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	<title>Página 22 &#187; 06</title>
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	<description>Informações para o novo século</description>
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		<title>Grande Sertão: Fronteiras</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:42:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entre 26 de novembro e 5 de dezembro de 2006, a expedição Caminhos dos Gerais, promovida pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, revelou a seus 50 participantes o quanto ainda há de beleza natural e cultural no sertão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre 26 de novembro e 5 de dezembro de 2006, a expedição Caminhos dos Gerais, promovida pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, revelou a seus 50 participantes o quanto ainda há de beleza natural e cultural no sertão descrito por Guimarães Rosa.  Mas, ao percorrer mais de 600 quilômetros na região noroeste mineira, pesquisadores, estudantes e jornalistas que compunham o grupo também constataram, in loco, algumas das grandes ameaças, sérios processos de degradação e contradições que se abatem sobre o Cerrado e sua gente.</p>
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		<title>Verdes desde criancinhas</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 18:22:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O amor à natureza de fato nunca foi moeda corrente na Casa Branca. Poucos presidentes, como Teddy Roosevelt, que transformou 93 milhões de hectares em parques nacionais, são lembrados com carinho pelos ambientalistas.
Mas, se acreditarmos em promessas de candidatos, isso está [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O amor à natureza de fato nunca foi moeda corrente na Casa Branca. Poucos presidentes, como Teddy Roosevelt, que transformou 93 milhões de hectares em parques nacionais, são lembrados com carinho pelos ambientalistas.</p>
<p>Mas, se acreditarmos em promessas de candidatos, isso está para mudar.  Pela primeira vez na História a questão ambiental terá peso importante nas eleições presidenciais americanas.</p>
<p>Três dos pré-candidatos com boas chances de ser indicados por seus partidos têm dado amplas demonstrações públicas de sua preocupação com o aquecimento global.  No campo dos republicanos, temos o senador John McCain, que em 2003 apresentou a proposta de criação de um mercado interno de créditos de carbono.</p>
<p>Do lado dos democratas, Barack Obama e Hillary Clinton têm feito críticas pesadas à intransigência de George W. Bush, cada vez mais isolado na sua rejeição ao Protocolo de Kyoto.  Para o senador Obama, que gostaria de ser o primeiro presidente negro do país, a decisão de não liderar essa discussão foi “imperdoável”.  Já a ex-primeira-dama classificou a atitude de Bush de “antiamericana”.</p>
<p>É curioso observar que eles levantam uma bandeira que ficou bem guardada no armário durante a campanha de 2000, quando um ambientalista legítimo, Al Gore, preferiu manter-se discreto sobre o tema, a despeito de sua militância histórica, que remonta aos anos 60.  Alguns analistas acreditam que esse foi um erro que lhe custou votos importantes — que migraram para Ralph Nader, do nanico Partido Verde.</p>
<p>Matthew Nisbet, professor da Escola de Comunicação da American University, em Washington, fez um exercício interessante de avaliação da cobertura sobre o aquecimento global em anos de eleições presidenciais.  Descobriu que ela sofreu quedas bruscas em 1996, 2000 e 2004.  A única exceção na série foi 1992 — ano da Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro.</p>
<p>A explicação, acredita Nisbet, está nas reticências do Partido Democrata,<br />
que, segundo o acadêmico, parece evitar o tema para não perder votos em estados fortemente industrializados.  Além disso, a mídia tenderia a despender muita energia explorando temas eleitorais mais clássicos, como a política externa ou o nível de impostos, deixando pouco espaço para o debate ambiental.</p>
<p>Mas isso também deve mudar em 2008.  E os Estados Unidos não são o único país onde a discussão climática promete incendiar os debates pré-eleitorais.  O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, tem declarado que o tema terá destaque nas eleições legislativas do final deste ano.</p>
<p>Quem imaginaria que Howard, defensor ardoroso da energia nuclear e um dos principais responsáveis pela recusa de adesão de seu país ao Protocolo de Kyoto, algum dia admitiria que a Austrália precisa de mudanças radicais e urgentes para conter as mudanças climáticas.</p>
<p>A maior seca dos últimos 100 anos e a pressão da opinião pública australiana obrigaram Howard a virar a casaca, a ponto de declarar apoio ao comércio de créditos de carbono.  Entretanto, depois da divulgação do último relatório do IPCC, o primeiro-ministro deixou claro que é ecologista — <em>ma non troppo</em>.  Reiterou que seu país não assinará Kyoto nos moldes atuais.</p>
<p>A questão ambiental também contará pontos na próxima eleição presidencial francesa, em abril.  A candidata do Partido Socialista, Ségolène Royal, liderou a delegação do seu país na Eco-92, quando ocupava o Ministério do Meio Ambiente.  Para indicar que também entende do assunto, seu principal rival, o atual ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, apressou-se em reunir-se com Al Gore, em dezembro último, e a declarar que “o desenvolvimento sustentável é uma questão tão fundamental que não pode ser propriedade de um único partido, só porque a sua cor é verde”.</p>
<p>Outro ex-ministro do Meio Ambiente, o canadense Stéphane Dion, está em plena ascensão política e acaba de assumir a liderança do Partido Liberal, de oposição.  Por fim, vale a pena notar o crescimento dos Verdes na Alemanha e na Áustria.</p>
<p>Evidentemente, o tema ambiental ganha terreno na arena política devido à pressão do eleitorado &#8211; e não por uma súbita epifania dos caciques partidários.  No caso dos EUA, pelo menos 2 milhões de americanos assistiram ao libelo de Al Gore sobre o aquecimento global — o filme <em>Uma Verdade Inconveniente</em> &#8211; e ainda estão frescas na memória nacional as imagens de destruição dos furacões Katrina e Rita.  Resta saber se os eleitores serão capazes de identificar os demagogos sob a pele de ambientalistas.</p>
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		<title>Um plano para o etanol</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 18:19:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Flavio Lobo 
PÁGINA 22: O que o Brasil deve fazer de mais urgente na área de biocombustíveis?
Roberto Rodrigues: Em primeiro lugar, há oito ministérios cuidando de agroenergia no Brasil.  Por isso, pedi ao presidente que tivéssemos um comitê de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Flavio Lobo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">PÁGINA 22: O que o Brasil deve fazer de mais urgente na área de biocombustíveis?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Roberto Rodrigues: Em primeiro lugar, há oito ministérios cuidando de agroenergia no Brasil.  Por isso, pedi ao presidente que tivéssemos um comitê de agroenergia: para definir uma linha para o País.  Porque cada ministro diz uma coisa.  Falam para vendermos etanol, e nós não temos etanol para vender.  Oitenta e cinco por cento dos carros feitos no Brasil são flexfuel.  O Brasil consome hoje praticamente 15 bilhões de litros de etanol por ano, e estamos crescendo.  Vamos precisar de mais 12 bilhões de litros só para o mercado interno, quase outro projeto como o que temos hoje.  Então não adianta falar muito em exportar álcool agora.  Precisamos mandar fazer um projeto com zoneamento ecológico, agrícola, e definir regras.  A partir daí, investir para valer, definir o que é para o mercado interno, o que é para o externo, como vai ser a logística etc. Curiosamente, o projeto brasileiro de agroenergia está mais claro em relação ao biodiesel, que ainda tem um potencial menor.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: E em relação à corrida tecnológica, corremos o risco de ficar para trás?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RR: Este ano os americanos vão gastar 1,6 bilhão de dólares só em pesquisa de matérias-primas para o etanol.  E vão avançar, não só em relação à celulose.  Temos aqui a melhor indústria de etanol do mundo e a melhor matéria-prima, a cana-de-açúcar.  Só que tecnologia é uma coisa dinâmica, se você não investe, e tem outro que investe, daqui a pouco você não é mais o melhor.  Sem tecnologia, vamos perder o trem da história na questão da agroenergia.  Acho uma pena que fiquemos pra trás, tendo o menor custo de produção do planeta, disparado, com uma grandeza territorial agricultável incomparável, com sol o ano inteiro, com água, e, sobretudo, com gente competente para fazer.  Quando ministro, fiz dois esforços grandes, que funcionaram.  O primeiro foi a montagem de um Pólo de Biocombustível, na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), que está funcionando e tem como objetivo principal mapear o cenário do biocombustível no Brasil.  O segundo foi criar um Centro de Agroenergia na Embrapa, que demorou, por causa da burocracia, mas foi instalado agora, no fim do ano.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: A expansão da área da cultura de cana é polêmica.  Como o senhor vê essa discussão?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RR: É preciso esclarecer alguns aspectos fundamentais.  Por exemplo: qual o melhor lugar pra plantar cana?  No Agreste pernambucano não dá cana.  Cana é um canudo cheio d&#8217;água doce.  Tem que ter água no solo para aquele canudo crescer.  Chega uma hora em que ele pára de crescer, fica maduro, você corta e produz açúcar ou álcool.  A questão essencial não é mais só qualidade do solo, mas o clima.  Dizem que o Brasil vai plantar cana na Amazônia.  Não há tolice maior do que essa, porque na Amazônia chove todos os dias.  A cana tem um período de crescimento.  E um de amadurecimento, em que não pode chover.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: A Inglaterra, por exemplo, tem uma regulamentação que não permite que se compre álcool do Brasil porque a cultura de cana produziria desmatamento da Amazônia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RR: É de uma estupidez bárbara, que pode acontecer por má-fé ou até por ignorância bem-intencionada.  Mas, voltando ao que Brasil deveria fazer para aproveitar o seu potencial, outro ponto fundamental é ter gente preparada.  Sobretudo porque há uma explosão de demanda.  Temos hoje cerca de 300 usinas no Brasil e 150 projetadas ou sendo instaladas.  Mas não há gente suficiente sendo bem formada para trabalhar nisso.  Razão pela qual estamos criando, aqui na FGV, um MBA em agroenergia, composto com a escola de Piracicaba (Esalq) e a Embrapa, no qual vamos entrar com a tecnologia de gestão, a escola de Piracicaba, com o viés agronômico e a Embrapa, com o tecnológico.  É um MBA que pretendo transformar em um MIT de agroenergia.  Porque precisamos não só vender álcool para o resto do mundo, mas vender usinas, carro flexfuel, inteligência, tecnologia, valor agregado.  Temos de formar gente pra ir lá fora ensinar a plantar cana, fazer usina de álcool&#8230; Só assim nós vamos &#8220;commoditizar&#8221; o produto.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Como se transforma o etanol ou outro biocombustível em commodity?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RR: Devemos ter parâmetros de caracterização do etanol.  Já estamos perdendo o trem do biodiesel, porque a Alemanha está fazendo a parametrização técnica do biodiesel de canola deles e, se o mundo adotar o padrão da Alemanha, também teremos de fazer biodiesel nesse padrão.  Por isso, temos de fazer logo o padrão do etanol, antes que uma África do Sul, por exemplo, faça.  Teremos a liderança do processo tendo clareza de que não podemos ser o único produtor de etanol do mundo, o único a exportar.  Se não houver vários produtores que garantam concorrência e estabilidade de oferta, também não haverá um grande mercado importador.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Quanto etanol o Brasil pode produzir de forma sustentável?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RR: Hoje temos 62 milhões de hectares agricultados, com todos os produtos agrícolas, sendo 6 milhões de cana, dos quais 3 produzem açúcar e 3 etanol.  Grosso modo, temos 3 milhões de hectares produzindo 15 bilhões de litros de etanol por ano.  E temos 200 milhões de hectares de pastagens dos quais 90 milhões são aptos para agricultura tropical, por terem clima e topografia adequados, relevo etc. Desses, 22 milhões são aptos para cana.  Usando esse potencial, podemos multiplicar por oito a produção de cana para etanol e produzir 120 bilhões de litros de etanol por ano.  Mas, na verdade, podemos produzir muito mais, porque em dez anos dobraremos a produção de etanol por hectare, por várias técnicas agrícolas, por variedades de cana transformada, novos mecanismos de adubação, produção rotacionada, uso da palha e do bagaço como matéria-prima, aperfeiçoamento do processo de extração do álcool, e assim por diante.  Se temos hoje 3 milhões de hectares produzindo 15 bilhões de litros, em dez anos faremos 30 bilhões de litros com a mesma área plantada.  Portanto, se cultivarmos mais 20 milhões de hectares, teremos 200 bilhões de litros.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Há quem diga que o aumento da área das lavouras de cana resultaria em escassez ou encarecimento dos alimentos.  O senhor identifica esse risco?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RR: Não há estupidez maior do que essa.  Temos 90 milhões de hectares agricultáveis e mais 62 milhões de hectares agricultados.  Uma vez e meia a área agricultável sobre a agricultada.  E temos uma produtividade baixa, ainda, para a maior parte dos produtos agrícolas.  Então nós podemos, ao mesmo tempo, aumentar muito a área da cana e triplicar a produção de alimentos.  É uma bobagem achar que a agroenergia vai atrapalhar a produção de alimentos.  Como dizer que vamos plantar álcool na Amazônia.  O picareta inventa uma coisa e o idealista pouco informado enxerga naquilo uma verdade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: E quanto à distribuição de renda e aos pequenos agricultores, uma indústria de etanol do porte que o senhor projeta atenderia a esses interesses?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">RR: É importante e saudável que haja regras.  A cadeia produtiva da cana é afetada pelo fato de não haver efetivamente um mercado.  O produtor não tem como mandar o produto para longe, pois a cana é muito barata e o custo do transporte não compensa.  Portanto o produtor de cana é como um operário do dono da usina.  Ele recebe um salário, que é o preço da cana.  O dono da usina arbitra, resolve o quanto vai pagar.  É tão sério, que Barbosa Lima Sobrinho, nos anos 40, instituiu o estatuto da lavoura canavieira, o primeiro instrumento jurídico do planeta a usar o conceito de cadeia produtiva.  Sabendo que esse era um setor em que havia um desequilíbrio econômico a favor do lado industrial, ele estabeleceu regras.  A usina só poderia produzir 50% da sua cana, sendo os outros 50% produzidos por agricultores autônomos.  O estatuto estabeleceu também que toda tonelada de cana, ou de açúcar, teria desconto de 1% ou 1,5%, dependendo das circunstâncias, que seria obrigatoriamente investido em saúde e educação para o trabalhador.  Todas as usinas e cooperativas de produtores foram obrigadas a criar mecanismos de assistência a saúde e educação para seus funcionários.  Quem extinguiu o estatuto da cana e gerou caos no setor foi o Collor.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Que modelo de organização produtiva o senhor considera que atenderia às necessidades industriais e sociais?  RR: Vou dar um exemplo.  Outro dia recebi um investidor que queria comprar 50 mil hectares para produzir cana.  Propus que comprasse apenas 500 hectares para montar uma usina, em volta do qual existirá 50 mil ou 60 mil hectares de terras de pequenos proprietários.  Eu me propus a conversar com essas pessoas para montar um programa de produção de cana, em que o dono da usina não pagaria um preço arbitrado pela tonelada de cana, mas sim pelo preço do etanol.  Então, suponhamos que a cana vale 65% do custo do etanol.  O produtor vai receber 60% do preço do etanol.  De maneira que quem planta é parceiro não do empreendimento do investidor, mas do resultado dele.  Então, é um contrato de risco por, digamos, 20 anos, que é muito mais equilibrado.  Se alguém perder, perdem todos, e, se ganhar, ganham todos.</div>
<div>Por Flavio Lobo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>PÁGINA 22: O que o Brasil deve fazer de mais urgente na área de biocombustíveis?</div>
<div>Roberto Rodrigues: Em primeiro lugar, há oito ministérios cuidando de agroenergia no Brasil.  Por isso, pedi ao presidente que tivéssemos um comitê de agroenergia: para definir uma linha para o País.  Porque cada ministro diz uma coisa.  Falam para vendermos etanol, e nós não temos etanol para vender.  Oitenta e cinco por cento dos carros feitos no Brasil são flexfuel.  O Brasil consome hoje praticamente 15 bilhões de litros de etanol por ano, e estamos crescendo.  Vamos precisar de mais 12 bilhões de litros só para o mercado interno, quase outro projeto como o que temos hoje.  Então não adianta falar muito em exportar álcool agora.  Precisamos mandar fazer um projeto com zoneamento ecológico, agrícola, e definir regras.  A partir daí, investir para valer, definir o que é para o mercado interno, o que é para o externo, como vai ser a logística etc. Curiosamente, o projeto brasileiro de agroenergia está mais claro em relação ao biodiesel, que ainda tem um potencial menor.</div>
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<div>22: E em relação à corrida tecnológica, corremos o risco de ficar para trás?</div>
<div>RR: Este ano os americanos vão gastar 1,6 bilhão de dólares só em pesquisa de matérias-primas para o etanol.  E vão avançar, não só em relação à celulose.  Temos aqui a melhor indústria de etanol do mundo e a melhor matéria-prima, a cana-de-açúcar.  Só que tecnologia é uma coisa dinâmica, se você não investe, e tem outro que investe, daqui a pouco você não é mais o melhor.  Sem tecnologia, vamos perder o trem da história na questão da agroenergia.  Acho uma pena que fiquemos pra trás, tendo o menor custo de produção do planeta, disparado, com uma grandeza territorial agricultável incomparável, com sol o ano inteiro, com água, e, sobretudo, com gente competente para fazer.  Quando ministro, fiz dois esforços grandes, que funcionaram.  O primeiro foi a montagem de um Pólo de Biocombustível, na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), que está funcionando e tem como objetivo principal mapear o cenário do biocombustível no Brasil.  O segundo foi criar um Centro de Agroenergia na Embrapa, que demorou, por causa da burocracia, mas foi instalado agora, no fim do ano.</div>
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<div>22: A expansão da área da cultura de cana é polêmica.  Como o senhor vê essa discussão?</div>
<div>RR: É preciso esclarecer alguns aspectos fundamentais.  Por exemplo: qual o melhor lugar pra plantar cana?  No Agreste pernambucano não dá cana.  Cana é um canudo cheio d&#8217;água doce.  Tem que ter água no solo para aquele canudo crescer.  Chega uma hora em que ele pára de crescer, fica maduro, você corta e produz açúcar ou álcool.  A questão essencial não é mais só qualidade do solo, mas o clima.  Dizem que o Brasil vai plantar cana na Amazônia.  Não há tolice maior do que essa, porque na Amazônia chove todos os dias.  A cana tem um período de crescimento.  E um de amadurecimento, em que não pode chover.</div>
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<div>22: A Inglaterra, por exemplo, tem uma regulamentação que não permite que se compre álcool do Brasil porque a cultura de cana produziria desmatamento da Amazônia.</div>
<div>RR: É de uma estupidez bárbara, que pode acontecer por má-fé ou até por ignorância bem-intencionada.  Mas, voltando ao que Brasil deveria fazer para aproveitar o seu potencial, outro ponto fundamental é ter gente preparada.  Sobretudo porque há uma explosão de demanda.  Temos hoje cerca de 300 usinas no Brasil e 150 projetadas ou sendo instaladas.  Mas não há gente suficiente sendo bem formada para trabalhar nisso.  Razão pela qual estamos criando, aqui na FGV, um MBA em agroenergia, composto com a escola de Piracicaba (Esalq) e a Embrapa, no qual vamos entrar com a tecnologia de gestão, a escola de Piracicaba, com o viés agronômico e a Embrapa, com o tecnológico.  É um MBA que pretendo transformar em um MIT de agroenergia.  Porque precisamos não só vender álcool para o resto do mundo, mas vender usinas, carro flexfuel, inteligência, tecnologia, valor agregado.  Temos de formar gente pra ir lá fora ensinar a plantar cana, fazer usina de álcool&#8230; Só assim nós vamos &#8220;commoditizar&#8221; o produto.</div>
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<div>22: Como se transforma o etanol ou outro biocombustível em commodity?</div>
<div>RR: Devemos ter parâmetros de caracterização do etanol.  Já estamos perdendo o trem do biodiesel, porque a Alemanha está fazendo a parametrização técnica do biodiesel de canola deles e, se o mundo adotar o padrão da Alemanha, também teremos de fazer biodiesel nesse padrão.  Por isso, temos de fazer logo o padrão do etanol, antes que uma África do Sul, por exemplo, faça.  Teremos a liderança do processo tendo clareza de que não podemos ser o único produtor de etanol do mundo, o único a exportar.  Se não houver vários produtores que garantam concorrência e estabilidade de oferta, também não haverá um grande mercado importador.</div>
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<div>22: Quanto etanol o Brasil pode produzir de forma sustentável?</div>
<div>RR: Hoje temos 62 milhões de hectares agricultados, com todos os produtos agrícolas, sendo 6 milhões de cana, dos quais 3 produzem açúcar e 3 etanol.  Grosso modo, temos 3 milhões de hectares produzindo 15 bilhões de litros de etanol por ano.  E temos 200 milhões de hectares de pastagens dos quais 90 milhões são aptos para agricultura tropical, por terem clima e topografia adequados, relevo etc. Desses, 22 milhões são aptos para cana.  Usando esse potencial, podemos multiplicar por oito a produção de cana para etanol e produzir 120 bilhões de litros de etanol por ano.  Mas, na verdade, podemos produzir muito mais, porque em dez anos dobraremos a produção de etanol por hectare, por várias técnicas agrícolas, por variedades de cana transformada, novos mecanismos de adubação, produção rotacionada, uso da palha e do bagaço como matéria-prima, aperfeiçoamento do processo de extração do álcool, e assim por diante.  Se temos hoje 3 milhões de hectares produzindo 15 bilhões de litros, em dez anos faremos 30 bilhões de litros com a mesma área plantada.  Portanto, se cultivarmos mais 20 milhões de hectares, teremos 200 bilhões de litros.</div>
<div></div>
<div>22: Há quem diga que o aumento da área das lavouras de cana resultaria em escassez ou encarecimento dos alimentos.  O senhor identifica esse risco?</div>
<div>RR: Não há estupidez maior do que essa.  Temos 90 milhões de hectares agricultáveis e mais 62 milhões de hectares agricultados.  Uma vez e meia a área agricultável sobre a agricultada.  E temos uma produtividade baixa, ainda, para a maior parte dos produtos agrícolas.  Então nós podemos, ao mesmo tempo, aumentar muito a área da cana e triplicar a produção de alimentos.  É uma bobagem achar que a agroenergia vai atrapalhar a produção de alimentos.  Como dizer que vamos plantar álcool na Amazônia.  O picareta inventa uma coisa e o idealista pouco informado enxerga naquilo uma verdade.</div>
<div></div>
<div>22: E quanto à distribuição de renda e aos pequenos agricultores, uma indústria de etanol do porte que o senhor projeta atenderia a esses interesses?</div>
<div>RR: É importante e saudável que haja regras.  A cadeia produtiva da cana é afetada pelo fato de não haver efetivamente um mercado.  O produtor não tem como mandar o produto para longe, pois a cana é muito barata e o custo do transporte não compensa.  Portanto o produtor de cana é como um operário do dono da usina.  Ele recebe um salário, que é o preço da cana.  O dono da usina arbitra, resolve o quanto vai pagar.  É tão sério, que Barbosa Lima Sobrinho, nos anos 40, instituiu o estatuto da lavoura canavieira, o primeiro instrumento jurídico do planeta a usar o conceito de cadeia produtiva.  Sabendo que esse era um setor em que havia um desequilíbrio econômico a favor do lado industrial, ele estabeleceu regras.  A usina só poderia produzir 50% da sua cana, sendo os outros 50% produzidos por agricultores autônomos.  O estatuto estabeleceu também que toda tonelada de cana, ou de açúcar, teria desconto de 1% ou 1,5%, dependendo das circunstâncias, que seria obrigatoriamente investido em saúde e educação para o trabalhador.  Todas as usinas e cooperativas de produtores foram obrigadas a criar mecanismos de assistência a saúde e educação para seus funcionários.  Quem extinguiu o estatuto da cana e gerou caos no setor foi o Collor.</div>
<div></div>
<div>22: Que modelo de organização produtiva o senhor considera que atenderia às necessidades industriais e sociais?  RR: Vou dar um exemplo.  Outro dia recebi um investidor que queria comprar 50 mil hectares para produzir cana.  Propus que comprasse apenas 500 hectares para montar uma usina, em volta do qual existirá 50 mil ou 60 mil hectares de terras de pequenos proprietários.  Eu me propus a conversar com essas pessoas para montar um programa de produção de cana, em que o dono da usina não pagaria um preço arbitrado pela tonelada de cana, mas sim pelo preço do etanol.  Então, suponhamos que a cana vale 65% do custo do etanol.  O produtor vai receber 60% do preço do etanol.  De maneira que quem planta é parceiro não do empreendimento do investidor, mas do resultado dele.  Então, é um contrato de risco por, digamos, 20 anos, que é muito mais equilibrado.  Se alguém perder, perdem todos, e, se ganhar, ganham todos.</div>
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		<title>Um século especial</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 18:17:12 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O século XXI, na visão do astrônomo britânico Martin Rees, é aquele em que a humanidade pode determinar como será o futuro da vida sobre a Terra. A evolução da vida que pôde se desenvolver no planeta azul depende da saúde de uma biosfera complexa, que vem sendo bombardeada com gases de efeito estufa, resultado das atividades humanas. Presidente da Royal Society, a academia nacional de ciência do Reino Unido, Rees abandonou seu conhecido pessimismo após a divulgação do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Com o consenso de que o problema é serio e, provavelmente, causado pelo homem, é hora de buscar o consenso internacional e agir, diz ele.</p>
<p><strong>PÁGINA 22: Qual é a mensagem do relatório do IPCC?  É a mensagem correta?</strong><br />
Martin Rees: A mensagem é que as evidências científicas em relação ao aquecimento global estão se consolidando e, apesar de incertezas que persistem, está claro que o risco de conseqüências sérias ainda neste século é tal que vale a pena tomar medidas urgentes para minimizá-las.</p>
<p><strong>P22: Houve críticas de que o relatório é conservador e desatualizado, por exemplo, em relação às previsões de aumento do nível do mar. Ele representa o estado-da-arte da ciência quanto às mudanças climáticas, ou um mínimo denominador comum para os cento e poucos países envolvidos no processo?<br />
</strong>MR: O relatório é, claro, um documento de consenso.  Ele avalia de maneira razoável a situação científica &#8211; como ela era há uns dois anos.  Mas pode subestimar alguns riscos.  Embora eu não seja um expert no assunto, suspeito que a taxa de elevação do nível do mar pode ser substancialmente mais alta do que a taxa, muito moderada, que o relatório cita.  Isso é porque as calotas de gelo da Groenlândia &#8211; e outras geleiras semelhantes &#8211; podem derreter mais rápido do que o relatório estima.  Em vez de o derretimento ser determinado pela condução térmica pelo gelo, parece que o gelo racha, o que permite a entrada de água e acelera o derretimento e o descolamento de grandes blocos.</p>
<p><strong>P22: O relatório mostrou uma probabilidade de 90% de que o aquecimento seja causado pelas atividades humanas, ou seja, pela economia global.  Há como solucionar o problema sem &#8220;desligar&#8221; a economia?<br />
</strong>MR: Um fato inequívoco, sobre o qual não há controvérsia, é que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera é muito mais alta do que jamais foi nos últimos 500 mil anos, pelo menos, e vai aumentar para mais do que o dobro do nível pré-industrial se continuarmos com o business as usual pelos próximos 30 anos.  Somente esse fato deveria ser suficiente para motivar ações para tentar reduzir as emissões de dióxido de carbono.  Acho que está claro que, se for para o mundo continuar a se desenvolver economicamente, em particular países importantes como China, Índia e Brasil, é preciso haver o rápido desenvolvimento de fontes de energia limpas.  Se esses países adotarem o estilo de vida que os europeus e americanos têm hoje, e produzirem tanto dióxido de carbono quanto o cidadão médio na Europa e nos EUA, as coisas serão realmente muito ruins.</p>
<p><strong>P22: Até os ambientalistas começam a falar em energia nuclear.  Quais são as fontes de energia necessárias em sua opinião?<br />
</strong>MR: A maneira mais óbvia com que podemos melhorar as coisas é economizando energia, e isso é algo que deveria ser promovido intensamente na Europa e nos EUA &#8211; aquecer nossos edifícios de maneira mais eficiente, tornar nosso transporte mais eficaz etc. Essa é uma coisa que pode ser feita imediatamente e que, de fato, economiza em vez de custar dinheiro.  Mas não podemos continuar dependendo de combustíveis fósseis, em particular de usinas de energia movidas a petróleo e a gás, a menos que se desenvolva uma maneira de capturar o dióxido de carbono.  Então, um ponto é pensar em maneiras mais eficazes de capturá-lo.  Mas, em paralelo, precisamos desenvolver fontes alternativas de energia, e a nuclear é uma delas.  Claro que há usinas nucleares de energia em vários países, e eu sou a favor de mais pesquisa para novos tipos de usinas, mais seguras e eficientes que as atuais.  Mas, ao mesmo tempo, há o desenvolvimento de novos combustíveis, em que o Brasil tem uma posição de liderança, e grandes esforços na direção de aprimorar a captação da energia solar.  Na minha opinião, considerando as energias renováveis, há mais espaço para melhorias tecnológicas na captação de energia solar do que para outras formas renováveis, como a energia do vento ou das marés.  Se houver uma maneira de cobrir grandes áreas com células fotovoltaicas sem custo de capital, isso seria um desenvolvimento benéfico.</p>
<p><strong>P22: Como se compara a energia solar aos biocombustíveis?  No Brasil há debate sobre a área necessária para plantar, obter o combustível e atender o consumo interno e externo.<br />
</strong>MR: Sempre haverá trocas difíceis entre as necessidades energéticas e ambientais.  Acredito que a energia solar tem grande potencial.  Os esforços mundiais em pesquisa e desenvolvimento em energia estão muito abaixo do que o desafio exige.  Na verdade, o gasto mundial com pesquisa e desenvolvimento em energia é menor do que era há 20 anos.  Está aumentando agora mas, considerando que o mundo gasta quase 3 trilhões de dólares por ano com energia e sua infra-estrutura, acho que deveria haver um esforço ampliado em todas as opções: solar, biocombustíveis à base de plantas geneticamente modificadas, novos tipos de reatores nucleares eficientes, fusão nuclear, e muitos outros.  Acho que, se esse fosse um desafio proclamado internacionalmente, haveria um segundo benefício, o de encorajar os jovens a enveredar por carreiras científicas.  Muitos não se sentem encorajados a optar pelas ciências físicas porque sentem que a maneira como elas são aplicadas é prejudicial ao mundo, ou há ambigüidades éticas.  Se tornássemos claro que o principal desafio do século XXI é fornecer energia limpa e sustentável para o mundo em desenvolvimento e desenvolvido &#8211; e que isso requer novas idéias, pesquisa e desenvolvimento -, seria o tipo de coisa que inspiraria os jovens da mesma maneira que o programa Apollo inspirou os americanos nos anos 60.  Mas esse é um objetivo mundial, deveria inspirar todo mundo.</p>
<p><strong>P22: Já há algum esforço colaborativo de pesquisa para novas fontes de energia?<br />
</strong>MR: Há um estudo muito útil sendo desenvolvido por um comitê organizado pelo InterAcademy Council &#8211; que é um órgão das academias nacionais, do qual a Royal Society é membro.  Os diretores desse comitê são o professor (José) Goldemberg, do Brasil, e o professor Steve Chu, um físico vencedor do Prêmio Nobel sediado na Califórnia, que está trabalhando com energia solar e, particularmente, novos tipos de biocombustíveis.  Estamos aguardando ansiosamente o relatório, que deve ser divulgado dentro de alguns meses por esse comitê.</p>
<p><strong>P22: Como funcionaria um projeto no estilo do Apollo para energias limpas?  Há recursos e vontade política para tanto?<br />
</strong>MR: O projeto de fusão é um exemplo de iniciativa internacional e há outros.  O orçamento do mundo para a pesquisa em fusão vai subir para cerca de 2 bilhões de dólares anualmente, e conta com colaboração internacional porque envolve uma única máquina muito grande, uma espécie de reator de demonstração.  O que precisamos para outros tipos de energia também é uma única grande instalação, por exemplo, para testar o seqüestro de carbono.  Mas outros tipos de pesquisa envolvem apenas pessoas inteligentes em vários laboratórios, explorando opções diferentes &#8211; isso não requer um único projeto colaborativo internacional.  Mas acredito que seria um sinal muito positivo se todos os países do G8 + 5 &#8211; China, Índia, Brasil, México e África do Sul &#8211; declarassem na próxima reunião do G8 que o desenvolvimento de energia limpa para o mundo é uma prioridade importante.  Se individualmente prometessem aumentar seu apoio a esse tipo de pesquisa, acho que seria um sinal positivo.  Trata-se de um desafio mundial que poderia ser solucionado, em alguns casos, por grandes projetos internacionais, como o de fusão mas, mesmo quando esses projetos não são necessários, o processo certamente ganha com parcerias internacionais.  Seria ótimo se cientistas britânicos colaborassem com cientistas brasileiros na pesquisa de biocombustíveis, por exemplo.</p>
<p><strong>P22: Mas não há acordo nem mesmo quanto ao Protocolo de Kyoto.  Os EUA não aderem enquanto os países em desenvolvimento não aceitarem metas de redução de emissões, e estes, por sua vez, dizem: &#8220;Por que devemos sacrificar nosso crescimento econômico?&#8221;<br />
</strong>MR: Sim, o problema do período pós-Kyoto é equilibrar os sacrifícios que precisam ser feitos por países ricos e países pobres.  Não é razoável impor a carga sobre os países em desenvolvimento.  Mas acho que todos concordam que é do interesse comum ter um sistema que incentive a redução das emissões de dióxido de carbono.  Esse incentivo pode ser simplesmente para economizar energia, mas também o estímulo à pesquisa mais rápida de novas tecnologias para substituir as usinas movidas a combustíveis fósseis.</p>
<p><strong>P22: Trata-se de encontrar uma nova forma de se desenvolver?<br />
</strong>MR: Sim.  Temos de aceitar que o maior problema foi causado pelos países desenvolvidos do Norte.  Então, eles têm a maior responsabilidade e o G8 deve liderar o processo.  Mas os outros cinco, que são grandes países ainda em desenvolvimento, precisam estar claramente envolvidos.  Também devemos lembrar que a solução do problema requer idéias inteligentes e desenvolvimento e, se olharmos para onde está o capital intelectual do mundo no século XXI, ele não vai estar na Europa e na América do Norte, mas na Ásia e na América do Sul, porque é ali que a população se concentra.  É ali que a maior parte dos talentos estará, e seria tolo não fazer tudo o que está ao alcance para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento ao redor do mundo.</p>
<p><strong>P22: O senhor mencionou a captura e armazenamento de carbono.  Como funciona?  É factível em grande escala?<br />
</strong>MR: O seqüestro é simplesmente capturar o dióxido de carbono produzido pelas usinas de energia e armazená-lo sob a terra ou sob os oceanos.  É factível &#8211; a União Européia e a China estão desenvolvendo modelos de demonstração.  Se vai ser econômico ou não, depende de como andarem essas pesquisas.  Mas é um projeto totalmente factível e, a menos que isso possa ser feito, deveríamos estar muito preocupados com o grande número de usinas a carvão que estão em construção agora, particularmente na China e na Índia e nos EUA.</p>
<p><strong>P22: Cientistas nos EUA propuseram recentemente um mecanismo para controlar a concentração de gases de efeito estufa com o lançamento de partículas de enxofre na estratosfera, o que levaria ao mesmo efeito de resfriamento do que uma grande erupção vulcânica.  Qual é sua opinião sobre mecanismos para controlar artificialmente o clima?<br />
</strong>MR: Isso é muito diferente do seqüestro de carbono, trata-se de controlar o clima do mundo ao reduzir a quantidade de luz do Sol que chega até a Terra.  Há idéias como essa em desenvolvimento também na Alemanha, além da possibilidade de instalar grandes painéis no espaço para bloquear um pouco a luz do Sol.  Acho que são idéias muito futurísticas; é bom que algumas pessoas estejam pensando nelas, mas você bem pode imaginar a dificuldade de obter consenso internacional sobre como mudar o clima da Terra ou mesmo o tamanho das preocupações sobre conseqüências não intencionais e os riscos.  Fico contente que isso esteja em discussão, mas não acho que deva nos desviar de desenvolvimentos que são realistas para os próximos 50 anos.  E, se não fizermos algo nestes 50 anos, a probabilidade, como mostra o relatório do IPCC, é de uma elevação de temperatura que pode ser muito séria em várias partes do mundo, talvez, ser ainda pior se detonar efeitos de feedback positivo (quando o aquecimento gera mais aquecimento).</p>
<p><strong>P22: No Brasil parece haver uma febre do carbono neutro, com o plantio de árvores para compensar emissões.  É uma boa solução?<br />
</strong>MR: Acho muito bom, mas isso somente não será suficiente.  É possível plantar muitas árvores no Brasil, mas não consigo imaginar que a China e a Índia possam compensar suas emissões de dióxido de carbono com o plantio de árvores.  É apenas parte da solução.</p>
<p><strong>P22: De um lado, a espécie humana foi capaz de &#8220;superar&#8221; a seleção natural e espalhar quase 7 bilhões de indivíduos sobre o planeta.  De outro lado, ainda somos dependentes da natureza, como demonstra a ameaça do aquecimento global.  Esse fenômeno é o resultado do sucesso da espécie humana?</strong><br />
MR: Sim, e, claro, de nossos números crescentes.  Acho que o século XXI é a primeira era da vida desse planeta em que o destino do próprio planeta depende das ações de uma espécie, a humana.  E isso se deve ao número crescente de pessoas e ao poder que cada indivíduo adquire com a tecnologia, o que significa que cada um de nós tem um grande impacto no planeta e na biosfera por causa da energia e dos recursos que usamos.  De fato é uma conseqüência do nosso sucesso como espécie, mas agora temos de ter a responsabilidade de garantir que possamos passar para um nível sustentável.  Se olharmos 50 anos para a frente, fico otimista de que teremos as novas tecnologias necessárias.  E talvez daqui a 50 anos a população do mundo não esteja mais crescendo, mas sim diminuindo.</p>
<p><strong>P22: Mesmo assim, é sustentável uma população tão grande com o modo de vida que temos?<br />
</strong>MR: São mais de 6 bilhões agora e as projeções são de que o número subirá para pelo menos 8 bilhões até 2050.  Isso é inevitável por causa da distribuição de idade da população mundial.  É correto dizer que as possibilidades de oferecer uma boa qualidade de vida para todos seriam maiores se a população não continuasse a crescer.  Mas é muito provável que as mesmas tendências sociais que fizeram com que a população da Europa parasse de crescer ocorrerão ao redor do mundo eventualmente &#8211; a educação das mulheres e outros fatores terão como conseqüência a redução do tamanho médio das famílias.  Outro ponto é que com o relatório do IPCC a ciência tornou-se menos controversa &#8211; os detalhes ainda são incertos, mas há consenso de que esse é um problema sério &#8211; e o foco agora está nas ações apropriadas e na questão econômica.  Assim como há uma dimensão internacional, há também a questão econômica de como equilibrar os interesses das gerações futuras com aqueles da geração presente, e que tipo de taxa de desconto se deve aplicar à luz das incertezas do futuro.  O relatório de Nicholas Stern, lançado em novembro no Reino Unido, abriu o debate político e econômico sobre as alternativas &#8211; seja negociação de carbono, limites para emissões, assim como a taxa de desconto a ser aplicada.</p>
<p><strong>P22: Então o senhor está otimista?<br />
</strong>MR: Para citar Al Gore, não devemos sair da negação do problema para o desespero.  Podemos fazer alguma coisa e devemos agir.  A resposta estará em usos mais eficientes de energia, diversificação das formas de gerar energia, maneiras de capturar o dióxido de carbono, tudo isso, mas fazendo de maneira a não prejudicar as aspirações legítimas dos países em desenvolvimento.<br />
<strong><br />
P22: Em geral, a imprensa retrata ações contra o aquecimento global como se a humanidade tentasse controlar a natureza.  Mas parece que o desafio é a humanidade controlar a si mesma.<br />
</strong>MR: É preciso perceber que, se continuarmos como estamos agora, arriscamos infligir danos de longo prazo ao clima do planeta e à biosfera.  Há um tema separado, mas relacionado à mudança climática, que é a perda de biodiversidade &#8211; algo que é um grande tópico para o Brasil porque vocês têm mais biodiversidade do que o resto do mundo.  Temos de desenvolver o consenso internacional de que é preciso garantir coletivamente que a biosfera não seja alterada irreversivelmente pelas ações humanas a ponto de prejudicar as perspectivas das futuras gerações.</p>
<p><strong>P22: Como o senhor se sente, depois de anos estudando as origens e os mistérios do Universo, ao ver-se diante da possibilidade de o homem comprometer sua própria permanência sobre a Terra?</strong><br />
MR: O fato de eu ser um astrônomo não faz com que me preocupe menos com o que acontece aqui na Terra.  Como ser humano, me preocupo muito com o que acontece com a espécie humana.  Mas o fato de ser astrônomo me dá uma perspectiva especial, de duas maneiras.</p>
<p>Primeiro, me faz perceber que, embora a Terra seja muito pequena na escala do Universo, ela pode ser muito especial porque pode ser um dos poucos lugares em que a vida se desenvolveu, sob a biosfera.  Não sabemos se há outro tipo de vida em algum outro lugar, mas pode ser que a existência de uma biosfera complexa que permita o desenvolvimento da vida seja realmente muito rara.  Isso torna o nosso planeta muito especial.  A segunda coisa que aprendi com a astronomia é que a Terra, o Sol e o Universo têm mais tempo à frente do que o que já passou até agora.  Então deveríamos estar cientes de que nós, os humanos de agora, podemos não ser o final do maravilhoso processo de evolução &#8211; esse processo ainda pode ter muito mais a caminhar. Portanto, se causarmos danos irremediáveis à biosfera agora, estaremos não somente prejudicando a nós mesmos, nossos filhos e netos, mas impedindo as potencialidades do que pode acontecer sobre a Terra em milhares ou até mesmo milhões de anos no futuro.</p>
<p>Por exemplo, imagine que você estivesse vivo 250 milhões de anos atrás, quando os primeiros peixes subiram à terra firme.  Se você os destruísse, não estaria apenas destruindo uma criatura feia, mas o potencial de vida terrestre.  De maneira similar, se destruirmos a nós mesmos, seria uma tragédia não somente para a humanidade, mas para o futuro, que pode ir muito além do que podemos conceber.  A astronomia, portanto, me deixa ainda mais preocupado sobre o que acontece agora, porque vejo que, mesmo da perspectiva de milhões ou bilhões de anos, esse século é muito especial.  É o século em que nossa espécie pode determinar o futuro da vida.</p>
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		<title>Iguarias responsáveis</title>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O interesse de Carla Pernambuco e seu marido e sócio, Fernando, pela gastronomia responsável está ligado à família.  &#8220;A grande preocupação é com o futuro dos nossos filhos, para que não vivam em um mundo muito pior do que o de hoje&#8221;, diz Carla.  Diante disso, a pergunta que ela se fez foi: &#8220;Como dona de restaurante, como chef, o que posso fazer?&#8221;</p>
<p>Carla passou a atentar para os produtos que alimentam suas receitas, como o foie gras.  &#8220;Ele é a pièce de résistance da maior parte dos restaurantes de alta gastronomia&#8221;, diz.  &#8220;Mas é o resultado de um fígado doente, engordado à força&#8221;.  Ao pensar no significado desse ingrediente, decidiu retirá-lo do cardápio.  &#8220;Dei um tempo, e meu público não reclamou.&#8221;</p>
<p>Carla avisa que não é radical.  &#8220;Não vou parar de usar iguarias.  Para isso, é preciso um jeito para lidar com os fornecedores.  O produtor de cavaquinha, um dos pratos mais requisitados no Carlota, foi trocado porque fornecia o peixe ainda jovem, pescado em época de desova.  O restaurante prefere folhas e legumes orgânicos, embora alguns itens ainda não estejam disponíveis.  &#8220;É um trabalho de catequese&#8221;, diz Carla, referindo-se aos fornecedores &#8211; que, apesar de muitos, têm uma relação pessoal e quase diária com a equipe do restaurante.</p>
<p>A chef reconhece que comer bem ainda é caro.  &#8220;Carboidrato é barato, por isso é a base do cardápio dos restaurantes por quilo.&#8221;  No Carlota são de 5 mil a 6 mil pessoas por mês em São Paulo que se dispõem a pagar por qualidade e responsabilidade.</p>
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		<title>No mesmo barco</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 18:14:12 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem navega pelo recém-lançado site <a href="http://www.yikatuxingu.org.br/" target="_blank">Yikatu Xingu,</a> logo é convidado a participar de uma &#8220;barqueada&#8221; virtual ao longo do Rio Xingu.  O rio é o fio condutor de uma das mais bem-sucedidas campanhas ambientais já feitas no Brasil, pois tem sido capaz de aglutinar, em torno da mesma causa, setores da sociedade que dificilmente entrariam no mesmo barco: populações indígenas, sojicultores, assentados, pecuaristas, ambientalistas, representantes do governo e de movimentos sociais.</p>
<p>Nascida em 2004, a campanha emprestou da língua kamaiurá a expressão Y Ikatu Xingu, ou Água Boa, Água Limpa do Xingu.  O objetivo é alertar para a morte de um dos principais rios brasileiros, que se forma no Planalto Central, percorre os estados do Mato Grosso e do Pará e deságua no Rio Amazonas.</p>
<p>Quarenta anos de desmatamento e uso de agrotóxicos em suas cabeceiras condenaram o rio e as terras a seu redor, com redução da fertilidade e da oferta hídrica, erosão e contaminação.  Os prejuízos à produção agrícola somam-se à perda da biodiversidade e afetam fazendeiros, índios e moradores dos municípios.</p>
<p>Para Marcio Santilli, coordenador do Instituto Socioambiental, entidade criadora da campanha, essa costura entre vários setores tem sido possível por duas razões.  &#8220;A primeira é que a campanha tem foco específico: a água do Xingu.  A segunda é que essa água funciona como veículo de interlocução entre as partes&#8221;, diz.  Ou seja, cada um tem razões diferentes para preservá-la, mas o objetivo é comum entre eles.</p>
<p>Além disso, observa Santilli, a costura foi feita antes de se levar a questão a instâncias de poder, conferindo maior consistência à campanha.  &#8220;Isso facilita a ação governamental nessas regiões onde o Estado sempre foi ausente&#8221;, diz.  Entre as ações, Santilli destaca a da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e dos ministérios das Cidades e do Meio Ambiente.</p>
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		<title>Sua avó também</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 18:12:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Não coma nada que a sua tataravó não reconhecesse como comida&#8221;, aconselha Michael Pollan, autor do livro The Omnivore&#8217;s Dilemma, em um longo exposé das relações entre a indústria alimentícia e ciência da nutrição publicado recentemente no The New York [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Não coma nada que a sua tataravó não reconhecesse como comida&#8221;, aconselha Michael Pollan, autor do livro <em>The Omnivore&#8217;s Dilemma</em>, em um longo exposé das relações entre a indústria alimentícia e ciência da nutrição publicado recentemente no <em>The New York Times.</em> Apesar de simples, o conselho não é seguido por muita gente, inclusive no Brasil, onde os habitantes das grandes cidades cada vez mais escolhem alimentos que nem mesmo nossas avós reconheceriam.</p>
<p>No Carlota, o famoso restaurante da chef Carla Pernambuco, nascido em São Paulo e hoje com uma filial no Rio de Janeiro, alguns ingredientes são usados &#8220;disfarçados&#8221;, no bom e velho estilo de avós e tataravós para enganar as crianças e fazê-las comer alimentos nutritivos.  &#8220;Em vez de usar só o grão de arroz em um risoto, usamos também a cevadinha&#8221;, conta Carla, acrescentando que ingredientes como aveia, damascos, uvas-passas e outros também entram nas receitas sem grande alarde.</p>
<p>&#8220;São Paulo é uma cidade em que as pessoas deveriam prestar atenção ao que comem, são nervosas, estressadas&#8221;, diz a chef, lembrando que uma dieta à base de fibras ajuda a não &#8220;estressar&#8221; o organismo.</p>
<p>Não é só no preparar das receitas que Carla se preocupa com a saúde e o significado da comida.  Há pouco mais de um ano, ela abriu o portal do Carlota na internet para abrigar o website <a href="http://www.culinariaresponsavel.org" target="_blank">culinariaresponsavel.org</a>, que reúne informações e artigos sobre o assunto.  &#8220;Decidimos usar o prestígio do restaurante para levantar essa bandeira&#8221;, conta Carla.</p>
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		<title>Conferência paulista</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 18:09:09 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Se confirmada a programação preliminar da 8a Conferência Internacional de Permacultura, prevista para 16 a 18 de maio no prédio da Bienal, em São Paulo, será possível ouvir, em um mesmo evento, Nicholas Stern, autor do relatório que estima perdas de até 20% do PIB global devido às mudanças climáticas, e Paul Stamets, apresentado como &#8220;autoridade mundial em cogumelos&#8221;.</p>
<p>A permacultura é um sistema que busca criar maneiras de vida produtivas e sustentáveis ao integrar ecologia, paisagem, produção orgânica, arquitetura, agroflorestas, economia ecológica e sistemas sociais e explorar as relações criadas entre esses elementos. O uso dos princípios da permacultura para tornar a economia global mais sustentável será o foco da conferência em São Paulo, que terá três painéis com os temas Estratégias Bancárias de Sucesso, Estratégias de Negócios de Sucesso e Estratégias Inovadoras de Sucesso.<br />
Outros palestrantes na Conferência serão Bill Mollison, fundador da permacultura, o economista Carlos Louge, e o presidente do ABN Amro Real, Fábio Barbosa, entre outros. A presença de Stern ainda será confirmada.</p>
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		<title>Realizadores de sonhos</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 18:07:00 +0000</pubDate>
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Durante o simpósio de Natal, dois edifícios destinados a abrigar atividades dos projetos sociais do IINN-ELS foram inaugurados.  Um deles, na capital, dentro de semanas abrirá seus laboratórios de robótica, informática, física e química, biologia, história e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Flavio Lobo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Durante o simpósio de Natal, dois edifícios destinados a abrigar atividades dos projetos sociais do IINN-ELS foram inaugurados.  Um deles, na capital, dentro de semanas abrirá seus laboratórios de robótica, informática, física e química, biologia, história e geografia, além de uma biblioteca digital, uma oficina de marcenaria e um observatório astronômico, a centenas de estudantes da rede pública que iniciarão um programa de educação científica.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Vai ser a nossa incubadora de sonhares.  Nela, os estudantes vão entrar em contato com questões, desafios e possibilidades que permitirão a eles se tornar verdadeiros cidadãos do mundo e criadores do futuro.  Os cientistas estrangeiros que visitaram o prédio ficaram impressionados e surpresos com os recursos disponíveis e com a qualidade geral do projeto&#8221;, conta Miguel Nicolelis.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em Macaíba, a obra do centro de saúde materno-infantil, que será gerido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, também foi concluída.  A instalação dos equipamentos e a chegada da equipe de saúde que atenderão a população local são aguardadas para os próximos meses, assim como a conclusão de dois outros edifícios, no mesmo município, que sediarão um segundo centro de pesquisa neurocientífica (o primeiro já funciona em Natal) e um núcleo educacional.</div>
<div>Por Flavio Lobo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>Durante o simpósio de Natal, dois edifícios destinados a abrigar atividades dos projetos sociais do IINN-ELS foram inaugurados.  Um deles, na capital, dentro de semanas abrirá seus laboratórios de robótica, informática, física e química, biologia, história e geografia, além de uma biblioteca digital, uma oficina de marcenaria e um observatório astronômico, a centenas de estudantes da rede pública que iniciarão um programa de educação científica.</div>
<div></div>
<div>&#8220;Vai ser a nossa incubadora de sonhares.  Nela, os estudantes vão entrar em contato com questões, desafios e possibilidades que permitirão a eles se tornar verdadeiros cidadãos do mundo e criadores do futuro.  Os cientistas estrangeiros que visitaram o prédio ficaram impressionados e surpresos com os recursos disponíveis e com a qualidade geral do projeto&#8221;, conta Miguel Nicolelis.</div>
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<div>Em Macaíba, a obra do centro de saúde materno-infantil, que será gerido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, também foi concluída.  A instalação dos equipamentos e a chegada da equipe de saúde que atenderão a população local são aguardadas para os próximos meses, assim como a conclusão de dois outros edifícios, no mesmo município, que sediarão um segundo centro de pesquisa neurocientífica (o primeiro já funciona em Natal) e um núcleo educacional.</div>
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		<title>Invasão de cérebros</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 18:04:36 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Edmond Safra]]></category>
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		<category><![CDATA[Lily Safra]]></category>
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		<category><![CDATA[neurociência]]></category>
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		<description><![CDATA[Entre os dias 23 e 25 de fevereiro, pela segunda vez, Natal ocupou o posto de capital não só dos potiguares, mas da neurociência mundial.  Durante um fim de semana, 700 pessoas, entre especialistas de renome, pesquisadores, estudantes, gestores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os dias 23 e 25 de fevereiro, pela segunda vez, Natal ocupou o posto de capital não só dos potiguares, mas da neurociência mundial.  Durante um fim de semana, 700 pessoas, entre especialistas de renome, pesquisadores, estudantes, gestores científicos, educacionais e empresariais, vindas de várias regiões do Brasil e do mundo, participaram do II Simpósio Internacional de Neurociência de Natal.  A grande atração do encontro, além das palestras e debates sobre os principais avanços e desafios do estudo do cérebro, foi a própria entidade promotora do evento.</p>
<p>O Instituto Internacional de Neurociências de Natal &#8211; Edmond e Lily Safra, um projeto criado e coordenado por um dos maiores cientistas brasileiros, o paulista Miguel Nicolelis, com o auxílio de outros dois pesquisadores brasileiros de destaque, Sidarta Ribeiro e Claudio Mello, mostrou que está começando a dar conta de seus ambiciosos objetivos.</p>
<p>Agora com o respaldo da senhora Safra, que reforça uma ampla rede de financiadores e parceiros privados e governamentais, o IINN-ELS vai começar a produzir ciência e, ao mesmo tempo, tocar projetos sociais dirigidos sobretudo a alunos de escolas públicas e a população de baixa renda do município de Macaíba, próximo a Natal.</p>
<p>A intenção maior de Nicolelis e seus colaboradores é levar desenvolvimento sustentável, baseado em ciência, tecnologia e educação, para as regiões mais pobres do País.  Tanto que pretendem replicar a experiência do IINN-ELS em outros estados.</p>
<p>&#8220;O governo do Piauí está muito interessado em um instituto de biotecnologia alimentar e vários investidores internacionais estão estudando a possibilidade de viabilizar outro centro, dedicado a estudos sobre biodiesel e energias renováveis&#8221;, anuncia Nicolelis.</p>
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