Há algo de antártico no Saara. E algo de desértico no continente gelado. Mesmo em oposição, as belezas naturais ensinam que o mundo tem uma só essência
Para a filosofia tradicional chinesa, Yin e Yang. Para a psicologia analítica, Animus e Anima. Seja na natureza, seja no interior das pessoas, a convicção de que a existência é composta de duas forças antípodas que se equilibram é atemporal. E é também o que ilustra o ensaio de Christiana Carvalho, resultado de uma incursão de dez anos a bordo de um navio, com passagem pela Antártida e uma viagem solo ao Egito. Só quando retornou das viagens foi que a fotógrafa percebeu a semelhança de formas e texturas entre as duas paisagens. Já a oposição não se dá apenas pelo elementar quente e frio, mas pela dualidade que Christiana chama de “masculinofeminino”. Na Antártida, predominariam os contornos agudos e protuberantes e, no Saara, as formas curvas e sinuosas. Esculpidos pelas mesmas forças naturais, os desertos de gelo e de areia traduzem a essência de uma natureza interligada.



















por Julio Alexandre # em 24.09.2009 às 12:46 pm |
Engraçado como a atenção da gente se atém a alguns detalhes e segue sozinha como um assovio perdido. Antes do ensaio de Christiana Carvalho eu já havia me perdido no pensamento sobre a filosofia tradicional chinesa, Yin e Yang, Animus e Anima e em outras formas de dualidade do espírito e do pensamento humano. Acabei pensando no interior de algumas pessoas, onde a dualidade se manifesta em forma de Tico e Teco.
Desculpem, é que quando eu li que tratava-se de uma incursão de dez anos a bordo de um navio com passagem pela Antártida e uma viagem solo ao Egito, fiquei na expectativa de enxergar mais impressões. Um quadro pintado com palavras, por exemplo. Fica para a próxima.