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	<title>Página 22 &#187; 22</title>
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		<title>Cubanía libre</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 17:46:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os cubanos descobriram no universo digital um atalho para diminuir a distância imposta pelo regime de Fidel Castro. Encontraram-se os que vivem dentro e fora da Ilha. Com a blogostroika, compartilham reminiscências, música, receitas, críticas literárias, fotos. Acima de tudo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os cubanos descobriram no universo digital um atalho para diminuir a distância imposta pelo regime de Fidel Castro. Encontraram-se os que vivem dentro e fora da Ilha. Com a blogostroika, compartilham reminiscências, música, receitas, críticas literárias, fotos. Acima de tudo, o desejo de liberdade de expressão<br />
Por Ana Cristina D&#8217;Angelo</p>
<p>Pablo é um intelectual cubano de renome, mas muito acomodado. Pablo vive em Havana.  Sara é uma profissional da informática de ponta.  Sara vive em Miami.  Os dois tiveram uma conturbada relação de muitos anos e se reencontram acidentalmente em uma troca de correio eletrônico que vai se prolongando e reflete o conflito existente entre os dois países e as frustrações e tormentas de uma relação marcada pelo destino político.</p>
<p>A novela já está no capítulo 63 e segue repleta de comentários de leitores cubanos, americanos, cubanos que estão na Ilha e os que decidiram partir e levaram sua cubanía ainda com mais convicção.</p>
<p>O blog Yo Soy Medea, onde se pode acompanhar a saga de Pablo e Sara, é de autoria de Olga Lastra, uma cubana que saiu de seu país há 12 anos, casou-se na nova terra, tem dois filhos, ex-amores do seu lugar de origem e o desejo de ver a liberdade de expressão no país onde nasceu. Já que não pode retornar definitivamente ao que imagina e sobre o que escreve, conduz uma luta ferrenha, uma novela, silenciosa aos olhos de um regime que usa totens, outdoors e eufóricas festividades para convencer da sua eficácia.</p>
<p>Essa batalha de formiguinha, no entanto, já arregimentou ao menos 20 mil outros cubanos espalhados pelo mundo, dentro de Havana e arredores. A artilharia pesada é com palavras, internet e links trocados entre os que têm o que dizer e criaram um universo digital em contraponto aos limites à expressão impostos pelo governo.</p>
<p>Com interesses diversos, de culinária a literatura, teatro, jornalismo a reminiscências sobre brinquedos russos da infância de muitos, a blogostroika cubana tomou corpo nos últimos anos.  Em agosto de 2009, um grupo que se autodenomina “Bloggers por um Sonho” quer se reunir em Miami e Palma de Mallorca para ver suas caras e fomentar o debate.</p>
<p>Em Cubadice, blog feito por uma exilada na Itália, o convite é feito assim: “Convite permanente a todos os blogueiros do mundo para participar deste encontro. É somente indispensável levar no coração uma gota de amor por Cuba”.</p>
<p>As idéias e sonhos eles já conhecem e compartilham, alguns em maior, outros em menor velocidade. Os que estão em Cuba ainda cumprem a saga de freqüentar cafés ou hotéis para turistas para colocar um simples post em seu devido lugar, a web.</p>
<p>A peleja da informação é parecida com a da comida que é parecida com a do transporte.  É permitido consultar correios eletrônicos e sites oficiais para a população de quase 12 milhões de habitantes.  É permitido comer o que o governo estipula na cota da cesta básica e também é possível andar de um lado para outro da Ilha em ônibus caindo aos pedaços, depois de enfrentar devidamente uma fila.  Para outros tantos 3 milhões de cubanos espalhados pelo mundo, o acesso à internet é simples como o nosso, a comida é farta e o transporte, para qualquer lugar, fácil.</p>
<p>O que une uns e outros é a urgência de falar após quase 50 anos de silêncio. A revolução da internet chegou a essa gente com um duplo impacto. A vontade, as ganas, como dizem, é tão premente que não se fica imune às centenas, aos milhares de comentários que povoam a blogostroika.  Os palpites acalorados refletem a separação de uma grande família, mas, acima de tudo, o desejo de liberdade de expressão. É nesse quesito que somam forças.</p>
<p>Para animar a turma</p>
<p>A filha mais notória do movimento é Yoani Sánchez, uma blogueira cubana que ganhou recentemente um prêmio espanhol na área de comunicação, o Ortega y Gasset.  Yoani foi apontada como uma das personalidades mais influentes no jornalismo digital.  Sem pompa e com muita elegância e fluência, Yoanic ontabiliza, post a post em seu Generación Y, um inacreditável público de mais de 3 mil visitantes por dia. O interesse são suas descrições precisas, algumas vezes ácidas, do cotidiano precário, das dificuldades de transporte ou histórias comezinhas, como a terrível impossibilidade de oferecer opções gostosas de comida para seu filho, de férias dentro de casa, ou a situação de um casarão que ameaça ruir na esquina.</p>
<p>O nome Generación Y é menção direta à geração de cubanos que ganhou nomes russos, os começados por Y, quando estes eram os aliados da vez. O episódio do prêmio concedido a Yoani colocou lenha na fogueira do ciberespaço.</p>
<p>Fidel Castro saiu das profundezas de seu quartel e se deu ao trabalho de escrever um artigo contra a cubana mais famosa do momento. O artigo no diário oficial Granma considerou submissão ao imperialismo aceitar um prêmio destes.</p>
<p>Yoani aceitou, deu entrevistas à metade da imprensa mundial, mas, no final das contas, não conseguiu arredar o pé de Havana para buscar seu galardão. As autoridades negaram-lhe permissão para ir a Madri.</p>
<p>A negativa e o artigo do Comandante afastado surtiram o efeito esperado.  Manifestações de solidariedade e admiração para uma cidadã que não tem medo de pôr sua foto no mesmo espaço em que desvela sua cidade tal como é.  E a voz de Yoani animou a turma.</p>
<p>Generación Asere, um grupo de sete, cada qual em um país, transformou-se numa polêmica revista de atualidades com fotos, vídeos e comentários sobre a vida em Cuba.  Penúltimos Dias, um dos mais atualizados, fornece informações fresquinhas de Cuba desde Barcelona, onde vive Ernesto Hernández Busto.  Desarraigos Provocados emerge da Alemanha, onde outra jovem e inteligente cubana se empenha na esperança de manter de pé o desejado encontro dos blogueiros. Já em Pareja No Verbal, um sociólogo trata de que o amor sempre triunfe.</p>
<p>Meu mundo é o seu</p>
<p>Medea, ou Olga, tanto faz para ela, começou a blogar há pouco mais de um ano, em plena crise existencial.  “A pior crise de meia-idade que eu já vi”, disse o filho, de 22 anos, através da mãe blogueira.  Sentir que tem algo a dizer ganha conotação para além do clichê neste caso.  Olga saiu de Cuba, mas sua história continuou lá.</p>
<p>Uma pesquisa na internet, que acessa fácil e livremente de seu emprego em Miami, mostrou que não estava só.  Existia a tal blogosfera cubana e, nela, desde as agruras de gente que saiu da Ilha espremida numa balsa até receita de bisteca de frazada.</p>
<p>Alguns relatavam suas recordações do povoado, outros publicavam a música fundamental de suas vidas, quadrinhos soviéticos, análises políticas, críticas literárias 22 anos, através da mãe blogueira.  Sentir que tem algo a dizer ganha conotação para além do clichê neste caso.  Olga saiu de Cuba, mas sua história continuou lá.</p>
<p>Este é o meu mundo – foi a ficha que caiu simultaneamente para todos eles com a possibilidade de construção de um blog. Mais que isso.  A possibilidade de criação ou recriação de um país calado na rede mundial digital.</p>
<p>O mesmo mundo que encantou Olga foi descoberto no El Parque Trillo, o blog com o nome do lugar onde nasceu Carmen na sua “Ilha Infinita”. Suas regras: este é um caderno de uma habitante de Miami que crê na tolerância e aceita comentários com certa blogoética, de qualquer amigo velho ou novo, ama a polêmica e a liberdade e vai aceitar colaborações no futuro.</p>
<p>Na esteira do romantismo que resvala nesses sítios, Carmen é das que crêem que a blogosfera cubana resgata o que a imprensa tradicional ignorou por anos. O mito do pequeno Davi enfrentando Golias escondeu o que interessa, ela diz. “Geograficamente fora”, acredita ainda que os que estão em Cuba não necessitam ser cubanos de verdade.  Precisam, primeiro, de liberdade. O que faz com que os exilados estejam mais próximos da cubanía, o jeito muito próprio de chamar a alma cubana.</p>
<p>Quem tem razão nesses espaços ou qualo final reservado para Pablo e Sara não importa.  Travestidos como Medea ou de cara lavada como Yoani, os cubanos usufruem, como nunca, do espaço cibernético e do poder que aí exercem um indivíduo e um grupo de indivíduos.</p>
<p>Talvez a graça esteja na ficção derramada nessas páginas, nas alegorias, e quem sabe os sonhos de liberdade de expressão nunca saiam da web. Em definitivo, a blogostroika mostra pontos de vista e tira a perspectiva da voz única. Carmen em seu El Parque Trillo diz que a internet é como uma festa em que todos querem dançar. É como ser livre.</p>
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		<title>Tensão sobre a calma</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Aug 2008 21:43:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É o tema da exposição que a Pinacoteca do Estado de São Paulo abrigará a partir de 23 de agosto.  Uma pequena amostra dela, nas páginas a seguir, permite a incursão no ambiente da metrópole, onde o fator humano interfere [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>É o tema da exposição que a Pinacoteca do Estado de São Paulo abrigará a partir de 23 de agosto.  Uma pequena amostra dela, nas páginas a seguir, permite a incursão no ambiente da metrópole, onde o fator humano interfere em cada cena e a refaz sob um novo equilíbrio</em></p>
<p>Na essência da fotografia, imagens dizem por si mesmas.  O trabalho do fotógrafo paulistano Arnaldo Pappalardo retrata a cidade e seu tempo, a decadência, os espaços de uso intenso pelo homem ou feitos de muitos componentes.  Mas pouco importa saber que lugares são e o que fazem esses cidadãos aqui retratados.  Não precisam de legendas.  A intenção é deixar que o observador livremente faça um sem-número de relações entre os elementos de cada foto, e entre as próprias fotografias.  Que perceba o jogo de cores e de geometrias, o novo e o velho, o viçoso e o gasto, o quente e o frio, a luz e a sombra.  Nessa incursão, pode perceber como a mão do homem modifica o ambiente em que está, imprime sua textura, desequilibra a calma do cenário e o remonta sob um novo equilíbrio de forças.  Assim como na natureza.</p>
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		<title>Floresta de Gente</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:14:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O grande capital está a caminho da Amazônia. O potencial econômico da região sempre foiconhecido, pois não é de hoje que alicorrem rios, viceja a mata e repousam os minérios. Quando o mundo exibe os sintomas de uma grave recessão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O grande capital está a caminho da Amazônia. O potencial econômico da região sempre foiconhecido, pois não é de hoje que alicorrem rios, viceja a mata e repousam os minérios. Quando o mundo exibe os sintomas de uma grave recessão econômica e a natureza dá sinais de esgotamento em vários pontos do globo, o Brasil parece finalmente disposto a intensificar a exploração amazônica. Foram reabertas as discussões no Congresso Nacional sobre exploração mineral em terras indígenas; grandes empresas desembarcam na região para construir hidrelétricas, rodovias, portos; e o País experimenta a concessão de florestas públicas para o setor privado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Diante do consenso global de que a Amazônia é importante demais em termos ambientais, esses novos atores juram seguir a cartilha da sustentabilidade.  As marcas que deixarão lá talvez só apareçam ao longo do tempo.  Um indicador mais imediato da qualidade das práticas levadas à floresta são as pessoas.  Às vezes descrita como &#8220;paupérrima&#8221; sob a ótica urbana e sulista, a maioria dos habitantes da Amazônia rural leva, na verdade, uma vida simples &#8211; que certamente sofrerá uma revolução com a chegada dos grandes empreendimentos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Assim como os rios, a floresta e os minérios, eles sempre estiveram ali, mas só agora são vistos como merecedores de &#8220;desenvolvimento&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vale ponderar sobre o que significa desenvolvimento também do ponto de vista dessas pessoas.  Como mostra a experiência da Austrália, a compensação fi nanceira não basta para dar conta de um passado de negligência.  Mas vivemos agora a oportunidade de criar formas de governança em que agentes privados sentam-se à mesa com as comunidades locais e representantes do terceiro setor.  Pipocam no Brasil e no mundo iniciativas que promovem o diálogo e a negociação entre interesses divergentes.  Ainda são pequenas diante do mainstream, mas trazem grande significado: ouvir e apreender os modos locais, em vez de impor um fazer estrangeiro.  E assim forjar uma nova noção de desenvolvimento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Boa leitura</div>
<div>O grande capital está a caminho da Amazônia. O potencial econômico da região sempre foiconhecido, pois não é de hoje que alicorrem rios, viceja a mata e repousam os minérios. Quando o mundo exibe os sintomas de uma grave recessão econômica e a natureza dá sinais de esgotamento em vários pontos do globo, o Brasil parece finalmente disposto a intensificar a exploração amazônica. Foram reabertas as discussões no Congresso Nacional sobre exploração mineral em terras indígenas; grandes empresas desembarcam na região para construir hidrelétricas, rodovias, portos; e o País experimenta a concessão de florestas públicas para o setor privado.</div>
<div></div>
<div>Diante do consenso global de que a Amazônia é importante demais em termos ambientais, esses novos atores juram seguir a cartilha da sustentabilidade.  As marcas que deixarão lá talvez só apareçam ao longo do tempo.  Um indicador mais imediato da qualidade das práticas levadas à floresta são as pessoas.  Às vezes descrita como &#8220;paupérrima&#8221; sob a ótica urbana e sulista, a maioria dos habitantes da Amazônia rural leva, na verdade, uma vida simples &#8211; que certamente sofrerá uma revolução com a chegada dos grandes empreendimentos.</div>
<div></div>
<div>Assim como os rios, a floresta e os minérios, eles sempre estiveram ali, mas só agora são vistos como merecedores de &#8220;desenvolvimento&#8221;.</div>
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<div>Vale ponderar sobre o que significa desenvolvimento também do ponto de vista dessas pessoas.  Como mostra a experiência da Austrália, a compensação fi nanceira não basta para dar conta de um passado de negligência.  Mas vivemos agora a oportunidade de criar formas de governança em que agentes privados sentam-se à mesa com as comunidades locais e representantes do terceiro setor.  Pipocam no Brasil e no mundo iniciativas que promovem o diálogo e a negociação entre interesses divergentes.  Ainda são pequenas diante do mainstream, mas trazem grande significado: ouvir e apreender os modos locais, em vez de impor um fazer estrangeiro.  E assim forjar uma nova noção de desenvolvimento.</div>
<div></div>
<div>Boa leitura</div>
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		<title>As salsichas, as leis e a cadeia de fornecedores</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:11:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Práticas duvidosas na rede de suprimentos podem reverter a reputação das empresas, mesmo as que adotam os princípios e os valores da sustentabilidade
Por Daniela Gomes Pinto* 
&#8220;Quanto menos as pessoas souberem como são feitas as salsichas e as leis, melhor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Práticas duvidosas na rede de suprimentos podem reverter a reputação das empresas, mesmo as que adotam os princípios e os valores da sustentabilidade</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Daniela Gomes Pinto*<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Quanto menos as pessoas souberem como são feitas as salsichas e as leis, melhor elas dormirão&#8221;.  No século XIX, à época da frase célebre de Bismarck, poucos se preocupavam em mostrar &#8220;ao povo&#8221; como as coisas eram feitas.  Hoje, há muita gente perdendo o sono por conta disso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A última insônia foi da Primark, fenômeno do setor de vestuário no Reino Unido.  Nas lojas, são filas diárias de inglesas ensandecidas e turistas afogados em sacolas.  O segredo do sucesso?  Peças bonitas e estilosas a preços ridiculamente, impraticavelmente baratos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas a BBC resolveu mostrar como as salsichas são feitas.  Um documentário da rede de TV britânica rastreou a cadeia de fornecedores da Primark para descobrir a matemática milagrosa para os preços de seus produtos.  Não demorou muito, encontrou &#8220;o milagre&#8221;: garotas de 11 anos, na Índia, em regime de semi-escravidão, bordando roupas que, dois meses depois, inundavam as prateleiras da loja em Oxford Street, no coração de Londres.  E durmam as inglesas com um barulho desses.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O revés reputacional da empresa foi assunto recorrente em uma grande conferência sobre sustentabilidade na cadeia de fornecedores, que reuniu recentemente em Londres mais de 100 grandes empresas.  Para elas, riscos de danos à imagem, somados à interrupção do fornecimento e à perda de fornecedores, são grandes motivadores para trabalhar junto com a cadeia para torná- la mais &#8220;ética&#8221; e &#8220;verde&#8221;.  Mas até onde vai a responsabilidade das empresas com seus fornecedores?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vai até onde a empresa alcança na prática, os princípios e valores que assumiu, concluíram os especialistas reunidos na conferência.  No caso da Primark, não adiantou a companhia ter preceitos de comércio ético e auditorias exaustivas.  Claramente, eles sofrem a concorrência desleal do que parece ser a essência do modelo de negócio: a redução de custos, a busca frenética por produtos mais e mais baratos.  Não há conta que feche, não há princípio que se sustente com níveis de pressão tão grandes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Trabalho infantil é um tema grave dos pontos de vista ético e regulatório.  Mas nem sempre quem trabalha com a cadeia de fornecedores encontra sinais tão claros do que é &#8220;certo&#8221; ou &#8220;errado&#8221;.  Um dos problemas de avaliar o impacto de um produto é metodológico: não há consenso sobre as melhores ferramentas.Ian Midgley, vice-presidente de compras da Unilever, diz que os esforços da empresa em medir as emissões de carbono de um único tipo de sabonete doméstico tiveram resultados confusos.  &#8220;Ficou difícil avaliar a sustentabilidade do produto.&#8221;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Além disso, as empresas esbarram em escolhas difíceis, que envolvem juízos de valor.  Ulrike Ebert, diretora de responsabilidade corporativa da Coca-Cola, diz que não basta fazer a análise de ciclo de vida: &#8220;Podemos ter uma produção neutralizada em carbono, mas com enorme uso de água em uma região onde o saneamento é precário.  O que é mais importante: reduzir as emissões globais ou o uso de um recurso local escasso?&#8221;  E completa: &#8220;Podemos fazer análise de ciclo de vida em relação ao impacto da produção na água, mas temos que decidir onde vai ser a prioridade de ação: água e pobreza, água e ecossistemas, água versus carbono&#8221;.  São opções de caminhos distintos em direção à sustentabilidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para Jim McDonnell, da PricewaterhouseCoopers, as decisões dependem do tipo de negócio que a empresa almeja: &#8220;Se você compra salmão para seu supermercado, tem duas opções: ou paga mais caro pelo salmão certificado escocês e ganha um nicho de mercado educando o consumidor, ou paga mais barato pelo produto russo, que não tem nenhum controle, mas traça junto com o fornecedor um plano de médio prazo com metas claras, para inserir sustentabilidade naquela produção&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Só o ovo ou a galinha?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para muitas companhias, educar tanto o fornecedor como o consumidor final é estratégico e responsabilidade das próprias empresas.  Mas o consumidor também precisa, ele mesmo, definir seus princípios.  Christopher Brown, diretor de compras sustentáveis da Asda &#8211; o braço britânico da Wal-Mart -, lembra que a produção de ovos orgânicos e &#8220;caipiras&#8221; emite mais carbono do que as granjas industriais.  A Asda optou por oferecer os diferentes produtos ao consumidor.  E é ele quem decide, na escolha do ovo, qual a importância, para ele, das mudanças climáticas, da crueldade com animais, do uso de agrotóxicos e também do buraco no seu bolso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Assim como as empresas, o consumidor também tem que decidir para onde vai a &#8220;sua&#8221; sustentabilidade.  Toda vez que meu marido via nosso filho vestindo uma roupa da Primark &#8211; que comprei quando chegamos em Londres -, ele fingia ler na etiqueta: &#8220;Primark: roupas de crianças&#8230; feitas por crianças&#8221;, em alusão à desconfiança de que a produção da empresa utilizasse trabalho infantil.  Eu, mais crédula, achava graça.  Agora, não acho mais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">*Residente em Londres, é geóloga, jornalista e mestre em desenvolvimento e meio ambiente pela London School of Economics an Political Science</div>
<div>Práticas duvidosas na rede de suprimentos podem reverter a reputação das empresas, mesmo as que adotam os princípios e os valores da sustentabilidade</div>
<div>Por Daniela Gomes Pinto*<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>&#8220;Quanto menos as pessoas souberem como são feitas as salsichas e as leis, melhor elas dormirão&#8221;.  No século XIX, à época da frase célebre de Bismarck, poucos se preocupavam em mostrar &#8220;ao povo&#8221; como as coisas eram feitas.  Hoje, há muita gente perdendo o sono por conta disso.</div>
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<div>A última insônia foi da Primark, fenômeno do setor de vestuário no Reino Unido.  Nas lojas, são filas diárias de inglesas ensandecidas e turistas afogados em sacolas.  O segredo do sucesso?  Peças bonitas e estilosas a preços ridiculamente, impraticavelmente baratos.</div>
<div></div>
<div>Mas a BBC resolveu mostrar como as salsichas são feitas.  Um documentário da rede de TV britânica rastreou a cadeia de fornecedores da Primark para descobrir a matemática milagrosa para os preços de seus produtos.  Não demorou muito, encontrou &#8220;o milagre&#8221;: garotas de 11 anos, na Índia, em regime de semi-escravidão, bordando roupas que, dois meses depois, inundavam as prateleiras da loja em Oxford Street, no coração de Londres.  E durmam as inglesas com um barulho desses.</div>
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<div>O revés reputacional da empresa foi assunto recorrente em uma grande conferência sobre sustentabilidade na cadeia de fornecedores, que reuniu recentemente em Londres mais de 100 grandes empresas.  Para elas, riscos de danos à imagem, somados à interrupção do fornecimento e à perda de fornecedores, são grandes motivadores para trabalhar junto com a cadeia para torná- la mais &#8220;ética&#8221; e &#8220;verde&#8221;.  Mas até onde vai a responsabilidade das empresas com seus fornecedores?</div>
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<div>Vai até onde a empresa alcança na prática, os princípios e valores que assumiu, concluíram os especialistas reunidos na conferência.  No caso da Primark, não adiantou a companhia ter preceitos de comércio ético e auditorias exaustivas.  Claramente, eles sofrem a concorrência desleal do que parece ser a essência do modelo de negócio: a redução de custos, a busca frenética por produtos mais e mais baratos.  Não há conta que feche, não há princípio que se sustente com níveis de pressão tão grandes.</div>
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<div>Trabalho infantil é um tema grave dos pontos de vista ético e regulatório.  Mas nem sempre quem trabalha com a cadeia de fornecedores encontra sinais tão claros do que é &#8220;certo&#8221; ou &#8220;errado&#8221;.  Um dos problemas de avaliar o impacto de um produto é metodológico: não há consenso sobre as melhores ferramentas.Ian Midgley, vice-presidente de compras da Unilever, diz que os esforços da empresa em medir as emissões de carbono de um único tipo de sabonete doméstico tiveram resultados confusos.  &#8220;Ficou difícil avaliar a sustentabilidade do produto.&#8221;</div>
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<div>Além disso, as empresas esbarram em escolhas difíceis, que envolvem juízos de valor.  Ulrike Ebert, diretora de responsabilidade corporativa da Coca-Cola, diz que não basta fazer a análise de ciclo de vida: &#8220;Podemos ter uma produção neutralizada em carbono, mas com enorme uso de água em uma região onde o saneamento é precário.  O que é mais importante: reduzir as emissões globais ou o uso de um recurso local escasso?&#8221;  E completa: &#8220;Podemos fazer análise de ciclo de vida em relação ao impacto da produção na água, mas temos que decidir onde vai ser a prioridade de ação: água e pobreza, água e ecossistemas, água versus carbono&#8221;.  São opções de caminhos distintos em direção à sustentabilidade.</div>
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<div>Para Jim McDonnell, da PricewaterhouseCoopers, as decisões dependem do tipo de negócio que a empresa almeja: &#8220;Se você compra salmão para seu supermercado, tem duas opções: ou paga mais caro pelo salmão certificado escocês e ganha um nicho de mercado educando o consumidor, ou paga mais barato pelo produto russo, que não tem nenhum controle, mas traça junto com o fornecedor um plano de médio prazo com metas claras, para inserir sustentabilidade naquela produção&#8221;.</div>
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<div>Só o ovo ou a galinha?</div>
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<div>Para muitas companhias, educar tanto o fornecedor como o consumidor final é estratégico e responsabilidade das próprias empresas.  Mas o consumidor também precisa, ele mesmo, definir seus princípios.  Christopher Brown, diretor de compras sustentáveis da Asda &#8211; o braço britânico da Wal-Mart -, lembra que a produção de ovos orgânicos e &#8220;caipiras&#8221; emite mais carbono do que as granjas industriais.  A Asda optou por oferecer os diferentes produtos ao consumidor.  E é ele quem decide, na escolha do ovo, qual a importância, para ele, das mudanças climáticas, da crueldade com animais, do uso de agrotóxicos e também do buraco no seu bolso.</div>
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<div>Assim como as empresas, o consumidor também tem que decidir para onde vai a &#8220;sua&#8221; sustentabilidade.  Toda vez que meu marido via nosso filho vestindo uma roupa da Primark &#8211; que comprei quando chegamos em Londres -, ele fingia ler na etiqueta: &#8220;Primark: roupas de crianças&#8230; feitas por crianças&#8221;, em alusão à desconfiança de que a produção da empresa utilizasse trabalho infantil.  Eu, mais crédula, achava graça.  Agora, não acho mais.</div>
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<div>*Residente em Londres, é geóloga, jornalista e mestre em desenvolvimento e meio ambiente pela London School of Economics an Political Science</div>
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		<title>Por uma nova ordem mundial</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:08:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Amália Safatle 
De onde partirá uma orquestração que aponte caminhos para as questões globais?  Instituições criadas no pós-guerra não parecem tão eficazes em gerir as crises, enquanto florescem mecanismos supranacionais alternativos &#8211; as chamadas round tables &#8211; que aglutinam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Amália Safatle<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">De onde partirá uma orquestração que aponte caminhos para as questões globais?  Instituições criadas no pós-guerra não parecem tão eficazes em gerir as crises, enquanto florescem mecanismos supranacionais alternativos &#8211; as chamadas round tables &#8211; que aglutinam representantes dos mais divergentes grupos de interesse da sociedade e mostram como o diálogo, ainda que conflituoso, gera soluções criativas, inovadoras e de maior legitimidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As mesas-redondas já são realidade nas economias florestal e agrícola e, para Roberto Waack, presidente do Conselho Internacional do Forest Stewardship Council (FSC) e do Conselho Consultivo do Instituto para o Agronegócio Responsável (Ares), representam uma mudança de paradigma na governança mundial.  Biólogo de formação e presidente da Amata &#8211; produtora de madeira certificada candidata à concessão pública da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia -, Waack defende que o Brasil se apóie nesses fóruns de discussão, nos quais já exerce protagonismo, em vez de temer ameaças à soberania na exploração de recursos naturais e colocar-se como vítima nas negociações sobre comércio internacional.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A sua empresa é uma das interessadas em explorar as florestas nacionais por meio de concessões.  Quais são os riscos socioambientais dessa exploração, tendo em conta que a Amazônia historicamente padece de falta de fiscalização e regulação?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O risco existe de qualquer forma.  A floresta, seja uma reserva de proteção permanente, área indígena, área de concessão, área privada, está exposta a esse risco.  A concessão mitiga o risco, porque o concessionário vai ter incentivos para usufruir da economia da floresta de acordo com regras bem claras &#8211; diferentemente do que acontece com as áreas onde não há atividade econômica.  O manejo em geral propicia uma intimidade com a floresta, pelo fato de ter que fazer o inventário 100%, fazer as trilhas, conhecer as espécies, ter especialistas em florestas transitando, ter auditoria de impacto ambiental.  Tudo isso reduz o risco do abandono.  (reportagem à pág.18) O abandono da área explorada é o principal risco?  Mesmo em áreas não exploradas.  Essas áreas, que teoricamente deveriam permanecer intactas, estão abandonadas.  O Estado não tem meios para manter a vigilância em mais da metade do território brasileiro.  Estamos falando de 350 milhões de hectares, mais que a Europa inteira.  Por mais que se tenha o Exército, a duplicação do Exército com funcionários do Ibama, ou sistemas de satélite, a chance de se garantir que a floresta não será convertida ou depredada é pequena.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O incentivo econômico basta para reduzir riscos, ou são necessárias a regulação e a fiscalização?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É preciso ter, sem dúvida, mas certamente o incentivo para manter a floresta em pé é econômico.  Isso está alinhado com o jeito como o mundo funciona hoje, gostemos ou não.  E é muito importante, porque há incentivo econômico para cortar a floresta.  Estamos em um jogo de forças entre os dois tipos de incentivo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O senhor acredita que já está superada a discussão sobre os riscos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não.  O grande desafio da concessão é ver que instrumentos de monitoramento serão postos em prática.  Com a floresta mapeada e o processo de gestão acordado e contratado, o monitoramento fica mais fácil.  Outro elemento redutor do risco é a criação de um mercado alternativo para quem está na ilegalidade, como madeireiros que não têm alternativa de renda.  Mas não estamos falando de eliminação de risco, e nem de ausência do Estado, que tem o poder de retirar a concessão se as regras forem quebradas e vaicontinuar a fazer o monitoramento por satélite, o controle do transporte da madeira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quando se vislumbra uma economia da floresta para o Brasil, o que lhe vem à mente?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O conceito de economia da floresta é de uso múltiplo, que pode se dividir em três categorias.  Madeireiros, não-madeireiros &#8211; frutas, sementes, óleos, essências, ainda pouco viáveis economicamente &#8211; e serviços ambientais, que é a nova onda.  O Brasil não pode continuar como mero produtor de madeira sem adição de valor para os mercados internacionais e vendo nestes mercados o negócio florescer.  É preciso trazer o valor do negócio para dentro do País.  Isso implica tecnologia, conhecimento de como trabalhar com a madeira.  A que vendemos são toras rústicas, pranchões.  E lá fora se vêem as maravilhas que se fazem com esses produtos, porque há toda uma atividade profissionalizante voltada a essa indústria.  Um elemento fundamental na criação da economia florestal tropical é um processo educacional que capacite jovens.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Fora isso tem o componente de ilegalidade.  Não há investimento em serrarias que são montadas e rapidamente desmontadas em lugares diferentes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sem dúvida.  Eu entro, tiro o que puder, serro rapidinho, vendo e vou pra outro lugar.  Essa lógica se quebra com o manejo, pois são projetos de longo prazo, você vai ficar em um lugar durante dois, três ciclos por 90 anos.  Então me deixa montar uma serraria com tecnologia mais sofisticada e boa formação dos funcionários.  Não temos uma boa formação profissionalizante para algo que ocupa mais da metade do País!  Nos não-madeireiros não é diferente.  Acho que há uma associação romântica desses produtos com os elixires, que tratam tudo, a medicina popular, a emoção de lidar com produto que vem da floresta.  Legal, mas precisa ter visão prática, operacional, de não degradar o produto na extração.  A castanha-do-pará é excepcional do ponto de vista nutricional, mas subutilizada.  A forma como se extrai permite a contaminação, não gera distribuição da renda, não adiciona valor ao produto.  A mesma coisa com o açaí e os óleos.  Sem um pré-processamento rápido, a maioria dos óleos se deteriora.  E aí você está depredando a floresta, pois a extração tem impacto ambiental e o valor não retorna pra comunidade nem pra floresta.  E os serviços ambientais são uma estrada infinita.  Além do carbono, tem toda a questão da água, a manutenção do solo, a biodiversidade, a paisagem, que têm valor econômico.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Fala-se muito em pagamentos por serviços ambientais, mas quem vai pagar?  Por que não se avança nessa agenda?  O quanto as empresas estão dispostas a entrar com recursos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O pagamento por serviços ambientais já é realidade na esfera do carbono.  O que não avançou foi a relação entre o carbono e a floresta, que ficou fora da discussão do Protocolo de Kyoto, mas, depois de (a Conferência das Partes em) Bali, está se consolidando.  Esse mercado vaichegar.  A Fundação Amazonas é um exemplo concreto, a rede Marriott de hotéis é outro: cobra-se um dólar a mais pela diária, se você quiser pagar, para preservar a floresta.  Outras formas, que acho robustas, são ligar a preservação da floresta à manutenção de clima.  E aí os setores que dependem de chuva, como os grandes negócios agroindustriais, terão interesse em pagar pela manutenção de áreas que de alguma forma geram as chuvas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A tecnologia para adicionar valor aos produtos florestais naturalmente avançará com o investimento privado ou depende de uma política pública?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Essa é uma discussão muito legal: o papel do Estado na inovação.  Não acredito que ela ocorra só com a atuação do setor privado, ou só do público.  O sucesso de países inovadores veio da combinação entre política pública e a determinação do setor privado em correr os riscos do desenvolvimento tecnológico.  O setor privado no Brasil não tem tradição de correr riscos de inovação.  Também não temos uma boa relação do setor privado com a academia, que é distante do mundo da produção.  Já as florestas plantadas são exemplo da boa combinação entre política pública voltada para o desenvolvimento, conhecimento em agronomia, melhoramento genético &#8211; que é a mesma linha de toda a agricultura brasileira, da Embrapa, da Esalq &#8211; e o interesse do setor privado em produzir celulose, ferro-gusa.  Foi todo um arranjo que deu certo.  Com isso, o Brasil conseguiu desenvolver tratos silviculturais, formas de produção que o transformaram no país mais competitivo em florestas plantadas.  Então, parte da economia florestal é bem-sucedida e temos os elementos para fazer o mesmo com a floresta tropical.  Mas onde está a Embrapa para a floresta nativa?  Que apoio o governo vai dar para isso, para capacitação e desenvolvimento tecnológico?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por que isso não foi para a frente?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não sei.  A gente já passou por ciclos muito interessantes da floresta tropical.  O da borracha é um dos mais importantes da história do País.  á foi responsável por 40% da exportação.  Talvez haja uma questão cultural de que o desenvolvimento está associado à substituição da floresta, modelo que prevaleceu na Europa, o da conversão da floresta em terras sem cobertura florestal, e isso talvez tenha a ver com o processo de colonização do Brasil.  Diferentemente do que aconteceu no Norte da Europa, onde havia uma relação cultural com a floresta, de sobreviver com a floresta.  E aí tem assuntos interessantes para discutir, como o quão humano é conviver com a floresta tropical e o quão humano é conviver com a boreal, que tem espaços maiores, oferece menores riscos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Aqui tem mosquito, malária&#8230;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Exatamente, e lá a floresta dá proteção contra o frio, é praticamente o único elemento que garante a sobrevivência em condições extremas.  Isso são elucubrações, mas, independentemente desse contexto histórico, há uma questão real que é o modelo de desenvolvimento que se quer para metade do nosso país.  Um modelo que seja claro, objetivo, mensurável, com educação, tecnologia, incentivo fiscal, monitoramento e controle.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Desde quando a proposta de concessão florestal foi apresentada até hoje, caiu a resistência por parte de movimentos socioambientais?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A discussão da lei de concessão teve apoio da sociedade civilorganizada desde seu início.  Claro que existem nichos contra esse conceito, mas as principais ONGs, a academia e o setor econômico ligado ao segmento florestal deram apoio.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O que mostra sua experiência no FSC, que é um conselho formado por múltiplas partes interessadas (multistakeholders), de esferas diferentes?  Como se resolvem os conflitos?  Há questionamentos às práticas de certificação?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sou suspeito para falar, mas acredito que esse seja o modelo mais robusto de desenvolvimento da sociedade daqui pra frente.  Uma iniciativa como a do FSC, que agora se multiplica em vários outros fóruns, pressupõe que as posições devem conversar e construir um mundo a partir de um consenso.  Isso é uma mudança muito grande.  Em vez da atitude de ataque e defesa, passa a ser de construção de um caminho possível.  Essa é a melhor definição de sustentabilidade: é o caminho possível, é a sua construção.  Não existe um modelo único de sustentabilidade.  A visão das ONGs sociais é diferente da de ONGs ambientais.  Então o grande desafio e a beleza desses fóruns são o compromisso com o diálogo e a busca de soluções factíveis.  São pessoas com posições fortes e consistentes, mas dispostas a dialogar para construir &#8211; com base nessas posições fortes &#8211; um modelo diferente de produção, de comercialização, de criação de economia.  Claro, é extremamente conflitante, e às vezes desgastante, doloroso.  Mas a minha experiência é de que surgem resultados muito bacanas.  Aparecem surpresas e caminhos que nenhum dos três pólos &#8211; no caso do FSC, as câmaras social, econômica e ambiental &#8211; tinha imaginado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Que tipo de questionamento aparece entre os pólos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Um exemplo prático: o uso de agroquímico.  Para o setor econômico, representa redução de custos, aumento na velocidade de produção.  Para o ambiental, causa danos ambientais.  Para o social, causa danos para quem aplica.  Então, há três visões diferentes sobre o tema.  É possível eliminar totalmente o agroquímico?  Em algumas situações, não.  Se os dois pólos que preconizam a eliminação total forem radicais, perderão a conexão com a realidade.  Firma-se um modelo de certificação completamente contra, mas o econômico continua produzindo com agroquímico.  Não adianta, perde o sentido.  Então, até onde se pode reduzir o uso, buscar os produtos menos danosos?  Nesse processo, constroem-se caminhos para que o problema seja mitigado.  Essa discussão melhora as práticas de aplicação e a qualidade dos agroquímicos, que se tornam menos danosos, e cria um estímulo para inovação que não havia.  Toda essa pressão tem um poder inovador fantástico, que é amplamente usufruído pela área econômica.  E a área econômica percebeu isso.  Há vários exemplos no manejo sustentável, de como reduzo impactos, abro uma estrada de um jeito, de outro, que custa até mais barato.  São os elefantes que são colocados em cima da mesa e têm de ser tratados.  Se olhar sob a ótica do conflito, continua sendo um elefante o resto da vida.  Se olhar sob a da inovação, pode se transformar em uma solução muito interessante.  Isso é o FSC, esse é o seu dia-a-dia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Além do FSC, o senhor citaria quais outros fóruns multistakeholders relevantes e instâncias em que isso acontece?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No Brasil, citaria a experiência da round table (mesa-redonda) da soja, que há dois anos traz uma discussão muito interessante sobre os modelos de produção.  É formada por praticamente as mesmas ONGs que atuam no setor florestal e as empresas envolvidas com a cadeia da soja: produtores, indústrias, tradings e sistema financeiro.  É importante não só porque congrega esses agentes, mas porque trata de uma commodity significativa para o Brasil e que terá rebatimento em outros produtos agrícolas.  O caso da soja já está sendo multiplicado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Um exemplo é o grupo de discussão da cana, que é local &#8211; o da soja é internacional.  Existe também a round table do sustainable biofuel (biocombustíveis sustentáveis), também internacional.  E tem uma iniciativa muito legal, chamada Iniciativa Tripartite, liderada por Amigos da Terra, Imaflora, Ares e Abag (Associação Brasileira de Agribusiness), que busca critérios macro para o agronegócio como um todo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quando os fóruns são internacionais, ultrapassam as fronteiras políticas.  Que implicações isso traz?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esses são novos modelos de governança, novos sistemas de monitoramento e de controle da atividade humana, supragovernamentais.  Pra mim, isso é mudança de paradigma de como o mundo funciona.  Se algo parecido com isso foi tentado com as ONUs da vida, com o insucesso que a gente vê, aqui é uma iniciativa alternativa com resultados práticos muito tangíveis, como certificação e práticas de produção.  Isso implica uma discussão sobre soberania.  O governo pode dizer que &#8220;aqui no meu país&#8221; determinada produção é legal, mas o mercado pode não reconhecer essa legalidade.  Esses modelos multistakeholders vão além: trazem elementos de interesse da sociedade global e muitas vezes têm o poder de substituir a relação de poder interno.  Por exemplo.  Há determinados grupos de interesse que pressionam o Congresso para aprovar leis e acaba prevalecendo o grupo de poder 1, 2 ou 3.  Esses fóruns procuram fazer com que os diferentes grupos se reúnam antes de pressionar os respectivos Congressos, e cheguem a conclusões antes de fazer as ações de lobby.  Vão fazê-las em cima de modelos previamente acordados e mundialmente aceitos.  Então começa um processo de institucionalização global no que se refere às questões sociais e ambientais.  A gente vê isso no Zimbábue, na China.  É cada vez mais difícil um país dizer: aqui pode ser assim.  E o Brasil está exposto a esse tipo de discussão, o que é muito positivo.  Tem um grupo que vê como ataque à soberania nacional.  Vejo até de forma contrária.  O Brasil tem condições de produção sustentável que podem reverter a pressão que vem de fora sobre esses temas.  Como se discute a agricultura na Europa e nos EUA no tocante a áreas de preservação permanente e de reserva legal?  Todo esse arcabouço que a gente tem no campo ambiental, que é criticado, na realidade é um dos mais sofisticados do mundo.  Podemos, inteligentemente, reverter a posição De vítima no que se refere à agricultura mundial e subsídios agrícolas, com o apoio e endosso desses fóruns, e não com medo deles.  O Brasil, por sinal, tem assumido liderança em grande parte deles.  O FSC é um exemplo.  As round tables da soja e dos biofuels são outros.  É preciso traduzir essa liderança para o contexto do comércio internacional brasileiro, para a agenda do Itamaraty.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O quanto o Itamaraty está interessado em pelo menos saber o que acontece nesses fóruns?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não vejo o Itamaraty presente.  Acho que não faz parte da sua cultura, é um negócio novo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como esses fóruns surgem, de onde partem?  Como é a governança, o processo decisório, como funcionam?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Partem de um movimento concomitante em várias frentes.  Por exemplo, o setor empresarial começa a perceber que precisa ter práticas melhores pelo fato de que práticas não-sustentáveis não são econômicas a longo prazo.  Há um incentivo do próprio setor empresarial em avançar nisso.  Ao mesmo tempo, a sociedade civilorganizada capta impactos que a atividade econômica gera nas populações, no meio ambiente, traduzem isso em pauta, que se transformam em objetos de pressão.  E aí às vezes as pessoas se reúnem.  Há uma visão de que são animais completamente diferentes, mas, na realidade, o cara da ONG estudou com o cara que foi pra indústria, eram amigos de infância e começam a conversar.  Assim que funciona.  Então nascem de modo informal &#8211; cada vez menos, porque há, hoje, uma expectativa mundial de que tudo seja resolvido por meio de fóruns round table.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Expectativa por parte de quem?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Do sistema financeiro, dos investidores, dos conselhos.  &#8220;Escuta, vocês estão falando com a sociedade civil?  Porque não quero que minha empresa fique exposta.&#8221;  Há uma força muito grande, uma conscientização mundial de que precisa mudar as formas de produção.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Isso é uma coisa de poucos anos pra cá?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esse supercrescimento das round tables é de um ano, dois anos, no máximo.  O FSC ficou meio sozinho por praticamente dez anos.  Começa nessa discussão informal, passa por uma relação pessoal, pela construção de uma relação de confiança entre os agentes que estão conversando, e essa confiança é fundamental para olhar o elefante que está sobre a mesa.  Assim, reconhecem o problema, mas também que têm entre si uma série de coisas em comum.  Esse processo normalmente segue para a formalização.  Vamos criar um grupo de trabalho, mas como?  Tem de ser balanceado.  Não adianta colocar dez caras da indústria e um da ONG.  Aí começam as discussões sobre governança.  Como é que eu governo?  Vou dividir em câmaras, em produtores e indústrias?  Vai virar uma ONG, uma iniciativa, uma round table?  Se virar round table, tenho de ter uma assembléia, definir como se vota, quais as regras.  Então surgem os estatutos e a formalização dos mecanismos de governança.  Aí entra a fase mais importante, que chamo de storming, na qual se discutem o elefante e as práticas adequadas, o que é ou não aceito, e as grandes negociações são feitas.  Uma vez que o elefante foi destrinchado em princípios, critérios, mecanismos de monitoramento, parte-se para certificação, verificação, auditoria, e entra a fase de performance.  Divido esse processo em três fases: formação, storming e performance.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Basicamente temos isso funcionando para produtos madeireiros e agrícolas?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Isso, soja, óleo de palma, biocombustível, açúcar, café, algodão.  E aí há outros mecanismos paralelos como o fair trade, voltado para a produção das Pequenas comunidades, o fortalecimento da pequena economia.  Tem a linha de orgânicos, que também possui players grandes, cadeias de supermercado.  É toda uma nova causa que segue por esse rumo supragovernamental e não responde para ninguém, mas para a sociedade como um todo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sim, mas ainda são setores específicos da economia.  Isso tende a tomar proporções maiores em relação à mudança climática, para pegar um exemplo mais global, impossível?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Acho que sim.  Por exemplo, na questão da propriedade do crédito de carbono: de quem é um carbono que não foi emitido porque a floresta permaneceu em pé?  É da comunidade que vive na floresta, é do dono da terra, é do governo que proporcionou um programa de controle de desmatamento?  Essa é uma discussão bastante sofisticada.  A questão dos bens comuns em geral, a água, o solo, minérios, passa por uma orquestração dos atores envolvidos que está acima da decisão de governo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas por enquanto a governança global parece restrita àqueles exemplos específicos.  Na verdade não vivemos uma desgovernança?  Existe uma globalização, mas todas as instituições globais criadas no pós-guerra não dão conta de resolver os problemas mundiais de hoje, certo?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sim.  E onde está a falha desse sistema?  As decisões e os processos são definidos por um grupo de funcionários dessas organizações.  São capacitados, mas estão confinados em um ambiente institucional, burocrático.  Já fóruns tipo round table congregam gente que está na linha de frente: o produtor rural que precisa mudar sua prática de aplicação de químicos, a empresa que vende, o banco que financia, ou seja, a própria sociedade organizada.  Então o poder é muito maior que o de pessoas que, por mais bem capacitadas, terão mais dificuldade de chegar à conclusão do que é melhor para aquele grupo todo.  Esse processo doloroso de buscar um consenso, de passar por mecanismos de governança, é extremamente criativo, tem um poder enorme de gerar novos caminhos.  E com legitimidade muito maior do que um organismo internacional que chega em um país e diz: eu sou a ONU e você vai seguir essa regra.  Tá tudo pronto?  Longe disso.  Estamos no começo, realmente em uma mudança de paradigma de governança mundial.  Ainda é cedo para dizer que não tem sucesso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como você disse, vivemos uma desgovernança, que vai se aprofundar por um bom tempo.  Acho que um dos pontos mais difíceis é como o consumidor vaiconseguir lidar com tanto selo, tanto mecanismo de certificação (leia edição 17 de PÁGINA22).  Ninguém vai olhar tanto selo.  Um é sustentável, outro é correto do ponto de vista energético.  Nós, consumidores, ainda vamos lidar com uma bagunça em termos de informação sobre o que é certo, o que não é certo, mas isso será orquestrado e haverá uma depuração dos modelos vencedores e uma consolidação das melhores práticas.  Na discussão da Iniciativa Tripartite, por exemplo, vamos pegar a síntese do que é uma boa prática agrícola em geral.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas a questão do clima ainda está dentro de um arcabouço burocrático, complicadíssimo, da ONU, que amarra o avanço da agenda.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Está, mas está também no mercado voluntário.  Se olhar o desempenho da Chicago Climate Exchange, é impressionante.  Significa que o mercado atribuiu valor, não precisa ter nenhum órgão batendo na cabeça de ninguém.  Percebeu também valores ligados à reputação, redução de risco.  Tem empresa que percebe que causou um dano e que amanhã alguém pode acioná-la, então busca se proteger e começa todo um jogo interessante no mundo das seguradoras.  Há cada vez mais investidores institucionais, fundos de pensão, que estão olhando desde já o que será um bom negócio daqui a 30 anos.  Embora o cenário ainda esteja bastante confuso, alguns mecanismos começam a se consolidar.  Há 100 milhões de hectares de florestas certificadas e US$ 20 bilhões de produtos florestais certificados no mundo.  Daqui a 30 anos vamos olhar pra trás e ver esses mecanismos muito bem estabelecidos: a sociedade civil se organizou e concluiu, por exemplo, que uma boa forma de produzir veículos é assim ou assado.  Esse é o caminho.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Amazônia atrai também pelo que está no subsolo &#8211; os minérios.  O que é preciso para que a população local também seja beneficiada pela mineração e os povos indígenas não sejam desrespeitados?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quando a gente fala de governança multistakeholder, fala de legitimidade, incluindo o âmbito local, a consulta pública local, e mais que isso: o engajamento permanente com as comunidades locais, porque a realidade vai mudando e é preciso haver adequações contínuas.  Na mineração isso é fundamental.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Há alguma certificação socioambiental para mineração?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não conheço, mas virá.  Uma discussão que já tá aí é de como vai ser a exploração do petróleo no Ártico com o degelo.  Mas não necessariamente estamos falando de commodities internacionais.  Esse tema está chegando nos âmbitos locais, especialmente no que se refere a compras públicas, e o poder de compra do Estado tem grande influência.  A maior parte dos mercados mundiais são mercados locais.  O Brasil exporta menos de 20% da madeira produzida.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Qual sua visão do etanol celulósico? Pode ser um pulo-do-gato na produção de bioenergia?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esse é um bom exemplo da inovação que surge dessas pressões todas.  Percebemos que, ao converter celulose em etanol, transformamos um problema em solução, para reduzir pressão sobre floresta, aumentar produtividade (reportagem à pág.  54).  Por isso sou muito otimista sobre o que vai acontecer com o planeta.  A gente vai encontrar uma solução que nem imagina, como sempre.  Por isso essas forças (os agentes multistakeholders) são muito importantes, e, quando elas sentam para conversar, é impressionante o que surge de oportunidade.</div>
<p>Por Amália Safatle<span style="white-space: pre;"> </span></p>
<p>De onde partirá uma orquestração que aponte caminhos para as questões globais?  Instituições criadas no pós-guerra não parecem tão eficazes em gerir as crises, enquanto florescem mecanismos supranacionais alternativos &#8211; as chamadas round tables &#8211; que aglutinam representantes dos mais divergentes grupos de interesse da sociedade e mostram como o diálogo, ainda que conflituoso, gera soluções criativas, inovadoras e de maior legitimidade.</p>
<p>As mesas-redondas já são realidade nas economias florestal e agrícola e, para Roberto Waack, presidente do Conselho Internacional do Forest Stewardship Council (FSC) e do Conselho Consultivo do Instituto para o Agronegócio Responsável (Ares), representam uma mudança de paradigma na governança mundial.  Biólogo de formação e presidente da Amata &#8211; produtora de madeira certificada candidata à concessão pública da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia -, Waack defende que o Brasil se apóie nesses fóruns de discussão, nos quais já exerce protagonismo, em vez de temer ameaças à soberania na exploração de recursos naturais e colocar-se como vítima nas negociações sobre comércio internacional.</p>
<p>A sua empresa é uma das interessadas em explorar as florestas nacionais por meio de concessões.  Quais são os riscos socioambientais dessa exploração, tendo em conta que a Amazônia historicamente padece de falta de fiscalização e regulação?</p>
<p>O risco existe de qualquer forma.  A floresta, seja uma reserva de proteção permanente, área indígena, área de concessão, área privada, está exposta a esse risco.  A concessão mitiga o risco, porque o concessionário vai ter incentivos para usufruir da economia da floresta de acordo com regras bem claras &#8211; diferentemente do que acontece com as áreas onde não há atividade econômica.  O manejo em geral propicia uma intimidade com a floresta, pelo fato de ter que fazer o inventário 100%, fazer as trilhas, conhecer as espécies, ter especialistas em florestas transitando, ter auditoria de impacto ambiental.  Tudo isso reduz o risco do abandono.  (reportagem à pág.18) O abandono da área explorada é o principal risco?  Mesmo em áreas não exploradas.  Essas áreas, que teoricamente deveriam permanecer intactas, estão abandonadas.  O Estado não tem meios para manter a vigilância em mais da metade do território brasileiro.  Estamos falando de 350 milhões de hectares, mais que a Europa inteira.  Por mais que se tenha o Exército, a duplicação do Exército com funcionários do Ibama, ou sistemas de satélite, a chance de se garantir que a floresta não será convertida ou depredada é pequena.</p>
<p>O incentivo econômico basta para reduzir riscos, ou são necessárias a regulação e a fiscalização?</p>
<p>É preciso ter, sem dúvida, mas certamente o incentivo para manter a floresta em pé é econômico.  Isso está alinhado com o jeito como o mundo funciona hoje, gostemos ou não.  E é muito importante, porque há incentivo econômico para cortar a floresta.  Estamos em um jogo de forças entre os dois tipos de incentivo.</p>
<p>O senhor acredita que já está superada a discussão sobre os riscos?</p>
<p>Não.  O grande desafio da concessão é ver que instrumentos de monitoramento serão postos em prática.  Com a floresta mapeada e o processo de gestão acordado e contratado, o monitoramento fica mais fácil.  Outro elemento redutor do risco é a criação de um mercado alternativo para quem está na ilegalidade, como madeireiros que não têm alternativa de renda.  Mas não estamos falando de eliminação de risco, e nem de ausência do Estado, que tem o poder de retirar a concessão se as regras forem quebradas e vaicontinuar a fazer o monitoramento por satélite, o controle do transporte da madeira.</p>
<p>Quando se vislumbra uma economia da floresta para o Brasil, o que lhe vem à mente?</p>
<p>O conceito de economia da floresta é de uso múltiplo, que pode se dividir em três categorias.  Madeireiros, não-madeireiros &#8211; frutas, sementes, óleos, essências, ainda pouco viáveis economicamente &#8211; e serviços ambientais, que é a nova onda.  O Brasil não pode continuar como mero produtor de madeira sem adição de valor para os mercados internacionais e vendo nestes mercados o negócio florescer.  É preciso trazer o valor do negócio para dentro do País.  Isso implica tecnologia, conhecimento de como trabalhar com a madeira.  A que vendemos são toras rústicas, pranchões.  E lá fora se vêem as maravilhas que se fazem com esses produtos, porque há toda uma atividade profissionalizante voltada a essa indústria.  Um elemento fundamental na criação da economia florestal tropical é um processo educacional que capacite jovens.</p>
<p>Fora isso tem o componente de ilegalidade.  Não há investimento em serrarias que são montadas e rapidamente desmontadas em lugares diferentes.</p>
<p>Sem dúvida.  Eu entro, tiro o que puder, serro rapidinho, vendo e vou pra outro lugar.  Essa lógica se quebra com o manejo, pois são projetos de longo prazo, você vai ficar em um lugar durante dois, três ciclos por 90 anos.  Então me deixa montar uma serraria com tecnologia mais sofisticada e boa formação dos funcionários.  Não temos uma boa formação profissionalizante para algo que ocupa mais da metade do País!  Nos não-madeireiros não é diferente.  Acho que há uma associação romântica desses produtos com os elixires, que tratam tudo, a medicina popular, a emoção de lidar com produto que vem da floresta.  Legal, mas precisa ter visão prática, operacional, de não degradar o produto na extração.  A castanha-do-pará é excepcional do ponto de vista nutricional, mas subutilizada.  A forma como se extrai permite a contaminação, não gera distribuição da renda, não adiciona valor ao produto.  A mesma coisa com o açaí e os óleos.  Sem um pré-processamento rápido, a maioria dos óleos se deteriora.  E aí você está depredando a floresta, pois a extração tem impacto ambiental e o valor não retorna pra comunidade nem pra floresta.  E os serviços ambientais são uma estrada infinita.  Além do carbono, tem toda a questão da água, a manutenção do solo, a biodiversidade, a paisagem, que têm valor econômico.</p>
<p>Fala-se muito em pagamentos por serviços ambientais, mas quem vai pagar?  Por que não se avança nessa agenda?  O quanto as empresas estão dispostas a entrar com recursos?</p>
<p>O pagamento por serviços ambientais já é realidade na esfera do carbono.  O que não avançou foi a relação entre o carbono e a floresta, que ficou fora da discussão do Protocolo de Kyoto, mas, depois de (a Conferência das Partes em) Bali, está se consolidando.  Esse mercado vaichegar.  A Fundação Amazonas é um exemplo concreto, a rede Marriott de hotéis é outro: cobra-se um dólar a mais pela diária, se você quiser pagar, para preservar a floresta.  Outras formas, que acho robustas, são ligar a preservação da floresta à manutenção de clima.  E aí os setores que dependem de chuva, como os grandes negócios agroindustriais, terão interesse em pagar pela manutenção de áreas que de alguma forma geram as chuvas.</p>
<p>A tecnologia para adicionar valor aos produtos florestais naturalmente avançará com o investimento privado ou depende de uma política pública?</p>
<p>Essa é uma discussão muito legal: o papel do Estado na inovação.  Não acredito que ela ocorra só com a atuação do setor privado, ou só do público.  O sucesso de países inovadores veio da combinação entre política pública e a determinação do setor privado em correr os riscos do desenvolvimento tecnológico.  O setor privado no Brasil não tem tradição de correr riscos de inovação.  Também não temos uma boa relação do setor privado com a academia, que é distante do mundo da produção.  Já as florestas plantadas são exemplo da boa combinação entre política pública voltada para o desenvolvimento, conhecimento em agronomia, melhoramento genético &#8211; que é a mesma linha de toda a agricultura brasileira, da Embrapa, da Esalq &#8211; e o interesse do setor privado em produzir celulose, ferro-gusa.  Foi todo um arranjo que deu certo.  Com isso, o Brasil conseguiu desenvolver tratos silviculturais, formas de produção que o transformaram no país mais competitivo em florestas plantadas.  Então, parte da economia florestal é bem-sucedida e temos os elementos para fazer o mesmo com a floresta tropical.  Mas onde está a Embrapa para a floresta nativa?  Que apoio o governo vai dar para isso, para capacitação e desenvolvimento tecnológico?</p>
<p>Por que isso não foi para a frente?</p>
<p>Não sei.  A gente já passou por ciclos muito interessantes da floresta tropical.  O da borracha é um dos mais importantes da história do País.  á foi responsável por 40% da exportação.  Talvez haja uma questão cultural de que o desenvolvimento está associado à substituição da floresta, modelo que prevaleceu na Europa, o da conversão da floresta em terras sem cobertura florestal, e isso talvez tenha a ver com o processo de colonização do Brasil.  Diferentemente do que aconteceu no Norte da Europa, onde havia uma relação cultural com a floresta, de sobreviver com a floresta.  E aí tem assuntos interessantes para discutir, como o quão humano é conviver com a floresta tropical e o quão humano é conviver com a boreal, que tem espaços maiores, oferece menores riscos.</p>
<p>Aqui tem mosquito, malária&#8230;</p>
<p>Exatamente, e lá a floresta dá proteção contra o frio, é praticamente o único elemento que garante a sobrevivência em condições extremas.  Isso são elucubrações, mas, independentemente desse contexto histórico, há uma questão real que é o modelo de desenvolvimento que se quer para metade do nosso país.  Um modelo que seja claro, objetivo, mensurável, com educação, tecnologia, incentivo fiscal, monitoramento e controle.</p>
<p>Desde quando a proposta de concessão florestal foi apresentada até hoje, caiu a resistência por parte de movimentos socioambientais?</p>
<p>A discussão da lei de concessão teve apoio da sociedade civilorganizada desde seu início.  Claro que existem nichos contra esse conceito, mas as principais ONGs, a academia e o setor econômico ligado ao segmento florestal deram apoio.</p>
<p>O que mostra sua experiência no FSC, que é um conselho formado por múltiplas partes interessadas (multistakeholders), de esferas diferentes?  Como se resolvem os conflitos?  Há questionamentos às práticas de certificação?</p>
<p>Sou suspeito para falar, mas acredito que esse seja o modelo mais robusto de desenvolvimento da sociedade daqui pra frente.  Uma iniciativa como a do FSC, que agora se multiplica em vários outros fóruns, pressupõe que as posições devem conversar e construir um mundo a partir de um consenso.  Isso é uma mudança muito grande.  Em vez da atitude de ataque e defesa, passa a ser de construção de um caminho possível.  Essa é a melhor definição de sustentabilidade: é o caminho possível, é a sua construção.  Não existe um modelo único de sustentabilidade.  A visão das ONGs sociais é diferente da de ONGs ambientais.  Então o grande desafio e a beleza desses fóruns são o compromisso com o diálogo e a busca de soluções factíveis.  São pessoas com posições fortes e consistentes, mas dispostas a dialogar para construir &#8211; com base nessas posições fortes &#8211; um modelo diferente de produção, de comercialização, de criação de economia.  Claro, é extremamente conflitante, e às vezes desgastante, doloroso.  Mas a minha experiência é de que surgem resultados muito bacanas.  Aparecem surpresas e caminhos que nenhum dos três pólos &#8211; no caso do FSC, as câmaras social, econômica e ambiental &#8211; tinha imaginado.</p>
<p>Que tipo de questionamento aparece entre os pólos?</p>
<p>Um exemplo prático: o uso de agroquímico.  Para o setor econômico, representa redução de custos, aumento na velocidade de produção.  Para o ambiental, causa danos ambientais.  Para o social, causa danos para quem aplica.  Então, há três visões diferentes sobre o tema.  É possível eliminar totalmente o agroquímico?  Em algumas situações, não.  Se os dois pólos que preconizam a eliminação total forem radicais, perderão a conexão com a realidade.  Firma-se um modelo de certificação completamente contra, mas o econômico continua produzindo com agroquímico.  Não adianta, perde o sentido.  Então, até onde se pode reduzir o uso, buscar os produtos menos danosos?  Nesse processo, constroem-se caminhos para que o problema seja mitigado.  Essa discussão melhora as práticas de aplicação e a qualidade dos agroquímicos, que se tornam menos danosos, e cria um estímulo para inovação que não havia.  Toda essa pressão tem um poder inovador fantástico, que é amplamente usufruído pela área econômica.  E a área econômica percebeu isso.  Há vários exemplos no manejo sustentável, de como reduzo impactos, abro uma estrada de um jeito, de outro, que custa até mais barato.  São os elefantes que são colocados em cima da mesa e têm de ser tratados.  Se olhar sob a ótica do conflito, continua sendo um elefante o resto da vida.  Se olhar sob a da inovação, pode se transformar em uma solução muito interessante.  Isso é o FSC, esse é o seu dia-a-dia.</p>
<p>Além do FSC, o senhor citaria quais outros fóruns multistakeholders relevantes e instâncias em que isso acontece?</p>
<p>No Brasil, citaria a experiência da round table (mesa-redonda) da soja, que há dois anos traz uma discussão muito interessante sobre os modelos de produção.  É formada por praticamente as mesmas ONGs que atuam no setor florestal e as empresas envolvidas com a cadeia da soja: produtores, indústrias, tradings e sistema financeiro.  É importante não só porque congrega esses agentes, mas porque trata de uma commodity significativa para o Brasil e que terá rebatimento em outros produtos agrícolas.  O caso da soja já está sendo multiplicado.</p>
<p>Um exemplo é o grupo de discussão da cana, que é local &#8211; o da soja é internacional.  Existe também a round table do sustainable biofuel (biocombustíveis sustentáveis), também internacional.  E tem uma iniciativa muito legal, chamada Iniciativa Tripartite, liderada por Amigos da Terra, Imaflora, Ares e Abag (Associação Brasileira de Agribusiness), que busca critérios macro para o agronegócio como um todo.</p>
<p>Quando os fóruns são internacionais, ultrapassam as fronteiras políticas.  Que implicações isso traz?</p>
<p>Esses são novos modelos de governança, novos sistemas de monitoramento e de controle da atividade humana, supragovernamentais.  Pra mim, isso é mudança de paradigma de como o mundo funciona.  Se algo parecido com isso foi tentado com as ONUs da vida, com o insucesso que a gente vê, aqui é uma iniciativa alternativa com resultados práticos muito tangíveis, como certificação e práticas de produção.  Isso implica uma discussão sobre soberania.  O governo pode dizer que &#8220;aqui no meu país&#8221; determinada produção é legal, mas o mercado pode não reconhecer essa legalidade.  Esses modelos multistakeholders vão além: trazem elementos de interesse da sociedade global e muitas vezes têm o poder de substituir a relação de poder interno.  Por exemplo.  Há determinados grupos de interesse que pressionam o Congresso para aprovar leis e acaba prevalecendo o grupo de poder 1, 2 ou 3.  Esses fóruns procuram fazer com que os diferentes grupos se reúnam antes de pressionar os respectivos Congressos, e cheguem a conclusões antes de fazer as ações de lobby.  Vão fazê-las em cima de modelos previamente acordados e mundialmente aceitos.  Então começa um processo de institucionalização global no que se refere às questões sociais e ambientais.  A gente vê isso no Zimbábue, na China.  É cada vez mais difícil um país dizer: aqui pode ser assim.  E o Brasil está exposto a esse tipo de discussão, o que é muito positivo.  Tem um grupo que vê como ataque à soberania nacional.  Vejo até de forma contrária.  O Brasil tem condições de produção sustentável que podem reverter a pressão que vem de fora sobre esses temas.  Como se discute a agricultura na Europa e nos EUA no tocante a áreas de preservação permanente e de reserva legal?  Todo esse arcabouço que a gente tem no campo ambiental, que é criticado, na realidade é um dos mais sofisticados do mundo.  Podemos, inteligentemente, reverter a posição De vítima no que se refere à agricultura mundial e subsídios agrícolas, com o apoio e endosso desses fóruns, e não com medo deles.  O Brasil, por sinal, tem assumido liderança em grande parte deles.  O FSC é um exemplo.  As round tables da soja e dos biofuels são outros.  É preciso traduzir essa liderança para o contexto do comércio internacional brasileiro, para a agenda do Itamaraty.</p>
<p>O quanto o Itamaraty está interessado em pelo menos saber o que acontece nesses fóruns?</p>
<p>Não vejo o Itamaraty presente.  Acho que não faz parte da sua cultura, é um negócio novo.</p>
<p>Como esses fóruns surgem, de onde partem?  Como é a governança, o processo decisório, como funcionam?</p>
<p>Partem de um movimento concomitante em várias frentes.  Por exemplo, o setor empresarial começa a perceber que precisa ter práticas melhores pelo fato de que práticas não-sustentáveis não são econômicas a longo prazo.  Há um incentivo do próprio setor empresarial em avançar nisso.  Ao mesmo tempo, a sociedade civilorganizada capta impactos que a atividade econômica gera nas populações, no meio ambiente, traduzem isso em pauta, que se transformam em objetos de pressão.  E aí às vezes as pessoas se reúnem.  Há uma visão de que são animais completamente diferentes, mas, na realidade, o cara da ONG estudou com o cara que foi pra indústria, eram amigos de infância e começam a conversar.  Assim que funciona.  Então nascem de modo informal &#8211; cada vez menos, porque há, hoje, uma expectativa mundial de que tudo seja resolvido por meio de fóruns round table.</p>
<p>Expectativa por parte de quem?</p>
<p>Do sistema financeiro, dos investidores, dos conselhos.  &#8220;Escuta, vocês estão falando com a sociedade civil?  Porque não quero que minha empresa fique exposta.&#8221;  Há uma força muito grande, uma conscientização mundial de que precisa mudar as formas de produção.</p>
<p>Isso é uma coisa de poucos anos pra cá?</p>
<p>Esse supercrescimento das round tables é de um ano, dois anos, no máximo.  O FSC ficou meio sozinho por praticamente dez anos.  Começa nessa discussão informal, passa por uma relação pessoal, pela construção de uma relação de confiança entre os agentes que estão conversando, e essa confiança é fundamental para olhar o elefante que está sobre a mesa.  Assim, reconhecem o problema, mas também que têm entre si uma série de coisas em comum.  Esse processo normalmente segue para a formalização.  Vamos criar um grupo de trabalho, mas como?  Tem de ser balanceado.  Não adianta colocar dez caras da indústria e um da ONG.  Aí começam as discussões sobre governança.  Como é que eu governo?  Vou dividir em câmaras, em produtores e indústrias?  Vai virar uma ONG, uma iniciativa, uma round table?  Se virar round table, tenho de ter uma assembléia, definir como se vota, quais as regras.  Então surgem os estatutos e a formalização dos mecanismos de governança.  Aí entra a fase mais importante, que chamo de storming, na qual se discutem o elefante e as práticas adequadas, o que é ou não aceito, e as grandes negociações são feitas.  Uma vez que o elefante foi destrinchado em princípios, critérios, mecanismos de monitoramento, parte-se para certificação, verificação, auditoria, e entra a fase de performance.  Divido esse processo em três fases: formação, storming e performance.</p>
<p>Basicamente temos isso funcionando para produtos madeireiros e agrícolas?</p>
<p>Isso, soja, óleo de palma, biocombustível, açúcar, café, algodão.  E aí há outros mecanismos paralelos como o fair trade, voltado para a produção das Pequenas comunidades, o fortalecimento da pequena economia.  Tem a linha de orgânicos, que também possui players grandes, cadeias de supermercado.  É toda uma nova causa que segue por esse rumo supragovernamental e não responde para ninguém, mas para a sociedade como um todo.</p>
<p>Sim, mas ainda são setores específicos da economia.  Isso tende a tomar proporções maiores em relação à mudança climática, para pegar um exemplo mais global, impossível?</p>
<p>Acho que sim.  Por exemplo, na questão da propriedade do crédito de carbono: de quem é um carbono que não foi emitido porque a floresta permaneceu em pé?  É da comunidade que vive na floresta, é do dono da terra, é do governo que proporcionou um programa de controle de desmatamento?  Essa é uma discussão bastante sofisticada.  A questão dos bens comuns em geral, a água, o solo, minérios, passa por uma orquestração dos atores envolvidos que está acima da decisão de governo.</p>
<p>Mas por enquanto a governança global parece restrita àqueles exemplos específicos.  Na verdade não vivemos uma desgovernança?  Existe uma globalização, mas todas as instituições globais criadas no pós-guerra não dão conta de resolver os problemas mundiais de hoje, certo?</p>
<p>Sim.  E onde está a falha desse sistema?  As decisões e os processos são definidos por um grupo de funcionários dessas organizações.  São capacitados, mas estão confinados em um ambiente institucional, burocrático.  Já fóruns tipo round table congregam gente que está na linha de frente: o produtor rural que precisa mudar sua prática de aplicação de químicos, a empresa que vende, o banco que financia, ou seja, a própria sociedade organizada.  Então o poder é muito maior que o de pessoas que, por mais bem capacitadas, terão mais dificuldade de chegar à conclusão do que é melhor para aquele grupo todo.  Esse processo doloroso de buscar um consenso, de passar por mecanismos de governança, é extremamente criativo, tem um poder enorme de gerar novos caminhos.  E com legitimidade muito maior do que um organismo internacional que chega em um país e diz: eu sou a ONU e você vai seguir essa regra.  Tá tudo pronto?  Longe disso.  Estamos no começo, realmente em uma mudança de paradigma de governança mundial.  Ainda é cedo para dizer que não tem sucesso.</p>
<p>Como você disse, vivemos uma desgovernança, que vai se aprofundar por um bom tempo.  Acho que um dos pontos mais difíceis é como o consumidor vaiconseguir lidar com tanto selo, tanto mecanismo de certificação (leia edição 17 de PÁGINA22).  Ninguém vai olhar tanto selo.  Um é sustentável, outro é correto do ponto de vista energético.  Nós, consumidores, ainda vamos lidar com uma bagunça em termos de informação sobre o que é certo, o que não é certo, mas isso será orquestrado e haverá uma depuração dos modelos vencedores e uma consolidação das melhores práticas.  Na discussão da Iniciativa Tripartite, por exemplo, vamos pegar a síntese do que é uma boa prática agrícola em geral.</p>
<p>Mas a questão do clima ainda está dentro de um arcabouço burocrático, complicadíssimo, da ONU, que amarra o avanço da agenda.</p>
<p>Está, mas está também no mercado voluntário.  Se olhar o desempenho da Chicago Climate Exchange, é impressionante.  Significa que o mercado atribuiu valor, não precisa ter nenhum órgão batendo na cabeça de ninguém.  Percebeu também valores ligados à reputação, redução de risco.  Tem empresa que percebe que causou um dano e que amanhã alguém pode acioná-la, então busca se proteger e começa todo um jogo interessante no mundo das seguradoras.  Há cada vez mais investidores institucionais, fundos de pensão, que estão olhando desde já o que será um bom negócio daqui a 30 anos.  Embora o cenário ainda esteja bastante confuso, alguns mecanismos começam a se consolidar.  Há 100 milhões de hectares de florestas certificadas e US$ 20 bilhões de produtos florestais certificados no mundo.  Daqui a 30 anos vamos olhar pra trás e ver esses mecanismos muito bem estabelecidos: a sociedade civil se organizou e concluiu, por exemplo, que uma boa forma de produzir veículos é assim ou assado.  Esse é o caminho.</p>
<p>A Amazônia atrai também pelo que está no subsolo &#8211; os minérios.  O que é preciso para que a população local também seja beneficiada pela mineração e os povos indígenas não sejam desrespeitados?</p>
<p>Quando a gente fala de governança multistakeholder, fala de legitimidade, incluindo o âmbito local, a consulta pública local, e mais que isso: o engajamento permanente com as comunidades locais, porque a realidade vai mudando e é preciso haver adequações contínuas.  Na mineração isso é fundamental.</p>
<p>Há alguma certificação socioambiental para mineração?</p>
<p>Não conheço, mas virá.  Uma discussão que já tá aí é de como vai ser a exploração do petróleo no Ártico com o degelo.  Mas não necessariamente estamos falando de commodities internacionais.  Esse tema está chegando nos âmbitos locais, especialmente no que se refere a compras públicas, e o poder de compra do Estado tem grande influência.  A maior parte dos mercados mundiais são mercados locais.  O Brasil exporta menos de 20% da madeira produzida.</p>
<p>Qual sua visão do etanol celulósico? Pode ser um pulo-do-gato na produção de bioenergia?</p>
<p>Esse é um bom exemplo da inovação que surge dessas pressões todas.  Percebemos que, ao converter celulose em etanol, transformamos um problema em solução, para reduzir pressão sobre floresta, aumentar produtividade (reportagem à pág.  54).  Por isso sou muito otimista sobre o que vai acontecer com o planeta.  A gente vai encontrar uma solução que nem imagina, como sempre.  Por isso essas forças (os agentes multistakeholders) são muito importantes, e, quando elas sentam para conversar, é impressionante o que surge de oportunidade.</p>
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		<title>Agir local sem pensar global</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:07:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Carolina Derivi 
Convenhamos: é difícil convencer alguém de que a mera troca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes faz diferença no combate às mudanças climáticas.  A maioria das pessoas sabe que, apesar de suas melhores intenções, se o resto do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Convenhamos: é difícil convencer alguém de que a mera troca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes faz diferença no combate às mudanças climáticas.  A maioria das pessoas sabe que, apesar de suas melhores intenções, se o resto do mundo não aderir à mesma agenda, as chances são de que a atmosfera da Terra continue a se aquecer.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O desafio global da questão climática pode facilmente levar ao catastrofismo e à paralisia.  Um dos remédios para combater esses sintomas, e ao mesmo tempo suas causas, é pensar e agir localmente, receita o movimento Transition Towns, nascido no Reino Unido em 2002.  O programa, que visa reduzir a dependência local do petróleo, conta com a adesão de mais de 70 comunidades, vilas, bairros e pequenas cidades.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A estratégia, segundo Rob Hopkins, mentor do movimento, é ajustar o foco e abordar menos as mudanças climáticas e mais o fenômeno conhecido como Peak Oil.  Segundo o geólogo britânico Collin Campbell, a produção global de petróleo deve atingir seu pico entre 2006 e 2012, marcando o início de uma era em que os altos preços forçarão a mudança nos hábitos de cada indivíduo, em todos os cantos do mundo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Todo o nosso cotidiano está baseado nessa dependência.  Mesmo a divisão entre urbano e rural, em que os alimentos são produzidos a milhas e milhas de distância dos centros de consumo, é um luxo possibilitado pela era do petróleo&#8221;, explica Hopkins em seu site.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para ajudar na transição, o programa oferece apoio técnico para que as localidades desenvolvam projetos como hortas urbanas, de economia solidária, ou negociem preços melhores no atacado de painéis solares.  A mudança para práticas que exigem menor consumo de combustíveis fósseis ajuda, indiretamente, a causa climática.  E pode ser reconfortante, segundo Hopkins: &#8220;Há muitas razões para crer que a vida com menos petróleo pode ser preferível, mais prazerosa e gratificante, que a vida presente&#8221;.</div>
<div>Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>Convenhamos: é difícil convencer alguém de que a mera troca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes faz diferença no combate às mudanças climáticas.  A maioria das pessoas sabe que, apesar de suas melhores intenções, se o resto do mundo não aderir à mesma agenda, as chances são de que a atmosfera da Terra continue a se aquecer.</div>
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<div>O desafio global da questão climática pode facilmente levar ao catastrofismo e à paralisia.  Um dos remédios para combater esses sintomas, e ao mesmo tempo suas causas, é pensar e agir localmente, receita o movimento Transition Towns, nascido no Reino Unido em 2002.  O programa, que visa reduzir a dependência local do petróleo, conta com a adesão de mais de 70 comunidades, vilas, bairros e pequenas cidades.</div>
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<div>A estratégia, segundo Rob Hopkins, mentor do movimento, é ajustar o foco e abordar menos as mudanças climáticas e mais o fenômeno conhecido como Peak Oil.  Segundo o geólogo britânico Collin Campbell, a produção global de petróleo deve atingir seu pico entre 2006 e 2012, marcando o início de uma era em que os altos preços forçarão a mudança nos hábitos de cada indivíduo, em todos os cantos do mundo.</div>
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<div>&#8220;Todo o nosso cotidiano está baseado nessa dependência.  Mesmo a divisão entre urbano e rural, em que os alimentos são produzidos a milhas e milhas de distância dos centros de consumo, é um luxo possibilitado pela era do petróleo&#8221;, explica Hopkins em seu site.</div>
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<div>Para ajudar na transição, o programa oferece apoio técnico para que as localidades desenvolvam projetos como hortas urbanas, de economia solidária, ou negociem preços melhores no atacado de painéis solares.  A mudança para práticas que exigem menor consumo de combustíveis fósseis ajuda, indiretamente, a causa climática.  E pode ser reconfortante, segundo Hopkins: &#8220;Há muitas razões para crer que a vida com menos petróleo pode ser preferível, mais prazerosa e gratificante, que a vida presente&#8221;.</div>
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		<title>Memória e identidade</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:04:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Carolina Derivi 
O projeto de formação de índios artistas plásticos do Instituto Dirson Costa (IDC), no Amazonas, deu tão certo que o próximo passo será a fundação de um museu.  O Museu de Arte e Imaginário da Amazônia (Maia) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O projeto de formação de índios artistas plásticos do Instituto Dirson Costa (IDC), no Amazonas, deu tão certo que o próximo passo será a fundação de um museu.  O Museu de Arte e Imaginário da Amazônia (Maia) será o primeiro a referendar apenas as expressões artísticas da cultura amazonense e suas mais de 60 etnias indígenas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Conforme os alunos iam produzindo seu material acadêmico, observamos que além da riqueza antropológica, as obras revelavam um imaginário capaz de causar um grande impacto estético na sociedade&#8221;, explica Aidalina Costa, presidente do IDC.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Com inauguração prevista para 2009, o Maia já conta com um acervo fundador de mais de 800 obras.  Merecem destaque as coleções de marchetaria (técnica de aplicação de peças sobre madeira), baseadas nas pesquisas de Alexandre Rodrigues Ferreira, um dos mais importantes naturalistas a estudar a Amazônia no século XVIII.</div>
<div>Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
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<div>O projeto de formação de índios artistas plásticos do Instituto Dirson Costa (IDC), no Amazonas, deu tão certo que o próximo passo será a fundação de um museu.  O Museu de Arte e Imaginário da Amazônia (Maia) será o primeiro a referendar apenas as expressões artísticas da cultura amazonense e suas mais de 60 etnias indígenas.</div>
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<div>&#8220;Conforme os alunos iam produzindo seu material acadêmico, observamos que além da riqueza antropológica, as obras revelavam um imaginário capaz de causar um grande impacto estético na sociedade&#8221;, explica Aidalina Costa, presidente do IDC.</div>
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<div>Com inauguração prevista para 2009, o Maia já conta com um acervo fundador de mais de 800 obras.  Merecem destaque as coleções de marchetaria (técnica de aplicação de peças sobre madeira), baseadas nas pesquisas de Alexandre Rodrigues Ferreira, um dos mais importantes naturalistas a estudar a Amazônia no século XVIII.</div>
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		<title>Agende-se</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:03:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Carolina Derivi 
A décima edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) terminou em junho, na cidade de Goiás (GO), mas, até o final do ano, uma mostra itinerante vai levar os filmes vencedores nas nove categorias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A décima edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) terminou em junho, na cidade de Goiás (GO), mas, até o final do ano, uma mostra itinerante vai levar os filmes vencedores nas nove categorias a várias cidades brasileiras.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É a oportunidade de se conhecer algumas raridades do cinema mundial, fora do circuito regular, como o documentário Delta, o Jogo Sujo do Petróleo, do diretor grego Yorgos Avgeropoulos, ganhador do prêmio de Melhor Longa-metragem.  O filme trata da exploração petrolífera no delta do Rio Níger, na Nigéria, e dos impactos socioambientais de vazamentos e rejeitos do combustível.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Também não faltam representantes do cinema nacional, como o filme Benzeduras, da diretora Adriana Rodrigues, que explora a interface entre o natural e o sagrado nas práticas populares de cura do interior de Goiás.  O longa amealhou o prêmio de Melhor Produção Goiana.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Depois de passar os primeiros dias de agosto no Rio de Janeiro, a mostra segue para Florianópolis, entre os dias 13 e 15, e chega a Brasília no dia 10 de setembro.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em outubro, é a vez de São Paulo e Vitória receberem o Fica, respectivamente de 8 a 10 e de 16 a 17.  Para mais informações, acesse www.fica.art.br.</div>
<div>Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div></div>
<div>A décima edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) terminou em junho, na cidade de Goiás (GO), mas, até o final do ano, uma mostra itinerante vai levar os filmes vencedores nas nove categorias a várias cidades brasileiras.</div>
<div></div>
<div>É a oportunidade de se conhecer algumas raridades do cinema mundial, fora do circuito regular, como o documentário Delta, o Jogo Sujo do Petróleo, do diretor grego Yorgos Avgeropoulos, ganhador do prêmio de Melhor Longa-metragem.  O filme trata da exploração petrolífera no delta do Rio Níger, na Nigéria, e dos impactos socioambientais de vazamentos e rejeitos do combustível.</div>
<div></div>
<div>Também não faltam representantes do cinema nacional, como o filme Benzeduras, da diretora Adriana Rodrigues, que explora a interface entre o natural e o sagrado nas práticas populares de cura do interior de Goiás.  O longa amealhou o prêmio de Melhor Produção Goiana.</div>
<div></div>
<div>Depois de passar os primeiros dias de agosto no Rio de Janeiro, a mostra segue para Florianópolis, entre os dias 13 e 15, e chega a Brasília no dia 10 de setembro.</div>
<div></div>
<div>Em outubro, é a vez de São Paulo e Vitória receberem o Fica, respectivamente de 8 a 10 e de 16 a 17.  Para mais informações, acesse www.fica.art.br.</div>
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		<item>
		<title>Tirar o doce da boca de criança</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2008/08/tirar-o-doce-da-boca-de-crianca/</link>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:01:43 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Amália Safatle 
Fim do recesso parlamentar de julho, e a discussão sobre restrições à publicidade infantil deve voltar à tona. A questão ganhou força quando a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Amália Safatle<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Fim do recesso parlamentar de julho, e a discussão sobre restrições à publicidade infantil deve voltar à tona. A questão ganhou força quando a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei de Luiz Carlos Hauly (PSDBPR) que proíbe qualquer publicidade endereçada à criança e merchandising para adolescentes &#8211; públicos mais influenciáveis pela mídia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Com a volta aos trabalhos, será a vez de as comissões de Assuntos Econômicos e de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática votarem o PL.  Só que, agora, a batalha promete ser mais árdua.  Deputados contrários à medida organizaram-se em uma Frente Parlamentar, em 10 de julho, durante encontro do mercado publicitário, que considera o projeto uma violação à liberdade de expressão.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Esse será o tema mais quente no II Fórum Internacional Criança e Consumo (a ser realizado em setembro, em São Paulo)&#8221;, afirma Isabella Henriques, do Instituto Alana.  A organização, que promove o evento, dedica-se a combater o consumismo, a erotização precoce, a obesidade infantil e a violência na juventude &#8211; que seriam estimulados pela exposição excessiva à tevê e à publicidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Trata-se de mais um cerco ao mercado, que a partir do ano que vem deverá sofrer restrições na propaganda de produtos com alto teor de açúcar, gordura e sal, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A respeito disso, o Instituto Alana cobra de empresas de alimentos com atuação no Brasil postura adotada na Europa e nos EUA.  Lá, Burger King, Cadbury Adams, Campbell Soup, Coca- Cola, Hershey, Kraft, Kellogg, McDonald&#8217;s, PepsiCo e Unilever se comprometeram a restringir anúncios desses produtos para crianças ou a mudar a composição de modo a torná-los mais saudáveis.  &#8220;Mas aqui, não&#8221;, diz Isabella.  Em reunião a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), afi rma que a entidade se mostrou aberta a discutir a questão.</div>
<div></div>
<div>Por Amália Safatle<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div></div>
<div>Fim do recesso parlamentar de julho, e a discussão sobre restrições à publicidade infantil deve voltar à tona. A questão ganhou força quando a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei de Luiz Carlos Hauly (PSDBPR) que proíbe qualquer publicidade endereçada à criança e merchandising para adolescentes &#8211; públicos mais influenciáveis pela mídia.</div>
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<div>Com a volta aos trabalhos, será a vez de as comissões de Assuntos Econômicos e de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática votarem o PL.  Só que, agora, a batalha promete ser mais árdua.  Deputados contrários à medida organizaram-se em uma Frente Parlamentar, em 10 de julho, durante encontro do mercado publicitário, que considera o projeto uma violação à liberdade de expressão.</div>
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<div>&#8220;Esse será o tema mais quente no II Fórum Internacional Criança e Consumo (a ser realizado em setembro, em São Paulo)&#8221;, afirma Isabella Henriques, do Instituto Alana.  A organização, que promove o evento, dedica-se a combater o consumismo, a erotização precoce, a obesidade infantil e a violência na juventude &#8211; que seriam estimulados pela exposição excessiva à tevê e à publicidade.</div>
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<div>Trata-se de mais um cerco ao mercado, que a partir do ano que vem deverá sofrer restrições na propaganda de produtos com alto teor de açúcar, gordura e sal, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).</div>
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<div>A respeito disso, o Instituto Alana cobra de empresas de alimentos com atuação no Brasil postura adotada na Europa e nos EUA.  Lá, Burger King, Cadbury Adams, Campbell Soup, Coca- Cola, Hershey, Kraft, Kellogg, McDonald&#8217;s, PepsiCo e Unilever se comprometeram a restringir anúncios desses produtos para crianças ou a mudar a composição de modo a torná-los mais saudáveis.  &#8220;Mas aqui, não&#8221;, diz Isabella.  Em reunião a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), afi rma que a entidade se mostrou aberta a discutir a questão.</div>
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		<title>Veja bem&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 17:00:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Carolina Derivi 
No último dia 16, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, teria anunciado a criação de um selo ambiental para automóveis, conforme noticiado pela imprensa.  A informação, entretanto, é imprecisa, segundo o responsável por programas de etiquetagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No último dia 16, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, teria anunciado a criação de um selo ambiental para automóveis, conforme noticiado pela imprensa.  A informação, entretanto, é imprecisa, segundo o responsável por programas de etiquetagem do Inmetro, Alexandre Novgorodcev.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Confundiram etiquetagem com selo verde.  Não vamos dizer que determinado carro é &#8216;verde&#8217;.  Isso serviria para carros movidos a hidrogênio ou eletricidade e não é o caso&#8221;, diz Novgorodcev.  O projeto, gestado no Inmetro, vem sendo chamado de Programa de Etiquetagem de Eficiência Veicular (PEEV).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As etiquetas que serão distribuídas a partir de janeiro de 2009 não servirão para certificar o desempenho ambiental dos carros, mas apenas para quantificar o consumo de combustível em cinco categorias que vão de A (mais eficiente) A E (menos eficiente).  Informações sobre emissões de carbono ou outros poluentes não estão incluídas no programa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A adesão das montadoras é voluntária.  Caso haja interesse em participar, é obrigatório submeter no mínimo metade dos modelos disponíveis à avaliação do Inmetro.  O lançamento oficial do programa ocorrerá no Salão do Automóvel, em São Paulo, no mês de outubro.</div>
<div>Por Carolina Derivi<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>No último dia 16, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, teria anunciado a criação de um selo ambiental para automóveis, conforme noticiado pela imprensa.  A informação, entretanto, é imprecisa, segundo o responsável por programas de etiquetagem do Inmetro, Alexandre Novgorodcev.</div>
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<div>&#8220;Confundiram etiquetagem com selo verde.  Não vamos dizer que determinado carro é &#8216;verde&#8217;.  Isso serviria para carros movidos a hidrogênio ou eletricidade e não é o caso&#8221;, diz Novgorodcev.  O projeto, gestado no Inmetro, vem sendo chamado de Programa de Etiquetagem de Eficiência Veicular (PEEV).</div>
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<div>As etiquetas que serão distribuídas a partir de janeiro de 2009 não servirão para certificar o desempenho ambiental dos carros, mas apenas para quantificar o consumo de combustível em cinco categorias que vão de A (mais eficiente) A E (menos eficiente).  Informações sobre emissões de carbono ou outros poluentes não estão incluídas no programa.</div>
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<div>A adesão das montadoras é voluntária.  Caso haja interesse em participar, é obrigatório submeter no mínimo metade dos modelos disponíveis à avaliação do Inmetro.  O lançamento oficial do programa ocorrerá no Salão do Automóvel, em São Paulo, no mês de outubro.</div>
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