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	<title>Página 22 &#187; Amazônia Legal</title>
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		<title>Paragominas: ainda é possível</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 12:35:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O município paraense é exemplo de uma bemsucedida estratégia local replicável à região amazônica
Um município com 97 mil habitantes, do tamanho de Sergipe, que já teve quase metade do seu território desmatado ao longo de décadas de exploração predatória, mostra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O município paraense é exemplo de uma bemsucedida estratégia local replicável à região amazônica</em></p>
<p><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/12/paragominas.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-10456" title="paragominas" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2010/12/paragominas-406x256.jpg" alt="paragominas" width="406" height="256" /></a>Um município com 97 mil habitantes, do tamanho de Sergipe, que já teve quase metade do seu território desmatado ao longo de décadas de exploração predatória, mostra que é possível combater o fogo e a motosserra com integração social, educação e vontade política.  Os ganhos não foram somente ambientais.  O pacote de sustentabilidade adotado pelo município trouxe impactos sociais, culturais e econômicos positivos.</p>
<p>Paragominas, no Pará, colocou em prática uma série de políticas que lhe renderam, recentemente, o Prêmio Chico Mendes 2010 e a exclusão do nome da cidade da Lista do Desmatamento [1] – foi o primeiro município incluído na relação do Ministério do Meio Ambiente a conseguir esse feito.  A queda no desmatamento não foi o único critério de avaliação da performance do município, mas também a participação popular, a efetividade das ações, o impacto social (na educação, por exemplo) e os potenciais de inovação e difusão.</p>
<blockquote><p>[1] O ranking, criado em 2007 pelo MMA, contempla hoje 43 municípios, responsáveis por 55% do desmatamento da Amazônia Legal em 2008. Os critérios para inclusão na lista são área total desmatada, aumento da taxa de desmatamento nos últimos cinco anos e derrubada de área igual ou maior que 200 quilômetros quadrados de floresta em 2008.</p></blockquote>
<p>Apesar de essas mudanças terem surgido somente a partir da última década e se intensificado nos últimos dois anos, devido a pressões externas – seja do mercado internacional, seja do governo federal –, o município soube ir além do cumprimento legal e envolver diretamente a sociedade na busca por soluções efetivas e duradouras.</p>
<p>Com apenas dois anos do Projeto Município Verde – uma criação coletiva da prefeitura e de membros de toda a sociedade local –, Paragominas tornou-se o município que menos desmata na Amazônia, com uma redução, nesse período, de mais de 90%, equivalente a 38 quilômetros quadrados de desmate.  E, para compensar o prejuízo do passado, o município já plantou mais de 50 milhões de árvores em áreas de reflorestamento, o que contribuiu para gerar a maior área de floresta certificada com Selo Verde da Amazônia, no Pará.  O pioneirismo com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), por sua vez, já atingiu 92% das propriedades rurais da região, trazendo para a luz da legalidade milhares de produtores e facilitando o processo de regularização fundiária, ainda pendente em toda a Amazônia.</p>
<p>A economia de Paragominas não mais se baseia apenas na exploração madeireira, mas em um conjunto de atividades que incluem, por ordem de importância no PIB, a mineração (projeto de beneficiamento de bauxita da Vale do Rio Doce), a agricultura (soja, milho e arroz), as indústrias madeireira e de reflorestamento (produção de MDF [2]), a pecuária e serviços.  Em algumas dessas atividades, pode-se já notar o alinhamento do desenvolvimento econômico à proteção ambiental, sinalizando a busca pela sustentabilidade na prática.</p>
<blockquote><p>[2] Sigla em inglês para designar placa de fibra de madeira de média densidade.</p></blockquote>
<p>Para entender como essa revolução aconteceu em Paragominas, é preciso voltar um pouco no tempo e conhecer melhor sua história.  O ciclo do desmatamento na região em que o município se encontra, nordeste do estado paraense, iniciou-se com a construção da Rodovia BR-010, a Belém- Brasília, na década de 50.  Primeiramente, o foco estava na intensa exploração da madeira, com mais de 300 madeireiras em ação.  Aos poucos, essa atividade econômica foi sendo substituída e, atualmente, existem apenas 15 madeireiras na região.</p>
<p>Segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1995 – o pior ano da história ambiental de Paragominas – foram derrubados 29 mil quilômetros quadrados de floresta, o equivalente ao território da Bélgica.  Nessa época, a extração era feita por meio do correntão [3] e da garimpagem florestal [4], técnicas altamente predatórias.  A fama de Paragominas, já nessa época, não era das melhores.  A cidade era conhecida como “Paragobalas”, pois os jagunços protegiam os grileiros e as desavenças eram resolvidas na base do tiro.  A conta sobrou para o meio ambiente, que viu aproximadamente 45% da sua cobertura vegetal ser devastada.</p>
<blockquote><p>[3] Técnica que funciona com dois tratores lado a lado, a 50 metros de distância, unidos por uma corrente esticada.  À medida que os tratores avançam, a corrente derruba tudo que encontra pelo caminho, com alto impacto ambiental e baixíssimo aproveitamento da madeira para fins comerciais.</p></blockquote>
<p>Até os planos de manejo não operavam de forma regular.  Um relatório de 1996 da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Belém, em colaboração com o Ibama, revelou que 93% dos planos empregados no município não consideravam as trilhas de arraste das toras, necessárias para minimizar o impacto causado pela extração da madeira na floresta.  Além disso, conclui-se que as madeireiras usavam os planos de manejo florestal para “legalizar” a exploração ilegal.</p>
<blockquote><p>[4] Técnica pela qual os exploradores entram na floresta com um trator de esteira que derruba o que for necessário para encontrar madeira de valor.</p></blockquote>
<p>Anos depois, em abril de 2008, dois meses após Paragominas ter sido incluída na lista dos municípios que mais desmataram a Amazônia, a região foi alvo da Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, que visava combater a extração e a venda clandestina de madeira.  A operação causou um grande impacto no município, elevando ainda mais o desemprego, com o fechamento de inúmeras madeireiras, e deixando a população indignada por ter de arcar com a irresponsabilidade dos que operavam na ilegalidade.</p>
<p>A resposta veio no mesmo mês, quando o prefeito Adnan Demachki assinou o Pacto pela Valorização da Floresta e pela Eliminação dos Desmatamentos na Amazônia, conhecido como Pacto pelo Desmatamento Zero, lançado por organizações ambientalistas com o objetivo de eliminar o desmatamento amazônico até 2015.</p>
<p>Mas isso não era o bastante, era preciso garantir o envolvimento e o comprometimento da população para vencer, definitivamente, o problema do desmatamento.  Ciente disso, o prefeito convocou membros de toda a sociedade paragominense para discutir uma solução que fosse compartilhada e apoiada por todos.  Foi então que nasceu o Projeto Município Verde, por meio de uma cooperação entre a Prefeitura Municipal e o Sindicato dos Produtores Rurais, com o apoio de entidades municipais, estaduais e não governamentais (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon e The Nature Conservancy – TNC).</p>
<p>Para avaliar o alcance das metas estipuladas no projeto – entre as quais se destacam o microzoneamento econômicoecológico; a capacitação de agentes ambientais; a inclusão da educação ambiental no currículo escolar; e a ampliação e o incentivo a áreas de reflorestamento e de manejo florestal –, foi elaborado um diagnóstico socioeconômico e florestal do município, bem como um monitoramento mensal do desmatamento detectado pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), em parceria com o Imazon.  A frequência mensal do monitoramento para uma cidade era algo inédito até então, e foi fundamental para identificar com mais rapidez e exatidão os madeireiros criminosos.</p>
<p>Mesmo com a aprovação do projeto pela população, Paragominas sofreu, pouco tempo depois, com o vandalismo de exploradores ilegais de áreas indígenas que atacaram a base do Ibama no município.  Esse episódio levou o então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a visitar a região e fechar mais duas madeireiras.  Após a visita, em outubro de 2008, o prefeito fez uma audiência pública e, junto com a TNC e o Imazon, lançou o Cadastro Ambiental Rural (CAR), ferramenta de identificação de imóveis rurais emitida pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará, que é o passo inicial para o licenciamento ambiental das propriedades.  A expectativa era que Paragominas fosse o primeiro município do bioma amazônico a atingir 100% de suas propriedades rurais cadastradas, o que, para um município com 88% do seu território na zona rural, é de grande relevância.</p>
<p>Recentemente, em março deste ano, a prefeitura reafirmou o Pacto pelo Desmatamento Zero e assinou um novo pacto, buscando ir além da legalidade.  Trata-se do Pacto pelo Produto Legal e Sustentável, que passa a exigir da produção agropecuária da região a observância do tripé da sustentabilidade e vem estudando a criação de um selo de origem para certificar os produtos locais.  O pacto inaugurou uma nova fase do Projeto Município Verde, ao incluir a busca pela sustentabilidade na produção e criar condições para que o município pudesse se tornar modelo de desenvolvimento sustentável.</p>
<p>Todos esses avanços fizeram o município literalmente renascer das cinzas, mas ainda há grandes desafios pela frente.  O impasse da regularização fundiária, segundo o prefeito Demachki, é o maior desafio para a região.  Ele acredita que, para acelerar o processo burocrático, o governo federal deveria doar suas glebas para os estados, de forma que o município pudesse se articular diretamente com uma instância somente.  “A regularização fundiária é necessária para viabilizar o manejo florestal sustentável na região e gerar renda no campo – além de ser uma poderosa arma para combater o desmatamento, uma vez que identifica o proprietário da terra que deve ser responsabilizado”, avalia.</p>
<p>A experiência de Paragominas nos mostra que cumprir com as obrigações é apenas o primeiro passo.  Lançar desafios, questionar modelos e promover diálogos inclusivos é um corajoso caminho para que transformações realmente aconteçam.</p>
<p>Mais <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2010/12/avancos-de-paragominas-na-educacao/" target="_blank">aqui</a> sobre os avanços do município na área da educação.</p>
<p><em>*Pesquisadora do Gvces no Programa de Consumo Sustentável.</em></p>
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