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Informação para o novo século

Da redação

07.05.2010

Política de clima é incoerente, dizem ONGs

0 por Redação # em Da redação

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Do Observatório do Clima:

Telefone sem fioO governo vive uma profunda contradição em relação à política de clima no Brasil.  Ao mesmo tempo em que anuncia metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e de desmatamento, age para alterar o Código Florestal, projeta obras civis de grande impacto socioambiental na Amazônia e ainda deixa de fora a sociedade na hora de tomar as decisões principalmente sobre a matriz energética nacional.  Essas foram algumas das principais críticas feitas pelas 36 ONGs que atuam na questão climática durante o seminário realizado nesta quarta (5) em Brasília pelo Observatório do Clima.  (www.oc.org.br)

O evento reuniu 200 participantes entre especialistas e membros do governo na tentativa de abrir espaço para que a sociedade civil possa participar do processo de regulamentação da lei que estabelece a Política Nacional sobre Mudança do Clima (12.187/09), sancionada no final do ano passado.  A promessa do governo era a de que a regulamentação se daria por meio de grupos de trabalho até o final de março deste ano, o que não ocorreu até agora.  Para contribuir, o Observatório do Clima prepara um documento com sugestões ao governo a ser colocado em consulta pública nas próximas semanas.

De acordo com o coordenador do Observatório do Clima, André Ferretti, as discussões públicas sobre a implementação da lei estão atropeladas pela corrida eleitoral.  ‘’Não se pode comprometer a qualidade do plano de ação climática do país – que orientará o futuro desenvolvimento econômico nacional – pelos interesses eleitorais imediatos’’, afirmou.

Energia

Karen Suassuna, do WWF Brasil, criticou as incoerências entre as projeções de metas assumidas pelo Brasil na Política Nacional sobre Mudança no Clima as o Plano Nacional de Energia de 2030 e o Plano Nacional de Energia de 2030.  ‘’O setor energético ainda é muito refratário à participação construtiva da sociedade civil nas discussões de energia.  O governo injetou muita gordura nas projeções de energia, mais do que o crescimento real das emissões’’, disse ela.  A falta de acesso da sociedade civil no planejamento energético não permite que falhas como essa sejam discutidas de modo transparente.  ‘’O governo tem de ouvir a sociedade’’, finalizou.

Nota da redação: Em maio de 2009, Página 22 investigou por que as ONGs não conseguem estabelecer um canal de diálogo com o governo no setor de energia, mesmo expandindo o número de técnicos de ciências exatas em seus quadros e investindo em parcerias com grandes universidades, como a USP e a Unicamp. O resultado você confere na reportagem Telefone sem fio.

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