é o acesso a informação. No caso da Província do Quebec, elas são disponibilizadas pelo órgão oficial responsável pelo setor, o SEPAQ (Société des établissements de plein air du Québec), uma agência do governo daquela Província, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Sustentável.</p>
<p>Numa parte específica da <a href="http://www.sepaq.com/pq/" target="_blank">página eletrônica do Órgão</a>, pode-se encontrar uma ampla gama de informações sobre cada um dos 23 parques nacionais da Província. Se a intenção é fazer “turismo de aventura”, o interessado será surpreendido novamente pelo rol de informações detalhadas, inclusive com mapas disponibilizados das trilhas.</p>
<p>Se a pretensão é permanecer no parque por mais de um dia, há duas modalidades para isso: alugar uma cabana ou acampar com sua própria barraca. A primeira opção é algo extraordinário para aqueles que podem gastar um pouco mais e que querem maior conforto. Mesmo sem luxo, a cabana já está lá montada sobre um piso de madeira do tipo “tablado”, que a mantém afastada do solo, e conta com fogão a gás, camas, luz elétrica, entre outras benfeitorias.</p>
<p>Para quem quer acampar, existem espaços específicos para isso: clareiras nas quais cada barraca fica isolada uma das outras, cada qual contando com uma mesa de piquenique e uma pequena estrutura para que se possa fazer fogo.<br />
As belezas naturais, a estação do verão e a qualidade daquilo que se encontra nesses locais geram uma procura intensa que obriga aqueles que querem permanecer por alguns dias a iniciar um planejamento com algumas semanas de antecedência. E isso pode ser facilmente feito via Internet, na página específica do parque que se quer visitar, acessada a partir do site do SEPAQ. Para isso basta informar o período de dias pretendidos e visualizar on-line um mapa do acampamento, com os lugares (clareiras) já ocupados e aqueles ainda disponíveis para cada tipo de barraca.</p>
<p>Após a escolha, efetua-se o pagamento via cartão de crédito no próprio site. Neste segundo semestre de 2010, o preço da diária para uma barraca de até três pessoas era de aproximadamente $ 20.00.</p>
<p>Se tudo parece perfeito até aqui, outras agradáveis surpresas ainda virão para aqueles que nunca estiveram num parque do Quebec. Chegar a uma portaria de um desses lugares chega a gerar incredulidade diante do que se vê. Isso porque é fácil imaginar estar participando de alguma daquelas “pegadinhas” em que a câmera fica escondida, tamanha a simpatia com que o visitante é tratado pelos sorridentes e prestativos funcionários.</p>
<p>No centro de acolhida, após o registro &#8211; que o funcionário faz acessando as informações previamente fornecidas via Internet &#8211; o visitante pode também adquirir lenha, que é vendida pelo próprio parque (cada feixe por $ 7.00), sendo esta compra a única condição para que se possa fazer fogo nos locais apropriados.</p>
<p>Em alguns parques, como o belo <a href="http://www.sepaq.com/pq/hgo/index.dot" target="_blank">Parc national des Hautes-Gorges-de-la-Rivière-Malbaie</a>, tanto no site quanto na chegada, o visitante recebe ainda uma série de instruções para evitar receber em seu acampamento a visita de um urso negro, animal presente na área e ávido na busca pelos mais variados mantimentos que exalem odor, até mesmo pasta de dente. No final do dia, um entusiasmado funcionário irá até sua clareira convidá-lo para assistir também a uma das palestras que são oferecidas e que podem, inclusive, ensiná-lo a lidar melhor com a situação quando do encontro com um urso negro numa das trilhas do Parque. Mas, mais comum que os ursos são as diferentes espécies de esquilos, coelhos e faisões, facilmente avistados e que exibem muito pouco receio se aproximando dos humanos. Outras palestras oferecidas todas as noites são bastante freqüentadas, com um misto de conteúdo informativo e educação ambiental.</p>
<p>Outro belíssimo parque não muito distante de lá, o Parc national des Grands-Jardins, possui um cânion fantástico! Para quem gosta de “fazer trilha” esses lugares se revelam incríveis, pois contam com uma beleza natural muito bem conservada, rios, lagos, florestas e vistas magníficas. A estrutura das trilhas é invejável, tanto pelo seu traçado, quanto pelas soluções encontradas em termos de sinalização e manutenção, como passarelas em locais alagados e escadas em locais mais suscetíveis à erosão.</p>
<p>Outra característica que impressiona são as estradas para se ter acesso a esses parques. Além de um asfalto impecável, o caráter cênico dos trajetos revela que esses projetos são muito bem sucedidos ao levarem em conta a união do potencial turístico de cidades próximas com o atrativo em si, que são essas áreas destinadas à conservação do patrimônio natural daquele país.</p>
<p>E talvez esse seja o maior ensinamento que a experiência canadense pode nos dar: de que as áreas a serem protegidas não devem ser isoladas da sociedade, sejam dos turistas ou de populações tradicionais, muitas vezes pressionadas a abandonarem essas áreas como infelizmente mostra nossa história neste campo. Quando se olha para a experiência de Brasil e Canadá nesse setor, portanto, somos levados a pensar no quanto as unidades de conservação podem ser atrativas ou repelentes para os humanos, seja de maneira deliberada, seja pela má gestão dessas áreas.</p>
<p>Há mais de 20 anos venho percorrendo trilhas no Brasil, muitas das quais em áreas tidas como “oficialmente protegidas”, como são os parques nacionais e estaduais e, como alguns, vivencio os percalços daqueles que praticam o chamado “turismo de aventura”, atividade que existe há mais de 100 anos no Brasil, mas que, sob olhares de desconfiança, vem sendo mantida ainda numa espécie de “gueto”.</p>
<p>A experiência canadense mostra que clareza nas regras, transparência e organização na utilização de áreas protegidas são caminhos mais virtuosos por possibilitarem unir conservação com acesso democrático, sem falar no potencial econômico e social que a atividade do turismo pode gerar. Mesmo sendo difícil comparar, e sem querer desprezar a beleza do Canadá, a diversidade e exuberância natural do Brasil poderiam torná-lo sem concorrentes a altura nesse setor.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2010/08/domingo-no-parque-do-canada-ao-brasil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Matança de focas na sede olímpica</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/matanca-de-focas-na-sede-olimpica/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/matanca-de-focas-na-sede-olimpica/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 15:27:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciberação]]></category>
		<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[comércio de peles]]></category>
		<category><![CDATA[focas]]></category>
		<category><![CDATA[Jogos Olímpicos]]></category>
		<category><![CDATA[Olimpíadas]]></category>
		<category><![CDATA[Vancouver-2010]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=5633</guid>
		<description><![CDATA[Mais uma vez, a projeção de um grande evento esportivo vira telhado de vidro para causas ambientais. A “guerra às focas” anual no Canadá está se tornando um enorme constrangimento para o comitê organizador das Olimpíadas de Invernos em Vancouver, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma vez, a projeção de um grande evento esportivo vira telhado de vidro para causas ambientais. A “guerra às focas” anual no Canadá está se tornando um enorme constrangimento para o comitê organizador das Olimpíadas de Invernos em Vancouver, que serão realizadas no ano que vem.</p>
<p>Coisa semelhante aconteceu com a China, muito criticada pelos altos níveis de poluição antes das Olimpíadas de 2008 e também com a Coréia do Sul, que sediou os Jogos em 1988, atacada pelo consumo de carne de cachorro na culinária local. Mas a barbárie contra as focas no Canadá nada tem a ver com hábitos alimentares. Serve ao sanguinário mercado de peles.</p>
<p>O vídeo ao lado mostra como esses animais são mortos a pauladas e esfolados ainda vivos. As imagens são horripilantes. Nem os filhotes, mais peludos que os adultos, são poupados. Para quem nunca viu um bebê foca, vale a pena fazer uma busca fotográfica. É difícil imaginar um bicho mais adorável.</p>
<p>A PETA, uma organização internacional pelos direitos dos animais, montou um <a href="http://www.olympicshame2010.com/Default.aspx" target="_blank">hotsite chamado “Vergonha Olímpica”</a> com várias opções de ciberação. Você pode enviar uma mensagem modelo aos organizadores de Vancouver-2010 para que usem a sua influência no combate à carnificina de focas. Basta preencher nome e e-mail.  Também é possível baixar os banners da campanha para blogs e redes sociais.</p>
<p>Por fim, não custa lembrar que o Brasil também caminha para entrar nesse radar. É certo que Rio-2016 também deverá suscitar campanhas desse tipo. Quais serão nossos telhados de vidro? Façam suas apostas!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/matanca-de-focas-na-sede-olimpica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A contradição canadense</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/a-contradicao-canadense/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/a-contradicao-canadense/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 14:22:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Da redação]]></category>
		<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[emissões]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[gases do efeito estufa]]></category>
		<category><![CDATA[oil sands]]></category>
		<category><![CDATA[petróleo]]></category>
		<category><![CDATA[tas sands]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pagina22.com.br/?p=4878</guid>
		<description><![CDATA[No imaginário  internacional, eles nunca encarnam o papel de vilões. O Canadá  acumula admiração pela qualidade de vida em suas vastas terras, pela tolerância à diversidade, pelas belezas naturais oscilantes entre o verde das florestas e o branco dos cenários de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4894" class="wp-caption alignleft" style="width: 307px"><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/12/3792780830_209d886976.jpg"><img class="size-medium wp-image-4894" title="Visão dos oil sands canadenses. Foto de David Dodge, The Canadian Parks and Wilderness Society " src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2009/12/3792780830_209d886976-297x198.jpg" alt="Visão dos oil sands canadenses. Foto de David Dodge, The Canadian Parks and Wilderness Society " width="297" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Visão dos oil sands canadenses. Foto de David Dodge, The Canadian Parks and Wilderness Society </p></div>
<p>No imaginário  internacional, eles nunca encarnam o papel de vilões. O Canadá  acumula admiração pela qualidade de vida em suas vastas terras, pela tolerância à diversidade, pelas belezas naturais oscilantes entre o verde das florestas e o branco dos cenários de inverno. Mas a imagem que você tem deste país pode mudar quando o assunto são as questões climáticas.</p>
<p><strong>Uma terra de maravilhas?</strong></p>
<p>Com nível de alfabetização de 99%, os cerca de 33,5 milhões de canadenses gozam do 4º melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo, sendo que <a href="http://www.cic.gc.ca/english/immigrate/sponsor/index.asp" target="_blank">a imigração é bem-vinda no país</a>. Entre 2001 e 2006, ela foi responsável por cerca de dois terços do crescimento populacional canadense, e hoje os cidadãos que nasceram em outras terras (e que compõem um grupo de 200 nacionalidades diferentes) representam quase <a href="http://atlas.nrcan.gc.ca/site/english/maps/peopleandsociety/immigration" target="_blank">20% do total da população do gigante do norte</a>.</p>
<p>Vancouver é considerada a <a href="http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI76464-16367,00-VANCOUVER+E+A+MELHOR+CIDADE+PARA+VIVER.html" target="_blank">melhor cidade do mundo para se morar</a>, Toronto é a quarta colocada no mesmo ranking, desenvolvido pela revista The Economist, e desde 2005 pessoas do mesmo sexo podem se casar legalmente em qualquer parte do país.</p>
<p><strong>Quando o assunto é Kyoto, “shame on you!”</strong></p>
<p>Mas este mesmo país extremamente evoluído em aspectos civis é um grande fardo global nas questões climáticas. O Canadá ratificou oficialmente o Protocolo de Kyoto em 2002 e, até então, seu comprometimento com as questões climáticas não tinha se descolado da imagem de “bom moço”. Foi quando apareceu em 2006 no cenário da capital canadense – a quase desconhecida Ottawa &#8212; <a href="http://www.cbc.ca/news/background/kyoto/timeline.html" target="_blank">Stephen Harper, líder do partido conservador eleito primeiro-ministro</a>. O primeiro orçamento nacional emitido por ele tinha zero dólares canadenses destinados à implementação do Protocolo. Na época, ele anunciou um plano nacional desenvolvido por seu governo para lutar contra as mudanças do clima, sem entrar em muitos detalhes.</p>
<p>O comprometimento do governo anterior, dos liberais, era de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em 6% ante os níveis de 1990 até o fim do primeiro período de comprometimento. Abandonada pelo governo Harper, a tendência é que o país passe bem, bem longe da sua própria meta: hoje, as emissões estão cerca de <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2009/nov/26/canada-criticised-over-climate-change" target="_blank">24% acima do que era planejado</a>.</p>
<p>Em ranking das maiores emissões per capita, o Canadá assume o segundo lugar em uma lista de 17 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o que rende ao país uma<a href="http://www.conferenceboard.ca/hcp/details/environment/greenhouse-gas-emissions.aspx" target="_blank"> vergonhosa nota “D” no ranking das emissões</a>. Segundo o mesmo estudo, 46,1% delas tem origem na combustão de recursos, sendo que o setor de energia, de modo geral, contribuiu com 82% das emissões do país em 2005.</p>
<p><strong>O óleo das areias</strong></p>
<p>No meio do país, concentradas principalmente no estado de Alberta, estão a principal razão para tanta poluição canadense: as areias oleosas (<a href="http://www.oilsandswatch.org/blog/44  " target="_blank">ou “oil sands”</a>), conhecidas também como “tar sands”, cuja composição é basicamente de areia, argila, água e um tipo de petróleo pesado, ou betume. Retirar esse petróleo do solo é uma tarefa complicadíssima, que requer tremendas quantidades de energia e ocasiona um processo três vezes mais poluente que a extração comum, sendo que o petróleo resultante ainda não é de grande qualidade.</p>
<p>E por ali tem muito, muito petróleo, o que torna os canadenses os segundos maiores produtores do mundo após a Arábia Saudita &#8212; desde 2001, o país já é o maior fornecedor de petróleo para os Estados Unidos.</p>
<p>A repórter Daniela Chiaretti, do jornal Valor Econômico, <a href="http://www.power.inf.br/pt/?p=11409" target="_blank">esteve nas terras das tar sands e relata a experiência</a> que ela qualifica como &#8220;horripilante&#8221; e um cenário de &#8220;Mad Max&#8221;. Conta que a a famosa ativista canadense na questão da água, <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2008/10/a-parte-liquida-da-pegada/" target="_blank">Maude Barlow</a>, chama a região de &#8220;Mordor&#8221; (o centro sombrio do mal no mundo imaginário de <em>Senhor dos Anéis</em>).</p>
<p><strong>Veja ao lado uma galeria com imagens das oil sands.</strong> O jornal norte-americano The Washington Post também fez uma <a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/gallery/2005/06/08/GA2005060802512.html" target="_blank">apresentação com fotos</a>.</p>
<p>Explorar um tipo de energia tão poluente mancha de negro o branco e o vermelho da bandeira canadense. Em 2008, após a COP-14, o país levou pelo segundo ano consecutivo <a href="http://blogs.greenpeace.ca/2008/12/12/fossil-of-the-year/" target="_blank">o prêmio de Fóssil Colossal</a>, dado por organizações não-governamentais àqueles países que mais emperram as negociações internacionais. Veja na coluna ao lado um vídeo em que Harper é &#8220;premiado&#8221;  por deixar negociações climáticas em Nova York para visitar uma fábrica de rosquinhas.</p>
<p><strong>E agora?</strong></p>
<p>Na última semana, membros do Commonwealth &#8212; que reúne basicamente países de língua inglesa que foram ex-colônias britânicas, juntamente com a própria Grã-Bretanha &#8212; <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2009/nov/26/canada-criticised-over-climate-change  " target="_blank">chegaram a pedir a suspensão do Canadá do grupo</a>, já que o país estaria pouco se importando com mudanças climáticas que têm impacto direto em outros membros, como a ocasião de enchentes em Bangladesh e nas Ilhas Maldivas.</p>
<p>As apostas são de que na COP-15 o país continue a investir todas as suas fichas em um fracasso generalizado. Harper já disse que irá comparecer à reunião, “uma massa crítica de líderes mundiais irá”, como disse seu porta-voz. Mas não se deve esperar muito.</p>
<p>Em declaração recente, <a href="http://ca.reuters.com/article/topNews/idCATRE5AS16K20091129" target="_blank">como noticia a agência Reuters</a>, o primeiro-ministro disse que as metas canadenses devem acompanhar a tendência das estabelecidas pelos Estados Unidos. O plano do governo canadense é de cortar a emissão de gases geradores do efeito estufa em 20 por cento até 2020 ante níveis de 2006. O mundo agradeceria se esse corte fosse respeitado.</p>
<p>Curiosamente, no mesmo dia em que aprontamos este post, o repórter George Monbiot, do The Guardian, <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cif-green/2009/nov/30/canada-tar-sands-copenhagen-climate-deal" target="_blank">assinava o seu</a>. Ele faz uma comparação interessante ao dizer que  &#8220;a postura do Canadá em relação às mudanças climáticas faz pela sua reputação o mesmo que a caça às baleias fez pela do Japão&#8221;.</p>
<p>E termina com um lamento indignado: &#8220;Me sinto estranho escrevendo isso. A ameaça imediata ao esforço global de sustentar um mundo pacífico e estável não vem da Arábia Saudita, ou do Irã, ou da China. Vem do Canadá. Como isso poder ser verdade?&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2009/12/a-contradicao-canadense/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre rodas e consciência</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2007/09/sobre-rodas-e-consciencia/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2007/09/sobre-rodas-e-consciencia/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Sep 2007 17:13:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
				<category><![CDATA[12]]></category>
		<category><![CDATA[Revista]]></category>
		<category><![CDATA[automóveis menos poluentes]]></category>
		<category><![CDATA[bicicletas]]></category>
		<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Islândia]]></category>
		<category><![CDATA[notas]]></category>
		<category><![CDATA[Nova York]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.gvces.com.br/pagina22/wp/?p=662</guid>
		<description><![CDATA[Por Flavia Pardini 
Aliberdade das bicicletas não é uma opção em muitos locais, como São Paulo, onde o tráfico intenso, o relevo acidentado e a falta de segurança nas ruas desencorajam até os mais ardorosos ciclistas.  Na Islândia, onde a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Aliberdade das bicicletas não é uma opção em muitos locais, como São Paulo, onde o tráfico intenso, o relevo acidentado e a falta de segurança nas ruas desencorajam até os mais ardorosos ciclistas.  Na Islândia, onde a temperatura no verão em geral não passa dos 15 graus e a taxa de automóveis per capita está entre as mais altas do mundo, o jeito foi incentivar o uso de carros menos poluentes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A capital Reykjavík aprovou em agosto regras que permitem o estacionamento de graça para os donos de automóveis considerados menos danosos ao meio ambiente — aqueles que consomem menos de 5 litros de gasolina para rodar 100 quilômetros.  A medida pode significar uma economia de cerca de 8 euros por dia e foi recebida com entusiasmo pela população.  Reykjavík, Dia Mundial Sem localizada perto do Círculo Ártico, tem aproximadamente 117 mil habitantes e cerca de 230 mil carros registrados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mais ao sul, na província canadense de Ontário, o governo anunciou que automóveis mais eficientes e que rodam com combustíveis alternativos poderão receber, a partir de 2008, placas verdes e garantir descontos em estacionamentos e a possibilidade de rodar em faixas exclusivas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Influenciar o motorista na hora da compra é a intenção do estado de Nova York, que aprovou legislação em agosto exigindo que modelos novos saiam das fábricas, a partir de 2010, com um adesivo informando o “índice de aquecimento global”: a quantidade de CO2 e outros gases de efeito estufa emitidos pelos automóveis.  Regras semelhantes entram em vigor na Califórnia em 2009.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">De olho na liberdade do consumidor e no aumento da consciência ambiental, as montadoras reagem.  A japonesa Nissan, por exemplo, promete equipar todos os modelos com um medidor da eficiência do combustível, indicando o aumento no consumo à medida que o motorista acelera.  A montadora acredita que o resultado pode ser um aumento de até 10% na eficiência.  Mas, para o motorista consciente, do Ártico ao Equador e mais ao sul, performance total significa deixar o carro em casa.</div>
<div>Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>Aliberdade das bicicletas não é uma opção em muitos locais, como São Paulo, onde o tráfico intenso, o relevo acidentado e a falta de segurança nas ruas desencorajam até os mais ardorosos ciclistas.  Na Islândia, onde a temperatura no verão em geral não passa dos 15 graus e a taxa de automóveis per capita está entre as mais altas do mundo, o jeito foi incentivar o uso de carros menos poluentes.</div>
<div>A capital Reykjavík aprovou em agosto regras que permitem o estacionamento de graça para os donos de automóveis considerados menos danosos ao meio ambiente — aqueles que consomem menos de 5 litros de gasolina para rodar 100 quilômetros.  A medida pode significar uma economia de cerca de 8 euros por dia e foi recebida com entusiasmo pela população.  Reykjavík, Dia Mundial Sem localizada perto do Círculo Ártico, tem aproximadamente 117 mil habitantes e cerca de 230 mil carros registrados.</div>
<div>Mais ao sul, na província canadense de Ontário, o governo anunciou que automóveis mais eficientes e que rodam com combustíveis alternativos poderão receber, a partir de 2008, placas verdes e garantir descontos em estacionamentos e a possibilidade de rodar em faixas exclusivas.</div>
<div>Influenciar o motorista na hora da compra é a intenção do estado de Nova York, que aprovou legislação em agosto exigindo que modelos novos saiam das fábricas, a partir de 2010, com um adesivo informando o “índice de aquecimento global”: a quantidade de CO2 e outros gases de efeito estufa emitidos pelos automóveis.  Regras semelhantes entram em vigor na Califórnia em 2009.</div>
<div>De olho na liberdade do consumidor e no aumento da consciência ambiental, as montadoras reagem.  A japonesa Nissan, por exemplo, promete equipar todos os modelos com um medidor da eficiência do combustível, indicando o aumento no consumo à medida que o motorista acelera.  A montadora acredita que o resultado pode ser um aumento de até 10% na eficiência.  Mas, para o motorista consciente, do Ártico ao Equador e mais ao sul, performance total significa deixar o carro em casa.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2007/09/sobre-rodas-e-consciencia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Meta é para cumprir</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2007/07/meta-e-para-cumprir/</link>
		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2007/07/meta-e-para-cumprir/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Jul 2007 20:57:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
				<category><![CDATA[10]]></category>
		<category><![CDATA[Revista]]></category>
		<category><![CDATA[Amigos da Terra]]></category>
		<category><![CDATA[aquecimento global]]></category>
		<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[notas]]></category>
		<category><![CDATA[Protocolo de Kyoto]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.gvces.com.br/pagina22/wp/?p=608</guid>
		<description><![CDATA[Por Flavia Pardini 
Depois das seis maiores montadoras de automóveis dos EUA, é a vez de o governo do Canadá sentar no banco dos réus por causa do aquecimento global.  A organização não governamental Amigos da Terra anunciou ter apelado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Depois das seis maiores montadoras de automóveis dos EUA, é a vez de o governo do Canadá sentar no banco dos réus por causa do aquecimento global.  A organização não governamental Amigos da Terra anunciou ter apelado à Justiça para fazer com que o governo canadense cumpra sua meta de redução das emissões de gases de efeito estufa – de 6% sobre os níveis de 1990, a ser atingida entre 2008 e 2012 – prevista no Protocolo de Kyoto.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O governo do primeiro-ministro conservador Stephen Harper anunciou em abril um programa para reduzir em 20% as emissões até 2020, em relação a 2006.  “Isso deixaria o Canadá aproximadamente 39% abaixo de sua meta de Kyoto em 2012”, afi rma a ONG.  O país ratifi cou o Protocolo em 2002, mas desde sua posse, em fevereiro de 2006, Harper reluta em agir, alegando custos econômicos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Amigos da Terra informa que o processo é um pedido de revisão judicial baseado na provável violação da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, o que contraria a legislação ambiental canadense – que determina que o país cumpra os acordos internacionais adotados para prevenir a poluição.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A ONG garante que o processo não tem intenção de gerar indenização, mas de obter “regulamentação que crie um limite absoluto sobre as emissões de gases de efeito estufa dentro de um prazo que vá ao encontro das obrigações sob Kyoto”.  O processo contra as montadoras é movido pelo estado da Califórnia e baseia-se nos gastos que o governo é obrigado a fazer para reduzir as emissões produzidas pelos carros vendidos pelas companhias.</div>
<div>Por Flavia Pardini<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>Depois das seis maiores montadoras de automóveis dos EUA, é a vez de o governo do Canadá sentar no banco dos réus por causa do aquecimento global.  A organização não governamental Amigos da Terra anunciou ter apelado à Justiça para fazer com que o governo canadense cumpra sua meta de redução das emissões de gases de efeito estufa – de 6% sobre os níveis de 1990, a ser atingida entre 2008 e 2012 – prevista no Protocolo de Kyoto.</div>
<div></div>
<div>O governo do primeiro-ministro conservador Stephen Harper anunciou em abril um programa para reduzir em 20% as emissões até 2020, em relação a 2006.  “Isso deixaria o Canadá aproximadamente 39% abaixo de sua meta de Kyoto em 2012”, afi rma a ONG.  O país ratifi cou o Protocolo em 2002, mas desde sua posse, em fevereiro de 2006, Harper reluta em agir, alegando custos econômicos.</div>
<div></div>
<div>A Amigos da Terra informa que o processo é um pedido de revisão judicial baseado na provável violação da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, o que contraria a legislação ambiental canadense – que determina que o país cumpra os acordos internacionais adotados para prevenir a poluição.</div>
<div></div>
<div>A ONG garante que o processo não tem intenção de gerar indenização, mas de obter “regulamentação que crie um limite absoluto sobre as emissões de gases de efeito estufa dentro de um prazo que vá ao encontro das obrigações sob Kyoto”.  O processo contra as montadoras é movido pelo estado da Califórnia e baseia-se nos gastos que o governo é obrigado a fazer para reduzir as emissões produzidas pelos carros vendidos pelas companhias.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pagina22.com.br/index.php/2007/07/meta-e-para-cumprir/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

