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	<title>Página 22 &#187; De lá pra cá</title>
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	<description>Informações para o novo século</description>
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		<title>Biocombustível de whisky e tequila</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 21:03:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[biocombustível]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi-se o tempo em que os biocombustíveis eram produzidos em uns poucos sabores:  cana, dendê, milho, soja. O cardápio hoje é enorme e inclui matérias-primas não convencionais, como o ágave, base da tequila, sobras da produção de whisky, cascas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16206" class="wp-caption aligncenter" style="width: 239px"><a href="http://www.flickr.com/photos/booleansplit/3647443398/"><img class="size-large wp-image-16206" title="whisky" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/whisky-229x270.jpg" alt="Whisky fotografado por Robert S. Donovan" width="229" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Whisky fotografado por Robert S. Donovan</p></div>
<p>Foi-se o tempo em que os biocombustíveis eram produzidos em uns poucos sabores:  cana, dendê, milho, soja. O cardápio hoje é enorme e inclui matérias-primas não convencionais, como o ágave, base da tequila, sobras da produção de whisky, cascas de laranja e até óleo de camelina, usado na Europa desde o Neolítico para abastecer lampiões.</p>
<p>Os esforços mais promissores envolvem a produção de biodiesel a partir de algas. Essa via tem mobilizado dezenas de empresas norte-americanas e investimentos milionários. Um<a href="http://www.treehugger.com/renewable-energy/algae-biofuels-could-replace-17-of-us-imported-oil.html" target="_self"> estudo do Departamento de Energia</a> do governo norte-americano, estima que o biodiesel de algas poderia substituir 17% do petróleo importado pelos Estados Unidos (cálculo baseado nas importações realizadas em 2008). Mas essa porcentagem poderia chegar a quase 50% se a produção de biodiesel de algas não se limitasse aos estados mais úmidos e quentes (onde os custos e impactos ambientais do negócio são menores).</p>
<p>Aqui vai uma pequena lista de matérias-primas promissoras que estão sendo estudadas na Europa e nos Estados Unidos:</p>
<ul>
<li>O <a href="http://chemicallygreen.com/kudzu-ethanol/">kudzu</a> é uma planta rasteira asiática considerada praga nos Estados Unidos. Um estudo indica que ele pode ter uma produtividade de cerca de 500 litros por hectare &#8211; mas a sua expansão como combustível parece empacada.</li>
<li>Pesquisadores da Napier University, em Edimburgo, concluíram que dois sub-produtos das destilarias de <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2010/aug/17/whisky-biobuel-scotland" target="_blank">whisky</a>, responsáveis por uma fração importante da economia da Escócia, podem ser usados para produzir butanol.</li>
<li>O <a href="http://www.chicagotribune.com/business/ct-biz-0117-aviation-biofuels-20120117,0,2995108.story" target="_blank">ágave</a>, cáctus que cresce em áreas semi-desérticas, é utilizado na fabricação de tequila e tem grande potencial para a produção de etanol, segundo pesquisa da Universidade de Oxford.</li>
<li>O<a href="http://oilprice.com/Alternative-Energy/Biofuels/Biofuel-Advances-Obtaining-More-Energy-From-Switchgrass.html" target="_blank"> switchgrass</a>, um tipo de capim comum na América do Norte, usado na produção de feno, é visto como uma das matérias-primas mais promissoras e de menor impacto ambiental, assim como as algas. O governo dos EUA está testando variedades transgênicas, com maior produtividade.</li>
</ul>
<p>A busca de matérias-primas diversas é importante por dois motivos: o primeiro é que a produção de biocombustíveis elaborados com espécies comestíveis têm elevado o preço dos grãos e comprometido a segurança alimentar em várias partes do planeta. O segundo é que regiões com escassez de terras aráveis ou baixa pluviosidade podem encontrar uma solução local e compatível com a sua realidade &#8211; caso do ágave, por exemplo.</p>
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		<title>Ambientalismo e ativismo no Oscar</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 17:51:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[ambientalismo]]></category>
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		<description><![CDATA[A julgar pelos filmes agraciados com mais indicações ao Oscar, ambientalismo e ativismo não estão entre os temas que o cinema trouxe à massa no ano que passou: tanto “O Artista” como “Hugo” enaltecem o passado glorioso da sétima arte. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16192" class="wp-caption alignleft" style="width: 412px"><a href="http://www.flickr.com/photos/54829270@N00/3893586483"><img class="size-large wp-image-16192" title="http://www.flickr.com/photos/54829270@N00/3893586483" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/3893586483_c3de2fd6e7-402x270.jpg" alt="Foto de Davidlohr Bueso via Flickr" width="402" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Davidlohr Bueso via Flickr</p></div>
<p>A julgar pelos filmes agraciados com mais indicações ao Oscar, ambientalismo e ativismo não estão entre os temas que o cinema trouxe à massa no ano que passou: tanto “O Artista” como “Hugo” enaltecem o passado glorioso da sétima arte. Mas a categoria de documentários mostra que nem todos os cineastas se esquivam de assuntos complexos. <a href="http://www.ifatreefallsfilm.com/" target="_blank">“If a Tree Falls”</a>, sobre a <a href="http://earth-liberation-front.org/" target="_blank">Earth Liberation Front</a> (ELF), um coletivo ativo nos anos 90 na Europa e nos Estados Unidos que usava táticas de guerrilha para cessar a destruição do meio ambiente, é um dos indicados como melhor documentário do ano.</p>
<p>Em 2001, antes dos ataques ao World Trade Center, o FBI declarou a ELF como a principal ameaça terrorista doméstica nos Estados Unidos, embora a intenção de seus ataques fosse causar prejuízo econômico e não medo ou mortes. Seguiram-se uma série de prisões de ativistas ligados ao coletivo. O filme acompanha um deles, Daniel McGowan, do momento em que foi acusado de <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2008/11/etica-da-emboscada/" target="_blank">eco-terrorismo</a> por dois incêndios contra companhias madeireiras no estado de Oregon até sua prisão um ano depois. Sua pena, originalmente de prisão perpétua, acabou reduzida para 7 anos e termina em 2014.</p>
<p>Os diretores do documentário ouviram não só Daniel, sua família, e outros ativistas da ELF, mas os promotores do caso, detetives e vítimas dos incêndios. “É uma história que faz perguntas, não tentamos respondê-las”, <a href=" http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&amp;v=jDBb1F2tiNs#!" target="_blank">diz </a>o diretor Marshall Curry. “Como definimos terrorismo? Quando sabotagem ou vandalismo se tornam terrorismo? O que é ativismo, o que é ativismo eficaz, o que é ético?”</p>
<p>Em <a href="http://dotearth.blogs.nytimes.com/2011/12/13/if-a-tree-falls-can-it-win-an-oscar/" target="_blank">entrevista </a>ao <em>The New York Times</em>, Curry disse ver uma relação entre o tema de seu filme e o recente movimento Occupy Wall Street. “Acho que o filme é um importante alerta para que ativistas pensem cuidadosamente sobre táticas, e um alerta para a polícia pense sobre suas respostas ao ativismo porque algumas levam as pessoas para a discussão democrática e outras causam a radicalização”.</p>
<p>Os diretores dizem ter embarcado na história de Daniel e da ELF sem uma opinião formada sobre o personagem e o assunto. O resultado, acreditam, é justo. “Se o Daniel tivesse se mostrado um monstro louco, o filme teria refletido isso, e se ele tivesse se revelado como um santo completamente inocente, o filme teria refletido isso”, disse Curry. “Mas, ao contrário, ele – como quase todo mundo que encontramos, e como a maioria dos seres humanos na vida real – mostrou tons de cinza. E foi assim que nós mostramos a ele e aos temas”.</p>
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		<title>10 infográficos essenciais</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 13:32:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[bicicleta]]></category>
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		<description><![CDATA[Ah, infográficos&#8230;essas deliciosas pílulas de conhecimento que resumem o mundo em umas poucas imagens bem organizadas. Podem se tornar um vício &#8211; mas esteja atento à fonte das informações. Assim como as estatísticas &#8211; números que, se torturados, dizem exatamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, infográficos&#8230;essas deliciosas pílulas de conhecimento que resumem o mundo em umas poucas imagens bem organizadas. Podem se tornar um vício &#8211; mas esteja atento à fonte das informações. Assim como as estatísticas &#8211; números que, se torturados, dizem exatamente aquilo que você quer ouvir &#8211; os infográficos podem ser tão desinformados ou ideológicos quanto qualquer outra fonte de conhecimento.</p>
<p>Delicie-se com estes 10 infográficos essenciais. A maior parte deles vem da revista <a href="http://www.good.is/infographics" target="_blank">Good</a> e do website <a href="http://dailyinfographic.com/" target="_blank">Daily Infographic</a>. Clique nas imagens para chegar na versão ampliada da fonte original. Peço desculpas de antemão a quem não lê em inglês. Tentei encontrar bons infográficos em português e espanhol sem sucesso.</p>
<p>1 &#8211; A indústria do petróleo em um piscar de óleo &#8211; quem produz, estimativa de reservas, quem consome, os diferentes derivados do petróleo, os riscos de esgotamento dos estoques. Curiosamente, foi produzido por um website que comercializa veículos.</p>
<p><a href="http://dailyinfographic.com/oil-the-modern-worlds-lifeblood-infographic"><img class="aligncenter size-large wp-image-16101" title="oil" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/oil-152x270.jpg" alt="oil" width="152" height="270" /></a></p>
<p>2- A evolução da educação e do acesso à tecnologia ao longo dos anos desde a tradição oral na Pré-História. Mas cuidado: as estatísticas parecem dizer respeito apenas à Grã-Bretanha.</p>
<p><a href="http://dailyinfographic.com/students-through-the-ages-infographic"><img class="aligncenter size-large wp-image-16100" title="education" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/education-149x270.jpg" alt="education" width="149" height="270" /></a></p>
<p>3 &#8211; As grandes pandemias, da varíola à peste negra, passando pelo cólera, o sarampo e a Aids.</p>
<p><a href="http://dailyinfographic.com/outbreak-historys-deadliest-pandemics-infographic"><img class="aligncenter size-large wp-image-16098" title="pandemias" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/pandemias-406x247.jpg" alt="pandemias" width="406" height="247" /></a></p>
<p>4 &#8211; Acesso à Justiça Social em várias partes do mundo. Ele seria bárbaro se não olhasse praticamente só para os países ricos e se mencionasse o Brasil.</p>
<p><a href="http://awesome.good.is/transparency/web/1111/JusticeForAll/flash.html"><img class="aligncenter size-large wp-image-16095" title="justica" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/justica-406x234.jpg" alt="justica" width="406" height="234" /></a></p>
<p>5 &#8211; Quem fuma? Boas estatísticas globais &#8211; mais uma vez, o Brasil não está incluído.</p>
<p><a href="http://awesome.good.is/transparency/web/1111/JusticeForAll/flash.html"></a><a href="http://awesome.good.is/transparency/web/1111/nicotine/flat.html"><img class="aligncenter size-large wp-image-16094" title="nicotina" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/nicotina-406x242.jpg" alt="nicotina" width="406" height="242" /></a></p>
<p>6 &#8211; Os reis da inovação em termos de patentes, invenções efetivamente lançadas e seu alcance internacional. Note que nem o Brasil nem a China aparecem.</p>
<p><a href="http://www.good.is/post/infographic-the-world-s-leading-innovators/"><img class="aligncenter size-full wp-image-16088" title="Innovators" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Innovators.JPG" alt="Innovators" width="297" height="154" /></a></p>
<p>7 &#8211; A evolução do preço da tecnologia, do Atari ao Wii, dos primeiros computadores aos atuais.</p>
<p><a href="http://www.good.is/post/infographic-the-world-s-leading-innovators/"></a><a href="http://dailyinfographic.com/the-cost-of-technology-over-the-decades-infographic"><img class="aligncenter size-large wp-image-16090" title="techno" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/techno-129x270.jpg" alt="techno" width="129" height="270" /></a></p>
<p>8 &#8211; Este é particularmente interessante. Mostra como os investimentos federais norte-americanos para estimular o uso da bicicleta e os deslocamentos por bicicleta está ampliando esses modos de transporte.</p>
<p><a href="http://dailyinfographic.com/foot-powered-infographic"><img class="aligncenter size-large wp-image-16091" title="foot" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/foot-351x270.jpg" alt="foot" width="351" height="270" /></a></p>
<p>9 &#8211; Produção global de carvão. Clique na imagem para chegar numa versão animada.</p>
<p><a href="http://daily.sightline.org/2012/01/19/four-pictures-of-international-coal/"><img class="aligncenter size-large wp-image-16092" title="coal" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/coal-333x270.jpg" alt="coal" width="333" height="270" /></a></p>
<p>10 &#8211; E, finalmente, um indispensável: a pegada de carbono do Papai Noel.</p>
<p><a href="http://daily.sightline.org/2012/01/19/four-pictures-of-international-coal/"></a><a href="http://dailyinfographic.com/santas-carbon-footprint-infographic"><img class="aligncenter size-large wp-image-16097" title="santa" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/santa-178x270.jpg" alt="santa" width="178" height="270" /></a></p>
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		<title>Um ano para as cooperativas</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 16:32:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[altruismo]]></category>
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		<description><![CDATA[A Organização das Nações Unidas declarou 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas. Pode parecer estranho para muita gente, pois no Brasil o conceito permanece ligado ao setor agrícola, onde o cooperativismo floresceu no início do século XIX influenciado por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16063" class="wp-caption alignleft" style="width: 416px"><img class="size-large wp-image-16063" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/coop-406x261.jpg" alt="The People's Food Coop, em Ann Arbor, no estado de Michigan" width="406" height="261" /><p class="wp-caption-text">The People&#39;s Food Coop, em Ann Arbor, no estado de Michigan</p></div>
<p>A Organização das Nações Unidas declarou 2012 como o <a href="http://social.un.org/coopsyear/" target="_blank">Ano Internacional das Cooperativas.</a> Pode parecer estranho para muita gente, pois no Brasil o conceito permanece ligado ao setor agrícola, onde o cooperativismo floresceu no início do século XIX influenciado por colonos de origem europeia. Em outros países, entretanto, as cooperativas se espalharam para vários setores da economia e hoje representam uma maneira diferente de fazer negócios e de manter recursos e empregos localmente.</p>
<p>A organização de pessoas para alcançar um objetivo comum com benefícios mútuos ocorre há muito tempo. O movimento conhecido como cooperativismo, entretanto, nasceu quando os princípios da cooperação passaram a ser aplicados no mundo dos negócios. A primeira cooperativa de consumo apareceu em 1769 na Escócia. Sessenta anos depois, havia centenas de cooperativas na Inglaterra e, em 1844, uma delas em Rochdale estabeleceu os princípios que até hoje norteiam as cooperativas ao redor do mundo.</p>
<p>A Aliança Internacional das Cooperativas adaptou os princípios originais e hoje são esses que dão identidade às cooperativas: associação aberta e voluntária; governança democrática; retorno limitado sobre o capital; receita excedente (depois de gastos e investimentos) retorna aos membros; educação dos membros e do público sobre os princípios cooperativos; cooperação entre cooperativas; e preocupação com a comunidade.</p>
<p>São princípios que, pelo jeito, ressonam para muita gente. Segundo um <a href="http://www.uk.coop/2012/global" target="_blank">estudo</a> feito pela Co-operatives UK, 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo são associadas de algum tipo de cooperativa, enquanto apenas 328 milhões são detentoras de ações de empresas. No Brasil, informa o estudo, 1,7% da população possuem ações de empresas, enquanto 4,4% são membros de cooperativas – percentual baixo se comparado a outros países em desenvolvimento.</p>
<p>As cooperativas oferecem uma alternativa ao modelo de propriedade em que o indivíduo compra ações e, como acionista, recebe dividendos da empresa. No cooperativismo, os membros são os donos do negócio, o que torna o empreendimento mais voltado para as pessoas. As cooperativas ajudam a evitar a formação de monopólios de mercado, mantêm os empregados engajados e oferecem mais opções aos consumidores. Como <em>stakeholders</em> e não <em>shareholders</em>, os membros das cooperativas estão interessados em resultados que não só os financeiros.</p>
<p>Nos Estados Unidos, em que as quase <a href="http://reic.uwcc.wisc.edu/issues/" target="_blank">30 mil </a>cooperativas contam com US$ 3 trilhões ativos e mantêm cerca de um milhão de empregos, há cooperativas nos mais diversos setores, de alimentos a bancos. Os Credit Unions americanos – cooperativas financeiras em que os correntistas são também donos e elegem o conselho diretor de maneira democrática – são entidades “not for profit”, pois servem aos seus membros (promovendo a poupança e oferecendo crédito a taxas competitivas) em vez de maximizar os lucros. Recentemente, eles vêm ganhando terreno com movimentos como o Occupy Wall Street e o <a href="https://www.facebook.com/Nov.Fifth" target="_blank">Bank Transfer Day</a>. Hoje, segundo a <a href="http://www.cuna.org/" target="_blank">Credit Union National Association</a>, 93,5 milhões de americanos são membros de cooperativas financeiras.</p>
<p>As cooperativas de consumidores mais conhecidas dos americanos são as <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Food_cooperative" target="_blank">“food co-ops”</a>, lojas de varejo que vendem – em geral alimentos saudáveis, orgânicos e a granel – aos membros e ao público em geral. Mas há cooperativas também na área de saúde, seguros, imóveis e energia, e de todos os tamanhos. A pequena cooperativa de <a href=" http://www.mtpleasantsolarcoop.org/" target="_blank">Mount Pleasant</a>, por exemplo, foi formada por um casal a pedido do filho adolescente para reduzir a pegada de carbono da família ao instalar painéis solares no telhado. Hoje com mais de 70 famílias associadas, a co-op trabalha para tornar o bairro, no distrito de Columbia, um modelo para o uso de energia solar.</p>
<p>Nos países em desenvolvimento, as cooperativas foram patrocinadas por governos nacionalistas nos anos 50 e 60 e o setor encolheu quando as economias desses países foram abertas a partir da década de 90. Desde então cooperativas independentes vêm nascendo e o cooperativismo floresce, por exemplo, em várias partes da África. A ONU <a href="www.un.org/ar/events/cooperativesday/pdf/more.background.info.pdf" target="_blank">afirma </a>que as cooperativas nas nações em desenvolvimento são um elemento importante para que o mundo alcance os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em 2015.</p>
<p>Em geral, quem aposta nas cooperativas acredita no que Yochai Benkler, pesquisador de Harvard, chama de o “<a href="http://hbr.org/2011/07/the-unselfish-gene/ar/1" target="_blank">gene altruísta</a>”. Benkler refuta a teoria do <a href="pt.wikipedia.org/wiki/O_Gene_Egoísta" target="_blank">gene egoísta</a> e cita pesquisas recentes em biologia evolutiva, psicologia, sociologia, ciência política e economia experimental que apontam que as pessoas agem muito menos egoisticamente do que se espera. “Não somos todos Madre Teresa; se fôssemos, não teríamos ouvido falar dela”, escreve o pesquisador. “Entretanto, a maioria dos seres humanos está mais disposta a ser cooperativa, fidedigna e generosa do que o modelo dominante nos permite supor”.</p>
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		<title>A sobrevivência das abelhas em xeque</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 00:56:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A mortandade de abelhas que a imprensa do Hemisfério Norte tem noticiado há anos e que não parece encontrar barreiras está acelerando. &#8220;Estamos chegando a um ponto crítico&#8221;, declarou Steve Ellis, secretário do Conselho Consultivo Nacional de Abelhas Melíferas, durante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16001" class="wp-caption aligncenter" style="width: 212px"><a href="http://www.flickr.com/photos/negativz/11233147/"><img class="size-large wp-image-16001" title="abelha" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/abelha2-202x270.jpg" alt="Foto de Rod Senna/ Flickr" width="202" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Rod Senna/ Flickr</p></div>
<p>A mortandade de abelhas que a imprensa do Hemisfério Norte tem noticiado há anos e que não parece encontrar barreiras está acelerando. &#8220;Estamos chegando a um ponto crítico&#8221;, declarou Steve Ellis, secretário do Conselho Consultivo Nacional de Abelhas Melíferas, durante um evento promovido pelos apicultores americanos em parceria com ambientalistas dias atrás. O website Grist traz uma <a href="http://www.grist.org/food/2012-01-13-honey-bees-problem-nearing-a-critical-point" target="_blank">ótimo artigo</a> sobre o encontro. No ano passado, Ellis, que cria abelhas há 35 anos, testemunhou tantas mortes inesplicáveis de insetos que se qualificou para receber ajuda emergencial do governo federal.</p>
<p>Este infográfico produzido no ano passado pelo <a href="http://dailyinfographic.com/the-mysterious-honey-bee-extinction-infographic" target="_blank">Daily Infographic</a> resume o problema:  até poucos anos atrás, cerca de 15% das populações de abelhas morriam a cada inverno. Hoje, a porcentagem subiu para 21% no Canadá e quase 34% nos Estados Unidos. Clique na imagem para ir ao post onde ele pode ser lido na íntegra.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><a href="http://dailyinfographic.com/the-mysterious-honey-bee-extinction-infographic"><img class="aligncenter size-large wp-image-16002" title="Capture" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Capture-217x270.jpg" alt="Capture" width="217" height="270" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Um dos principais responsáveis é o chamado Distúrbio de Colapso de Colônia (CCD), que pode dizimar uma colônia em poucos dias e que também foi relatado por apicultores de uma dezena de países europeus. A origem dessa quase epidemia continua nebulosa. O CCD já foi atribuído a uma lista enorme de fatores: vírus, pesticidas e outros tipos de estresse ambiental, ausência de alimento em quantidade suficiente, radiação emitida por torres de telefonia celular, adoção de sementes transgênicas, a crescente uniformidade genética derivada da industrialização da criação de abelhas. No entanto, até agora, as pesquisas não foram conclusivas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, por exemplo, soltou no ano passado um <a href="http://www.ars.usda.gov/is/br/ccd/ccdprogressreport2010.pdf" target="_blank">document</a>o que aventa a possibilidade de haver aí uma combinação de fatores, um mix de contaminação ambiental e microorganismos predadores e oportunistas. Já os produtores de abelhas apontam o dedo para os pesticidas, com destaque para os neonicotinóides, que têm uma estrutura semelhante à da nicotina. &#8220;Eles desempenham um papel importante no que está acontecendo&#8221;, disse Dave Hackenberg, outro dirigente do Conselho Consultivo e apicultor no estado da Pennsylvania.</p>
<p style="text-align: left;">Estes dois documentários em inglês tentam explorar todos esses cenários:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=dIUo3STj6tw">watch?v=dIUo3STj6tw</a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ekoeQodrVoM">watch?v=ekoeQodrVoM</a></p>
<p style="text-align: left;">O comprometimento da sobrevivência das abelhas pode ser, é claro, tremendamente desastroso para os produtores rurais &#8211; e não apenas para aqueles que produzem mel. Estes insetos são responsáveis pela<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_crop_plants_pollinated_by_bees" target="_blank"> polinização de dezenas de espécies comerciais</a>, das maçãs aos cajús. Os mesmos produtores que podem estar matando as abelhas com o uso de transgênicos e agroquímicos provavelmente verão sua produtividade despencar num futuro não muito distante. Não deixa de ser irônico.</p>
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		<title>Por uma jornada de trabalho menor</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2012/01/por-uma-jornada-de-trabalho-menor/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 17:17:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[jornada de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[New Economics Foundation]]></category>
		<category><![CDATA[prosperidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesse fim de ano estive nos Estados Unidos, terra de excessos, onde aos poucos a crise econômica arrefece. Os shopping centers voltaram a encher na época de Natal mas, pela primeira vez, vi gente dormindo debaixo de pontes. Parece que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15998" class="wp-caption alignleft" style="width: 415px"><a href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en"><img class="size-large wp-image-15998" title=" http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en " src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/2099481147_9be7b24037-405x270.jpg" alt="Foto de Shawn McClung via Flickr" width="405" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Shawn McClung via Flickr</p></div>
<p>Nesse fim de ano estive nos Estados Unidos, terra de excessos, onde aos poucos a crise econômica arrefece. Os shopping centers voltaram a encher na época de Natal mas, pela primeira vez, vi gente dormindo debaixo de pontes. Parece que por trás do reaquecimento do consumo, a doença de fundo da economia americana permanece. O mesmo vale para outras economias desenvolvidas que, desde o estouro da bolha imobiliária em 2007, lutam para se reerguer com base na velha receita de consumir cada vez mais. Enquanto os economistas do <em>mainstream</em> prescrevem crescimento a qualquer custo, há quem busque uma receita alternativa.</p>
<p>A <a href=" http://www.neweconomics.org/publications/21-hours" target="_blank">new economics foundation </a>(nef), entidade britânica que defende uma economia que leve em conta as pessoas e o planeta, defende, por exemplo, uma semana de trabalho mais curta como forma de dividir melhor os empregos disponíveis ­– e, por conseqüência, a renda – e de caminhar em direção a mudanças importantes na sociedade. Menos trabalho e mais lazer também está no centro do <a href=" http://pagina22.com.br/index.php/2011/12/amadurecendo-economias/" target="_blank">modelo</a> desenvolvido pelo economista Peter Victor que mostra que a economia canadense teria a ganhar com menos crescimento.</p>
<p>Essa semana a nef promoveu um <a href="http://www.neweconomics.org/events/2011/11/22/about-time-examining-the-case-for-a-shorter-working-week" target="_blank">debate </a>entre alguns dos maiores defensores da ideia. No centro, um <a href="http://www.neweconomics.org/sites/neweconomics.org/files/21_Hours.pdf" target="_blank">documento</a> produzido pela entidade em 2010 que propõe que a Inglaterra adote uma semana de trabalho de 21 horas como norma, em vez das tradicionais 40 horas. Isso “poderia ajudar a enfrentar uma série de problemas urgentes e interligados: trabalho excessivo, desemprego, consumo excessivo, emissões de carbono altas, bem-estar em baixa, desigualdade persistente, e falta de tempo para viver sustentavelmente, para cuidar dos outros, para simplesmente aproveitar a vida”.</p>
<p>Segundo a nef, 21 horas está bem próximo do tempo médio que os britânicos em idade ativa gastam fazendo trabalho recompensado. “Não há nada natural ou inevitável sobre o que é considerado normal hoje”, argumentam os economistas da nef. O capitalismo industrial transformou o tempo e o trabalho em <em>commodities</em>, mas hoje os trabalhadores convivem com novas pressões e riscos devido às novas tecnologias que tornaram a comunicação instantânea e móvel.</p>
<p>Para liberar-se da base industrial sem adicionar novas pressões, diz a nef, é preciso mudar a forma de avaliar trabalho recompensado e aquele não recompensado. “Por exemplo, se o tempo médio dedicado ao trabalho não remunerado em casa e no cuidado com a crianças na Grã-Bretanha em 2005 fosse avaliado em termos do salário mínimo, valeria o equivalente a 21% do PIB do Reino Unido”.</p>
<p>Motivos para encurtar a jornada de trabalho não faltam. Entre eles, tirar as pessoas da roda viva de viver-para-trabalhar-para-consumir, ajudando a reduzir a demanda por recursos naturais para produção de bens de consumo e a mover-se em direção a uma economia de baixo carbono. Distribuir melhor o emprego em geral e o trabalho não recompensado entre homens e mulheres. E tornar a economia mais resiliente e próspera.</p>
<p>Também não faltam críticas a propostas como a da nef e a experiências como a da França, que instituiu a jornada de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/35-hour_workweek" target="_blank">35 horas</a> em 2000. Enquanto o governo francês e economistas independentes garantem que a medida gerou milhares de empregos, seus críticos apontam que o resultado foi um aumento de produtividade por hora trabalhada. Em 2008, o governo introduziu uma série de medidas que acabou, na prática, com o limite a 35 horas e hoje os franceses <a href="http://www.eurofound.europa.eu/eiro/studies/tn1106010s/tn1106010s.htm" target="_blank">trabalham,</a> em média, 38 horas por semana.</p>
<p>Os críticos à ideia da semana de 21 horas destacam que a medida seria prejudicial aos trabalhadores que recebem os salários mais baixos, reduzindo consideravelmente sua renda. Outros atacam a visão de fundo de reduzir o consumo, dizendo que há evidências de que as pessoas querem consumir e que políticas públicas não podem determinar o quanto as pessoas devem trabalhar ou consumir. A nef admite que não é possível adotar a medida sem uma série de ações preparatórias e preventivas, mantendo em mente que a jornada de 21 horas faz parte de uma “transição ampla e incremental para a sustentabilidade social, econômica e ambiental”.</p>
<p>O que a entidade propõe é o início de um debate nacional para examinar os benefícios, desafios, barreiras e oportunidades associadas a uma semana de trabalho de 21 horas. Com o fantasma da desigualdade e da pobreza rondando, talvez os países ricos percebam agora que não podem se dar ao luxo de se prender a apenas um cenário futuro­ – o de mais consumo e crescimento econômico. É hora de diversificar.</p>
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		<title>O inverno mais quente da minha vida</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2012/01/o-inverno-mais-quente-da-minha-vida/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 20:38:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando estudava a possibilidade de me mudar para Portland, na Costa Oeste dos Estados Unidos, cidade que louvei neste espaço por sua sustentabilidade e qualidade de vida (&#8221;Portland, paraíso liberal&#8220;), entrei em fóruns na internet e perguntei para quem passasse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15985" class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><a href="http://www.flickr.com/photos/mccaffry/2549565493/"><img class="size-large wp-image-15985 " title="portland" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/portland-270x270.jpg" alt="Jardim japonês de Portland. Foto de Mike McCaffrey/ Flickr" width="270" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Jardim japonês de Portland. Foto de Mike McCaffrey/ Flickr</p></div>
<p>Quando estudava a possibilidade de me mudar para Portland, na Costa Oeste dos Estados Unidos, cidade que louvei neste espaço por sua sustentabilidade e qualidade de vida (&#8221;<a href="http://pagina22.com.br/index.php/2011/03/portland-paraiso-liberal/" target="_blank">Portland, paraíso liberal</a>&#8220;), entrei em fóruns na internet e perguntei para quem passasse pela minha frente se ela era realmente boa para se viver e criar uma família. Absolutamente todos que entrevistei me deram a mesma resposta &#8211; Portland é perfeita, mas tem um inverno miserável. Ouvi histórias de horror, como a do médico que encontrou a mulher enforcada no porão devido à depressão agravada pelo permanente cinza dos céus. E, claro, quando ficavam sabendo que eu pretendia me mudar no fim do outono, me chamaram de louca. A cidade estaria úmida, fria, insuportável.</p>
<p>Pois bem: passaram-se dois meses de pouca chuva, céus azuis um terço do tempo e temperaturas na faixa dos 10 graus Celsius. Não passa um dia sem que eu faça uma caminhada num dos bosques perto de casa (sim, morram de inveja). As pistas de esqui nas redondezas estão com pouco movimento, por que o volume de neve é o menor em 12 anos.</p>
<p>Não é um fato isolado. O inverno deste ano está particularmente fora da curva.  Mais de mil cidades norte-americanas registraram recordes de calor e algumas estão com temperaturas médias até 4 graus acima das do ano passado. Apenas 19% do país estão cobertos de neve, contra uma média de 50% nesta época.</p>
<p>O interessante, nesse episódio, é notar que a maioria da população está celebrando o clima agradável, sem grandes preocupações. Poucos estão associando o fenômeno ao aquecimento global, tão lembrado quando a revolta do clima provoca inundações e compromete a qualidade de vida do cidadão. Claro, o calorzinho é uma delícia, mas tenho medo que seja um equivalente do refluxo anormal do mar que atrai milhares para a praia &#8211; e que multiplica a mortandade causada pelos tsunamis.</p>
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		<title>Explosão da militância ambiental na China</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 23:36:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>

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		<description><![CDATA[Os chineses parecem estar vivendo um boom de luta contra a poluição e pelos direitos socioambientais &#8211; ou então a censura governamental está enfraquecida e notícias que não chegavam ao Ocidente começaram a vazar. Embora os militantes chineses continuem enfrentando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15974" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><a href="http://www.flickr.com/photos/kungpaochicken/311696706/"><img class="size-large wp-image-15974" title="protest" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/01/protest-360x270.jpg" alt="Foto de Michael Mooney/Flickr" width="360" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Michael Mooney/Flickr</p></div>
<p>Os chineses parecem estar vivendo um boom de luta contra a poluição e pelos direitos socioambientais &#8211; ou então a censura governamental está enfraquecida e notícias que não chegavam ao Ocidente começaram a vazar. Embora os militantes chineses continuem enfrentando um risco real de morte ou prisão, suas ações estão cada vez mais ousadas e frequentes.</p>
<p>O episódio mais vistoso nesse sentido ocorreu em Haimen, no Sul do país. Dias antes do Natal, 30 mil pessoas fecharam uma estrada em protesto contra o projeto de uma nova usina de carvão, que se somaria a uma unidade que tem poluido o ar e a água da cidade. Duas pessoas morreram no confronto com a polícia. O governo declarou que poderá reavaliar sua decisão de construir a usina.</p>
<p><a href="http://www.nytimes.com/2011/12/28/world/asia/three-of-five-advocates-for-chinese-village-released.html" target="_blank">Wukan</a>, uma pequena cidade de pescadores na mesma região, também tem vivido dias de protestos violentos organizados por cidadãos que tiveram suas terras expropriadas por membros do Partido Comunista e vendidas para grande empreendedores. Eles conseguiram derrubar o governo local e botar os dirigentes comunistas para correr.</p>
<p>Veja cenas dos dois conflitos nesta reportagem da rede de TV CNN:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=5vdncZbkmsw&amp;feature=player_embedded">watch?v=5vdncZbkmsw&amp;feature=player_embedded</a></p>
<p style="text-align: left;">Na virada do ano, <a href="http://english.caijing.com.cn/2011-12-31/111584957.html" target="_blank">outra notícia</a>: 29 produtores de mariscos e pepinos do mar e 107 pescadores entraram com duas ações na Justiça chinesa contra a indústria de petróleo norte-americana ConocoPhillips devido a vazamentos em uma plataforma operada pela empresa que teriam comprometido 6.200 quilômetros quadrados da baía de Bohai, no nordeste do País. Em agosto a não-governamental Federação Ambiental da China avaliou que 200 famílias da região perderam cerca de 1,3 bilhões de yuans (200 milhões de dólares).</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.nytimes.com/2011/09/19/world/asia/chinese-protesters-accuse-solar-panel-plant-of-pollution.html?_r=1&amp;hpw" target="_blank">Outro episódio</a> recente vale menção: em setembro, 500 pessoas cercaram uma fábrica de painéis solares em Haining, perto de Shangai, em protesto contra o derramamento de grandes volumes de flúor num rio próximo, promovendo uma mortandade de peixes e outros animais.</p>
<p style="text-align: left;">Enfim, os protestos chineses parecem cada vez mais frequentes e já não deverão causar espanto nos observadores ocidentais.</p>
<p style="text-align: left;">
]]></content:encoded>
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		<title>Shoppings rastreiam passos dos clientes</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2011/12/shoppings-rastreiam-passos-dos-clientes/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 05:32:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogs]]></category>
		<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Passada a fúria consumista natalina, uma notícia que pode ser perturbadora: seu périplo de loja em loja para atender a todas as demandas da família e do seu amigo secreto talvez tenha sido monitorado de perto, muito perto, pelos lojistas.
Dois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15964" class="wp-caption aligncenter" style="width: 416px"><a href="http://www.flickr.com/photos/notsogoodphotography/378037522/"><img class="size-large wp-image-15964" title="mall" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/12/mall-406x265.jpg" alt="mall" width="406" height="265" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Ibrahim Lujaz/Flickr</p></div>
<p style="text-align: left;">Passada a fúria consumista natalina, uma notícia que pode ser perturbadora: seu périplo de loja em loja para atender a todas as demandas da família e do seu amigo secreto talvez tenha sido monitorado de perto, muito perto, pelos lojistas.</p>
<p style="text-align: left;">Dois shopping centers dos Estados Unidos começaram a espionar o vai-e-vem dos consumidores rastreando o sinal dos seus celulares. A decisão foi anunciada por dois centros comerciais, o Promenade Temecula, na California, e o Short Pump Town Center, de Richmond, estado da Virginia, que lançaram esta ofensiva em 25 de novembro &#8211; dia conhecido como Black Friday, a Sexta-Feira Negra, quando as grandes lojas oferecem mega descontos.</p>
<p style="text-align: left;">A finalidade seria coletar informações complementares às obtidas via cartões de fidelidade de lojas e supermercados, que registram com que frequência são visitados pelos clientes e quais os produtos que eles costumam adquirir. Graças ao monitoramento do sinal dos celulares, o shopping poderia informar aos lojistas qual o padrão mais amplo de comportamento dos consumidores. Eles costumam deixar livrarias e passar num café para um lanchinho? Saem do cinema, depois de assistir um filme romântico, direto para uma loja de lingeries? Este <a href="http://www.pathintelligence.com/en/products/footpath/footpath-technology" target="_blank">vídeo promocional</a> explica como a tecnologia funciona.</p>
<p style="text-align: left;">Segundo um artigo da rede <a href="http://money.cnn.com/2011/11/22/technology/malls_track_cell_phones_black_friday/" target="_blank">CNN</a>, a administradora dos dois shoppings garante que não retém informações comerciais dos clientes. &#8220;O sistema monitora padrões de movimento&#8221;, declarou Stephanie  Shriver-Engdahl, vice-presidente de estratégia digital da empresa, Forest City Commercial Management. &#8220;Podemos ver, como no caso da migração das aves, aonde as pessoas vão&#8221;. Os clientes estão sendo notificados sobre o monitoramento, que deverá durar até o Réveillon, por pequenos alertas afixados nas paredes dos shoppings e têm a possibilidade de evitar o rastreamento, desligando seus celulares.</p>
<p style="text-align: left;">O interesse dos lojistas pelo padrão de consumo de seus clientes não é, naturalmente, novidade. Câmeras de segurança e funcionários à paisana, espreitando clientes considerados suspeitos, não são de hoje. Mas se é para ter todos os meus passos monitorados &#8211; e correr o risco de ver outras informações pessoais capturadas por desconhecidos &#8211; talvez seja melhor fazer minhas compras via internet. Pelo mesmo, posso gastar meu rico dinheirinho vestindo um pijama velho e de cara lavada.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A refeição mais verde dos EUA</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2011/12/a-refeicao-mais-verde-dos-eua/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 11:29:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[restaurante]]></category>

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		<description><![CDATA[Considerado o restaurante mais sustentável dos Estados Unidos, o Uncommon Ground, de Chicago, é uma mistura de Jardins Suspensos da Babilônia com uma vitrine de melhores práticas na redução dos desperdícios e da pegada de carbono.
Ele incorporou todas as medidas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15899" class="wp-caption alignleft" style="width: 212px"><a href="http://www.flickr.com/photos/arndog/3038403562/"><img class="size-large wp-image-15899" title="uncommon ground" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/12/uncommon-ground1-202x270.jpg" alt="Foto de Arnold/Inuyaki, via Flickr" width="202" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Arnold/Inuyaki, via Flickr</p></div>
<p>Considerado o restaurante mais sustentável dos Estados Unidos, o <a href="http://www.uncommonground.com/" target="_blank">Uncommon Ground</a>, de Chicago, é uma mistura de Jardins Suspensos da Babilônia com uma vitrine de melhores práticas na redução dos desperdícios e da pegada de carbono.</p>
<p>Ele incorporou todas as medidas previsíveis num empreendimento que se quer de baixo impacto. A mobília e o material de construção são de segunda mão, há coleta de água da chuva, painéis solares e um sistema de iluminação de alta eficiência. Os restos da cozinha vão para a compostagem e o óleo de fritura é convertido em biodiesel, o chamado <em>greasel</em>. Os proprietários dão preferência a fornecedores locais e um desconto de 10% para os fregueses que vêm a pé ou de bicicleta.</p>
<p>Após cumprir com uma lista de 116 requisitos, obteve  um certificado de Restaurante Verde 4 estrelas da <a href="http://www.dinegreen.com/">Green Restaurant Association</a>,  organização que acaba de dar às duas unidades do restaurante o primeiro  e o segundo lugar no ranking nacional de sustentabilidade gastronômica.</p>
<p>Mas o seu diferencial vai muito além do óbvio. Todos os dias, o chef Daniel Jacobs sobe ao telhado do restaurante para ver que vegetais estão no ponto de colher e, assim, poder definir o cardápio do dia. No ano passado, ele produziu 320 quilos de alimentos orgânicos, sobretudo temperos, numa área de apenas 230 metros quadrados. Também começou a tirar mel de suas duas colméias, incorporadas para ajudar na polinização do jardim. Durante parte do ano é possível visitar a horta mediante uma pequena taxa. Claro, a horta do restaurante está longe de tornar o estabelecimento auto-suficiente, mas é uma solução inteligente, de baixo custo e pedagógica.</p>
<p><img class="aligncenter size-large wp-image-15907" title="Roof Top 360l View 800x100 100dpi" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Roof-Top-360l-View-800x100-100dpi-405x52.jpg" alt="Roof Top 360l View 800x100 100dpi" width="405" height="52" /></p>
<p>O Uncommon Ground quer ser uma referência e tem aberto suas portas para a promoção de práticas mais sustentáveis. Uma vez por semana ele sedia um mercado de produtores rurais da região, que também acolhe músicos e artesãos locais. Os proprietários, Michael e Helen Cameron, também estão se empenhando na promoção de pomares comunitárias &#8211; hortas coletivas estão se tornando cada vez mais comuns na cidade, tanto em canteiros de rua quanto no alto de edifícios (como no prédio da <a href="Ele cumpriu com uma lista de 116 requisitos para poder obter um certificado de Restaurante Verde 4 estrelas da Green Restaurant Association, organização que acaba de dar às duas unidades do restaurante o primeiro e o segundo lugar no ranking nacional de sustentabilidade gastronômica." target="_blank">Prefeitura</a>), mas os pomares são mais raros, já que o investimento em árvores frutíferas não dá retorno imediato.</p>
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