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Informação para o novo século

Da redação

07.12.2009

As vozes do mundo

0 por Redação # em Da redação

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Wallyg via Flickr

Wallyg via Flickr

Começa hoje a COP das COPs. Não há maneira mais apropriada para qualificar a reunião de Copenhague, a décima quinta de uma sequência de conferências anuais sempre relegadas à sombra do último mês do ano, sob a qual as decisões se transformam em prazos para tomar decisões – raramente cumpridos.

Não desta vez. Já são mais de 90 os Chefes de Estado que se encaminham para a capital da Dinamarca. Desde a Rio-92 a urgência climática não era tão prestigiada. As COPs, até pouco tempo, formavam a seara de diplomatas e ministros sem autorização para assumirem compromissos vinculantes e ONGs que pressionavam no escuro. Um beco sem saída.

A diferença está nos bilhões de pessoas que não aparecerão em Copenhague. A rede BBC, em parceria com a GlobalScan, divulga hoje uma pesquisa de opinião realizada com mais de 24 mil pessoas em 23 países, entre desenvolvidos e “em desenvolvimento”. O resultado é um retrato daquilo que se chama, em 2009, momentum.

-44% dos entrevistados querem que seus países desempenhem um papel de liderança e enfrentem a mudança do clima o mais rápido possível, enquanto 39% preferem ação moderada e gradual. Apenas 6% se opõem a qualquer acordo internacional.

-61% apóiam investimentos governamentais para combater a mudança do clima, mesmo que isso atrapalhe a economia, contra 29% que se opõem.

-64% consideram a crise climática “muito séria”. Apenas 2% negam os riscos e 6% acrediam que a questão não é tão séria.

Não é o caso de se apostar, como disse o nosso entrevistado Mike Hulme, que a COP 15 “resolverá todos os problemas do mundo”. Mesmo com tantas metas anunciadas individualmente pelos países, estima-se que o corte de emissões para 2020 seja da ordem de 18%. Bem abaixo do mínimo recomendado pelo IPCC, de 25%.

Trata-se da negociação mais complexa da história da diplomacia. Mas também não é o tamanho do desafio que deve arrefecer o senso de urgência que ora de generaliza.

Esse tal momentum se assemelham muito às nossas convicções sobre o jornalismo. Em três anos de existência a Página 22 testemunhou de perto os extremos da sustentabilidade, do alternativo para o mainstream. Em todos esses momentos o nosso papel se manteve claro: se caminharmos todos para o buraco, ao menos não será com a consciência leve. Consciência é uma coisa poderosa e 2009 é uma expressão disso.

Assim, a Página 22 também inaugura a sua participação direta em uma Conferência do Clima. O repórter José Alberto Gonçalves rumou ontem para Copenhague e publicará seus relatos neste espaço diariamente. Aos nossos leitores, o nosso compromisso com a cobertura que já é característica: informação contextualizada, aprofundada, de olho nos panos de fundo que fazem toda a diferença.

  • por Felipe Baenninger # em 07.12.2009 às 1:15 pm | Responder

    Ficamos no aguardo desse relato.
    Um olhar mais apurado e a transparência que vejo por aqui vai ser de grande valia para mim.

    Sorte a 22 e ao mundo

  • por Tweets that mention As vozes do mundo « Página 22 -- Topsy.com # em 07.12.2009 às 2:37 pm | Responder

    [...] This post was mentioned on Twitter by Paulo Fehlauer and Coletivo Garapa, Revista Página22. Revista Página22 said: Pesquisa da GlobeScan revela o tamanho da pressão global por um acordo em Copenhague http://migre.me/dxYW [...]

  • por Ana Dangelo # em 09.12.2009 às 11:14 am | Responder

    Aí Beto, bom trabalho, sucesso, vamos acompanhar por aqui.
    Abraço

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