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Informação para o novo século

Da redação

17.11.2009

Falei, tá falado

0 por Redação # em Da redação

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Foto de Kairos Photo

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É uma discussão embaralhada esta que opõe ruralistas e ambientalistas em torno do Código Florestal. Mas sejam quais forem os ajustes que o governo deve arbitrar, há um princípio essencial, o segredo: chama-se “consistência”.

Quem explica é o Paulo Barreto, pesquisador do Imazon e uma fera nos cruzamentos entre Amazônia e agronegócio, que conversou com a gente por telefone.

O histórico das políticas públicas envolvendo campo e meio ambiente é uma sucessão de “diz-que-me-disse”. Os governos encurtam a rédea, depois cedem à pressão dos produtores e voltam a afrouxar. O resultado é que os atingidos pela legislação ambiental sentem que não precisam cumpri-la e seguem desmatando. Mais cedo ou mais tarde, o governo perdoa.

É muito parecido com o drama daqueles pais que não conseguem ser consistentes com a disciplina de seus filhos e acabam perdendo o controle da criançada. Sobre o que pode ou não pode mudar no Código Florestal, Barreto prefere se concentrar no segundo quesito: “Qualquer coisa que alivie multa (ambiental), ou que garanta anistia, vai favorecer o desmatamento depois. Isso é certo”.

Para ilustrar, um exemplo: Barreto conta que, não faz muito tempo, o governo apertou o cerco contra a ocupação ilegal na Floresta Nacional Bom Futuro, em Rondônia (área destinada para preservação, chamada de Flona). O governo do Estado não gostou, e ameaçou cancelar algumas licenças das usinas do Rio Madeira, prioridade para o Planalto.

E o que o governo federal fez? Reduziu a área da Flona, deixando de fora todo mundo que invadiu terra pública e desmatou área preservada. Legalizou o crime. Anistiou. Então vem o efeito dominó: os invasores de outras Flonas na Amazônia querem a mesma barbada. É o caso da Flona do Jamanxim (PA), onde, segundo Barreto, o desmatamento, que já poderia ter sido estancado, é crescente.

Aí você lembra que o governo já decidiu voltar atrás no decreto que impunha punições a quem descumpriu o Código Florestal a partir de dezembro. O prazo deve ser esticado para junho do ano que vem, via medida provisória. É a repetição de um vício.

“Em algumas regiões do País recuperar área degradada tem um custo muito alto. Aí eu acho que pode ter alguma negociação de prazo. O que não pode é afrouxar, de modo que as pessoas pensem que no final não precisarão recuperar nada”, diz Barreto.

  • por Desconstruindo Kátia Abreu « Página 22 # em 02.12.2009 às 4:54 pm | Responder

    [...] Sobre anistia, Barreto é cabal, assim como muito outros estudiosos da questão amazônica. O que se propõe hoje não é novidade. Governo após governo, os perdões foram sendo concedidos sistematicamente e hoje esse é um dos principais motores do desrespeito enraizado e generalizado da legislação ambiental brasileira. [...]

  • por Leis só de papel « Página 22 # em 09.06.2010 às 5:23 pm | Responder

    [...] pesquisador do Imazon, Paulo Barreto, já deu exemplos aqui de como essa política da impunidade estimula ainda mais os novos [...]

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