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	<title>Página 22 &#187; arquitetura</title>
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		<title>Página Cultural</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 16:28:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<category><![CDATA[A Construção da Utopia]]></category>
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		<description><![CDATA[Espaço é extensão da gente
A exposição O Espaço Que Guardamos em Nós é uma reflexão da nossa capacidade em produzir memórias e atribuir significados e poesia aos lugares que habitamos.  Em cartaz no Museu da Imagem e do Som [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-15408" title="PC300" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/12/PC300.jpg" alt="PC300" width="300" height="188" />Espaço é extensão da gente</strong></p>
<p>A exposição <em>O Espaço Que Guardamos em Nós</em> é uma reflexão da nossa capacidade em produzir memórias e atribuir significados e poesia aos lugares que habitamos.  Em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, compõe-se de duas séries.  <em>Aluga-se</em>, de Pedro David, com imagens de apartamentos desabitados, vazios, na iminência de que alguém restitua sentido àquele espaço.  David retrata a ausência e o silêncio projetado na memória daqueles que habitam ou habitaram uma casa.  Em <em>Morar</em>, do Coletivo Garapa, a investigação imagética é volumosa, híbrida em sua linguagem e antropológica em torno de questões sobre a existência e o desaparecimento de edifícios na paisagem urbana.  &#8220;A fotografia é irredutível quando nos amplia olhares e sentimentos, mas é ainda mais indefectível quando faz da nossa imaginação a porta para a compreensão de nós mesmos com nossos espaços&#8221;, comenta Georgia Quintas, no texto de apresentação da exposição.</p>
<p><strong><br />
As canções da sua vida<br />
</strong><br />
Pedindo que as pessoas cantassem para uma câmera a canção de suas vidas, o documentarista Eduardo Coutinho constrói um filme sobre o amor.  A relação das pessoas com o amor.  As mulheres, sobremaneira, têm narrativas doídas de histórias amorosas, desilusões, mágoas, uma vida de memória que parece só existir na perspectiva do amor perdido.  Exposição sem reservas.</p>
<p>Na sala do cinema, o magnetismo de Coutinho extraindo das pessoas o seu íntimo e o que nos confere de mais humano proporciona esse encontro do espectador com as histórias alheias, as suas próprias e os que se propuseram a passar pela experiência.  Estes últimos parecem bastante aliviados/ satisfeitos com a catarse diante daquele ouvido/câmera gigante e generoso desse artista que é Eduardo Coutinho.  Emocionante.</p>
<p><strong><br />
A construção da utopia</strong></p>
<p>O longa <em>Reidy, A Construção da Utopia</em>, de Ana Maria Magalhães, aborda a trajetória do urbanista Affonso Eduardo Reidy, um dos pioneiros da arquitetura moderna, responsável pelo projeto e construção do Aterro ou Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro.  Textos do próprio arquiteto nos contam suas alegrias, decepções e vitórias, além da iluminada contribuição para a capital carioca.  Sua obra é debatida em entrevistas, como a do urbanista Lucio Costa, para quem Reidy era o mais elegante e civilizado de sua geração.</p>
<p>Ao construir a paisagem urbana do Rio, Reidy promove a sua transformação em cidade moderna.  A atualidade de sua obra permite abordar, entre outros temas, o problema da habitação: favelas, <em>apartheid </em>urbano, mas também a função social da arquitetura e a utopia que guia arquitetos-artistas.</p>
<p><strong><img class="alignright size-large wp-image-15407" title="PC2" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/12/PC2-295x270.jpg" alt="PC2" width="295" height="270" />Longe de onde</strong></p>
<p>O segundo disco de Karina Buhr, <em>Longe de Onde</em>, confirma co<strong> </strong>mo a artista é craque em revirar palavras e expectativas de quem a ouve.  A música de Karina tem o sim e o não, como diz Ronaldo Evangelista na apresentação do álbum.  Karina faz cinco shows de lançamento em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Campinas neste fim de ano.  Sua poesia passeia pelo amor, mas também pela morte; pela política, mas pelo banal do cotidiano.  A sonoridade atravessa o punk e a baladinha; a surf music e o reggae.  Vai te levando em surpresas e lirismo, dando um nó gostoso nas possibilidades, ideias, pensamentos, com assertivas absurdas e uma pá de sensações.  Assim como em seu primeiro disco (<em>Eu Menti</em><em> Pra Você</em>, janeiro de 2010), o novo foi produzido por Karina, ao lado de Bruno Buarque e Mau, que fazem parte da banda, junto com o tecladista André Lima e o trompetista Guizado.  Completam a trupe neste lançamento a dupla de guitarristas Edgard Scandurra e Fernando Catatau.  Ronaldo Evangelista resume, certeiro: “A vivência é única, e é justamente nessa coisa única que tudo se torna mais interessante.  Falar muito é como explicar a piada: para fazer ideia, só ouvindo e pensando e sentindo”.</p>
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		<title>Por trás do sinal vermelho</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 06:51:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
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		<description><![CDATA[Sinal vermelho não foi feito para limitar a velocidade dos veículos. Cada vez mais, os sinais de trânsito das metrópoles visam negociar os interesses dos mais diversos usuários, como mostra o vídeo produzido pelo Urban Omnibus, um projeto da Liga [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_12442" class="wp-caption alignleft" style="width: 370px"><a href="http://www.flickr.com/photos/willemvanbergen/4636583626/"><img class="size-large wp-image-12442" title="http://www.flickr.com/photos/willemvanbergen/4636583626/" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/05/4636583626_462704028f-360x270.jpg" alt="Foto de Willen van Berger via Flickr" width="360" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Willen van Berger via Flickr</p></div>
<p>Sinal vermelho não foi feito para limitar a velocidade dos veículos. Cada vez mais, os sinais de trânsito das metrópoles visam negociar os interesses dos mais diversos usuários, como mostra o <a href="http://urbanomnibus.net/2011/05/city-of-systems-traffic-signal/" target="_blank">vídeo</a> produzido pelo Urban Omnibus, um projeto da <a href="http://archleague.org/" target="_blank">Liga Arquitetônica </a>de Nova York. O conjunto dos 12,4 mil sinais de trânsito de Nova York, em última instância, determina quem tem o direito de atravessar um cruzamento em determinado momento e quem deve esperar. É um sistema para organizar a complexidade do trânsito na cidade.</p>
<p>A organização começa, segundo o diretor do Centro de Gestão de Tráfico de Nova York, com uma estimativa de quanto tempo os pedestres levam para cruzar uma determinada rua. Depois, de acordo com o volume de veículos em cada direção, procura-se acomodar o tráfego. É um certo alívio saber que as pessoas, e não os carros, são a primeira peça do quebra-cabeça. Pessoas também estão por trás de metade dos sinais da cidade, que ainda dependem de comandos mecânicos e de reclamações do público quando há mal funcionamento. Os demais são controlados por computador, e a intenção é que todos os sinais estejam integrados ao sistema computadorizado em breve.</p>
<p>A Liga Arquitetônica de Nova York vem explorando a ubiqüidade da tecnologia nos espaços urbanos, e em 2009 organizou a exposição <a href="http://archleague.org/2011/01/sentient-city-ubiquitous-computing-architecture-and-urban-space/" target="_blank">Cidade Sentiente</a>, que gerou a publicação recente de um livro do mesmo nome. Segundo o curador da exposição, a intenção foi explorar o impacto que as tecnologias digitais, que cada vez mais parecem desmaterializar o mundo à nossa volta, têm sobre “a insistente materialidade de edifícios e cidades”. No caso do sistema de tráfego de uma cidade como Nova York, o impacto é visível diariamente, embora a maioria de nós nem se dê conta.</p>
<p>O vídeo sobre o sistema de trânsito inicia a série Cidade de Sistemas, em que o Urban Omnibus busca um olhar poético por trás dos complexos sistemas com que convivemos. “Queremos promover a apreciação da complexidade e sofisticação dos sistemas urbanos que atualmente permitem que nos engajemos em nossas atividades diárias, esses sistemas que tomamos como naturais – como a expectativa de que um sinal vai sempre, eventualmente, ficar verde”.</p>
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		<title>A arquitetura da ostra</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 07:18:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Contra a subida do nível do mar em decorrência das mudanças climáticas, Nova York tem uma arma poderosa: a ostra. A cidade já foi conhecida como a capital mundial das ostras, mas graças a séculos de poluição da água e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ostreidae_ja_20090114.JPG"><img class="alignleft size-medium wp-image-8452" title="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ostreidae_ja_20090114.JPG" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/07/800px-Ostreidae_ja_20090114-264x198.jpg" alt="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ostreidae_ja_20090114.JPG" width="264" height="198" /></a>Contra a subida do nível do mar em decorrência das mudanças climáticas, Nova York tem uma arma poderosa: a ostra. A cidade já foi conhecida como a capital mundial das ostras, mas graças a séculos de poluição da água e dragagem do New York Harbor, um ancoradouro natural, hoje não produz mais os moluscos. Para que eles voltem e ajudem a cidade a se adaptar às alterações do clima, um grupo de arquitetos, paisagistas, engenheiros e ativistas criou a oyster-tecture, ou aquitetura da ostra.</p>
<p>Trata-se de um de cinco projetos da exibição <a href="http://moma.org/explore/inside_out/2010/02/23/rising-currents-the-hudson#description" target="_blank">Rising Currents</a>, em cartaz no Museu de Arte Moderna de Nova York, o Moma, até outubro. O New York Harbor foi dividido em cinco zonas, cada uma designada a grupos diferentes de <em>designers</em> com a missão de desenvolver soluções diante da previsão de subida do nível do mar. No caso da zona 4 – que engloba a região do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gowanus_Canal" target="_blank">Canal Gowanus</a>, no Brooklin, incluindo a Governors Island –, a equipe do Scape, um estúdio de arquitetura local, foi buscar inspiração no passado. Encontrou a ostra.</p>
<p>“Recifes de ostras já cobriram 25% do New York Harbor e eram capazes de filtrar toda a água da região em questão de dias”, <a href="http://www.moma.org/explore/multimedia/videos/98/582" target="_blank">diz Kate Orff</a>, diretora do Scape. Além de melhorar a qualidade da água, os moluscos se aglomeram em recifes, que constituem uma excelente maneira de atenuar ondas e proporcionam <em>habitat</em> para uma série de outros animais. Kate e sua equipe imaginam usar o Canal Gowanus como um berçário de ostras e, quando elas estiverem maduras, permitir que as águas do próprio canal as levem para o harbor, onde os moluscos se aglomerariam em recifes artificiais, ajudando a conter a subida do nível do mar e tempestades de maré. A ideia é que os recifes atuariam como barreiras orgânicas, crescendo e evoluindo ao longo do tempo em conjunto com a ameaça das mudanças climáticas. Em cima de tudo isso, os designers projetaram uma série de espaços públicos.</p>
<p>“Queremos explorar o poder biológico das ostras e outras criaturas no harbor e canalizá-lo em direção a uma nova relação entre os nova-iorquinos e seus sistemas hídricos”, diz Kate. Ela espera que, no futuro próximo, as esquinas de Nova York sejam povoadas não apenas por carrinhos de cachorro-quente, mas também por barracas vendendo ostras frescas. E que a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/I_Love_New_York" target="_blank">famosa camiseta</a> um dia estampe “I oyster New York”.</p>
<p>A oyster-tecture e os demais projetos da exposição Rising Currents valem uma visita virtual ao museu. Dica da Renata e do Pedro.</p>
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		<title>Futurismo X Futuro</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 19:24:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na estética dominante do high-tech, estaria a ética da sustentabilidade ficando para trás?
Quem se lembra do videocassete?  Saiu de moda.  Como assim, saiu de moda?  Quem se lembra do Chevette bege-claro?  Saiu de moda.  Também?  Também saiu.  Pegou carona com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Na estética dominante do </em>high-tech<em>, estaria a ética da sustentabilidade ficando para trás?</em></p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/05/futurismo.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-7296" title="futurismo" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/05/futurismo-313x270.jpg" alt="futurismo" width="313" height="270" /></a>Quem se lembra do videocassete?  Saiu de moda.  Como assim, saiu de moda?  Quem se lembra do Chevette bege-claro?  Saiu de moda.  Também?  Também saiu.  Pegou carona com o pretérito perfeito, nos rumos da estrada do tempo.  Não era a de Santos?  Essa já era.  Qual foi o destino do carro?  Deixou a linha de montagem.  E o bege-claro?  Bom, o bege-claro parece cor de quem passou as férias sem tomar sol.  É um tom <em>démod</em>é, mas <em>démodé</em> ninguém fala mais.  Então, fala o quê?  <em>Out</em>, a moda é falar inglês, <em>brother</em>.  Não era chinês?  Ainda será.  Chinês, por enquanto, é pastel com caldo de cana.  E inglês?  Hamburguer do McDonald&#8217;s, hot dog na padaria da esquina, Coca-Cola para matar a sede e um ótimo filme hollywoodiano.</p>
<p>Afinal, qual é a moda?  Vê se <em>understand</em>.  A moda hoje é você compra ou você vende.  A empresa faz pequenos ajustes nos componentes eletrônicos de um produto, desenvolve a tecnologia em certa medida, transforma o <em>design</em> e, em três meses, o que era lançamento na prateleira das lojas se torna coleção na estante do museu.  O ciclo de vida de determinados bens, principalmente os que envolvem avanços tecnológicos, reduz-se cada vez mais.  <span style="text-decoration: underline;">Um fabricante de telefone celular que há uma década estreava dois modelos por ano, agora é capaz de levar ao mercado mais de 40, nos 12 meses.  Haja recursos naturais para suportar</span>.</p>
<p>Na análise de Lenivaldo Gomes, professor do Departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a sociedade, em geral, sustenta-se no eixo produção, acúmulo e consumo.  Um dos principais discursos que reforçam essa lógica e movem o desejo das pessoas, nesse caminho, é o <em>high-tech</em> – ou, tecnologia de ponta.</p>
<p>Estar conectado por um tempo longo, com aumento da diversidade de recursos disponíveis e velocidade mais alta, é sinônimo de sucesso.  Quem estabelece maior quantidade de conexões está à frente do restante da humanidade.  Mais amigos ou seguidores no Twitter, Facebook, Orkut.  Há o telefone celular, e-mail 24 horas no BlackBerry, acesso à internet sem fio.  As opções são muitas, e não bastam.</p>
<p>É preciso ir além.  Ter em mãos as tecnologias de última geração, aparelhos avançados ou os equipamentos mais ágeis.  Quanto mais desenvolvido o produto, mais valorizado (e, geralmente, caro) ele é.  Desse modo, a tecnologia de ponta tornou-se um meio de distinção social.  E o <em>design</em> busca reforçar o caráter <em>high-tech</em> do que chega às lojas, seja por cor, formato, seja por outros recursos.</p>
<p>Nesse contexto, itens como Tvs, rádios, telefones celulares, veículos e até mesmo calçados ganham uma imagem futurista, adquirindo semelhanças entre si.  Em 2008, a Motorola lançou, no Brasil, um telefone celular inspirado nas linhas aerodinâmicas do Maserati Birdcage 75th, luxuoso modelo de automóvel de uma empresa italiana.  Na divulgação para a imprensa, a fabricante ressaltou que o aparelho “combina estilo com funcionalidade”.  E que a novidade serviu para “agradar aos amantes da velocidade”.</p>
<p>Ainda será preciso tomar cuidado para não estacionar o celular no shopping, ou botar o carro no ouvido e sair falando por aí.</p>
<p><strong>Preto ou prata </strong></p>
<p>O indivíduo que aumenta sua capacidade de consumo e passa a ter condições de adquirir o primeiro computador, por exemplo, pode se contentar com o modelo básico.  Conforme seus ganhos aumentam, é comum começar a avaliar novos quesitos, além da utilidade da máquina.  Ele olha atributos que incrementam o preço e transmitem valores que não têm a ver, necessariamente, com o desempenho técnico.  Liquidificadores constituem-se em exemplo.  Entre um protótipo e outro, nada muito diferente de ser útil para cortar alimentos e transformá-los, em conjunto com água ou leite, em sucos, vitaminas e sopas.</p>
<p>Assim, o trabalho de desenhar uma novidade é diferencial.  Aí entram em jogo cor, elegância, formas, material.  A produção de eletrônicos da Apple é um dos maiores destaques nessa linha, prezando por formas delicadas, suaves e cores claras.  Transmitem ao consumidor muito mais do que uma ideia de boa utilidade.  “A função primária de um produto é a utilidade.  Substituir a força humana, os braços, os olhos, a memória.  À medida que uma pessoa ascende socialmente, é grande a possibilidade de ela mudar também alguns conceitos, fazendo da estética (<em>no sentido estrito de beleza</em>) a função primária.  A utilidade, embora ainda levada em consideração, cai para segundo plano”, diz o professor da PUC.</p>
<p>Sob essa ótica, o automóvel nada mais seria do que uma ferramenta que permite a seu condutor ou condutora chegar mais rápido ao destino desejado, em comparação aos métodos de percorrer o trajeto andando, de simples bicicleta ou de carroça.  Mas entre um modelo 1.0 e uma BMW lá se vão quilômetros de distância, confirmando a cultura da ostentação na sociedade moderna.</p>
<p>O BMW é mais veloz, dotado de recursos tecnológicos complexos.  As próprias características físicas do produto contribuem para reforçar esses valores.  “Consumir é comunicar, ainda que essa comunicação seja inconsciente ou não.  E quem tem maior poder aquisitivo pode mais”, acrescenta Gomes.</p>
<p>Não é coincidência que, em uma capital como São Paulo, o predomínio das cores dos carros nas ruas seja dividido por preto, cinza, chumbo ou prata.  Elas são escolhidas pelas montadoras com base na preferência do consumidor, indicada por meio de estatísticas.  De acordo com André Marcolino, sócio da agência M2L e coordenador do curso de Design Transportation, do Instituto Europeu de Design de São Paulo (IED), a cor prata remete à ideia de tecnologia e inovação.  O preto está relacionado a poder.</p>
<p>Na Europa, é mais comum encontrar veículos de outras cores, já que as cidades apresentam tons mais escuros do que os observados no Brasil.  O próprio clima frio e o céu, nublado com maior frequência, influenciam as escolhas dos compradores.  Isso significa que o discurso <em>high-tech</em> não é o único fator a contribuir para a evolução do desenho e das demais características dos produtos.</p>
<p>Se a indústria de telefones celulares recorreu ao <em>design</em> de automóveis para elaborar modelos lançados no mercado, a de veículos também procura interagir de maneira multidisciplinar.  Estilistas famosos prestam consultoria às marcas.  Além do desenvolvimento de tecidos para os assentos, há um uso cada vez mais popular do couro ecológico, que ajuda a diminuir o aquecimento dentro do carro.</p>
<p>Ainda segundo o coordenador do curso do IED, a preocupação do setor de automóveis e peças, na questão relacionada à redução de impactos ambientais, é forte.  Uma delas é a substituição do plástico tradicional por fibras de bananeira no material que constitui apoiadores de braço das portas, botões e compartimentos, além de iniciativas mais impactantes na direção do uso de fontes de energia renováveis.</p>
<p><strong>Quem tem mais pode mais </strong></p>
<p>No discurso da sustentabilidade, o coletivo torna-se protagonista da história.  O indivíduo escolhe os objetos de consumo tendo em mente que suas decisões alteram a ordem do que pode acontecer com o planeta e seus habitantes, e aí estamos falando de ética.  A conscientização entra na agenda, mas o discurso não foge à lógica da distinção social.  Há uma parcela da sociedade com maiores condições de manter práticas saudáveis do que outra.</p>
<p>As classes do topo da pirâmide têm acesso facilitado ao conhecimento sobre o cuidado com a saúde do corpo humano e do planeta.  São elas que apresentam também mais oportunidades de se matricular em academias de ginástica, associar-se a clubes e consultar profissionais da área médica.  O aspecto econômico favorece, inclusive, o consumo de itens da lista da sustentabilidade, como alimentos orgânicos, cultivados sem agrotóxicos.</p>
<p>Em geral, no fim do mês, o cardápio orgânico tem peso maior no bolso de quem vai ao supermercado, comparado a produtos sem essa preocupação.  Quem tem mais dinheiro acaba reunindo mais condições de se diferenciar dos demais, mantendo a tradicional linha da diferenciação pelo acúmulo de capitais.  Uma forma de distinção entre as classes, por meio de atitudes e comportamentos.</p>
<p>Gomes, da PUC-Rio, analisa também traços em determinados produtos que demonstram certas características estéticas da sustentabilidade.  “Existe um tipo que é o confronto direto com o <em>high-tech</em>.  Destaca o material como opção do próprio <em>designer</em>, lembrando ter ocorrido ali o processo de reaproveitamento.  Um exemplo são as cadeiras de papelão que não escondem sua composição”, aponta.</p>
<p>Há também o confronto indireto, com valorização maior da forma do que do material.  É o caso de quem adquire uma cadeira para o escritório.  E, em vez de assento montado com garrafas PET, escolhe um móvel feito de madeira certificada, com o material meticulosamente trabalhado.  Não fosse um selo indicativo, a linha sustentável do objeto passaria despercebida.</p>
<p>O certo “elitismo” penaliza até mesmo as pequenas empresas.  Cyntia Malaguti, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de São Paulo (FAU/USP), explica que pode haver diferenças na forma com que uma empresa de grande ou pequeno porte se planeja para entrar na era da sustentabilidade.  Segundo ela, que escreveu um manual técnico de requisitos ambientais para o desenvolvimento de produtos, empresas menores costumam ter menos capacidade de investimento em pesquisas para o desenvolvimento de materiais inéditos, que revolucionem seus setores.</p>
<p>Uma solução é propor parcerias com o meio universitário, onde é possível encontrar projetos a custo mais acessível e equipes pensando no tema constantemente.  Estratégia adicional é obter a contribuição do próprio <em>design</em> para transmitir ao consumidor o conceito de sustentabilidade, por exemplo, na escolha dos materiais e das características da embalagem dos produtos.</p>
<p><strong>De produtos a cidades </strong></p>
<p>As aparências não enganam.  A estética de uma cidade, por exemplo, reflete dramas, sentimentos e valores de uma sociedade e seus habitantes.  Os grandes centros expressam fisicamente os problemas de relacionamento entre os indivíduos.  A insegurança empurra as pessoas para locais específicos.  Condomínios fechados, <em>shoppings</em>.  O individualismo dificulta as relações humanas nos lugares públicos, a desconfiança dos centros urbanos afasta.  O outro é um perigoso estranho.</p>
<p>A rua se torna mero local de passagem, em vez de espaço para o relacionamento.  Ali as pessoas não vivem, apenas transitam.  Na cidade do movimento, as fachadas dos prédios são espelhadas.  Os letreiros se tornam enormes, para que possam ser lidos por quem passa de carro, à distância.  É o contrário de um centro antigo, onde a arquitetura é mais bem trabalhada.  Ambiente próprio para quem anda a pé e tem tempo de apreciar, de perto, as construções.</p>
<p>Com isso, as grandes cidades estão perdendo sua identidade. O indivíduo está em um lugar que poderia ser qualquer lugar do mundo.  Prédio sobre prédio, pedra sobre pedra, há especialistas que apontam um caminho mais sustentável, amenizando impactos como os da falta de permeabilidade do solo, capazes de tornar as enchentes um problema cada vez pior.</p>
<p>Uma das soluções seria a construção da infraestrutura verde, descrita por um artigo da paisagista Cecilia Polacow Herzog, publicado no jornal <em>O Globo</em>, em abril, como “rede interconectada de espaços abertos vegetados (de preferência arborizados) que restabelece a estrutura da paisagem.  A ideia é que a cidade funcione como uma esponja, que seja o mais permeável possível”.  Permeável em todos os sentidos, até de relacionamento interpessoal.</p>
<p>O concreto dificulta o escoamento da água da chuva.  Entretanto, é ele que predomina no horizonte, e contribui para que a cidade domestique a natureza.  “Na Alemanha, a população preserva o mínimo espaço em que nasce um matinho.  Aqui, joga-se veneno para matar a planta.  No caso de córregos da cidade, não é mais possível identificar muitos, que estão escondidos em galerias”, observa Cecilia, diretora também da ONG Inverde e mestre em Urbanismo.</p>
<p>Em uma floresta, a água da chuva infiltra 90% no solo.  Há regiões das cidades em que a infiltração é zero.  A água busca saídas e, nesse encaminho, entope bueiros, carrega lixo e acumula em áreas onde não tem por onde escoar.</p>
<p>Na Coreia do Sul, o principal rio da capital, Seul, foi despoluí do e virou símbolo da recuperação de áreas degradadas.  O viaduto, que passava sobre o curso d’água, acabou demolido.  No entorno, foram construídos parques, com resgate da biodiversidade.  O transporte público foi remodelado, o esgoto a céu aberto fechou e a qualidade do ar melhorou.  A revitalização ocorreu em apenas quatro anos.</p>
<p>A sustentabilidade, mal ou bem, vem alterando o modo de planejar cidades e produtos.  No <em>design</em>, por exemplo, o termo eco se refere a uma categoria específica de projetos que levam em consideração a questão ecológica.  “Em algum tempo, não haverá o termo <em>ecodesign</em> para apontar essa categoria.  Qualquer produto terá como pré-requisito o pensamento sustentável.  Tudo será muito diferente do presente.  O jeito como foi feito até agora nos trouxe até aqui, mas, certamente, não nos levará ao futuro”, prevê Fred Gelli, sócio-fundador da agência Tátil e professor do Departamento de Artes &amp; Design, da PUC-Rio.</p>
<p>A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Biomim%C3%A9tica" target="_blank">biomimética</a>, em vez de destruir, estuda a natureza para ter inspiração na elaboração de novos modelos de produto, serviço ou negócios.  O planeta Terra parece cada vez mais estar na moda.  E a torcida é para que a moda não seja substituída no próximo verão.</p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/index.php/2010/05/a-invencao-das-flores/" target="_blank"><strong><em>Leia mais sobre biomimética e tendências do design na era da sustentabilidade</em></strong></a></p>
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<p><strong>Mangas removíveis, jeans no congelador.  O tom é diversificar</strong></p>
<p>Qual é o <em>design</em> dos produtos sustentáveis?  Sobretudo, variado, na opinião de Cyntia Malaguti, da FAU-USP.  “Não dá para ter uma linguagem única.  Depende do público.  Estamos em um momento de customização massiva, o contrário da padronização.  A diversidade do uso de matérias-primas também é boa para a natureza.  Melhor do que dispor de um material para fazer tudo.”</p>
<p>Antes da reciclagem, também é possível trabalhar com a ideia de reaproveitamento ou economia.  O desenho de uma roupa que leva em consideração essas noções pode fazer das mangas longas de uma blusa peças removíveis.  Assim, a vestimenta oferece condições de ser usada tanto em temperaturas amenas quanto no calor, eliminando a necessidade de comprar um modelo para cada estação.</p>
<p>No começo de 2009, Jandira Barone, diretora da confecção Tristar, lançou em vitrines brasileiras o Eco Jeans, produzido com algodão plantado em áreas livres de agrotóxicos há, pelo menos, cinco anos.  Com respeito à biodiversidade e a partir de uma ideia inusitada.</p>
<p>As peças comercializadas pela empresa podem ser usadas dos dois lados.  Além disso, em vez de lavá-las, basta colocar as calças ou saias dentro de uma sacola plástica e levá-las ao congelador por 24 horas.  A sacola evita que o cheiro de alimentos fique impregnado no tecido.</p>
<p>O processo elimina bactérias e odores do uso cotidiano, deixando a vestimenta pronta para ser usada de novo.  “Uso minha calça toda semana, há nove meses, para trabalhar ou viajar.  Nesse período, a lavagem jamais foi realizada de forma tradicional.  Ela foi feita no congelador”, conta Jandira.  Em exemplos como este, a tecnologia vira uma aliada.</p>
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		<title>Greenbuilding</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 13:34:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O arquiteto Sidonio Porto fala sobre construções sustentáveis e sobre como a arquitetura pode contribuir para a sustentabilidade.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O arquiteto Sidonio Porto fala sobre construções sustentáveis e sobre como a arquitetura pode contribuir para a sustentabilidade.</p>
<a href="http://pagina22.com.br/index.php/2010/02/greenbuilding/"><p><em>Click here to view the embedded video.</em></p></a>
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		<title>Carros, graça e leveza</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 20:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Carolina Derivi 
Que as metrópoles contemporâneas são projetadas em função do trânsito de veículos, ninguém duvida.  Também é sabido que a crise de mobilidade inspira medidas para restringir ou desestimular o uso do carro no espaço urbano.  Mas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Que as metrópoles contemporâneas são projetadas em função do trânsito de veículos, ninguém duvida.  Também é sabido que a crise de mobilidade inspira medidas para restringir ou desestimular o uso do carro no espaço urbano.  Mas e se houvesse uma via do meio?  E se o ponto de partida não fosse a cidade, propícia ou hostil para os carros, mas o carro adaptado à melhor distribuição do espaço na cidade?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É o que propõe a &#8220;organização de arquitetura filantrópica&#8221; Terreform 1, um grupo de arquitetos nova-iorquinos visionários que compartilham, na internet, projetos de design voltados para as cidades do futuro.  Os materiais que formam o corpo do carro correspondem a cerca de 44% da massa total do veículo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Carros menores e mais leves ocupam menos espaço e consomem menos combustível.  A receita do Terreform 1 envolve apetrechos como uma bexiga de ar pneumática, que reduz o peso do automóvel.  Um sistema mecânico autônomo nas rodas, cada uma com seu próprio motor elétrico, torna possível livrar-se dos trambolhos de combustão e substituí-los por softwares.  O corpo do automóvel pode então receber materiais mais leves, como neoprene.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esses e outros projetos de automóveis, prédios e praças podem ser encontrados no site www.terreform.org. Vale o clique.</div>
<div>Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>Que as metrópoles contemporâneas são projetadas em função do trânsito de veículos, ninguém duvida.  Também é sabido que a crise de mobilidade inspira medidas para restringir ou desestimular o uso do carro no espaço urbano.  Mas e se houvesse uma via do meio?  E se o ponto de partida não fosse a cidade, propícia ou hostil para os carros, mas o carro adaptado à melhor distribuição do espaço na cidade?</div>
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<div>É o que propõe a &#8220;organização de arquitetura filantrópica&#8221; Terreform 1, um grupo de arquitetos nova-iorquinos visionários que compartilham, na internet, projetos de design voltados para as cidades do futuro.  Os materiais que formam o corpo do carro correspondem a cerca de 44% da massa total do veículo.</div>
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<div>Carros menores e mais leves ocupam menos espaço e consomem menos combustível.  A receita do Terreform 1 envolve apetrechos como uma bexiga de ar pneumática, que reduz o peso do automóvel.  Um sistema mecânico autônomo nas rodas, cada uma com seu próprio motor elétrico, torna possível livrar-se dos trambolhos de combustão e substituí-los por softwares.  O corpo do automóvel pode então receber materiais mais leves, como neoprene.</div>
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<div>Esses e outros projetos de automóveis, prédios e praças podem ser encontrados no site www.terreform.org. Vale o clique.</div>
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